

{"id":52608,"date":"2014-05-14T11:00:37","date_gmt":"2014-05-14T14:00:37","guid":{"rendered":"\/?p=52608"},"modified":"2014-05-14T11:56:52","modified_gmt":"2014-05-14T14:56:52","slug":"kentucky-derby-2014-por-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/52608\/kentucky-derby-2014-por-milton-lodi\/","title":{"rendered":"Kentucky Derby 2014, por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p>Na tarde\/noite de s\u00e1bado dia 03 de maio de 2014, o canal da NET n\u00famero 572 apresentou o programa do Kentucky Derby 2014, a primeira prova da Tr\u00edplice-Coroa norte-americana, em 2.000 metros na areia. Duas semanas depois est\u00e1 prevista a segunda prova, o Preakness Stakes, em 1.900 metros no Hip\u00f3dromo de Pimlico, em Maryland, e tr\u00eas semanas depois a terceira prova, em 2.400 metros, o Belmont Stakes. Sob o ponto de vista t\u00e9cnico, o Belmont \u00e9 a prova mais importante, pois a volta fechada da pista \u00e9 similar \u00e0s melhores pistas, enquanto nas duas primeiras etapas da tr\u00edplice as voltas fechadas s\u00e3o da ordem de 1.600 metros, resultando em uma correria para correr perto, pois quem corre longe, como tamb\u00e9m os que correm por fora, levam grandes desvantagens.<\/p>\n<p>No Kentucky Derby de 2014, naquela pista curta, largaram vinte potros, e naturalmente os que correram do meio para fora levaram desvantagens. As duas curvas e as retas curtas n\u00e3o permitem um desenvolvimento adequado, e obrigando para melhores resultados uma acelera\u00e7\u00e3o inadequada na primeira parte do percurso. Dos vinte concorrentes, apenas tr\u00eas haviam participado da Breeder\u2019s Cup Juvenile, isto querendo dizer que eles eram os sobreviventes de uma habitual violenta campanha para os 2 anos de idade. A transmiss\u00e3o foi um espet\u00e1culo \u00e0 parte, com imagens e coment\u00e1rios pertinentes a uma grandiosa promo\u00e7\u00e3o. O prado, todo florido, recebeu quase 165 mil expectadores, eu disse 165 mil, no prado, que estava lindo. A maioria dos vinte competidores ia montada por j\u00f3queis n\u00e3o norte-americanos, pois nessas ocasi\u00f5es nobres s\u00e3o chamados os profissionais melhores, os mais h\u00e1beis, experientes, inteligentes. O cavalo favorito era um nascido fora de Kentucky, que representa nos Estados Unidos, os mesmo que Bag\u00e9\/Acegu\u00e1 no Brasil. Nascido na California, de nome California Chrome (Cromo da Calif\u00f3rnia), que seria montado pelo mexicano Victor Espinosa, um j\u00f3quei experiente e tarimbado, e que j\u00e1 havia vencido o Kentucky Derby de 2002. O favorito correu na terceira coloca\u00e7\u00e3o, sempre se aproveitando das curvas e das retas curtas, e nos \u00faltimos 400 metros tomou a ponta para ganhar com estilo e absoluta autoridade. Apesar do grande n\u00famero de concorrentes em fun\u00e7\u00e3o de uma pista pequena, os j\u00f3queis respeitaram as regras e mantiveram os seus cavalos sem causar preju\u00edzos. O \u00fanico potro que n\u00e3o teve um percurso normal, de nome Danza, teve que ser levantado duas vezes, na tentativa de conseguir um espa\u00e7o livre e conveniente para atropelar. Esse potro ficou entendido como o eventual competidor de California Chrome no Preakness. Mas, aparentemente, ser\u00e1 muito dif\u00edcil a derrota do ganhador do Kentucky Derby, pois o alaz\u00e3o de quatro patas brancas e de fronte aberta ganhou com absoluta autoridade. Parece que, em termos de estrutura e complexidade f\u00edsica, California Chrome \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra, pois era o potro mais corrido dos vinte inscritos, com sete corridas aos 2 anos e completando mais quatro aos 3, estando, antes do Preakness, com sete vit\u00f3rias e um segundo. Enquanto por um lado as lindas imagens do Hip\u00f3dromo de Louisville, capital do Estado de Kentucky, e a \u00f3tima tradi\u00e7\u00e3o do p\u00e1reo mostravam um maravilhoso espet\u00e1culo turf\u00edstico, por outro lado n\u00e3o havia a necessidade da demonstra\u00e7\u00e3o da fixa\u00e7\u00e3o em dinheiro, como \u00e9 h\u00e1bito no turfe norte-americano.