

{"id":75205,"date":"2016-01-05T11:50:14","date_gmt":"2016-01-05T13:50:14","guid":{"rendered":"\/home\/?p=75205"},"modified":"2016-01-05T12:47:50","modified_gmt":"2016-01-05T14:47:50","slug":"barroso-e-juvenal-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/75205\/barroso-e-juvenal-milton-lodi\/","title":{"rendered":"Barroso e Juvenal &#8211; por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-13568\" alt=\"JUVENAL MACHADO DA SILVA\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2012\/08\/JUVENAL-MACHADO-DA-SILVA.jpg\" width=\"270\" height=\"190\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00c9 uma tarefa muito dif\u00edcil, quase imposs\u00edvel, compararem-se com precis\u00e3o as qualidades dos cavalos e mesmo dos profissionais do turfe que atuaram em \u00e9pocas diferentes, distantes. Al\u00e9m disso, o turfe brasileiro n\u00e3o tem mem\u00f3ria, n\u00e3o h\u00e1 registros oficiais, e o jeito \u00e9 se fazer valer da pr\u00f3pria mem\u00f3ria ou de amigos que como n\u00f3s tem viv\u00eancia atrav\u00e9s dos anos, ou ainda de uma publica\u00e7\u00e3o antiga. Isso me veio \u00e0 mente quando no JCB fui gentilmente abordado por um turfista para mim desconhecido, que me perguntou quem havia sido melhor, o Juvenal ou o Barroso. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Embora tivessem montado em \u00e9pocas diferentes, o Juvenal com sua atividade profissional principalmente na G\u00e1vea e o Barrosinho primeiro na G\u00e1vea e depois em S\u00e3o Paulo. O Juvenal foi quase um g\u00eanio, em v\u00e1rias atua\u00e7\u00f5es espetaculares esbanjando classe e em alguns momentos chegando mesmo a surpreender mesmo\u00a0aqueles que o tinham como um j\u00f3quei de incr\u00edveis percursos. Era um homem de h\u00e1bitos simples, lutava contra a balan\u00e7a, gostava de um bom churrasco e de um chopp gelado, e para montar em alguns p\u00e1reos, para segurar o peso, passava fome e sede nas v\u00e9speras dos dias de corrida, e, com tudo isso e um joelho com uma les\u00e3o que o importunava, era um verdadeiro astro nas pistas. Na opini\u00e3o da grande maioria dos turistas que viram Juvenal e suas fa\u00e7anhas no lombo dos cavalos, ele foi o melhor de sua \u00e9poca, e, em fun\u00e7\u00e3o das diferentes \u00e9pocas em que montaram, admitem ter sido ele at\u00e9 melhor do que lend\u00e1rio Luiz Rigoni.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0<\/span><span style=\"font-size: medium;\">Juvenal Machado da Silva era um amigo de todos, corria limpo, preocupava-se com os aprendizes, inteligente, esperto, era sempre um dos competidores a ser batido. Gostava muito de futebol, era um torcedor t\u00e3o fan\u00e1tico que diziam ter ele, mais de uma vez,\u00a0ir\u00a0para o galope de apresenta\u00e7\u00e3o levando escondido um r\u00e1dio de pilha, para, at\u00e9 a partida do p\u00e1reo, manter-se a par do que estava acontecendo com o Flamengo. Eu pessoalmente n\u00e3o acredito, mas muita gente diz que \u00e9 verdade. Como ele lutava contra a balan\u00e7a, passou a irregularmente n\u00e3o colocar o obrigat\u00f3rio colete protetor. Todos os\u00a0j\u00f3queis sabiam disso, e naquela \u00e9poca, o tal colete fazia parte da pesagem (esse peso\u00a0hoje\u00a0em dia n\u00e3o \u00e9 considerado). Em uma tarde de\u00a0s\u00e1bado, um comiss\u00e1rio de corridas do JCSP telefonou a prop\u00f3sito de uma informa\u00e7\u00e3o qualquer, e em conversa disse que o Juvenal iria montar l\u00e1 no dia seguinte, e l\u00e1 ele seria severamente punido se ele se apresentasse sem o colete. No final da tarde, eu chamei o Juvenal na sala da Comiss\u00e3o de Corridas, e enquanto tom\u00e1vamos um caf\u00e9, contei a ele do telefonema. Ele ficou zangado, ele era amigo de todos, quem teria