

{"id":80336,"date":"2016-03-31T10:37:07","date_gmt":"2016-03-31T13:37:07","guid":{"rendered":"\/home\/?p=80336"},"modified":"2016-03-31T10:39:32","modified_gmt":"2016-03-31T13:39:32","slug":"rigoni-e-ricardo-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/80336\/rigoni-e-ricardo-milton-lodi\/","title":{"rendered":"Rigoni e Ricardo (Milton Lodi)"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0O presente texto n\u00e3o \u00e9 de minha autoria, quem o escreveu foi o criador e propriet\u00e1rio Carlos Frederico Carneiro de Campos, do Stud Paisano, h\u00e1 mais de dez anos. A maravilhosa vit\u00f3ria de Jorge Ricardo no Latino de 2016, a sua sexta vit\u00f3ria nesta prova, uma dire\u00e7\u00e3o precisa, simples, de alto valor t\u00e9cnico, enseja o artigo que se segue.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u201cO Brasil acaba de perder dois j\u00f3queis de excepcional qualidade, o primeiro para Deus e o segundo para as pistas da Argentina, onde j\u00e1 vem fazendo sucesso a que, certamente, estar\u00e1 destinado, como sempre foi aqui em nossa terra. <a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2013\/01\/rigonipost2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-27113\" alt=\"rigonipost2\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2013\/01\/rigonipost2-234x300.jpg\" width=\"234\" height=\"300\" \/><\/a>De Luiz Rigoni podemos dizer que, desde o in\u00edcio de suas atividades despontou como o magnifico piloto de cavalos de cavalos que iria ser. Com extraordin\u00e1rio c\u00e1lculo de carreira, na frente ou atr\u00e1s, dificilmente poderiam bat\u00ea-lo quando seu animal tinha condi\u00e7\u00f5es para disputar os primeiros postos. Quando corria de alcance, trazia o cavalo em avassaladora atropelada, para matar a corrida no final, fazendo vibrar os assistentes, que, na \u00e9poca eram multid\u00f5es a frequentar o Hip\u00f3dromo da G\u00e1vea, fazendo conhecidos, por esse Brasil a fora, tanto o campo de corridas como os profissionais que l\u00e1 trabalhavam, j\u00e1 que a imprensa falada e escrita se ocupava diariamente das atividades turf\u00edsticas, sendo o Grande Pr\u00eamio Brasil acontecimento nacional.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Falando em G.P Brasil e, falando, igualmente em atropelada, considero uma infelicidade para aqueles que n\u00e3o presenciaram esta carreira em 1954 quando, Rigoni, a bordo de El Aragon\u00e9s, fez o entusiasmo e a del\u00edcia de quantos se encontravam no hip\u00f3dromo, ao correr seu cavalo em \u00faltimo lugar durante cerca de 2.400 metros (a corrida na ocasi\u00e3o se desdobrava em 3.000 metros), abordando a reta final na \u00faltima coloca\u00e7\u00e3o, para, em final de rara emo\u00e7\u00e3o, bem a seu estilo, matar o segundo colocado \u2013 a espl\u00eandida \u00e9gua Joiosa da cria\u00e7\u00e3o Rocha Faria \u2013 por uma cabe\u00e7a, e conquistar o galard\u00e3o m\u00e1ximo do turfe brasileiro, \u00fanico que ainda lhe faltava na \u00e9poca, ap\u00f3s cerca de dez anos gloriosos na profiss\u00e3o. Mas, n\u00e3o s\u00f3 atr\u00e1s costumava correr suas montarias, apesar de ter deixado na mem\u00f3ria de seus fan\u00e1ticos torcedores, sim, porque naqueles tempos havia muitos adeptos dos j\u00f3queis, dos treinadores e das coudelarias principais, a indel\u00e9vel marca de suas arrancadas finais para a vit\u00f3ria emocionante e consagradora. Rigoni era mestre tamb\u00e9m na frente, ao dosar o train da corrida do modo mais favor\u00e1vel para seu pilotado, enganando muitas vezes os advers\u00e1rios que julgavam estar o animal se esfor\u00e7ando em demasia para sustentar-se na dianteira do pelot\u00e3o. Tive oportunidade de v\u00ea-lo fazer isso v\u00e1rias vezes, como tamb\u00e9m o vi, com o cavalo Crasso, um ligeiro tordilho, assumir a ponta sem se mexer no dorso do animal e rumar para o vencedor com os advers\u00e1rios esfor\u00e7ando-se infrutiferamente na tentativa de acompanh\u00e1-lo. Como o vi, em chegadas tantas vezes admiradas, desta vez com o cavalo Jonfor, naquela tocada inigual\u00e1vel, fazer o final mais en\u00e9rgico que talvez j\u00e1 tenha visto em todos esses anos que tenho presenciado corridas de cavalos. Porque o Rigoni empregava toda a sua maestria e toda a sua energia, tanto nos p\u00e1reos cl\u00e1ssicos como nos p\u00e1reos comuns. Era o astro maior de quantos j\u00e1 passaram pelas pistas brasileiras, o