Hoje, talvez tão importante para o processo de seleção do cavalo de corrida quanto o Derby, o Diana é a prova que consagra a melhor potranca de 3 anos de sua geração. Ganhar o Diana significa para proprietários e criadores, nada menos que entrar para a três vezes secular história do turfe. Na Inglaterra e em vários países de língua inglesa, o Diana tem o nome de Oaks. E seu dia é consagrado às mulheres, atraindo sempre uma multidão feminina ao hipódromo.
Este ano, o Diana carioca, vencido ano passado por Brilhantíssima (foto) será disputado na tarde de domingo, dia 1º de março, junto com o GP Francisco Eduardo de Paula Machado (G1), a segunda prova da tríplice-coroa de produtos de 3 anos. Portanto, um programa de gala do turfe do Rio de Janeiro, com a presença na pista dos melhores animais da geração de 2011, de ambos os sexos.
A pequenina January Jones (Shirocco e La Gañadora, por Crimson Tide), criada pela Coudelaria Jéssica e defensora do Stud Art & Buzios, brilhante 1ª colocada no Grande Prêmio Henrique Possolo (G1), chega ao Diana com a
possibilidade de continuar sua busca pela sonhada Coroa que apenas Indian Chris (91); Virginie (98); Be Fair (2000) e Old Tune (2012) conseguiram. Pilotada por Wellerson Freitas e preparada por Victor Paim, no Centro de Treinamento Vale do Marmelo, January Jones terá 13 rivais na tarde domingo, no Hipódromo Brasileiro na disputa de mais uma edição do icônico Grande Prêmio Diana (G1).
No Hipódromo Brasileiro, Gávea, o GP Diana (G1) – um “clássico” na expressão mais pura do termo -, começou a ser corrido em 1932, há 83 anos, portanto. A partir de 1979, passou a ser a segunda prova da tríplice-coroa das fêmeas, quando esta foi criada no Rio (em São Paulo, ela o foi em 1957, quando Dulce, uma Royal Forest e Duty, por Embrujo, criação do Haras Guanabara e propriedade do Stud Seabra, a conquistou) e de sua lista de ganhadoras constam nomes inesquecíveis do turfe brasileiro.
Apenas após o ano de 1953 tornou-se a versão carioca do Oaks inglês. Até o ano anterior, ele dava o nome ao Brasil das éguas e última prova da Temporada Internacional do JCB. Nesta época, o nosso equivalente aos Oaks inglês, ao Prix de Diane francês e ao Gran Premio Selección argentino, entre outras provas análogas, era o GP Marciano de Aguiar Moreira. Outro detalhe, até 1962, ano de Althea (Fort Napoléon e Gravana, Por Formastérus), do Stud Linneo de Paula Machado, ele era na distância clássica por excelência, a milha meia. Na relação maravilhosa de suas grandes ganhadoras, tanto como o Brasil das éguas como Oaks, leem-se nomes como (aqui incluindo campeãs somente do Oaks como Marciano de Aguiar Moreira):
1945 – Fontaine (Formastérus e Tacy por Tomy) do Stud Linneo de Paula Machado, criação dos Haras São José e Expedictus (ganhadora também no ano de 1945 dos GGPPs Henrique Possolo, Outono, Marciano de Aguiar Moreira, como dissemos o Oaks, e Cruzeiro do Sul, o Derby);
1947 – Garbosa Bruleur (Tintoretto e Lolita, por Ksar), de José Buarque de Macedo, criação de José Paulino Nogueira, que venceu o Oaks como GP Marciano de Aguiar Moreira;
1949 – Loretta (Hunter’s Moon e Louisiania, por Maron, do Stud Seabra, criação do Haras Guanabara, como Garbosa Bruleur, ganhadora do Oaks enquanto GP Marciano de Aguiar Moreira;
1948, 1949, 1950, 1951 – Tirolesa (foto) (Fox Club e Tela, por Macon), de Nelson Seabra e depois do Stud Seabra, criação do Haras Argentino (ganhadora do GP Brasil em 1950 e que fez a sua triunfal despedida das pistas nos então 2.400 metros diante de uma multidão delirante e um mar de lenços brancos);
1952 – Platina (Blue Train e Sister Patricia, por Wychwood Abbot), do Stud Zélia Gonzaga Peixoto de Castro (que conquistou os GGPPs Henrique Possolo, Distrito Federal, Cruzeiro do Sul e Marciano de Aguiar Moreira);
