

{"id":66097,"date":"2015-04-29T12:00:26","date_gmt":"2015-04-29T15:00:26","guid":{"rendered":"\/home\/?p=66097"},"modified":"2015-04-28T18:57:41","modified_gmt":"2015-04-28T21:57:41","slug":"o-passar-do-tempo-por-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/66097\/o-passar-do-tempo-por-milton-lodi\/","title":{"rendered":"O passar do tempo, por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p>Poucos anos antes de 1940 at\u00e9 pouco depois de 1950, o turfe brasileiro recebeu enorme impulso. Naqueles pouco mais de 10 anos foram implantados haras da maior import\u00e2ncia, que vieram fazer parte de um seleto grupo, no qual j\u00e1 estavam entre outros haras, o S\u00e3o Jos\u00e9 e Expedictus, o Mondesir, o Maranguape e os das fam\u00edlias paulistas Assump\u00e7\u00e3o e Lara Campos. Foi quando nasceram os haras, Bela Esperan\u00e7a, S\u00e3o Quirino, Jah\u00fa, Patente, Ipiranga, Guanabara, Faxina, S\u00e3o Bernardo, Bela Vista, Terra Branca, Santa Annita, Expert, Calunga, entre outros paulistas que foram seguidos pelo Malurica e o Rosa do Sul, dentre outros. No Paran\u00e1 despontou bem o Haras Valente, seguido do Belmont e do Paran\u00e1, e outros, posteriormente o grande ganhador Haras J.B. Barros. No Rio Grande do Sul o grande destaque era o Haras do Arado de Breno Caldas. O entusiasmo daquela formid\u00e1vel implanta\u00e7\u00e3o de haras qualitativos refletiu-se no nascimento do Bandeirantes, do Castelo, do S\u00e3o Miguel Arcanjo, do Morro Grande, do Maring\u00e1, do S\u00e3o Bento, do Vale da Boa Esperan\u00e7a, do S\u00e3o Luiz, do Pirajussara, do Pirassununga, do Rio das Pedras, do Santa Ana do Rio Grande, do Santa Maria de Araras, do Sideral, do Nacional, do Doce Vale, do Inshalla, do Anderson, do Santa Rita da Serra, do S\u00e3o Jos\u00e9 da Serra, entre outros. Imposs\u00edvel citar todos aqueles que influenciaram ou foram influenciados pela melhoria crescente do Jockey Club de S\u00e3o Paulo, mesmo contando o Jockey Club Brasileiro com a lideran\u00e7a nacional, j\u00e1 que contava com a prefer\u00eancia dos animais criados pelos S\u00e3o Jos\u00e9 e Expedictus e Mondesir.<\/p>\n<p>Foi naquela \u00e9poca que os clubes promotores de corridas tiveram um grande surto de progresso. Muitos anos j\u00e1 se passaram desde aquela gloriosa \u00e9poca, e de l\u00e1 pra c\u00e1 o Turfe Brasileiro colheu muito sucesso, mas tamb\u00e9m derrotas e maus momentos. Os Jockeys Club Brasileiro, o de S\u00e3o Paulo e o do Rio Grande do Sul enfrentaram e ainda enfrentam problemas, decorrentes de anteriores administra\u00e7\u00f5es vaidosas, e\/ou incompetentes, e\/ou ainda mal intencionadas. O outro clube que figurava na elite, o do Paran\u00e1, est\u00e1 com a Carta Patente cassada, em fun\u00e7\u00e3o do mar de lama que \u00e9 do conhecimento p\u00fablico.<\/p>\n<p>A express\u00e3o \u201cJockey Club\u201d erroneamente pressup\u00f5e nobreza, riqueza, aristocracia. Mas os tempos passam, os dinheiros mudam de m\u00e3os, tempo havia em que s\u00f3cios dos clubes colocassem em seus cart\u00f5es de visita, logo abaixo dos seus nomes, \u201cs\u00f3cio do Jockey Club\u201d. Eu conheci v\u00e1rios que colocaram \u201cdiretor\u201d ou \u201cdiretor do Jockey Club\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 muito tempo que a situa\u00e7\u00e3o internacional mudou, o turfe, \u201cEsporte dos Reis\u201d, embora ainda tenha o cunho da nobreza, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio mais ser rico para ser um criador ou um propriet\u00e1rio de cavalos. A atividade turf\u00edstica brasileira hoje depende fundamentalmente de aumentos sucessivos dos pr\u00eamios. Nenhum dos tr\u00eas clubes mais importantes diz ter os recursos financeiros necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>O Jockey Club de S\u00e3o Paulo s\u00f3 