mais perfeito e completo dos condutores de nossos cavalos, que j\u00e1 havia deixado saudades ao abandonar as pistas e agora deixa a saudade maior ao abandonar nosso conv\u00edvio para sempre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Passemos ent\u00e3o ao Jorge Ricardo, que h\u00e1 pouco nos deixou rumo as pistas da Argentina e que se mostrou igualmente eficiente, embora n\u00e3o t\u00e3o espetacular. O Ricardo sempre foi um j\u00f3quei previdente. Suas montadas, na grande maioria da vezes, foram levadas a correr mais pr\u00f3ximo dos ponteiros, de modo que, com risco menor, apareciam na disputa mais cedo e a vit\u00f3ria lhes sorria amiudadamente. E ele sempre demonstrou a rara qualidade de acumular alguma reserva do f\u00f4lego dos animais que dirigia para o final, de modo a resistir sempre, sendo, para seus advers\u00e1rios, uma imensa dificuldade sobrepuj\u00e1-lo. Assim, os percursos na grande maioria das ocasi\u00f5es, beiravam a perfei\u00e7\u00e3o. Correndo na frente ou atr\u00e1s, n\u00e3o muito, havia sempre reservas para o final. Tive a oportunidade de v\u00ea-lo ganhar sua primeira prova de Grupo I, a Ta\u00e7a de Ouro de 1979, com a \u00e9gua Long Lady, de cria\u00e7\u00e3o do Haras Pirassununga, o \u00fanico filho realmente muito corredor da prole deixada pelo grande milheiro Quartier Latin ganhador por quatro vezes da milha internacional que, por coincid\u00eancia, era dirigida por Luiz Rigoni, sempre nos \u00faltimos postos no in\u00edcio da corrida. A favorita do cl\u00e1ssico era a \u00e9gua, ali\u00e1s de primeira qualidade, Apple Honey, da cria\u00e7\u00e3o Paula Machado, m\u00e3e posteriormente do fen\u00f4meno Itajara.<a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2012\/05\/Jorge-Ricardo1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5254\" alt=\"Jorge Ricardo\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2012\/05\/Jorge-Ricardo1-199x300.jpg\" width=\"199\" height=\"300\" \/><\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">O propriet\u00e1rio da Long Lady disse ao Ricardo, no paddock receoso de que ele fosse em busca da Apple Honey, que sempre ia para a dianteira, o seguinte: Ricardo, a Apple Honey \u00e9 forfait, ela n\u00e3o corre, de modo que se voc\u00ea vir uma \u00e9gua preta na sua frente, como ela costuma fazer, n\u00e3o se assuste porque n\u00e3o pode ser a Apple Honey. O grande piloto entendeu perfeitamente as instru\u00e7\u00f5es e se manteve no meio do pelot\u00e3o enquanto Apple Honey, como de costume, partiu para a ponta. Na reta final, em um golpe de mestre, esgueirou-se por junto \u00e0 cerca interna, conseguindo providencial passagem a aproximadamente 450\/500 metros do vencedor e ganhou a corrida admir\u00e1vel, como tantas outras vezes tem feito. E o propriet\u00e1rio venceu o \u00fanico Grupo I de sua vida, enquanto Ricardo, seguindo sua t\u00e3o conhecida carreira de sucesso, j\u00e1 o fez por dezenas ou centenas de vezes. Depois, foram sempre in\u00fameras carreiras, comuns e cl\u00e1ssicas, no Brasil e no exterior, deixando sempre, na esteira dos grandes feitos, milhares de admiradores, por suas qualidades t\u00e9cnicas, seu profissionalismo invej\u00e1vel e sua honestidade de prop\u00f3sitos, n\u00e3o s\u00f3 nas pistas, como igualmente nas suas atitudes fora dos hip\u00f3dromos. Por essas raz\u00f5es acabamos de perd\u00ea-lo para os vizinhos do Prata, que agora, ir\u00e3o poder admirar nas suas pistas o piloto de t\u00e3o grandes qualidades que nos deixa em busca de igual sucesso na Argentina. Digo igual sucesso por achar imposs\u00edvel um j\u00f3quei correr melhor do que ele vinha fazendo entre n\u00f3s. E os pilotos portenhos, quando trouxerem seus conduzidos para dominar a carreira, v\u00e3o verificar que a montada de nosso \u00eddolo ainda traz aquela reserva costumeira, que s\u00f3 ele sabe deixar escondida e que ir\u00e1 trazer para o gringo o espanto, a decep\u00e7\u00e3o e a frusta\u00e7\u00e3o de perder um p\u00e1reo em que vinha saboreando a vit\u00f3ria. Esposando o desejo de grande sucesso, deixamos no ar nosso grito de D\u00e1-lhe Ricardo! \u201c<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0O presente texto n\u00e3o \u00e9 de minha autoria, quem o escreveu foi o criador e propriet\u00e1rio Carlos Frederico Carneiro de Campos, do Stud Paisano, h\u00e1 mais de dez anos. 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