O Clube do Curió, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

O Clube do Curió, por Milton Lodi

Na sexta-feira, 20 de março de 2015 o saudoso turfista Haroldo Barbosa faria 100 anos de idade.

Com o título acima, Haroldo Barbosa publicou um dos seus melhores artigos. Com suas inteligência e sensibilidade, e seu humor, durante muitos anos apresentou aos turfistas, na página de turfe do jornal “O GLOBO”, o lado pitoresco e curioso, mostrou o enfoque do turfista anônimo no palpitante dia-a-dia do mundo carioca das corridas de cavalos. Sob o pseudônimo de “Pangaré”, Haroldo foi um marco na imprensa turfística, e em um dos muitos momentos em que os proprietários de cavalos na Gávea mais sofriam com a política administrativa do clube, voltada para a sede social e não para o hipódromo, “O Clube do Curió” expressou de forma sutil e verdadeira, suava mas realista, o sentimento dos turfistas da época. A seguir, o especial artigo de Haroldo Barbosa, o “Pangaré”, infelizmente não apresentado com as próprias palavras do autor, mas pelas de um de muitos de seus saudosos admiradores.

“Os fins de tarde eram muito agradáveis para um grupo de amigos, encontravam-se na pracinha do bairro, e à sombra das árvores conversavam até a entrada da noite, assim também eram os sábados e domingos, enquanto seus curiós cantavam nas gaiolas que eram colocadas nas árvores. Tudo corria bem, os curiós cantando, os amigos conversando, até que alguém, alegando os inconvenientes dias de chuva, o desconforto dos bancos da praça, o vai e vem dos transeuntes, a algazarra das crianças, lembrou que os encontros poderiam passar para um terreno baldio próximo, que, com pequenas providencias ficaria um lugar mais agradável. O terreno foi limpo, cobriram um espaço suficiente, colocaram cadeiras confortáveis, e lá passaram a se encontrar os curiós e seus donos. Aos poucos, as famílias, os amigos e os conhecidos também passaram a frequentar o pequeno galpão, provocando naturalmente desconforto pelo pequeno espaço. Ideias foram surgindo, o galpão foi aumentando e sendo subdividido, vieram mesas de bilhar e de sinuca, aparelho de televisão, mesas para jogo de baralho, e assim por diante. Enquanto os curiós e seus donos cada vez tinham menos espaços, o Clube do Curió aumentava, mais gente, mais ideias. Tudo se resolveu no dia em que um dos sócios perguntou por que tinham eles, maioria desejando um tipo de lazer e mordomias, que suportar as inconveniências de passarinhos que não paravam de cantar, perturbando a concentração no jogo carteado, atrapalhando quem via televisão, tomando espaço que poderia melhor ser aproveitado para aparelhos de vídeo game, sala de ginástica, um bom bar etc. E foi assim que, enquanto a maioria tomava conta e se divertia no Clube do Curió, os curiós e seus donos voltaram para a pracinha do bairro.”

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