

{"id":70525,"date":"2015-08-19T12:00:40","date_gmt":"2015-08-19T15:00:40","guid":{"rendered":"\/home\/?p=70525"},"modified":"2015-08-18T14:26:09","modified_gmt":"2015-08-18T17:26:09","slug":"um-lado-sombrio-por-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/70525\/um-lado-sombrio-por-milton-lodi\/","title":{"rendered":"Um lado sombrio, por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p>O criador paulista Hernani Azevedo Silva, j\u00e1 dizia que ser criador era estar montado em um le\u00e3o, havia que faz\u00ea-lo andar, pois se ele parasse, o criador seria comido. Isso queria dizer que bem ou mal as coisas tinham que seguir de algum jeito, pois parar seria a realiza\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos. Esse s\u00e1bio racioc\u00ednio, de vez em quando, vem \u00e0 tona. Com o turfe Brasileiro, j\u00e1 h\u00e1 muito tempo, dando um geral preju\u00edzo, tanto a criadores como a propriet\u00e1rios, muitas vezes pergunta-se o porqu\u00ea de ainda ter gente que continua no setor. Penso que a explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 no racioc\u00ednio do Hernani, e tamb\u00e9m pela atraente competitividade do esporte, pela paix\u00e3o de participar de uma atividade t\u00e3o sedutora, que quando de eventuais vit\u00f3rias h\u00e1 um misto de vaidade, de orgulho, de prazer, pela satisfa\u00e7\u00e3o do predom\u00ednio.<\/p>\n<p>Na realidade, falta dinheiro novo na atividade, novos apostadores, novos criadores, novos propriet\u00e1rios, gente nova com dinheiro para enriquecer a atividade. Mas as conting\u00eancias externas ao turfe tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o adequadas. Veja-se por exemplo os casos como da anemia infecciosa equina, doen\u00e7a que mata animais, e que o Minist\u00e9rio da Agricultura n\u00e3o cuida devidamente. J\u00e1 houve casos muito importantes com potros com rec\u00e9m dois anos de idade, que estavam aguardando a \u00e9poca de serem leiloados, foram submetidos aos habituais exames laboratoriais, e um deles deu positivo. O Minist\u00e9rio foi informado, compareceu ao local, e sacrificou o potro. E s\u00f3. Cumpriu a sua obriga\u00e7\u00e3o de matar,e foi embora. Coube ao criador, surpreendido com a presen\u00e7a da mort\u00edfera doen\u00e7a em um dos seus potros, providenciar as pr\u00f3prias custas e iniciativa, exames dos matungos que habitualmente circulavam pelas proximidades, tendo em um deles sido comprovado AIE. O Minist\u00e9rio voltou, sacrificou, e novamente foi embora, entendendo ter cumprido a sua miss\u00e3o. Quer dizer, o Minist\u00e9rio n\u00e3o cuida do problema, s\u00f3 mata.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos anos, em uma reuni\u00e3o em Bras\u00edlia, o assunto Mormo foi abordado. Houve concord\u00e2ncia geral no sentido de uma en\u00e9rgica a\u00e7\u00e3o para erradicar a doen\u00e7a, que pelo menos \u00e0 \u00e9poca originava-se nos canaviais de Pernambuco, com os cavalos que trabalhavam no setor representando o maior foco da mortal doen\u00e7a. Naquela reuni\u00e3o lembrou-se que o Minist\u00e9rio havia determinado que barreiras sanit\u00e1rias controlassem a entrada e principalmente a sa\u00edda de cavalos daquela regi\u00e3o. Foi quando um dos participantes da tal reuni\u00e3o disse que ele havia participado de uma daquelas citadas barreiras sanit\u00e1rias, e quando um caminh\u00e3o carregado de cavalos ia saindo, foi parado para a verifica\u00e7\u00e3o de documentos e atestados de sanidade. Foi quando um dos homens do caminh\u00e3o se apresentou, com um revolver na m\u00e3o, e disse que aqueles cavalos eram dele, iam participar de uma vaquejada, ele vivia de alugar os seus cavalos para as competi\u00e7\u00f5es de fins de semana, aquilo era o ganha-p\u00e3o dele, e que o caminh\u00e3o iria passar de qualquer maneira. O caminh\u00e3o passou sem a verifica\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia dos tais documentos exigidos, e o informante declarou que havia pedido transfer\u00eancia daquele setor de barreira sanit\u00e1ria para um local administrativo, em Bras\u00edlia. O Minist\u00e9rio ainda informou que n\u00e3o dispunha de verba para enfrentar adequadamente o problema, e sugeriu que o Jockey Club Brasileiro custeasse a necess\u00e1ria opera\u00e7\u00e3o. O problema do Minist\u00e9rio era empurrar para um clube de corridas do Rio de Janeiro um problema dele, do Minist\u00e9rio, com um foco principal em Pernambuco. O problema ficou por isso mesmo, e de l\u00e1 para c\u00e1 surgiram uns poucos casos isolados de Mormo em v\u00e1rios Estados do Brasil, na verdade imediatamente sacrificados pelo Minist\u00e9rio, que assim entende estar resolvendo o problema. Recentemente, foram encontrados v\u00e1rios casos de Mormo em um quartel do Ex\u00e9rcito, isso faltando apenas um ano para as Olimp\u00edadas a serem realizadas no Estado do Rio de Janeiro em 2016. Como, em fun\u00e7\u00e3o de provas de hipismo, h\u00e1 alguma frequ\u00eancia de saltadores da Sociedade H\u00edpica Brasileira e do Exercito e vice-versa, o Minist\u00e9rio determinou o sacrif\u00edcio dos animais doentes no Exercito, e interditou a entrada e sa\u00edda da H\u00edpica, at\u00e9 que todos os animais l\u00e1 alojados sejam alvos de exames. O Minist\u00e9rio segue matando e transferindo o problema para os outros.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o Mormo que n\u00e3o \u00e9 cuidado pelo Minist\u00e9rio , \u00e9 voz corrente que a AIE (Anemia Infecciosa Eq\u00fcina), tem enorme incid\u00eancia sobre os cavalos pantaneiros, naturalmente na \u00e1rea do Pantanal. O cavalo pantaneiro n\u00e3o \u00e9 representante de uma ra\u00e7a, \u00e9 apenas um sobrevivente. Ser\u00e1 que o Minist\u00e9rio est\u00e1 aguardando que os cavalos pantaneiros morram naturalmente, e at\u00e9 l\u00e1 sigam vetores da doen\u00e7a?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O criador paulista Hernani Azevedo Silva, j\u00e1 dizia que ser criador era estar montado em um le\u00e3o, havia que faz\u00ea-lo andar, pois se ele parasse, o criador seria comido. Isso queria dizer que bem ou mal as coisas tinham que seguir de algum jeito, pois parar seria a realiza\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos. 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