

{"id":51369,"date":"2014-04-16T16:00:02","date_gmt":"2014-04-16T19:00:02","guid":{"rendered":"\/?p=51369"},"modified":"2014-04-16T11:15:46","modified_gmt":"2014-04-16T14:15:46","slug":"recordacoes-inesqueciveis-29-por-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/51369\/recordacoes-inesqueciveis-29-por-milton-lodi\/","title":{"rendered":"Recorda\u00e7\u00f5es inesquec\u00edveis (29), por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p>Antonio Jorge Ribeiro de Camargo era um m\u00e9dico radicado em Curitiba, Paran\u00e1, e apaixonado pelo turfe, e obteve muito sucesso com o seu Haras Palmital. Em 1964 nasceu em seu haras um potro que foi marcante na hist\u00f3ria do Palmital.<\/p>\n<p>Antonio Jorge Ribeiro de Camargo havia importado da Inglaterra um cavalo aparentemente de futuro apenas relativo, Cigal, que acabou transformando-se em grande sucesso, apesar de transmitir, al\u00e9m de qualidades, uma tara muito ruim, qual seja, debilidade nos tend\u00f5es dos anteriores. Esse grave problema atrapalhou um eventual enorme sucesso, mas n\u00e3o foi o suficiente para impedir que o tal potro, nascido em 1964, fosse um animal de alta classe. Giant, filho de Cigal e Unista, por Ang\u00e9lico, pedigree aparentemente n\u00e3o nobre apresentou-se nas pistas como l\u00edder absoluto a gera\u00e7\u00e3o, de um ano em que tamb\u00e9m haviam nascido outros muito bons produtos. Eu mesmo tinha um, Moustache, filho do alem\u00e3o Takt na maravilhosa Elizabeth, ganhadora de especial prova de velocidade para \u00e9guas no Hip\u00f3dromo de Palermo, na Argentina, e que era deposit\u00e1rio de enormes esperan\u00e7as. Moustache j\u00e1 havia conseguido a sua primeira vit\u00f3ria no in\u00edcio dos seus tr\u00eas anos de idade, e antes de eu decidir corr\u00ea-lo na primeira prova da tr\u00edplice coroa paulista, fui trocar ideias com o homem-de-cavalos dos Haras Jah\u00fa e das Pedras, o veterin\u00e1rio Fernando Pereira Lima, que me chamou a aten\u00e7\u00e3o para dois detalhes importantes. Giant j\u00e1 come\u00e7ara com problemas iniciais nos tend\u00f5es, mas com a sua superior classe iria se sobrepor a tudo para ser um tr\u00edplice coroado. Mas sob o ponto de vista veterin\u00e1rio, ap\u00f3s a tr\u00edplice-coroa ele teria que ficar um bom tempo afastado das pistas, o que o impediria de correr o Grande Pr\u00eamio de S\u00e3o Paulo de 1968. Os melhores potros brasileiros iriam sofrer muitos desgastes f\u00edsicos na tentativa de ganhar do Giant, mas pela l\u00f3gica, o potro paranaense n\u00e3o deixaria de ser tr\u00edplice-coroado. Tomei ent\u00e3o uma resolu\u00e7\u00e3o sofrida, resolvi dar ao Moustache um descanso nos \u00faltimos quatro meses do ano, e em princ\u00edpio de 1968 iniciar os preparativos e os testes para tentar vencer o G.P S\u00e3o Paulo, ai ent\u00e3o livre do Giant. Tudo correu conforme previsto, Giant venceu de forma autorit\u00e1ria as tr\u00eas provas da coroa, tendo nas tr\u00eas oportunidades sido secundado por Osman, um filho do alem\u00e3o Takt, por mim importado, e de \u00e9gua francesa trazida anteriormente pelo meu pai. Giant venceu brilhantemente, e teve que parar com os seus tend\u00f5es muito avariados. Durante o tempo em que ele ficou parado, primeiro semestre de 1968, Moustache reapareceu em um p\u00e1reo comum, em 1.600 metros, vencendo muito bem. A seguir, venceu brilhantemente uma prova especial em 2.000 metros, e depois foi ao G. P. S\u00e3o Paulo. Foi uma reta final empolgante, pois El Centauro, do saudoso amigo M\u00e1rio C.T. de Souza, com Albenzio Barroso, firme na ponta, e sendo assediado por Sabinus, Osman, Moustache e Junior. No meio da reta final, como de h\u00e1bito Sabinus abriu quando cansou, e pelo espa\u00e7o atropelaram Moustache, com Antonio Bolino, e Junior, com Gast\u00e3o Massoli. Na linha de chegadas, 1\u00ba Moustache, 2\u00baEl Centauro, 3\u00ba Osman, 4\u00ba e 5\u00ba Junior e Sabinus. Tanto pelo prazer da vit\u00f3ria foi o fato de um planejamento perfeito.