

{"id":59278,"date":"2014-10-17T17:08:24","date_gmt":"2014-10-17T20:08:24","guid":{"rendered":"\/?p=59278"},"modified":"2014-10-22T01:00:04","modified_gmt":"2014-10-22T03:00:04","slug":"vestigios-do-arco-2014-e-o-turfe-no-mundo-por-sergio-barcellos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/59278\/vestigios-do-arco-2014-e-o-turfe-no-mundo-por-sergio-barcellos\/","title":{"rendered":"Vest\u00edgios do &#8220;Arco&#8221; 2014 e o turfe no mundo, por S\u00e9rgio Barcellos"},"content":{"rendered":"<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"\/?attachment_id=59281\" rel=\"attachment wp-att-59281\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-59281\" alt=\"Trevepost\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2014\/10\/Trevepost.jpg\" width=\"490\" height=\"306\" \/><\/a>Eles come\u00e7am a prepara\u00e7\u00e3o de sua festa bem antes do dia marcado e n\u00e3o importa se Paris recebe no outono um sem n\u00famero de eventos art\u00edsticos e sal\u00f5es (da moda, do autom\u00f3vel, etc). Para a France Galop isso \u00e9 irrelevante. Ao contr\u00e1rio do que se poderia imaginar, para eles a <i>concomit\u00e2ncia<\/i> dos eventos paralelos ajuda a criar um ambiente prop\u00edcio \u00e0s corridas. Em uma palavra, quanto mais \u201cagito\u201d na cidade, melhor.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Neste ano, por exemplo, todos os postes de sua principal e monumental avenida, da Place de La Concorde ao Arco do Triunfo, estavam enfeitados com enormes galhardetes gren\u00e1s informando aos milhares de turistas o que ia acontecer no dia 5 de outubro, ou seja, mais um Prix de l\u2019Arc du Triomphe, o 93\u00ba da hist\u00f3ria, algo que eles consideram uma esp\u00e9cie de \u201ccampeonato mundial do puro-sangue de corrida.\u201d E n\u00e3o est\u00e3o muito longe disso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">O mesmo acontece nas principais esta\u00e7\u00f5es do metr\u00f4; \u00e9 descer do trem em meio ao burburinho da cidade e dar de cara com mais um an\u00fancio da festa. Como \u00e9 ir ao cinema e ver um filme sobre a prova antes da sess\u00e3o principal come\u00e7ar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Em torno do Prix de l\u2019Arc deste ano, a France Galop montou um <i>meeting<\/i> de oito Grupos I, entre s\u00e1bado, 4, e domingo, 5, que em seu conjunto fizeram desfilar diante do p\u00fablico mais de 100 (isso a\u00ed!) ganhadores cl\u00e1ssicos (de Grupos I, II, III e \u201cListeds\u201d) vindos de v\u00e1rias partes do mundo. Somente entre os 20 puros sangue que entraram na pista para disputar o Prix de l\u2019Arc, havia animais ganhadores de 28 Grupos I, 10 deles treinados na Fran\u00e7a, 10 no exterior (Inglaterra, Irlanda, Alemanha e Jap\u00e3o). Para os apostadores e o p\u00fablico em geral, v\u00ea-los desfilar no paddock antes do p\u00e1reo e tentar descobrir quem ganha \u00e9 a festa dos sentidos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Ano passado, Longchamp vendeu 52.000 entradas para as corridas de domingo. Este ano, 61.700. A prova principal, cuja largada ocorreu \u00e0s 16:30 hs no hor\u00e1rio local (quase que se poderia acertar o rel\u00f3gio pelo instante da abertura dos boxes) foi retransmitida e vista pela TV, segundo o presidente da France Galop, por cerca de um bilh\u00e3o de espectadores no mundo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">E em 45 pa\u00edses foi poss\u00edvel ao p\u00fablico estrangeiro jogar na \u201cGrande Corrida\u201d, como eles a chamam, pelos sistemas do Pari Mutuel Urbain (PMU). Seja em \u201cmassa simples\u201d, seja em \u201cmassa comum\u201d (ou sistema pari mutuel, onde o que se joga no exterior \u00e9 adicionado ao totalizador local e sensibiliza os rateios eventuais). Nos EUA, por exemplo, foram jogados cerca de US$ 2,1 milh\u00f5es no Prix de l\u2019Arc.