

{"id":82611,"date":"2016-05-13T10:44:08","date_gmt":"2016-05-13T13:44:08","guid":{"rendered":"\/home\/?p=82611"},"modified":"2016-05-13T10:48:31","modified_gmt":"2016-05-13T13:48:31","slug":"um-limiar-diferente-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/82611\/um-limiar-diferente-milton-lodi\/","title":{"rendered":"Um Limiar Diferente (Milton Lodi)"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: medium;\"> \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00c9 comum quando, ao nos defrontarmos com situa\u00e7\u00f5es novas, termos a impress\u00e3o de que estivemos em situa\u00e7\u00e3o semelhante ou mesmo igual. \u00c9 comum e normal. H\u00e1 at\u00e9 quem estude esse tipo de fen\u00f4meno, \u00e0 procura de explica\u00e7\u00f5es. Esse tipo de acontecimento, para n\u00f3s simples mortais, v\u00e3o para o esquecimento, mas em certas ocasi\u00f5es vale a pena parar e pensar um pouco a respeito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lembro-me bem, era um lindo s\u00e1bado, em 1968. Por volta das 11 horas da manh\u00e3, estava um grupo de turfistas conversando perto do Hospital Veterin\u00e1rio do Jockey Club de S\u00e3o Paulo. Do grupo fazia parte o Dr. Tabareli, um professor de veterin\u00e1ria, que havia sido contratado pelo JCSP para cobrir as f\u00e9rias do titular do Posto de Campinas, o Dr. Reiner. Para mim era um momento especial, pois no dia seguinte eu participaria do Grande Premio S\u00e3o Paulo com o meu potro <strong>Moustache<\/strong>, que quer dizer bigode. Em meio \u00e0 conversa, o Dr. Tabareli disse que ele, que nada entendia de corridas de cavalos, havia sonhado que, ao ser dada a partida do Grande Premio, um cavalo preto se atrasara para o \u00faltimo lugar, e aos poucos foi melhorando. Ele corria pelo meio da pista, e as pontas do seu longo bigode raspavam as duas cercas, a interna e a externa, e com isso, avan\u00e7ando sempre, ia derrubando os seus competidores com o bigode, e acabara vencendo o p\u00e1reo. Eu, como todos os outros, ri muito, era claro que o Dr. Tabareli estava mexendo comigo, com o meu <strong>Moustache<\/strong>. A\u00ed o professor se surpreendeu, ele nem sabia que havia um cavalo inscrito no Grande Premio S\u00e3o Paulo com o nome de <strong>Moustache<\/strong>. O assunto ficou ali mesmo encerrado. Eu peguei meu carro, junto com meu dedicado e bom treinador Jos\u00e9 Silvestre de Souza, o Z\u00e9 Pinto, e fomos para o outro lado da rua, para comprar qualquer coisa que estava faltando na cocheira. No primeiro cruzamento, um carro avan\u00e7ou o sinal e bateu com o p\u00e1ra-choque dianteiro no meu traseiro. O meu carro balan\u00e7ou com o forte impacto, mas foi s\u00f3, nada aconteceu a n\u00e3o ser um risco no meu p\u00e1ra-choque. O outro carro fugiu. O meu treinador me disse para eu n\u00e3o me preocupar, coisas diferentes e inusitadas eram comuns antes de momentos importantes. No dia seguinte, ao chegar ao terra\u00e7o da Tribuna Social, o \u00f3timo veterin\u00e1rio e professor Carlos Eduardo Salles Gomes me deu um abra\u00e7o, me cumprimentando antecipadamente pela pr\u00f3xima vit\u00f3ria de <strong>Moustache<\/strong>, que ganharia montado por Antonio Bolino, em 2\u00ba chegaria El Centauro com Albenzio Barroso, em 3\u00ba Osman com Dendico Garcia, em 4\u00ba Sabinus com Antonio Ricardo e em 5\u00ba Junior com Gast\u00e3o Massoli. E se isso se concretizasse, ele esperava que eu lhe desse de presente uma garrafa de whisky. Na segunda-feira, no dia seguinte, entreguei