

{"id":53248,"date":"2014-06-11T11:00:12","date_gmt":"2014-06-11T14:00:12","guid":{"rendered":"\/?p=53248"},"modified":"2014-06-10T20:36:40","modified_gmt":"2014-06-10T23:36:40","slug":"alguns-entre-os-melhores-por-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/53248\/alguns-entre-os-melhores-por-milton-lodi\/","title":{"rendered":"Alguns, entre os melhores, por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p>Muitos animais de primeira qualidade passaram pelas pistas brasileiras. Aqueles que s\u00e3o turfistas novatos, isto \u00e9, aqueles que t\u00eam menos de 20 anos de turfe, n\u00e3o tiveram oportunidade de ver exibi\u00e7\u00f5es de gala, n\u00e3o \u00e9 o caso de ser saudosista, mas antigamente, os grandes corredores arrastavam multid\u00f5es ao prado para v\u00ea-los correr. Em S\u00e3o Paulo, nos dias em que Farwell ia correr, o prado ficava cheio, todos queriam ver mais uma exibi\u00e7\u00e3o do preto do Haras Jah\u00fa e Rio das Pedras, que sempre massacrava os seus advers\u00e1rios, vencendo de ponta a ponta por boa margem. Uma de suas mais impressionantes vit\u00f3rias deu-se no GP Derby Sulamericano em Cidade Jardim, 2.400 metros quando enfrentaria entre outros o \u00f3timo Hyperio, da coudelaria C\u00e1pua. O j\u00f3quei de Hyperio seria o extraordin\u00e1rio chileno Luiz Diaz, que parecia ter um cron\u00f4metro na cabe\u00e7a. Diaz havia estudado um eventual ponto fraco de Farwell, que n\u00e3o havia encontrado. Como o campe\u00e3o sempre tomava a lideran\u00e7a logo na partida, e seguia sem ser incomodado at\u00e9 a linha de chegadas, Diaz entendeu que talvez fosse o caso de tentar pression\u00e1-lo desde o pulo de largada, obrig\u00e1-lo a dar o m\u00e1ximo logo no princ\u00edpio; talvez dessa forma houvesse uma diminui\u00e7\u00e3o do ritmo na parte final, ante um eventual e natural cansa\u00e7o maior. Dada \u00e0 partida, Hyperio foi lan\u00e7ado por Diaz em dire\u00e7\u00e3o a Farwell e deu v\u00e1rias chicotadas no ponteiro, que j\u00e1 lhe ia um pouco \u00e0 frente. O campe\u00e3o nunca havia sentido o n\u00e3o gosto de um chicote, e disparou na frente em alta velocidade. Hyperio foi mantido em 2\u00ba, mas nos 1.600 finais, j\u00e1 cumpridos 800 metros, Diaz viu que o ritmo alucinante daqueles outros que n\u00e3o queriam ficar longe demais n\u00e3o era conveniente, Hyperio n\u00e3o iria conseguir manter-se em 2\u00ba at\u00e9 o final, j\u00e1 que a vantagem de Farwell j\u00e1 era definitiva. Hyperio foi sofreado para a \u00faltima coloca\u00e7\u00e3o, e na reta arrematou sobre um lote de cansados, conseguindo o 2\u00ba lugar. Mas Farwell disso n\u00e3o tomou conhecimento, largou em disparada e chegou ao vencedor demonstrado uma incr\u00edvel superioridade. Farwell foi invicto em suas quinze corridas no Brasil. Correu duas vezes na Argentina, em San Isidro, foram dois segundos. Nas duas viagens chegou para correr com diarreia, ele viajava mal, mas a ordem era correr de qualquer maneira, e sempre na frente. Das duas vezes o seu veterin\u00e1rio Fernando Pereira Lima quis retir\u00e1-lo, mas a ordem de um dos propriet\u00e1rios, Nelson de Almeida Prado, era correr de qualquer maneira, e na ponta. No 25 de Mayo, Farwell perdeu para Escorial, outra das gl\u00f3rias do turfe brasileiro, ap\u00f3s uma sensacional luta em toda a reta final. O outro segundo foi tamb\u00e9m em 1960, tamb\u00e9m em San Isidro, no Pellegrini. Farwell com diarreia, n\u00e3o conseguiu sequer correr na ponta, correu sempre em 2\u00ba, tentando tomar a ponta de Atlas. Farwell, um dos ganhadores do G.P. Brasil era fant\u00e1stico. Do mesmo haras h\u00e1 que ser destacado Adil, um cavalo de porte m\u00e9dio, filho de um garanh\u00e3o inexpressivo na Europa, mas que cobriu a m\u00e3e de Adil porque, na temporada de coberturas de segundo semestre na