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">\u201c<b>Longchamp \u00e9 uma pista dif\u00edcil&#8230;\u201d<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"><b> <\/b>Quando o canadense Nijinsky, at\u00e9 ent\u00e3o invicto, perdeu para Sassafras o Prix de l\u2019Arc de 1970, seu lend\u00e1rio treinador, Vincent O\u2019Brien, entrevistado logo ap\u00f3s a corrida n\u00e3o p\u00f4s a culpa em ningu\u00e9m. Apenas disse que \u201c<i>Longchamp \u00e9 uma pista dif\u00edcil<\/i>&#8230;\u201d E \u00e9.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"> Duas s\u00e3o as qualidades que qualquer animal ganhador do Prix de l\u2019Arc tem que demonstrar: velocidade <i>e endurance<\/i>, esta no sentido de resist\u00eancia e vontade de vencer.<i> <\/i>E dos j\u00f3queis, se espera, antes de tudo, que possuam sangue frio para negociar todas as dificuldades dos 2.400 metros do percurso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Em uma tentativa corajosa de simplifica\u00e7\u00e3o, na milha e meia de Longchamp a largada \u00e9 dada no come\u00e7o da reta oposta, cerca pela direita, e a pista \u00e0 frente transforma-se em uma longa ladeira morro acima. A princ\u00edpio, a eleva\u00e7\u00e3o do terreno parece suave, mas atinge a altura de 10 metros do ch\u00e3o em seu ponto mais alto (um pr\u00e9dio de quatro andares, mais ou menos). Nesta parte do percurso, a \u00fanica atitude que um j\u00f3quei consciente pode tomar \u00e9 manter seu animal no ritmo da corrida, m\u00e3os abaixadas, r\u00e9dea longa, pesco\u00e7o e cabe\u00e7a entregues a ele. Nada mais, nada menos que isso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">A partir do ponto culminante da reta oposta, come\u00e7a a longa descida da grande curva \u2013 maior e de \u00e2ngulo mais suave que as nossas. Novamente, a necess\u00e1ria calma para descer essa curva com o animal totalmente equilibrado \u00e9 fundamental.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Terminada a descida, tudo come\u00e7a a se complicar um pouco mais quando os concorrentes entram no que se chama de \u201cfalsa reta\u201d, um terreno relativamente plano que, em tese, serve apenas para preparar o sprint final. Quem faz correr na \u201cfalsa reta\u201d \u2013 e a tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre grande, principalmente para os j\u00f3queis estrangeiros \u2013 normalmente n\u00e3o chega.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Finalmente, na reta final, que tem cerca de 500 metros, a largura da raia se expande de modo significativo. Em um solo normalmente macio \u2013 esta \u00e9 uma das caracter\u00edsticas de Longchamp \u2013 isso cria v\u00e1rias alternativas poss\u00edveis de percurso. Saber qual a melhor depende de sorte e observa\u00e7\u00e3o do terreno. Nos 200 metros finais, os animais est\u00e3o normalmente \u00e0 beira da exaust\u00e3o e alguns tendem a n\u00e3o conservar sua linha, principalmente se submetidos ao chicote. Um final em Longchamp significa, na maioria das vezes, apenas empurrar e manter o animal em sua linha. Fora dela, o risco de desclassifica\u00e7\u00e3o \u00e9 certo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"><b>Longchamp e treinamento<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"> Por \u00f3bvio, fazer um cavalo galopar sempre no ritmo da corrida