1954 – Joiosa (Romney e Princess por Socorro!), do Stud Rocha Faria , criação do Haras Santa Annita, (vencedora dos GGPPs Derby Paulista (a versão de 1953 foi disputada em janeiro de 1954 por causa das festividades do IV Centenário da Cidade São Paulo – na pista de areia -, Henrique Possolo (54), Distrito Federal (54), Cruzeiro do Sul (54) e Marciano de Aguiar Moreira (54));
1955 – Courageuse (Cranach e Fidjety Night,por Turkhan), do Stud Verde e Preto, criação do Haras São Bernardo
(vencedora dos GGPPs Henrique Possolo (55), Cruzeiro do Sul (55), Marciano de Aguiar Moreira (55) e José Guathemozin Nogueira (55), à época na milha);
1958 – Turqueza (foto) (Fort Napoléon e Finesse, por Formastérus), do Stud Linneo de Paula Machado, criação dos Haras São José e Expedictus, dos melhores nomes da geração feminina liderada pela craque Dulce, a mesma de Bucarest, Garça etc…
1959 – Emocion (Orsenigo e Empeñosa, por Full Sail, do Stud Seabra, criação do Haras Guanabara, que, no ano anterior, levantou também o Diana em São Paulo e ascendente de uma craque como Emerald Hill, tríplice-coroada paulista e também ganhadora do Oaks carioca (citada adiante);
1970 – Elamiur (Xaveco e Vera Cruz por Pharas), de Attilio Irulegui, criação de José Paulino Nogueira, que conquistou os GGPPs Jockey Club Brasileiro do Sul e Cruzeiro do Sul;
1978 – Emerald Hill (foto) (Locris e Embuia, por Sunny Boy), do Haras Rosa do Sul, criação do Haras Guanabara, tríplice coroada invicta em Cidade Jardim, brilhante vencedora dos GGPPs Barão de Piracicaba (G1 – 77), Diana – SP (G1 – 77), José Guathemozin Nogueira (G1 – 77), Criação Nacional – Taça de Prata (G1), e, no Rio Henrique Possolo (G1 – 78) e Taça de Ouro (G1 – 78);
1979 – Apple Honey (Falkland e Irish Song, por Maki), do Haras São José & Expedictus (criador e proprietário) que, depois na reprodução,
com Felicio, deu o craque invicto, tríplice coroado e inesquecível Itajara;
1984 – Fantasie (foto) (Felicio e Ironia, por Coaraze), do Haras São José & Expedictus (criador e proprietário), bicampeã do GP OSAF (G1 – 84 e 85), o São Paulo das éguas, em Cidade Jardim;
1987 – Rasharkin (Vacilante e Malindi, por Sabinus), do Haras Santa Maria de Araras (criador e proprietário), que, no ano anterior venceu o GP Diana (G1 em Cidade Jardim e brilhante ganhadora do GP Henrique Possolo (G1 – 87), perdendo a tríplice coroa carioca de forma infeliz na milha e meia da terceira prova, o GP Marciano de Aguiar Moreira (G1),
quando foi a segunda colocada para Classista (Stud Minha Zebrinha);
1991 – Indian Chris (foto à direita) (Ghadeer e Ocasião, por Waldmeister), de Fazenda Mondesir (criador e proprietário). Primeira tríplice coroada feminina do turfe carioca, ao levantar em 1991 os GGPPs Henrique Possolo (G1) e Marciano de Aguiar Moreira (G1). Além disso, Indian Chris conquistou prova de Grupo nos EUA e secundou Villach King no GP Brasil (G1 – 91);
1998 – Virginie (ver vídeo ao lado) (Legal Case e Misty Moon, por Baronius), do Haras São José & Expedictus (criador e proprietário). A segunda tríplice coroada do turfe carioca deixou o Brasil invicta em sete atuações, campeã dos GGPPs Henrique Possolo (G1 – 98) e Marciano de Aguiar Moreira (G1 – 98). Nos Eua, Virginie também fez história ao se tornar a primeira égua sul-americana a vencer um G1 na terra do Tio Sam, o Beverly Hills Handicap, em 1999;
1999 – Sweet Eternity (Effeverscing e Sweet Honey, por Egoísmo), do Haras São José da Serra (criador e proprietário). Única ganhadora do Diana a levantar o GP São Paulo (G1 – 99), Sweet Eternity impôs-se no GP Marciano de Aguiar Moreira (G1), também 1999;