ao bom Salles Gomes a tal garrafa. O meu treinador, humilde, modesto e competente, ent\u00e3o me disse que tinha que acontecer, dois sonhos bem claros e n\u00edtidos e ainda o absurdo de um pequeno acidente de carro que poderia ter tido graves conseq\u00fc\u00eancias eram ind\u00edcios mais do que claros que havia uma corrente no ar, e eu tive que admitir que os deuses do turfe estavam preparando a vit\u00f3ria do <strong>Moustache<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 claro que essas impress\u00f5es tinham que ser fortes, positivas ou negativas, mas que deveriam ter alguma significa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essas lembran\u00e7as me vieram \u00e0 mente no domingo dia 17 de abril de 2016. Havia uma preocupa\u00e7\u00e3o geral, do Brasil inteiro, para o resultado da vota\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia, quando cerca de 515 deputados iriam ou n\u00e3o decidir sobre a carreira pol\u00edtica da ent\u00e3o Presidente Dilma. Era o ponto de partida para a continua\u00e7\u00e3o de uma administra\u00e7\u00e3o falida ou um principio de uma grande guinada no sentido de novos horizontes para o nosso pa\u00eds. Mas antes, do inicio da vota\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, antes das 17 horas, um fato violentou com brutalidade o turfe brasileiro. \u00c1s 13:30 horas daquela tarde, o turfe brasileiro perdia talvez o maior de seus expoentes t\u00e9cnicos, o hip\u00f3logo Marcos Ara\u00fajo Ribas de Faria. A brutal noticia abalou a todos que tiveram o privil\u00e9gio de conhec\u00ea-lo, e de conviver com o seu enorme talento, na arte musical, na teatral, na cinematogr\u00e1fica, no jornalismo, no turfe, na cultura de um modo geral. Foi uma sensa\u00e7\u00e3o geral de frustra\u00e7\u00e3o, de desanimo, de perda. Mas havia ainda a vota\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia, com a amea\u00e7a de Lula, Dilma e seus seguidores a seguir destruindo as perspectivas de um futuro grandioso. O que se viu foi um desfilar de gente despreparada tentando obstacular aqueles que, conscientes, votavam a favor de um Brasil melhor. Ao final da hist\u00f3rica vota\u00e7\u00e3o, ficou uma interroga\u00e7\u00e3o, no sentido de como os representantes dos perdedores tinham conseguido dominar o pa\u00eds, prevalecendo-se sobre o l\u00facido grupo que veio a vencer a vota\u00e7\u00e3o. A esmagadora vit\u00f3ria nos faz pensar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A grandeza dos dois grandes acontecimentos do dia 17 de abril me fez lembrar daqueles n\u00e3o semelhantes mas para mim t\u00e3o importantes. Ser\u00e1 que os deuses do turfe est\u00e3o preparando importantes novidades? Ser\u00e1 que coisas muito importantes e s\u00e9rias est\u00e3o para acontecer? Os pessimistas devem estar achando que agora tudo vai para o lixo. Mas eu sou otimista, interpreto as coisas pelo lado bom, pelo melhor, eu n\u00e3o sonho com derrotas, mas com vit\u00f3rias. Estou achando que muita coisa boa est\u00e1 para chegar. O turfe brasileiro vai sentir um ambiente de grandes melhorias. Estou achando que os bons momentos est\u00e3o para chegar, aqueles momentos pelos quais estamos aguardando h\u00e1 tanto tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00c9 comum quando, ao nos defrontarmos com situa\u00e7\u00f5es novas, termos a impress\u00e3o de que estivemos em situa\u00e7\u00e3o semelhante ou mesmo igual. \u00c9 comum e normal. 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