Inglaterra, havia quase nenhuma disponibilidade dos garanh\u00f5es melhores. A m\u00e3e de Adil foi \u00f3tima m\u00e3e no Brasil, e Adil um super corredor em provas de dist\u00e2ncias maiores. Um grande campe\u00e3o, praticamente imbat\u00edvel em sua \u00e9poca. Ele foi indiretamente participante de um fato hist\u00f3rico. O saudoso \u201cSeu\u201d Thomazinho, inventou um Derby Sul-Americano, com alta dota\u00e7\u00e3o, para ser disputado na primeira semana de maio. Dada publicidade \u00e0 prova, ap\u00f3s determina\u00e7\u00e3o da Diretoria do Jockey Club de S\u00e3o Paulo, Nelson de Almeida Prado, irm\u00e3o do Presidente Jo\u00e3o Adhemar, procurou-o nas corridas. Estava contrariado, pois o G.P. Derby Sul-Americano iria ocupar a data do G.P. S\u00e3o Paulo, passaria a ser tamb\u00e9m o G.P. S\u00e3o Paulo, e assim, como Derby dele s\u00f3 poderiam participar animais de 3 anos de idade. Dessa forma excluindo a possibilidade de Adil, ent\u00e3o tricampe\u00e3o do G.P. S\u00e3o Paulo, de tentar o tetra, feito quase imposs\u00edvel de ser posteriormente batido. \u00c9 claro que o Dr. Jo\u00e3o Adhemar n\u00e3o gostou, mas manteve a decis\u00e3o da Diretoria. O Derby Sul-Americano teve \u00eaxito retumbante por muitos anos, e Adil ficou sem o seu tetra. Farwell n\u00e3o teve filhos, mas Adil foi um bom pai cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p>Do Haras S\u00e3o Bernardo, dois nomes devem ser lembrados com realce. O principal foi Gaudeamus, um milheiro quase imbat\u00edvel, talvez o melhor milheiro brasileiro de todos os tempos, que por sua alt\u00edssima qualidade aventurou-se em provas cl\u00e1ssicas superiores, onde era ainda um \u00f3timo corredor cl\u00e1ssico, mas fora de sua exponencial especialidade. Outro nome importante do S\u00e3o Bernardo foi Quartier Latin, em plano n\u00e3o t\u00e3o alto, mas ganhador dentre outras provas de 4 milhas internacionais.<\/p>\n<p>Do Haras Guanabara pelo menos tr\u00eas nomes destacam-se na galeria da fama. Escorial, um filho de Orsenico, tr\u00edplice-coroado, ganhador do G.P. 25 de Mayo de 1960, ganhador do Pellegrini de 1959, um corredor de alt\u00edssima qualidade, e o nome mais lembrado merecidamente. Mas ele talvez ainda n\u00e3o fosse o melhor da poderosa cria\u00e7\u00e3o Seabra. Emerson, um invicto filho de Coaraze e Empe\u00f1osa, ganhador dos Derbies carioca e paulista, e ainda do Derby Sul-Americano, era tecnicamente um elemento s\u00f3 de qualidades, e que em m\u00e1 hora para o tufe brasileiro foi ser garanh\u00e3o na Europa, onde brilhou intensamente. Emerson nem sempre \u00e9 lembrado, mas foi um grande astro da cria\u00e7\u00e3o brasileira. Duplex \u00e9 um terceiro brilhante da cria\u00e7\u00e3o Seabra, ganhador da principal prova de Monterrico, em Lima, Peru, do Latino-Americano em San Isidro, da milha internacional de Palermo e do Ramirez, em Maro\u00f1as.<\/p>\n<p>Do Paran\u00e1 tr\u00eas nomes devem ser citados. Sandpit de cria\u00e7\u00e3o do Haras S\u00e3o Jos\u00e9 da Serra, foi o cavalo brasileiro que, nos Estados Unidos, obteve o maior volume de pr\u00eamios para um corredor brasileiro. Sandpit foi \u00f3timo corredor no Brasil (ganhador do GP Cruzeiro do Sul, por exemplo) e no exterior, at\u00e9 no Jap\u00e3o fez uma incurs\u00e3o. Nascido no Haras J.B Barros, Much Better marcou importante presen\u00e7a da cria\u00e7\u00e3o brasileira. Grande, forte, muito corredor, valente, Much Better deu-se ao luxo, entre outras proezas, de vencer o G.P. S\u00e3o Paulo e o G.P. Brasil, al\u00e9m de, por, duas vezes, \u00a0ganhar o Latino-Americano e o Pellegrini. Much Better era de uma vitalidade incr\u00edvel. Outro dos melhores nomes a serem lembrados \u00e9 o de Giant, um tr\u00edplice-coroado paulista, que dominou por completo a sua gera\u00e7\u00e3o, apesar de ter grav\u00edssimos problemas nos tend\u00f5es. Giant n\u00e3o foi ainda mais brilhante em fun\u00e7\u00e3o da debilidade dos seus tend\u00f5es, era forte, muito corredor, um aut\u00eantico l\u00edder de turma.