e conseguir mudar de marcha nos metros finais, implica condicion\u00e1-lo a isso desde cedo. Este \u00e9 o conceito b\u00e1sico do treinamento franc\u00eas, um turfe onde n\u00e3o h\u00e1 rel\u00f3gio nem balan\u00e7a, onde ningu\u00e9m se preocupa com recordes e a ilus\u00f3ria \u201cgl\u00f3ria matinal\u201d da quebra dos cron\u00f4metros, e aos animais \u00e9 ensinado desde cedo ritmo e respira\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Na Fran\u00e7a, cavalo bom n\u00e3o treina com cavalo bom. O princ\u00edpio \u00e9 muito simples: cavalo bom n\u00e3o gosta de perder, nem em treinamento. Faz parte de sua natureza. Como tal, p\u00f4r dois cavalos bons para se medir em trabalho, um contra o outro, pode acabar em desastre. E o pior desastre \u00e9 quebrar seu esp\u00edrito antes do dia certo. Craques renomados como Zarkava, Miesque, Tr\u00eave, e tantos outros, podem ser vistos nas fant\u00e1sticas pistas de Les Aigles, em Chantilly, galopando em dupla ou em trinca com animais inferiores a eles. Isso tem o cond\u00e3o de manter preservada sua autoconfian\u00e7a, algo imprescind\u00edvel para os treinadores que realmente contam em seu of\u00edcio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Nos \u00faltimos anos, desde El Condor Pasa, 12 cavalos japoneses tentaram ganhar o Prix de l\u2019Arc. Um dia v\u00e3o conseguir, \u00e9 claro. As frustra\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, chegaram a tal n\u00edvel que, depois do deste ano, onde entraram na raia Gold Ship (por Stay Gold \u2013 Sunday Silence), 14\u00ba; Just A Way (Heart\u2019s Cry \u2013 Sunday Silence), 8\u00ba; e a potranca Harp Sharp (Deep Impact \u2013 Sunday Silence), 6\u00ba, todos eles montados por j\u00f3queis japoneses, o Paris Turf resolveu perguntar ao seu p\u00fablico porque eles ainda n\u00e3o venceram a prova. A maioria dos entrevistados (47%) respondeu que o problema n\u00e3o parece estar na qualidade dos animais, e sim na escolha equivocada de j\u00f3queis que n\u00e3o conhecem bem as peculiaridades de Longchamp. Faz sentido.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"><b>Tr\u00eave e Corrida<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"><b> <\/b>\u201c<i>Tr\u00eave \u00e9 inusitada. O que ela fez para ganhar o Arc de 2013 \u00e9 fora do comum. Eu sabia que se ela estivesse bem, n\u00e3o havia ningu\u00e9m para bat\u00ea-la. Eu fabriquei Tr\u00eave, comprei sua av\u00f3<\/i> (Trevillari, por Riverman e Trevilla, por Lyphard),<i> portanto, venci quatro \u201cArc\u201d como treinador&#8230;\u201d <\/i>(isso mesmo, \u201ctreinador&#8230;\u201d). Essas foram as palavras do genial Alec Head, patriarca da fam\u00edlia Head, ao Paris-Turf no dia seguinte \u00e0 prova.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Dezessete cavalos tentaram o bicampeonato do Arco desde a sua cria\u00e7\u00e3o, em 1920. Seis conseguiram, dentre eles, Ksar (pai de Tourbillon), Motrico, Corrida, Tantieme, Ribot e Alleged (o \u00faltimo deles, em 1977\/78).\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">E dizer que Tr\u00eave, a s\u00e9tima bicampe\u00e3, foi levada a leil\u00e3o por seu criador com o pre\u00e7o base de Euros 22,000 (hoje cerca de R$ 66.000) e n\u00e3o encontrou comprador. Somente no \u00faltimo dia 5 de outubro, por\u00e9m, ela levantou Euros 2,857,000, (cerca de R$ 8.571.000), correspondente ao pr\u00eamio de primeiro lugar no Arco. Mais o pr\u00eamio do Arco e do Diana de 2013. Ou seja, seus pr\u00eamios se aproximam hoje de R$ 20.000.000. Coisas do turfe&#8230;\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Antes de Tr\u00eave, somente uma outra \u00e9gua conseguiu id\u00eantica proeza: Corrida (1932, Coronach e Zariba, por Sardanaple), cria\u00e7\u00e3o Boussac, m\u00e3e do nosso conhecido Coaraze, pai no Brasil de Emerson, Empyreu, Cligeuse, Rh\u00f4ne, etc. A diferen\u00e7a entre as duas \u00e9 que Corrida venceu aos 4 e 5 anos, Tr\u00eave aos 3 e 4.