

{"id":63197,"date":"2015-02-04T10:00:40","date_gmt":"2015-02-04T12:00:40","guid":{"rendered":"\/?p=63197"},"modified":"2015-02-04T10:13:14","modified_gmt":"2015-02-04T12:13:14","slug":"politica-e-administracao-por-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/63197\/politica-e-administracao-por-milton-lodi\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica e Administra\u00e7\u00e3o, por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 uns tantos anos, recebi um telefonema de um s\u00f3cio do Jockey Club do Rio Grande do Sul, que fazia parte do grupo diretivo. Ele queria saber a minha opini\u00e3o a respeito da diretriz tomada por Vecchio e Felizzola, no sentido de n\u00e3o promover a instala\u00e7\u00e3o de um moderno Centro de Treinamento para a cavalhada do clube, distante do prado no m\u00e1ximo de uns 100 km. Em lugar disso, a op\u00e7\u00e3o seria uma nova vila h\u00edpica no pr\u00f3prio Cristal. No entender dele, o Centro de Treinamento seria um passo para a modernidade, e a diretriz adotada, apenas boa melhoria. Respondi que eu n\u00e3o estava habilitado a emitir opini\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o conhecia detalhes, mas que Vecchio e Felizzola tinham bom senso, estavam recuperando o JCRS e que teriam raz\u00f5es suficientes para a decis\u00e3o tomada. Depois daquele telefonema, na primeira vez que encontrei o Presidente Jos\u00e9 Vecchio Filho a ele contei do telefonema e perguntei do assunto. Ele me disse que o Clube n\u00e3o tinha nenhuma \u00e1rea para, no limite de 100 km, construir o tal Centro de Treinamento, e que havia ainda dois inconvenientes importantes. Um seria a necessidade de endividar o JCRS para comprar uma \u00e1rea satisfat\u00f3ria e ainda implantar uma modelar vila h\u00edpica, e ainda que esse procedimento afastaria os propriet\u00e1rios do conv\u00edvio com os seus cavalos, pois, em lugar de uma poss\u00edvel frequ\u00eancia at\u00e9 di\u00e1ria, haveria o obst\u00e1culo da dist\u00e2ncia. Na opini\u00e3o do Vecchio, a frequ\u00eancia dos propriet\u00e1rios nas cocheiras era fundamental, mantendo e incentivando o natural interesse.<\/p>\n<p>O resultado do acerto da orienta\u00e7\u00e3o evidenc\u00eda-se a cada dia. O clube n\u00e3o se endividou, est\u00e1 em dia com os seus compromissos, est\u00e1 em fase terminal de grandes obras nas pistas, est\u00e1 em fase inicial da implanta\u00e7\u00e3o de uma nova e moderna vila h\u00edpica, para cerca de 1.000 cavalos, e mantendo os propriet\u00e1rios pr\u00f3ximos dos cavalos.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, com o prado remodelado e as finan\u00e7as equilibradas, e ainda com o pr\u00f3ximo recebimento de duas torres comerciais, tudo indica um futuro risonho para o JCRS. Ali\u00e1s, essa \u00e9 a opini\u00e3o da quase totalidade dos turfistas ga\u00fachos, que ap\u00f3s dois mandatos da parceria Vecchio-Felizzola, por impedimento estatut\u00e1rio, Vecchio est\u00e1 impedido de novamente se reeleger Presidente, passando ent\u00e3o o primeiro posto para o seu parceiro Felizzola e indo para a Vice-Presidencia ou a Presid\u00eancia do Conselho. O JCRS navega em mar tranquilo, com o tim\u00e3o em m\u00e3os adequadas e competentes. O que poderia ser criticado seria, como ocorre nos outros dois clubes importantes, \u00e9 a baix\u00edssima distribui\u00e7\u00e3o dos pr\u00eamios, por todos, inclusive pelos pr\u00f3prios dirigentes, entendidos como completamente defasados, rid\u00edculos at\u00e9. Mas n\u00e3o adianta reclamar, essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de fato, e como a administra\u00e7\u00e3o do turfe ga\u00facho \u00e9 por todos aplaudida, superando os naturais problemas do dia-a-dia, h\u00e1 apenas que haver paci\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Jockey Club de S\u00e3o Paulo, premido por amea\u00e7as de execu\u00e7\u00f5es inclusive por Entidades Governamentais, a linha administrativa teve que se encaminhar para solu\u00e7\u00f5es mais contundentes. Com o clube arrasado financeiramente por sucessivas diretorias incompetentes e inadequadas, com uma manuten\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria das vilas h\u00edpicas, com im\u00f3veis obsoletos e sem utilidades mas com custos de manuten\u00e7\u00e3o, com d\u00edvidas se acumulando e em processos judiciais, com os pr\u00eamios na metade do que seria necess\u00e1rio, e ainda sem dinheiro, a diretriz tomada foi o enfrentamento dos compromissos para manter o clube vivo, em funcionamento. Apenas como um exemplo, como a Ch\u00e1cara do Ferreira ocupa uma grande \u00e1rea e estava fechada havia mais de 30 anos, a Prefeitura de S\u00e3o Paulo resolveu desapropri\u00e1-la. Era o poder maior, do interesse geral, sobre o de um clube. \u00c9 um direito legal. O JCSP teve que entregar a \u00e1rea, e aguarda o recebimento do valor da transa\u00e7\u00e3o. A