<\/p>\n<p>Do tradicional Haras S\u00e3o Jos\u00e9 e Expedictus, um dos mais famosos nomes \u00e9 o de Itajara. Invicto em sete apresenta\u00e7\u00f5es foi um autorit\u00e1rio tr\u00edplice-coroado carioca. Muitos dos turfistas mais recentes entendem ser Itajara o melhor cavalo brasileiro de todos os tempos, o que os fatos desmentem, sem com isso tirar o intenso brilho de sua qualidade. S\u00f3 correu contra animais de sua idade, em gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o forte, e nunca enfrentou os mais velhos. Isso n\u00e3o diminui a sua alta qualidade. Era um lindo cavalo, de estrutura f\u00edsica especial\u00edssima. Do mesmo haras saiu Hel\u00edaco, um alaz\u00e3o bicampe\u00e3o do G.P. Brasi, l\u00edder de sua gera\u00e7\u00e3o, com um pedigree que continha os nomes mais importantes daqueles campos de cria\u00e7\u00e3o. Na reprodu\u00e7\u00e3o, as chances iniciais de Hel\u00edaco foram prejudicadas pela consanguinidade com as melhores \u00e9guas do plantel, o que foi posteriormente sanado com a importa\u00e7\u00e3o de \u00e9guas importadas de sangues generosos e importantes. Ainda assim deu um ganhador de Cruzeiro do Sul, Gomil, e uma ganhadora de Diana, Valence.<\/p>\n<p>Narvik foi tamb\u00e9m um dos grandes. De excelente cria\u00e7\u00e3o do Haras Faxina, de Henrique de Toledo Lara, era grande e forte, contrariando o gosto do seu criador, que s\u00f3 gostava de animais pequenos. Mas Narvik imp\u00f4s a sua qualidade, mesmo tendo nascido em uma fort\u00edssima gera\u00e7\u00e3o. Era um cavalo de padr\u00e3o internacional, recordista mundial dos 3.000 metros na grama carioca, um corredor de primeira ordem. Infelizmente, n\u00e3o teve filhos.<\/p>\n<p>Da mesma gera\u00e7\u00e3o fort\u00edssima referida, tamb\u00e9m fez parte V\u00e2ndalo, da cria\u00e7\u00e3o Mondesir. Ele, assim como os tr\u00edplice-coroados Quiproqu\u00f3 e Tim\u00e3o, todos, nomes a serem lembrados. Outro nome bom \u00e9 o de Falcon Jet, do Haras Santa Ana do Rio Grande, \u00f3timo ganhador cl\u00e1ssico, e tamb\u00e9m pai cl\u00e1ssico, que teve a sua chance de vit\u00f3ria no Pellegrini jogada fora por instru\u00e7\u00f5es completamente erradas. Penso que ele n\u00e3o teria vencido mesmo com uma instru\u00e7\u00e3o correta, mas o 2\u00ba seria dele.<\/p>\n<p>Muitos outros nomes importantes podem e\/ou devem ser apontados, como por exemplos, Thignon Lafr\u00e9, ganhador do Derby Paulista e do GP S\u00e3o Paulo, de cria\u00e7\u00e3o do excelente Haras Malurica, e de Troyanos, ganhador do Derby Paulista, do S\u00e3o Paulo e do Brasil, de cria\u00e7\u00e3o do Haras Santa Maria de Araras.<\/p>\n<p>Uma aprecia\u00e7\u00e3o ao longo do tempo, na procura dos melhores da cria\u00e7\u00e3o brasileira em todos os tempos, seria impratic\u00e1vel. O turfe brasileiro n\u00e3o tem mem\u00f3ria, al\u00e9m do que seria um trabalho gigantesco, que n\u00e3o \u00e9 o caso presente. Os nomes citados est\u00e3o entre os muitos daqueles que representaram com sucesso a cria\u00e7\u00e3o brasileira, dentro e fora do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m de se notar que tamb\u00e9m as opini\u00f5es divergem, e isso \u00e9 bom, pois falar de turfe s\u00f3 faz bem.<\/p>\n<p>Esse trabalho aborda apenas os cavalos machos e nacionais. Futuramente ser\u00e3o apreciadas tamb\u00e9m as melhores \u00e9guas, f\u00eameas e que sempre sem um intuito comparativo, o que na pr\u00e1tica \u00e9 imposs\u00edvel de ser justa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos animais de primeira qualidade passaram pelas pistas brasileiras. 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