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Para todos os eventuais interressados em participar dessa festa, sejam propriet\u00e1rios, sejam criadores, \u00e9 poss\u00edvel informar que a \u201cinscri\u00e7\u00e3o pr\u00e9via\u201d no Prix de l\u2019Arc custa Euros 7,200 \u2013 se feita at\u00e9 31 de maio do ano da prova. Quem decide correr em cima da hora pagou, este ano, a bagatela de Euros 120,000 para alinhar seu cavalo no partidor. E os tr\u00eas japoneses, gastaram entre transporte de ida e volta, taxas, despesas de treinamento na Fran\u00e7a, etc, etc, uma m\u00e9dia de Euros 180,000 (cerca de R$ 1.080.000), cada um, segundo os n\u00fameros do Paris Turf. S\u00e3o essas as dimens\u00f5es econ\u00f4micas do Prix de l\u2019Arc no outono parisiense de 2014.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Uma \u00faltima informa\u00e7\u00e3o: Tr\u00eave era levada de barbada pelo cl\u00e3 Head no dia do Prix de l\u2019Arc (por Alain de Royer-Dupr\u00e9, tamb\u00e9m&#8230;). Suas \u00faltimas tr\u00eas apresenta\u00e7\u00f5es em 2014, quando n\u00e3o venceu, inclusive na preparat\u00f3ria do \u201cArc\u201d para as f\u00eameas, o Prix Vermeille (foi 4\u00aa), n\u00e3o contam. Inclusive, segundo Alec Head, ela teve problemas f\u00edsicos quando viajou \u00e0 Inglaterra para correr o Prince of Wales\u2019s Stake, em Royal Ascot, e entrar segundo (viajar cavalo \u00e9 sempre uma loteria, ainda que seja na Europa&#8230;).\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Entretanto, a confian\u00e7a na performance de Tr\u00eave era de tal sorte, que Alec aconselhou seu velho amigo ingl\u00eas, Peter O\u2019Sullivan, na ter\u00e7a-feira anterior \u00e0 prova, \u201c<i>procurar uma casa de apostas e jogar na \u00e9gua.<\/i>\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Mas para os amantes deste fant\u00e1stico e secular esporte \u2013 onde quer que eles estejam neste vasto mundo \u2013, a grande resposta de Alec Head, que tem o h\u00e1bito de abrir as cocheiras da fam\u00edlia em Chantilly \u00e0 visita\u00e7\u00e3o p\u00fablica, principalmente das crian\u00e7as que amam os cavalos de corrida, foi a convoca\u00e7\u00e3o que ele fez na segunda-feira, dia 6: <i>\u201cVenham quando quiserem \u00e0s nossas cocheiras, voc\u00eas ser\u00e3o sempre bem-vindos. \u00c9 gra\u00e7as a voc\u00eas que fazemos o que fazemos. Mil vezes obrigado, pois. E venham, ainda mais numerosos, \u00e0s corridas.\u201d<\/i> Um craque, o Sr. Head.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"><b>N\u00fameros do turfe internacional<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"> Na segunda-feira, dia 6, aconteceu a 48\u00aa Confer\u00eancia Internacional das Autoridades H\u00edpicas no edif\u00edcio da France Galop, em Boulognes-Billancourt, reunindo representantes de 69 pa\u00edses, e a imprensa especializada. A palestra principal ficou a cargo do criador americano Ogden Mill Phipps, dono da lend\u00e1ria farda preto, bon\u00e9 encarnado, presidente do The Jockey Club da Am\u00e9rica. Como se sabe, Phipps \u00e9 inteiramente contra a medica\u00e7\u00e3o para correr e sua luta de anos \u00e0 frente do The Jockey Club \u2013 e agora junto aos Comit\u00eas do Senado americano \u2013 \u00e9 