n\u00e3o fechou porque a atual Diretoria teve que sacrificar o Clube de um modo geral e o turfe em particular, tomando dr\u00e1sticas atitudes administrativas durante cerca de quatro anos. Agora, com o clube salvo, h\u00e1 que revigor\u00e1-lo, sob pena do doente morrer pela intensidade dos rem\u00e9dios aplicados para a cura. J\u00e1 com as contas sob controle, o clube est\u00e1 saindo de um longo momento pr\u00e9-falimentar, mas tendo que investir principalmente no setor turf\u00edstico para atrair os dinheiros dos turfistas, e isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com aumento nos pr\u00eamios, com isso atraindo mais cavalos, hoje em n\u00famero insuficiente, e antigos e novos turfistas. Os Jockeys Clubs s\u00e3o em parte estrangulados pelas administra\u00e7\u00f5es municipais, estaduais e federais, que entendem, como foi dito publicamente por um paranaense \u00e0 \u00e9poca na fun\u00e7\u00e3o de Ministro da Agricultura, \u201co turfe brasileiro \u00e9 uma brincadeira de meia d\u00fazia de riquinhos\u201d. S\u00f3 como um simples exemplo, sobre essa atividade deficit\u00e1ria mas que d\u00e1 mais de 100 mil empregos diretos e indiretos, o imposto de renda sobre os eventuais pr\u00eamios ganhos tem desconto na fonte de 15%. Acredite quem quiser. Enquanto isso o Jockey Club Brasileiro vai revigorando o clube de um modo geral, mas os pr\u00eamios continuam estagnados. Para os criadores, propriet\u00e1rios e profissionais do turfe, isso \u00e9 injusto. J\u00e1 passou da hora de um aumento nos pr\u00eamios. Quanto ao Jockey Club do Rio Grande do Sul, est\u00e1 em m\u00e3os firmes e competentes, e segue uma linha administrativa apoiada por todos, pois \u00e9 um caminho certo para a grande melhoria.<\/p>\n<p>Agora \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo. Com os tr\u00eas clubes mais importantes do nosso pa\u00eds em m\u00e3os confi\u00e1veis e competentes, e s\u00f3 mais um pouco de paci\u00eancia, e esperar que uma dose maior de bom senso ilumine as administra\u00e7\u00f5es com imediatos aumentos de pr\u00eamios, a \u00fanica salva\u00e7\u00e3o dos clubes.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo \u00e0 hegemonia do turfe brasileiro mudou de m\u00e3os mais de uma vez. Com o espetacular sucesso do \u201cSweepstake\u201d, inven\u00e7\u00e3o dos benem\u00e9ritos do turfe carioca Antonio Joaquim Peixoto de Castro Junior e Adhemar de Faria, o Rio assumiu a lideran\u00e7a nacional, mas com o correr do tempo, com administra\u00e7\u00f5es mais adequadas e valentes do que as do Rio, S\u00e3o Paulo chegou ao ponto em 1960 de um sucesso \u00edmpar. Naquele ano, a ent\u00e3o her\u00f3ica e atrevida excurs\u00e3o de oito animais brasileiros a Buenos Aires para concorrer em quatro importantes provas em Palermo e San Isidro, e que resultou em quatro vit\u00f3rias, todos os animais nascidos e criados em S\u00e3o Paulo. A cria\u00e7\u00e3o brasileira come\u00e7ou a mudar quando os cariocas, desencantados com a inadequa\u00e7\u00e3o das terras fluminenses para criar, compraram terras na regi\u00e3o de Bag\u00e9 \u2013 RS e com fortes investimentos passaram a ser o celeiro da cria\u00e7\u00e3o do puro sangue de corridas no Brasil. Hoje, e j\u00e1 de algum tempo em Bag\u00e9 \u2013 Acegu\u00e1 nasce cerca de 1\/3 (um ter\u00e7o) da produ\u00e7\u00e3o nacional. A conseq\u00fc\u00eancia natural \u00e9 a vinda para o turfe carioca de maior parte da potrada ga\u00facha, mais qualitativa ficando assim o JCB com quantidade maior e melhor.<\/p>\n<p>Aos poucos, parece que as coisas est\u00e3o caminhando bem, apesar das dificuldades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucos anos antes de 1940 at\u00e9 pouco depois de 1950, o turfe brasileiro recebeu enorme impulso. 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