<\/p>\n<p>Por v\u00e1rias vezes, antes e depois do p\u00e1reo, nas entrevistas com os respons\u00e1veis pelo excelente potro vencedor, e tamb\u00e9m nos pr\u00f3prios discursos nas entregas dos trof\u00e9us, foram repetidamente enfatizados aspectos financeiros referentes ao ganhador. O pre\u00e7o de cobertura do pai dele \u00e9 de apenas 2.500 d\u00f3lares contra produto vivo, pois o pai do campe\u00e3o n\u00e3o tem prest\u00edgio (e a m\u00e3e do potro pedigristicamente n\u00e3o tem maior valor e at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o havia produzido nada de especial, em outras palavras pedigree fraco). O potro j\u00e1 havia corrido antes do Kentucky Derby dez vezes, com sete vit\u00f3rias e um segundo, e surgiu ent\u00e3o uma proposta de 6 milh\u00f5es de d\u00f3lares por 51% da propriedade de California Chrome. O propriet\u00e1rio naturalmente recusou, muito dinheiro muita gente tem, mas s\u00f3 ele tinha o California Chrome. O potro ganhou o Kentucky Derby, perfazendo at\u00e9 agora 2,5 milh\u00f5es de d\u00f3lares em pr\u00eamios, e hoje ele vale bem mais do que os 6 milh\u00f5es por 51%. Esses n\u00fameros foram repetidos e repisados e mostram a fixa\u00e7\u00e3o em lucro, em dinheiro, e que tratam do turfe como um balc\u00e3o de neg\u00f3cios. \u00c9 claro que em princ\u00edpio todos os cavalos de corridas t\u00eam um pre\u00e7o, e nos seus devidos momentos s\u00e3o ou n\u00e3o transacionados, mas a fixa\u00e7\u00e3o em dinheiro no turfe norte-americano empolga at\u00e9 as autoridades quando da entrega de trof\u00e9us esportivos.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o estou nem quero comparar, mas eu lembro que a grandeza do turfe brasileiro se fez \u00e0 custa de criadores como, por exemplo, Linneo de Paula Machado (Haras S\u00e3o Jos\u00e9 e Expedictus), Antonio Joaquim Peixoto de Castro Junior (Haras Mondesir), Roberto e Nelson Grimaldi Seabra (Haras Guanabara), Frederico Jo\u00e3o Lundgren (Haras Marangape), Jos\u00e9 Carlos Fragoso Pires (Haras Santa Ana do Rio Grande), Euvaldo Lodi (Haras Ipiranga), Henrique de Toledo Lara (Haras Faxina), e mais alguns, que preservavam os seus produtos mais importantes visando um futuro melhor de suas cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os tempos na verdade mudaram, as dota\u00e7\u00f5es nos hip\u00f3dromos brasileiros s\u00e3o rid\u00edculas, para equilibrar o contexto teriam que ser pelo menos dobradas, pois o custo-benef\u00edcio \u00e9 perverso, isso resultando na necessidade, muitas vezes, de deixar sair elementos que deveriam ser guardados.<\/p>\n<p>Na Argentina, onde se pratica um turfe eminentemente comercial, os grandes haras, aqueles que fizeram a grandeza do turfe de l\u00e1, est\u00e1 de h\u00e1 muito definhando, e se eles ainda subsistem com import\u00e2ncia \u00e9 pelo amparo financeiro das \u201cmaquininhas\u201d.<\/p>\n<p>Voltando ao turfe norte-americano, quem quiser assistir um espet\u00e1culo turf\u00edstico de grandes propor\u00e7\u00f5es, n\u00e3o naturalmente como o do Kentucky Derby, mas tamb\u00e9m imponente e importante, deve procurar assistir o Preakness Stakes, no s\u00e1bado, dia 17 de maio, pelo canal n\u00famero 572 da NET.<\/p>\n<p>Espet\u00e1culo imperd\u00edvel!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na tarde\/noite de s\u00e1bado dia 03 de maio de 2014, o canal da NET n\u00famero 572 apresentou o programa do Kentucky Derby 2014, a primeira prova da Tr\u00edplice-Coroa norte-americana, em 2.000 metros na areia. 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