Faleceu na madrugada desta quarta-feira, 1º de setembro, o empresário, sócio do JCB, criador e proprietário Alfredo Grumser, titular do Haras Doce Vale.
Muito respeitado por toda comunidade turfística e um apaixonado pelo cavalo de corrida – seu Round Hill, aos 26 anos, assim como algumas reprodutoras aposentadas, ainda estão nas suas terras em Bagé, mostrando que quem ama o cavalo não o abandona jamais – Alfredo, desde a década de 70, com o Stud Grumser, esteve fortemente ligado ao cavalo de corrida.
Have Fun, For Merit – este o animal que mais perto chegou do fenômeno Itajara, no segundo lugar do GP Estado do Rio de Janeiro (G1), um filho de Depressa, o primeiro garanhão de Grumser, pai também do ótimo Corintho, foram alguns dos defensores de suas sedas marrom e bege em quadrados e boné marrom.
Sempre pensando grande, Alfredo no começo da década de 90 adquiriu as terras, reprodutores e matrizes do Haras Inshalla, para o seu Haras Doce Vale, fundado em 1987, alavancando o que seria um dos importantes pilares da história turfística no país, com cavalos vitoriosos nas principais provas do Brasil e também no exterior, com sua criação emprestando enorme classicismo ao turfe nacional.
Entre as matrizes do recém-adquirido Inshalla estava Court Lady, a responsável pela melhor linha materna do Doce Vale e mãe de Double Trouble (ganhadora do Santa Maria H. (G1) nos EUA) e Onefortheroad (Ghadeer) primeira colocada em cinco provas, a melhor o GP Diana (G1), em São Paulo.
Quando enviada para a reprodução, Onefortheroad mostrou-se ainda mais espetacular e produziu, entre outros:
Flymetothemoon (Roi Normand), ganhador do GP São Paulo e do GP Linneo de Paula Machado (G1);
Éissoaí (Roi Normand), campeã do GP Diana (G1);
Bye Bye Caroline (Royal Academy) mãe de Pimper’s Paradise (Put It Back) vencedor do GP Brasil (G1), da Copa ABCPCC Clássica Matias Machline (G1) e tido por muitos como o melhor cavalo do país na atualidade.
Chérie Gigi (Roi Normand) mãe de Nostalgie (Fluke) campeã do GP Margarida Polak Lara (G1) – Taça de Prata.
I’m A Lady (Wild Event), que produziu Perigoosa (Public Purse), primeira colocada do GP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra (G1).
Ay Caramba (Roi Normand), o melhor no GP Associação Brasileira de Criadores e Proprietários do Cavalo de Corrida (G1) e ganhador de G3 nos EUA.
Na reprodução, Ay Caramba produziu My Chérie Amour (Buy Me Love), campeão do GP Brasil (G1), e I Scream (Uff-Uff), vencedora do GP Diana (G1), em São Paulo.
Outra filha de Buy Me Love, No Regrets deu ao Doce Vale a glória da Tríplice Coroa, em 2017, com os triunfos nos GPs Henrique Possolo, Diana e Zélia Gonzaga Pexoto de Castro.
O pai de No Regrets, Fluke, venceu dois G1 nos EUA (Citation Handicap e Frank E Kilroe Mile S.) e sua mãe, Buy Me Love produziu o já citado My Chérie Amour, além dos ótimos Kijolieamour (Northern Afleet) e Grapete Repete (Know Heights).
Quartier Noir (Bright Again/Danseuse Etoile, por Locris), ganhador de 11 provas, entre elas dois G1 (ABCPCC e Proclamação da República), em Cidade Jardim, também ajudou a pavimentar a história de sucesso do Haras Doce Vale.
Incríveis animais, em variadas distâncias, por décadas fizeram brilhar a antiga farda de Roger Guedon (branco, cinto, braçadeiras encarnadas e azuis) e levaram Alfredo Grumser, seus familiares e fãs do Haras Doce Vale ao ápice orgulho e da felicidade, algo tão genuíno que somente os verdadeiros apaixonados pelo Esporte dos Reis conseguem sentir.
O turfe agradece esse amor sem medidas e está um pouco mais triste no dia de hoje.
Obrigado por tanto, Alfredo Grumser.
Descanse em paz!
da Redação