hist\u00f3rica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"> No Relat\u00f3rio Anual apresentado sobre o turfe mundial relativo ao ano de 2013, parece razo\u00e1vel destacar alguns t\u00f3picos, como sejam:\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"><b> . Cria\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"> Em 2013, nasceu um total de 92.606 potros puro sangue no mundo (em 70 pa\u00edses), sendo os EUA o maior criador com 21.275 produtos. Seguiram-se, pela ordem: Austr\u00e1lia (13.665), Argentina (8.032), Irlanda (7.757), Jap\u00e3o (6.825), Fran\u00e7a (4.809) e Inglaterra (4.420). O Brasil aparece nas estat\u00edsticas com 2.669 produtos. Na Am\u00e9rica do Sul, a Argentina \u00e9, de longe, o maior criador (cerca de 7,86% da produ\u00e7\u00e3o internacional nos \u00faltimos tr\u00eas anos).\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"> <b>. M\u00e9dia de pr\u00eamios por p\u00e1reo<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"> No mesmo ano, a m\u00e9dia de pr\u00eamios distribu\u00eddos por p\u00e1reo, pela ordem, foi de Euros 107,914 (em Hong Kong); 90,074 (na Uni\u00e3o dos Emirados \u00c1rabes &#8211; UEA); 70,838 (Cor\u00e9ia); 41,723 (Qatar); 39,548 (Singapura); 34,648 (Jap\u00e3o); 25,780 (Macao); e 24,579 (Fran\u00e7a). Como se v\u00ea, a aflu\u00eancia econ\u00f4mica da ind\u00fastria das corridas est\u00e1 hoje na \u00c1sia e no Oriente M\u00e9dio. Na Europa, s\u00f3 a Fran\u00e7a tem destaque neste quesito.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"> <b>. Apostas e retiradas sobre apostas<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"> O pa\u00eds onde mais se apostou em corridas de cavalo em 2013 foi o Jap\u00e3o, com um agregado, em Euros, de 19,4 bilh\u00f5es naquele ano. Seguem-se: a Inglaterra (a\u00ed inclu\u00eddas as casas bookmakers, que s\u00e3o permitidas naquele pa\u00eds) com Euros 12,4 bilh\u00f5es; a Austr\u00e1lia (bookmakers inclu\u00eddos, idem) com 11,3 bilh\u00f5es; a Fran\u00e7a (leia-se, PMU, e sem bookmakers) com Euros 9,7 bilh\u00f5es; Hong Kong com 8,0 bilh\u00f5es; os EUA com 7,8 bilh\u00f5es, etc. A notar que a Fran\u00e7a vende mais jogo em corridas de cavalo que os EUA e Hong Kong \u2013 e n\u00e3o h\u00e1 cassinos nem m\u00e1quinas ca\u00e7a-n\u00edqueis nos hip\u00f3dromos do pa\u00eds.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">No que respeita ao percentual de retiradas das apostas, o turfe que mais favorece o apostador \u00e9 o da Inglaterra, devolvendo-lhes 88,9% do total apostado. Seguem-se: a Austr\u00e1lia, com 86%; Hong Kong com 84%; Nova Zel\u00e2ndia com 83,9%; Singapura com 83%; e assim por diante. No Brasil, 70,0% das apostas retornaram aos apostadores, em 2013.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"> Novamente, a notar que as retiradas das apostas s\u00e3o influenciadas nos pa\u00edses de cultura anglo-sax\u00f4nica onde \u00e9 permitida a exist\u00eancia de bookmakers. Claro, eles n\u00e3o carregam os custos de administra\u00e7\u00e3o dos hip\u00f3dromos. \u00c9 o caso do turfe da \u00c1frica do Sul que devolve 81,4% das apostas ao apostador. Entre os que devolvem menos est\u00e1 a Turquia, com 50% de devolu\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o de um imposto estatal de 28,6% sobre o total das apostas efetuadas.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"><b>. Impostos cobrados pelos governos sobre a renda das apostas<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"> O recordista de cobran\u00e7a de impostos sobre as apostas, em valores absolutos, \u00e9 o Jap\u00e3o, com Euros 2,019 bilh\u00f5es anuais recolhidos ao governo. Seguem-se: a Inglaterra, com 1,15 bilh\u00e3o; a Austr\u00e1lia, com 616 milh\u00f5es; e Fran\u00e7a, com 519 milh\u00f5es, etc.