

{"id":81391,"date":"2016-04-20T10:35:21","date_gmt":"2016-04-20T13:35:21","guid":{"rendered":"\/home\/?p=81391"},"modified":"2016-04-20T10:44:08","modified_gmt":"2016-04-20T13:44:08","slug":"bijou-e-clematite-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/81391\/bijou-e-clematite-milton-lodi\/","title":{"rendered":"Bijou e Clematite (Milton Lodi)"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Houve \u00e9poca em que no turfe carioca havia um Stud de nome Chamma. Segundo consta, eram seis irm\u00e3os de origem libanesa, que entenderam de dividir-se em dois grupos. O primeiro era constitu\u00eddo pelo irm\u00e3o mais velho, de nome Jorge, e os dois mais mo\u00e7os, Nelson e Washington, que constitu\u00edam o Stud Chamma, e viviam e trabalhavam no Rio de Janeiro, e os outros tr\u00eas irm\u00e3os, o 2\u00ba, o 3\u00ba e o 4\u00ba, domiciliaram-se e trabalhavam em S\u00e3o Paulo. O irm\u00e3o mais velho integrou-se nos altos neg\u00f3cios, era figura conhecida na chamada alta sociedade, e Nelson e Washington eram ass\u00edduos freq\u00fcentadores das corridas da G\u00e1vea.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Esses dois irm\u00e3os tinham os seus corredores com o treinador Adair Feij\u00f3, filho de um dos \u00edcones do treinamento na \u00e9poca, Oswaldo Feij\u00f3, treinador do Haras Mondesir, e que com a sua morte foi substitu\u00eddo por Mario de Almeida. Adair Feij\u00f3 era considerado bom na profiss\u00e3o, mas terminou mal a sua vida, em fun\u00e7\u00e3o de excesso de bebidas alco\u00f3licas e de um devastador c\u00e2ncer. Mas nos bons tempos do Adair, o Stud Chamma tinha uma boa \u00e9gua de nome Bijou, e a cada vit\u00f3ria dela os irm\u00e3os Nelson e Washington ficavam com uma alegria contagiante. Nelson n\u00e3o entendia nada, e procurava se impor na comunidade turf\u00edstica falando do que n\u00e3o entendia, como a necessidade da grande alimenta\u00e7\u00e3o de alfafa, que seria segundo ele uma grande geradora de energia. As pessoas riam dele, pois a maior virtude da alfafa era ser uma grande fixadora de c\u00e1lcio. Dos que riam de Nelson estava o bom irm\u00e3o Washington, sempre de bom humor, inteligente, e muito amigo do Gustavo Philadelpho Azevedo, esse uma das principais figuras turf\u00edsticas do Rio. Quando a Bijou encerrou a sua campanha nas pistas havia que ser encaminhada para um haras que aceitasse pensionistas. Eram poucos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Eles conseguiram colocar Bijou em um dos melhores, se n\u00e3o me falha a mem\u00f3ria no Haras Patente, \u00e0 \u00e9poca um dos bons paulistas. Talvez por coincid\u00eancia, o Patente foi o primeiro haras da regi\u00e3o de Campinas que teve uma \u00f3tima planta\u00e7\u00e3o de alfafa, n\u00e3o sei, o que sei \u00e9 que, ap\u00f3s dois anos o Washington me procurou e disse que o Nelson e ele queriam mudar a Bijou para outro haras, pois os dois primeiros anos n\u00e3o tinham tido bom resultado, a \u00e9gua ficava cheia mas abortava no meio da gesta\u00e7\u00e3o. Ele havia prometido ao irm\u00e3o Nelson que ia achar outro haras para receber a Bijou, e ele havia me escolhido. Eu disse ao amigo Washington que no Ipiranga eu s\u00f3 tinha \u00e9guas minhas, eu n\u00e3o recebia pensionistas, mas que poderia ajud\u00e1-lo a encontrar um haras. Mas Washington insistiu muito, e terminou que eu tive que fazer uma exce\u00e7\u00e3o, condicionada a n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o dele Nelson, que no meu entender era