

{"id":72099,"date":"2015-09-30T12:00:17","date_gmt":"2015-09-30T15:00:17","guid":{"rendered":"\/home\/?p=72099"},"modified":"2015-09-29T14:19:43","modified_gmt":"2015-09-29T17:19:43","slug":"presidentes-de-comissoes-de-corridas-por-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/72099\/presidentes-de-comissoes-de-corridas-por-milton-lodi\/","title":{"rendered":"Presidentes de Comiss\u00f5es de Corridas, por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p>Durante os nove anos que eu fui comiss\u00e1rio de corridas no Jockey Club de S\u00e3o Paulo, gest\u00f5es de tr\u00eas anos cada, conheci muitos bons turfistas. Fiz boas amizades, e, no setor t\u00e9cnico, isto \u00e9, no julgamento das corridas, encontrei gente competente, dentre eles dois em especial, Oscar (Caito) Luiz Bianchi e Manoel (Nelito) Justino de Almeida Neto, possivelmente os dois melhores ju\u00edzes, e que at\u00e9 hoje, passados muitos anos, continuam meus amigos. Naqueles anos tive tr\u00eas presidentes das comiss\u00f5es de corridas, pela ordem Cezar Washington Alves de Proen\u00e7a, Edmundo Pires de Oliveira Dias e Caetano Benito Liberatore. Os tr\u00eas foram completamente diferentes. Cezar entendia muito de corridas, via muito bem os p\u00e1reos, dominava com autoridade velada alguns dos outros comiss\u00e1rios, que s\u00f3 votavam ap\u00f3s saber da opini\u00e3o dele. Cezar protegia os j\u00f3queis dos quais mais gostava, e com muita raz\u00e3o, por exemplo, de Albenzio Barroso e Eduardo Le Mener Filho, que eram tecnicamente muito bons e corretos. Mas por outro lado, aplicava penalidades injustific\u00e1veis naqueles que n\u00e3o lhe eram simp\u00e1ticos, como Antonio Bolino e Edson Amorim. Eventuais penalidades atribu\u00eddas pelos comiss\u00e1rios nos dois primeiros enunciados eram quase sempre atenuadas por Cezar, e ao contr\u00e1rio, quando era o caso dos outros dois, eram por ele acentuadas. Eu fui levado ao ent\u00e3o Presidente do JCSP, Jo\u00e3o Adhemar de Almeida Prado, pelo saudoso diretor Antonio Luiz Ferraz, e quando convidado, disse ao Dr. Adhemar que eu n\u00e3o poderia aceitar, j\u00e1 que, embora pessoal e particularmente eu me desse bem com Cezar, eu discordava frontalmente de decis\u00f5es dele, que eu entendia como injustas e at\u00e9 perversas. Mas o Dr. Adhemar me convenceu, dizendo que aquele era um dos motivos pelos quais eu estava sendo convidado, ele queria algu\u00e9m dentro da Comiss\u00e3o que enfrentasse o que considerasse inadequado.<\/p>\n<p>Muitas vezes houve discord\u00e2ncia, e eu vou falar, dentre as muitas, de duas. Uma foi quando o melhor potro paulista Fitz Emilius, perdeu a tr\u00edplice coroa para Orff, na \u00faltima prova. Grama encharcada, pesad\u00edssima, e naquela \u00e9poca com piso irregular, com trechos da raia diferindo de outros. Fitz Emilius era de dois cariocas, os Drs Francisco de Paula Pinto e Roberto Gabizo de Faria, era o franco favorito e ia com o j\u00f3quei habitual, Eduardo Le Mener Filho. Entre par\u00eanteses, tanto o Le Mener quanto o Barrosinho costumavam montar para mim, assim como tamb\u00e9m, o Edson Amorim, nos eventuais impedimentos do Bolino, meu j\u00f3quei preferencial por cerca de 35 anos. Mas Fitz Emilius mostrava-se menos a vontade na raia muito pesada, e virou a \u00faltima reta dos ent\u00e3o 3.000 metros junto \u00e0 cerca interna, sempre muito solicitado, tentando passar de segundo para primeiro. Mas pela cerca externa, que \u00e0 \u00e9poca na grama dava grande vantagem pelo piso mais firme, o \u201ccarioca\u201d Orff, pilotado pelo excelente Jos\u00e9 Machado (hoje e j\u00e1 de algum tempo um dos professores da escola de j\u00f3queis do JCB, um dos melhores seguidores da escola de monta de Oswaldo Ulloa) que entrou fortemente na reta final tomando a ponta por cerca de 5 corpos. O p\u00e1reo j\u00e1 parecia definido, mas faltando ainda metade da reta Orff come\u00e7ou a desviar-se da cerca de fora, em lugar de correr para frente, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 linha de chegadas, come\u00e7ou a dirigir-se ao disco de chegadas, aos poucos cruzando a pista em diagonal. \u00c0 medida que isso acontecia, naturalmente Orff ia perdendo a grande vantagem, pois Fitz Emilius n\u00e3o melhorava mas tamb\u00e9m n\u00e3o perdia terreno. E acabou acontecendo o inevit\u00e1vel, pouqu\u00edssimos metros antes do disco, Orff abalroou Fitz Emilius, e cruzou o disco ainda com cerca de \u00be de corpo de vantagem. Foi um alvoro\u00e7o. Parte do p\u00fablico aplaudindo, outra parte vaiando, e de imediato a Comiss\u00e3o de Corridas viu o filme da reta de chegada por varias vezes, e por 4 votos contra 3, manteve-se o resultado da pista, entendendo que o incidente n\u00e3o havia alterado o resultado. No dia seguinte, uma segunda-feira noturna, fui \u00e0s corridas falar com o Le Mener, j\u00f3quei do Fritz Emilius, e perguntei da decis\u00e3o. Ele me disse que a confirma\u00e7\u00e3o havia sido correta, Fitz Emilius havia corrido muito menos que das outras vezes, e que o esbarro de Orff tinha ocorrido com o resultado do p\u00e1reo j\u00e1 definido. O p\u00e1reo foi confirmado, mas Cezar n\u00e3o gostou, um cavalo de fora, com um j\u00f3quei n\u00e3o radicado em S\u00e3o Paulo, havia impedido um tr\u00edplice-coroado paulista. E embora informado no dia seguinte da corrida que Orff havia chegado manco, de um anterior, motivo do desvio, aplicou em Jos\u00e9 Machado uma pena disciplinar de suspens\u00e3o por 3 meses.