dedur\u00e1-lo? Eu disse a ele que muita gente sabia do fato, seria imposs\u00edvel descobrir, e que ele usasse o colete protetor em todos os p\u00e1reos. No dia seguinte, no fim das corridas, o mesmo comiss\u00e1rio paulista me telefonou, o Juvenal n\u00e3o havia cometido nenhuma irregularidade, a den\u00fancia ficaria por conta dos habituais boateiros. Se algu\u00e9m quiser saber detalhes da genialidade de Juvenal Machado da Silva, deve procurar o experiente e t\u00e9cnico j\u00f3quei Carlos Lavor, j\u00e1 com cerca de 35 anos em lombos de cavalos de corrida, e pergunte a ele quem foi Juvenal, o seu grande \u00eddolo.<\/span><span style=\"font-size: medium;\">Quanto ao Albenzio Barroso, ele recebeu sua matr\u00edcula de j\u00f3quei em 1960, das m\u00e3os do ent\u00e3o comiss\u00e1rio de corridas no extinto Jockey Club Guanabara, o saudoso propriet\u00e1rio Paulo Dunshee de Abranches. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2016\/01\/Albenzio-Barroso-e-dona-Margarida-de-Lara.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-75206\" alt=\"Albenzio Barroso e dona Margarida de Lara,\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2016\/01\/Albenzio-Barroso-e-dona-Margarida-de-Lara-300x214.jpg\" width=\"300\" height=\"214\" \/><\/a>Bem pequeno, forte, esperto, Barroso teve um \u00f3timo in\u00edcio na G\u00e1vea, sempre ganhando. Eu me lembro um dia, no Hip\u00f3dromo de Cidade Jardim, para onde eu havia levado todos os meus cavalos por diverg\u00eancias com a ditatorial diretoria do clube que permitia injustas facilidades para uns e negava direitos a outros. Uma das pessoas que me ajudaram\u00a0na coloca\u00e7\u00e3o dos meus cavalos em Cidade Jardim, al\u00e9m de meu amigo e l\u00e1 Diretor Antonio Luiz Ferraz, foi o saudoso Handicapeur Thomaz (&#8220;Seu&#8221; Thomazinho) Teixeira de Assump\u00e7\u00e3o. Ele era um homem de grande viv\u00eancia no turfe paulista, e era muito amigo e respeitado pelos criadores, propriet\u00e1rios e profissionais do turfe. O j\u00f3quei F.G.Siva, que havia ido da G\u00e1vea para S\u00e3o Paulo, era o l\u00edder das estat\u00edsticas de Cidade Jardim. Trabalhador, correto e montando bem, recebia boas montarias e era muito procurado e aplaudido. Com o amplo dom\u00ednio naquela fase de F.G.Silva, alguns propriet\u00e1rios pediram a interveni\u00eancia do &#8220;Seu&#8221; Thomazinho, para encontrar no JCB um j\u00f3quei que pudesse competir com sucesso com o l\u00edder F.G.Silva. Pois foi naquele dia em Cidade Jardim que o &#8220;Seu&#8221; Thomazinho me disse que havia sugerido a contrata\u00e7\u00e3o de Albenzio Barroso, e ele logo me perguntou se dava para enfrentar o F.G.Silva com o Barroso. Eu ri, disse que embora o ent\u00e3o l\u00edder fosse confi\u00e1vel e bom, n\u00e3o dava para compar\u00e1-lo ao Barrosinho, que era de um padr\u00e3o superior, e que, se ele realmente se transferisse do Rio para S\u00e3o Paulo, ele logo assumiria a lideran\u00e7a das estat\u00edsticas e de l\u00e1 seria dif\u00edcil tir\u00e1-lo. Eu me lembro da cara de espanto do &#8220;Seu&#8221; Thomazinho, ele n\u00e3o tinha ideia do potencial do novo j\u00f3quei.\u00a0Barroso foi para Cidade Jardim, e ultrapassou todas as expectativas, venceu cerca de 20 estat\u00edsticas a fio, e foi um grande e merecido \u00eddolo em S\u00e3o Paulo. Simp\u00e1tico, trabalhador, muita qualidade, Albenzio Barroso tomou conta das corridas de Cidade Jardim por muito tempo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00c9 uma tarefa muito dif\u00edcil, quase imposs\u00edvel, compararem-se com precis\u00e3o as qualidades dos cavalos e mesmo dos profissionais do turfe que atuaram em \u00e9pocas diferentes, distantes. 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