insuport\u00e1vel. Uns dias depois no prado, encontrei-me com os dois irm\u00e3os, e logo o Nelson me perguntou quanto eu cobraria pelo trato mensal da Bijou. Eu disse a ele que cobraria o mesmo que custavam as minhas pr\u00f3prias \u00e9guas, 20 por dia. Foi o suficiente para o Nelson fazer um esc\u00e2ndalo, chamando a aten\u00e7\u00e3o de todos os que estavam perto. Ele achava o pre\u00e7o altamente abusivo. E enquanto Washington ria divertido, eu disse ao Nelson que no haras onde estava a Bijou h\u00e1 dois anos ele estava pagando 25 de di\u00e1ria, mas ele n\u00e3o precisava se preocupar, a partir daquele momento a entrada da Bijou no Ipiranga estava proibida, o Nelson que fosse bater em outra freguesia. Enquanto o Nelson perdia a arrog\u00e2ncia e gaguejava, o Washington do lado ria \u00e0s gargalhadas. O assunto deveria ter ficado por ali, mas eu n\u00e3o resisti ao amigo Washington, que prometeu que o contato referente \u00e0 Bijou seria exclusivamente entre ele e eu, com o barulhento do Nelson sem se meter. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">A Bijou foi para o Ipiranga, logo na primeira gesta\u00e7\u00e3o abortou como de costume, e eu pedi ao Washington para ele tirar a \u00e9gua de l\u00e1, no que fui atendido sem qualquer arranh\u00e3o em nosso relacionamento. O bom Gustavo Philadelpho Azevedo, como bom amigo do Washington e meu, facilitava muito. A Bijou foi embora n\u00e3o sei para onde, e n\u00e3o me consta que tenha tido filhos, eu n\u00e3o sei, \u00e9 o que me parece.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Outro caso semelhante ocorreu anos depois, se n\u00e3o me engano, quando o Ipiranga vendia coberturas. Um casal sempre muito bem vestido, e que freq\u00fcentava semanalmente as corridas, mandou uma boa ganhadora para ser coberta no Ipiranga, que havia encerrado a sua campanha nas pistas em m\u00e3os do treinador Paulo Morgado. Quando a Clematite chegou, foi constatado que ela era, ou estava, completamente cega. Eu entrei em contato com o propriet\u00e1rio, e ele me confirmou a cegueira, que havia ocasionado o encerramento da campanha nas pistas, e que eu fizesse o que fosse poss\u00edvel. Terminada a esta\u00e7\u00e3o de monta, eu pedi ao propriet\u00e1rio para levar a \u00e9gua, e para a minha surpresa, ele respondeu que n\u00e3o tinha para onde lev\u00e1-la, que eu fizesse o favor de mant\u00ea-la no Ipiranga como pensionista permanente. Eu expliquei a ele que era imposs\u00edvel, essa eventual exce\u00e7\u00e3o abriria as portas para solicita\u00e7\u00f5es similares, e eu n\u00e3o podia concordar, ainda mais que a tal Clematite requeria cuidados muito especiais, n\u00e3o podia ficar solta com as outras \u00e9guas, etc. O propriet\u00e1rio disse que ele n\u00e3o tinha para onde levar a \u00e9gua, e me fez um apelo. Eu disse a ele que se at\u00e9 o \u00faltimo dia daquele corrente m\u00eas ele n\u00e3o tirasse a \u00e9gua de l\u00e1, eu providenciaria outro haras, e ele ent\u00e3o seria avisado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Hoje em dia h\u00e1 v\u00e1rios haras que normalmente aceitam pensionistas, mas \u00e0 \u00e9poca n\u00e3o era assim.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ser propriet\u00e1rio \u00e9 uma coisa, ser criador \u00e9 outra, \u00e0s vezes eles se unem, mas s\u00e3o atividades diferentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Houve \u00e9poca em que no turfe carioca havia um Stud de nome Chamma. 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