<\/p>\n<p>Outra m\u00e1 demonstra\u00e7\u00e3o foi quando eu dispensei os servi\u00e7os, do meu Stud, do treinador Carlos do Carmo Cabral, por absoluta inadequa\u00e7\u00e3o aos meus prop\u00f3sitos, de sempre procurar ganhar. O Cezar, que tinha amizade com aquele treinador desde os seus tempos de juventude no Rio, veio mais de uma vez me pedir para aceitar o Cabral de volta. Eu respondi que a minha decis\u00e3o n\u00e3o tinha retorno. Cerca de um m\u00eas depois, a minha \u00e9gua Astarde, favorita montada pelo Bolino, foi terceira. Cezar ent\u00e3o surpreendentemente suspendeu o Bolino por 3 meses, por falta de empenho. Perguntei aos comiss\u00e1rios como eles tinham chegado \u00e0quela conclus\u00e3o, e todos me informaram que n\u00e3o havia tido reuni\u00e3o alguma, foi uma decis\u00e3o pessoal do Cezar. Eu fui a ele, e disse que n\u00e3o adiantava ele cometer injusti\u00e7as daquele ou de outros tipos, os meus cavalos iam continuar em Cidade Jardim e o Bolino como j\u00f3quei preferencial. Como o Dr. Adhemar morreu no meio da sua gest\u00e3o, eu me senti livre de compromissos,e avisei ao Cezar que n\u00e3o dispusesse do meu nome na elei\u00e7\u00e3o seguinte. Fui imediatamente convidado pelo saudoso Hernani Azevedo Silva para fazer parte da chapa encabe\u00e7ada por ele na ent\u00e3o pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o. Hernani venceu facilmente, eu continuei comiss\u00e1rio, e o Cezar come\u00e7ou a sumir do turfe.<\/p>\n<p>Depois de Cezar veio Edmundo Pires de Oliveira Dias, um homem de extrema bondade, amigo de todos, e foi um bom Presidente da Comiss\u00e3o. Mas na parte final de seu mandato ficou gravemente doente, e o seu Diretor Secret\u00e1rio Caetano Benito Liberatore foi um bom e necess\u00e1rio suporte. Na elei\u00e7\u00e3o seguinte, em fun\u00e7\u00e3o do seu exaustivo trabalho, Caetano veio como Presidente da Comiss\u00e3o. Ele era muito trabalhador, mas a empolga\u00e7\u00e3o levou-o a se meter em tudo, queria mandar de forma ditatorial, acertou muito mais do que errou, mas poderia ter sido melhor se tivesse sido mais comedido. Depois daqueles 9 anos em S\u00e3o Paulo, fui comiss\u00e1rio de corridas por 4 anos no JCB, e a\u00ed encontrei o melhor Presidente de todas as Comiss\u00f5es, Afonso Boabaid Burlamaqui, sempre inteligente, interessado, altamente competente, com \u00f3timo jogo de cintura para resolver problemas, foi destacadamente o melhor de todos. Dif\u00edcil encontrar um melhor. Em dois anos de intenso trabalho a Diretoria eleita em 1992, que encontrou o clube financeiramente arrasado e com desordem em todos os setores, foi um dos mais fortes setores da Diretoria do Presidente Jos\u00e9 Carlos Fragoso Pires.<\/p>\n<p>Voltando ao caso da tr\u00edplice coroa perdida por Fitz Emilius, os deuses do turfe tamb\u00e9m se impressionaram com a grande decep\u00e7\u00e3o de muitos, n\u00e3o s\u00f3 torcedores do Fitz Emilius como os muitos admiradores dos dois propriet\u00e1rios, turfistas do melhor gabarito e amigos de todos. A oportunidade de uma contrapartida veio anos mais tarde. Lu\u00eds Antonio Ribeiro Pinto, filho de Francisco de Paula Pinto, formou uma grande e forte coudelaria, e ainda investiu no setor da cria\u00e7\u00e3o, tendo comprado na Inglaterra um bom ganhador cl\u00e1ssico para ser reprodutor no Brasil. Esse cavalo, Crimson Tide, mostrou-se um expoente na cria\u00e7\u00e3o, produzindo muito bem, inclusive bons ganhadores de provas nobres. E foi um filho de Crimson Tide, de nome Plenty of Kicks que deu a Lu\u00eds Antonio a tr\u00edplice coroa que o destino havia negado ao Dr. Francisco. Os Deuses do turfe, sempre que entendem necess\u00e1rio, tomam providencias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante os nove anos que eu fui comiss\u00e1rio de corridas no Jockey Club de S\u00e3o Paulo, gest\u00f5es de tr\u00eas anos cada, conheci muitos bons turfistas. Fiz boas amizades, e, no setor t\u00e9cnico, isto \u00e9, no julgamento das corridas, encontrei gente competente, dentre eles dois em especial, Oscar (Caito) Luiz Bianchi e Manoel (Nelito) Justino de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":29420,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-72099","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72099"}],"collection":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72099"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72099\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72099"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72099"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72099"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}