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"> S\u00e3o esses, em resumo, os grandes n\u00fameros da ind\u00fastria mundial do puro sangue neste come\u00e7o do s\u00e9culo XXI.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\"> Mais um ano, mais um Prix de l\u2019Arc se foram. Poder viajar para ver cavalos de corrida e aprender um pouco mais sobre eles e a poderosa ind\u00fastria que os cerca, al\u00e9m de um prazer pessoal, \u00e9 uma generosa d\u00e1diva da divindade para quem gosta de turfe. Mas volta-se sempre com a impress\u00e3o de que nada est\u00e1 perdido, nem nada \u00e9 disperso e derradeiro para o turfe brasileiro. Nada.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">As atuais dificuldades, por \u00f3bvio, s\u00e3o imensas, o relacionamento com o poder p\u00fablico tem sido, at\u00e9 aqui, pelo menos equivocado, falta maior unicidade \u00e0 representa\u00e7\u00e3o externa da atividade entre n\u00f3s, e a concorr\u00eancia das loterias estatais tem se revelado predat\u00f3ria. Tudo isso \u00e9 sabido.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Mas o turfe brasileiro existe e gera milhares de empregos. Como existem, da mesma forma, as institui\u00e7\u00f5es e, principalmente, a f\u00e9 dos homens que, acima e al\u00e9m de tudo, continuam a pratic\u00e1-lo. E eles s\u00e3o muitos. Ningu\u00e9m duvide disso. Como tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 verdadeiro supor que cada eventual aus\u00eancia implique, necessariamente, um vazio jamais preenchido.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">\u00c9 poss\u00edvel transferir tecnologia que melhore os padr\u00f5es gerenciais de nosso turfe e, afinal, nos ensine como ampliar nosso movimento geral de apostas? Claro que \u00e9. \u00c9 poss\u00edvel formar novos gerentes e profissionalizar de vez a atividade entre n\u00f3s? Claro que \u00e9. \u00c9 poss\u00edvel dotar nossas sociedades promotoras de corridas de uma estrutura de organiza\u00e7\u00e3o mais efetiva e menos paroquial? Evidente que \u00e9.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Nesta j\u00e1 longa vida, vimos turfes mais afluentes do hemisf\u00e9rio norte imaginarem ter chegado a hora de sua extin\u00e7\u00e3o, seja em termos econ\u00f4micos, seja, principalmente, institucionais \u2013 aqueles que definem sua inser\u00e7\u00e3o na sociedade local. Houve um tempo, por l\u00e1, em que tudo era nevoeiro, e ningu\u00e9m mais sabia o que queria, nem que alma tinha. In\u00fatil ficar aqui a desfilar exemplos de decl\u00ednio e regenera\u00e7\u00e3o, turfe a turfe, pa\u00eds a pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Turfe e cavalos de corrida n\u00e3o morrem na alma humana, hibernam. Cabe \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es de turfistas \u2013 e elas existem, sim \u2013 perceber a necessidade de modernizar o turfe brasileiro em todos os seus sentidos e aspectos, recoloc\u00e1-lo novamente no rumo de seu desenvolvimento, e seguir em frente. Na certeza de que vai dar certo.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles come\u00e7am a prepara\u00e7\u00e3o de sua festa bem antes do dia marcado e n\u00e3o importa se Paris recebe no outono um sem n\u00famero de eventos art\u00edsticos e sal\u00f5es (da moda, do autom\u00f3vel, etc). Para a France Galop isso \u00e9 irrelevante. 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