iniciativa partiu do \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico, sem direito de negativa, e veio ao encontro do interesse do clube. A situa\u00e7\u00e3o encontrada pela atual Diretoria, que ap\u00f3s os primeiros tr\u00eas anos de mandato foi reeleita por aclama\u00e7\u00e3o, era de um Rei semi-n\u00fa sentado em um trono de ouro. Hoje o clube j\u00e1 reduziu a d\u00edvida encontrada em 80%, restando pois 20% a serem normalizadas. As dota\u00e7\u00f5es continuam baix\u00edssimas, mas isso \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo. Assim, tamb\u00e9m aconteceu com o JCRS, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual do JCSP \u00e9 bem melhor do que no in\u00edcio do primeiro mandato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Jockey Club Brasileiro, a \u00fanica d\u00edvida, ali\u00e1s muito grande, referente a uma cobran\u00e7a ilegal de ISS sobre as apostas, mas que est\u00e1 monitorada e sendo julgada pelo Supremo Tribunal Federal, e j\u00e1 conta com um parecer favor\u00e1vel. A rigor, s\u00f3 h\u00e1 dois problemas maiores. Um deles \u00e9 representado pelo Mausol\u00e9u do Turfe, a antiga sede social no centro da cidade, que obsoleta, inativa e carente de uma solu\u00e7\u00e3o, tiveram o seu destino altamente favor\u00e1vel obstaculado por uma pequena parte do quadro social, composta pelos habituais e tradicionais \u201creclamadores de plant\u00e3o\u201d. Essa pequena minoria, que almeja mandar no clube, se manifesta de modo equivocado. Em lugar de uma solicita\u00e7\u00e3o por escrito \u00e0 Presid\u00eancia, solicitando reuni\u00f5es com os s\u00f3cios a cada 3 ou 4 meses, para conhecimento e informa\u00e7\u00f5es sobre a vida da Entidade, e\/ou formar um grupo de cerca de 77 s\u00f3cios e compor uma chapa para concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, de forma democr\u00e1tica, legal e estatutariamente candidatando-se \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do clube, em lugar disso, asperamente critica a Diretoria, no que conta com o apoio de uma minoria dos s\u00f3cios frequentadores do tal clubinho da lagoa, que s\u00e3o altamente beneficiados por um clube cuja exist\u00eancia maior \u00e9 para promover corridas de cavalos. Os \u201creclamadores de plant\u00e3o\u201d e os altamente beneficiados frequentadores das \u00e1reas de lazer em nada ajudam o clube. O outro importante problema \u00e9 representado pelos mesmos problemas dos outros dois clubes, isto \u00e9, os pr\u00eamios rid\u00edculos.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou economista nem entendo de altas finan\u00e7as, mas estar em dia com os compromissos e ter algum dinheiro em caixa n\u00e3o me parece representar equil\u00edbrio. Em um clube que tem por finalidade maior a promo\u00e7\u00e3o de corridas de cavalos, o equil\u00edbrio seria representado por um setor turf\u00edstico em boa situa\u00e7\u00e3o, inclusive com pr\u00eamios compat\u00edveis, e os outros setores nas melhores condi\u00e7\u00f5es que fossem poss\u00edveis. Em um clube de corridas, com uma sede gigantesca paralisada pelos votos dos reclamadores habituais, com um clubinho com um excesso de vantagens, e com o problema dos pr\u00eamios rid\u00edculos, n\u00e3o vejo o almejado equil\u00edbrio do clube S\u00f3 no papel, n\u00e3o na pr\u00e1tica de um clube de corridas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o h\u00e1 que desanimar, o JCRS est\u00e1 em sucessos progressivos, o JCSP j\u00e1 com 80% das d\u00edvidas para tr\u00e1s, e o JCB liderando o turfe brasileiro e tendo dado mesmo uma p\u00e1lida mas efetiva prova de que est\u00e1 imbu\u00eddo da necessidade de dobrar as dota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O problema maior \u00e9 o reflexo da situa\u00e7\u00e3o geral nacional turf\u00edstico. A cada ano menos potros nascem em nosso pa\u00eds. Os sucessivos leil\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o dando conta de parte das muitas ofertas, e com queda nos pre\u00e7os. Em geral, em resumo, est\u00e1 faltando combust\u00edvel na atividade, em outras palavras, est\u00e1 faltando dinheiro, os criadores maiores encontram dificuldades em renovar os seus plant\u00e9is, os criadores menores est\u00e3o cada vez com mais medo de investir. Enquanto n\u00e3o chegarem mais recursos, h\u00e1 que encaminhar melhor os dinheiros para o setor do turfe. Melhorar o C\u00f3digo Nacional de Corridas, o Regulamento dos p\u00e1reos de claiming, o do abomin\u00e1vel \u201cAdded\u201d, do plano de apostas, enfim, melhorar tudo que \u00e9 poss\u00edvel enquanto o turfe n\u00e3o recebe o que merece e necessita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uns tantos anos, recebi um telefonema de um s\u00f3cio do Jockey Club do Rio Grande do Sul, que fazia parte do grupo diretivo. 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