<\/p>\n<p>Giant ficou de fora das pistas alguns bons meses, e quando voltou, apesar de \u201cremendado\u201d, ainda venceu provas nobres. Na reprodu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o recebeu tudo o que merecia em fun\u00e7\u00e3o do medo de geral quanto \u00e0 transmiss\u00e3o da tara, mas mesmo assim produziu ganhadores de muito bom padr\u00e3o, inclusive ganhadores cl\u00e1ssicos. Giant n\u00e3o foi o \u00fanico filho de Cigal, e dentre outros houve Lunard, que terminou como garanh\u00e3o do vitorioso Haras Expert.<\/p>\n<p>Passados alguns meses da tr\u00edplice-coroa de Giant, o criador Antonio Jorge Ribeiro de Camargo telefonou para a sede da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira, gestora do Stud Book Brasileiro, em S\u00e3o Paulo, dizendo que um procurador dele havia falsificado assinaturas e vendido tr\u00eas produtos da gera\u00e7\u00e3o mais nova, um deles irm\u00e3o pr\u00f3prio do Giant. Pedia os documentos das tr\u00eas transfer\u00eancias, para qualificar um processo criminal. Conversei com o ent\u00e3o Presidente Luiz (Zizo) Vieira de Carvalho Mesquita, que decidiu solicitar ao criador uma carta bem circunstanciada, detalhada, e ap\u00f3s a chegada da carta mandar os documentos. O criador foi informado, e a Associa\u00e7\u00e3o passou a aguardar a tal carta. Na semana seguinte o criador voltou a telefonar, os solicitados documentos ainda n\u00e3o havia chegado. Foi ent\u00e3o lembrado a ele que a Associa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o havia recebido a solicita\u00e7\u00e3o circunstanciada por escrito. Algum tempo depois, a gerente encarregada dos arquivos procurou a Diretoria pra tratar de um assunto especial. Ela contou que o criador paranaense havia sabido que ela entraria em f\u00e9rias, e oferecia para que ela fosse passar uma semana no Haras Palmital. A gerente foi com a m\u00e3e dela, foi muito bem tratada, e voltou feliz com a tal semana de descanso. Mas no dia seguinte \u00e0 volta a S\u00e3o Paulo, o criador telefonou para ela do Paran\u00e1, dizendo que precisava dela um pequeno favor, qual seja, que ela retirasse dos arquivos os documentos das fraudulentas transfer\u00eancias, e as enviasse para que ele entrasse com o processo criminal. A gerente, de nome Maria Clara, disse \u00e0 Diretoria que desde pronto se negara, e que do fato iria dar conhecimento, o que estava fazendo naquele momento. O Presidente Zizo mandou que ela retirasse dos arquivos os referentes documentos, e os colocasse no cofre, onde ficavam outros documentos de maior valor. O assunto esfriou, at\u00e9 que a Associa\u00e7\u00e3o tomou conhecimento de um processo criminal impetrado pelo criador contra a Associa\u00e7\u00e3o, que havia aceitado \u00e0s tr\u00eas assinaturas falsificadas. Foi contratado um advogado, a Justi\u00e7a solicitou os tais documentos \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o, que naturalmente foram entregues sobre protocolo. O advogado informou que na verdade dois r\u00e9us, a Associa\u00e7\u00e3o pela aceita\u00e7\u00e3o de documentos com assinaturas falsas, e o tal fals\u00e1rio. No fim, a Justi\u00e7a condenou o fals\u00e1rio e absolveu a Associa\u00e7\u00e3o, sob a alega\u00e7\u00e3o de que os exames grafol\u00f3gicos, ou grafot\u00e9cnicos, haviam mostrado uma falsifica\u00e7\u00e3o muito bem feita, impercept\u00edvel para leigos.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que eu sei disso e dos detalhes? Simples, \u00e0 \u00e9poca eu era o Diretor-Secret\u00e1rio da Associa\u00e7\u00e3o, e eu, em nome da Associa\u00e7\u00e3o, era quem cuidava diretamente com o pessoal do Stud Book Brasileiro (Diomedes Torrano, Dino Zannetti, Maria Clara, mais uns poucos funcion\u00e1rios e veterin\u00e1rios).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Jorge Ribeiro de Camargo era um m\u00e9dico radicado em Curitiba, Paran\u00e1, e apaixonado pelo turfe, e obteve muito sucesso com o seu Haras Palmital. 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