2000 – Be Fair (ver vídeo ao lado) (Fast Gold e Misty Moon, por Baronius), do Haras São José & Expedictus (criador e proprietário. A terceira tríplice coroada do turfe no Rio de Janeiro entre as fêmeas, Be Fair, irmã materna da citada Virginie, ganhou os GGPPs Henrique Possolo (G1) e Marciano de Aguiar Moreira (G1) e num duelo eletrizante quase tirou a tríplice coroa de Super Power, que a derrotou por mínima diferença no último Derby do século 20, o GP Cruzeiro do Sul (G1);
2001 – Coray (Know Heights e Pacatyba, por Itajara), do Stud Santa Sofia da Gávea, criação dos Haras São José e Expedictus. Vencedora do GP Marciano de Aguiar Moreira (G1 – 2001) em 08/04/2001, Coray três semanas depois derrotou os machos no Derby, o GP Cruzeiro do Sul (G1), em recorde;
2006 – Quick As Ray (Nedawi e Porta Bandeira, por Shernazar), Stud Courchevel 1850, criação do Haras Santa Rita da Serra. Ganhadora no mesmo ano do GP Zélia Gonzaga Peixoto de Castro (G1);
2009 – Smile Jenny (ver vídeo ao lado) (Wild Event e Jenny Jacquet, por Roy), do Stud Torna Surriento, criação do Haras Santa Maria de Araras. Ganhou os GGPPs Henrique Possolo (G1) e o Diana na pista de areia, em virtude da reforma da pista de grama. Perdeu a Tríplice Coroa em 21/04/2009, no GP Zélia Gonzaga Peixoto de Castro (G1), na estreia da nova pista de grama numa raia encharcadíssima para Estrela Anki (Stud Estrela Energia). Venceu também o GP ABCPCC – Taça Mathias Machiline (G1);
2011 – Hunka Hunka (Wild Event e Uff-Uff, por De Quest), do Haras Doce Vale (criador e proprietário), segunda nos GGPP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra (G1) e Henrique Possollo (G1), terceira no GP Cruzeiro do Sul (G1), irmã própria de Fluke, campeão de G1 nos Eua, e materna de I Scream (Ay Caramba), GP OSAF (G1), São Paulo das éguas.
2012 – Old Tune (ver vídeo ao lado) (Wild Event e Chanson Pour Julia, por Irish Fighter), do Haras Internacional (criador e proprietário). A quarta tríplice coroada do turfe no Rio de Janeiro, brilhou nos GGPPs Stud TNT – Henrique Possolo (G1) e Stud TNT Zélia Gonzaga Peixoto de Castro (G1), além do GP Margarida Polak Lara – Taça de Prata (G1), em Cidade Jardim. E em suas duas únicas corridas nos Estados Unidos, defendendo o Stud TNT, permanece invicta atráves de duas vitórias em provas de G3 (Endeavour Stakes e Hillsborough Stakes)
2013 – Sutil (Redattore e Sweet Biscuit, por Effeverscing), de criação e propriedade para o modelar Haras São José da Serra. Em 17 de março de 2013, conduzida com a categoria de sempre por Vagner Borges (em sua 1ª vitória de G1) e apresentada de forma impecável por Dulcino Guignoni, Sutil superou um grande temporal e mais treze competidoras para eternizar seu nome como mais uma ganhadora do mais charmoso e importante páreo para fêmeas no mundo. Sutil correu 20 vezes para conseguir seis vitórias (além do Diana, GP Osvaldo Aranha (G2); GP Duque de Caxias (G2); GP Roger Guedon (G3) e GP Mariano Procópio (G3).
2014 – Brilhantíssima (Put It Back e Lamparina, por Roy), criada e defensora do Haras Santa Maria de Araras, do empresário Julio Bozano. Preparada pelo fantástico Roberto Morgado Neto e pilotada pelo não menos sensacional Valdinei Gil, Brilhantíssima após vencer o GP Henrique Possolo (G1), repetiu a dose no Diana e colocou-se no caminho da Coroa. Após, infelizmente, um contratempo tirou da grande corredora a oportunidade de ser a quinta Tríplice Coroada do turfe carioca. Antes, em junho de 2013, Brilhantíssima já havia colocado um G1 em seu turf-record, ao levantar, de forma categórica, o GP Margarida Polak Lara (G1) – a Taça de Prata de Potrancas.
CLIQUE AQUI e veja a vitória de Quick As Ray em 2006
CLIQUE AQUI para ver Hunka Hunka vencer o Diana em 2011
por Fernando Lopes com Assessoria da Gerência de Turfe – fotos: Internet & Gerson Martins
