O bom Ramirez de 2015, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

O bom Ramirez de 2015, por Milton Lodi

No dia 06 de janeiro de cada ano, Dia de Reis, o Jockey Club do Uruguai promove a sua festa maior, mas o G.P. José Pedro Ramirez-2015 foi especial.

Há muitos anos, quando criadores cariocas compraram terras em Bagé, RS, e iniciaram a implantação do maior e melhor centro criacional de nosso país, os Haras Sideral e Mondesir, então em terras paulistas, compraram através do melhor agente brasileiro Samir Abujamra um lote de éguas inglesas. Na divisão do lote entre os dois haras, coube entre outras ao Mondesir a égua Skyle, uma filha de Aureole, ganhador do Derby de Epsom com as cores da Rainha, em égua por Major Portion. Skyle desde logo produziu muito bem, sempre animais de categoria, e no Mondesir foi mãe dentre outros de Zalb, Amarela, dois destaques. Já no Haras Santa Ana, com Free Hand deu Vichysoisse, de muito bom padrão, e estamos falando em padrão clássico aquele de provas de grupo. Àquela altura, surgiu uma grande novidade. Decorrido pouco tempo, o Sideral foi vendido para o Haras Inshalla e depois para o Doce Vale, onde continua até hoje como criador de grande sucesso. Com o Mondesir aconteceu diferente. Foi vendida metade da área do total que disponha, justamente onde estavam instaladas as cocheiras, e tudo do setor criacional para o Haras Santa Ana do Rio Grande, e o Mondesir seguiu criando com a outra metade, que foi aumentada em outro tanto, ficando o novo Mondesir com o dobro da área vendida.
O Santa Ana não só adquiriu o imóvel, mas também a grande maioria do plantel do Mondesir, e Skyle mudou de mãos dela proliferaram filhos, netos e bisnetos de alta qualidade, sendo que a citada Vichysoisse, com o chileno Rasputin deu Jade Girl. Essa na reprodução foi dada ao norte-americano Roy, daí nascendo uma das principais estrelas dessa linha, Talented Girl, ótima ganhadora, muita classe, e que teve interrompida a sua especial campanha nas pistas por ter sido acometida por um principio de bambeira, felizmente curada. Talented Girl deu, com Mensageiro Alado, a boa Andrea Girl, mãe de três filhos ganhadores de alto padrão clássico. Quando da liquidação do Haras Santa Ana do Rio Grande, Andrea Girl foi comprada pelo Haras Di Cellius, e coberta pelo norte- americano Holzmeister, um garanhão com físico de um quarto de milha, mas com distância preferencial quando em carreira de cerca de 1.800 metros. Aí nasceu Hielo (gêlo, em espanhol), que foi comprado para fazer campanha no Uruguai. Após Hielo, em janeiro de 2014, com 3 anos de idade, ganhar o Ramirez, em janeiro de 2015, voltou a vencer a principal prova do país nosso vizinho. De propriedade do brasileiro Stud Coral Gables, Hielo tem em boa parte explicadas as suas altas qualidades pela excelência de sua especialíssima linha feminina ao ganhar o Ramirez por duas vezes, aos 3 e aos 4 anos de idade, não é para qualquer um. Nessa vitória em janeiro de 2015, Hielo foi secundado por outro cavalo brasileiro, Whoopee Maker, que foi levado do Brasil e montado por um bom jóquei do turfe paulista, V.Leal. Os resultados dos últimos dois Ramirez vem contrariar os interesses comerciais dos argentinos, que tem uma forte reserva de mercado no Uruguai. Com as compras que tem se verificado mais recentemente de criadores e proprietários uruguaios nos múltiplos leilões que são habituais no Brasil, os resultados nas pistas uruguaias vão dando uma contra partida nos interesses comerciais argentinos, é uma evidência.
Outro fato especial no recente Ramirez foi à presença do Presidente do Jockey Club Brasileiro, Carlos Eduardo Loretti Palermo, também na condição de novo Presidente da OSAF. A Organização Sul-Americana de Fomento, iniciativa vitoriosa do saudoso criador argentino Edoardo Bloussom.

Edoardo Bloussom que dela foi o faz-tudo durante toda a sua vida, através dos anos sempre foi comandada pelos argentinos, até que, há poucos anos, a presidência passou às mãos dos chilenos. E agora, com o falecimento do então Presidente Marcel Zarour, estatutariamente a Presidência coube ao Presidente do Jockey Club Brasileiro. Agora são dois brasileiros participando da alta administração da OSAF, o Presidente Palermo e Sergio Luis Coutinho Nogueira, Presidente da Associação Brasileira e também Presidente do Conselho técnico da OSAF.

Apesar dos habituais descontentes, o turfe brasileiro segue em frente, e bem , dentro do possível.
Gostou da notícia? Compartilhe!

Pular para o conteúdo