

{"id":50456,"date":"2014-03-26T14:00:41","date_gmt":"2014-03-26T17:00:41","guid":{"rendered":"\/?p=50456"},"modified":"2014-03-26T08:38:56","modified_gmt":"2014-03-26T11:38:56","slug":"um-derby-como-poucos-por-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/50456\/um-derby-como-poucos-por-milton-lodi\/","title":{"rendered":"Um Derby como poucos, por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">Como diria o saudoso locutor oficial do Jockey Club Brasileiro, o \u00edcone dos jornalistas que irradiam corridas de cavalos, The\u00f3philo de Vasconcelos, \u201ctempo bom, claro e firme, temperatura agrad\u00e1vel para uma tarde de fim de ver\u00e3o\u201d. No domingo dia 16 de mar\u00e7o de 2014, com um p\u00fablico maior que o habitual, realizou-se o meeting preparado pelo expert Marcos Ribas constitu\u00eddo por cinco provas nobres, sendo 3 grandes pr\u00eamios e 2 cl\u00e1ssicos (provas listadas). Al\u00e9m disso, havia a presen\u00e7a de dois j\u00f3queis com destaques internacionais, quais sejam, o nosso campe\u00e3o mundial Jorge Ricardo e o irland\u00eas Ted Durcan, habitual l\u00edder da estat\u00edstica de j\u00f3queis em Dubai, onde alterna os tr\u00eas primeiros meses do ano com o restante do tempo na Inglaterra.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A 1\u00aa prova nobre era o G.P. Jockey Club de S\u00e3o Paulo, em 1.000 metros, grama, para produtos de 3 e mais anos. O grande interesse geral era o confronto entre a f\u00eamea Bottega com o macho Desejado Put. Os dois s\u00e3o filhos do extraordin\u00e1rio Put-it-Back, a \u00e9gua tendo ainda como av\u00f4 materno o produtor do velocistas, Southern Halo. A \u00e9gua, muito ligeira, largaria por dentro, e o cavalo, que normalmente ganha os p\u00e1reos curtos de acordo com os melhores preceitos t\u00e9cnicos, isto \u00e9, colocado para uma partida final de menos de 400 metros, pelo meio da raia. Seria um duelo de gigantes, mas embora Desejado Put tenha corrido para o seu pr\u00f3prio record da dist\u00e2ncia, s\u00f3 conseguiu um merit\u00f3rio 2\u00ba lugar, j\u00e1 que Bottega n\u00e3o tomou conhecimento dos advers\u00e1rios, largando em alta velocidade e disparando para a linha de chegadas, dando-se ao luxo de marcar, com 55,11 segundos, o novo record da dist\u00e2ncia. Foi uma vit\u00f3ria indiscut\u00edvel, massacrante, uma exibi\u00e7\u00e3o do mais alto n\u00edvel. Treinada por R. Morgado Neto e montada por V. Gil, Bottega deu um verdadeiro \u201cshow\u201d, e mais uma vez dando ao criador e propriet\u00e1rio do Haras Santa Maria de Araras, o ensejo de exibir mais uma vez o enorme poderio da cria\u00e7\u00e3o Araras, l\u00edder nacional. Mas quem achou que com as duas primeiras coloca\u00e7\u00f5es no G.P. Jockey Club de S\u00e3o Paulo o garanh\u00e3o Put-it-Back j\u00e1 havia se mostrado suficientemente, enganou-se havia mais por vir.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A segunda prova nobre da tarde era a 3\u00aa prova da Tr\u00edplice-Coroa das potrancas, o G.P. Zelia Gonzaga Peixoto de Castro, em 2.400 metros, grama. Foi um p\u00e1reo muito bonito e disputado, e quando se alvitrava a vit\u00f3ria de Fonte Azul, da parceria Quintella-Genovesi, nos \u00faltimos metros, com magistral joqueada de Alex Mota, surgiu para ganhar That Sunday, filha de First American em Tale e Quale, por Jarraar, treinada por Roberto Solan\u00e9s. A excelente ganhadora \u00e9 de cria\u00e7\u00e3o e propriedade do cl\u00e1ssico Haras S\u00e3o Jos\u00e9 da Serra. A 3\u00aa colocada foi Energia Fox, com o j\u00f3quei irland\u00eas Ted Durcan e em 4\u00ba Become Winner. Foi uma linda e disputada carreira.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A carreira seguinte era a mais aguardada, a 3\u00aa prova da Tr\u00edplice-Coroa de produtos de 3 anos, o G.P. Cruzeiro do Sul, em 2.400 metros, grama. A for\u00e7a indiscut\u00edvel era o candidato \u00e0 Tr\u00edplice, Bal a Bali, que havia vencido espetacularmente a milha em tempo record, e os 2.000 metros de ponta a ponta, a isso obrigado pelas caracter\u00edsticas de seus advers\u00e1rios de ent\u00e3o. Foi uma vit\u00f3ria de cavalo bom, com autoridade, mas que teve que superar detalhes conhecidos como o aumento da dist\u00e2ncia e ainda a inesperada exibi\u00e7\u00e3o do potro Hendrix. Montado por Jorge Ricardo, que percebeu que o ritmo moderado imposto por V. Borges na lideran\u00e7a resultaria certamente na vit\u00f3ria do favorito, Ricardo usou de sua larga experi\u00eancia para lan\u00e7ar Hendrix na persegui\u00e7\u00e3o de Bal a Bali. Na reta final houve um momento em que periclitou a esperada vit\u00f3ria de Bal a Bali, pois o pilotado de Jorge Ricardo teimou muito a esmorecer. Naquela oportunidade, Bal a Bali venceu com totais justi\u00e7a e autoridade, embora a vit\u00f3ria tenha sido por cerca de 4 ou 5 corpos, deu susto. Mas havia chegado a hora do G.P. Cruzeiro do Sul, o Derby Brasileiro. Havia novos concorrentes, e tudo indicava que haveria\u00a0 um ritmo mais forte que quando dos 2.000 metros, Bal a Bali deveria correr mais acomodado, e de Hendrix s\u00f3 Ricardo sabia. Dada \u00e0 partida, desenhou-se um ritmo forte, o excelente V. Borges colocou Bal de Bali em 6\u00ba, e Ricardo foi para a 4\u00aa coloca\u00e7\u00e3o. O entendimento geral era que Ricardo s\u00f3 iria acelerar o Hendrix quando Bal a Bali come\u00e7asse a progredir, entrando na \u00faltima reta na frente do favorito. Mas n\u00e3o foi bem assim que as coisas aconteceram, pois Ricardo queria mais, queria que o Bal a Bali desse uma partida final mais longa, contra as caracter\u00edsticas de milheiro \u2013 alongado do campe\u00e3o. E na \u00faltima curva, Ricardo rapidamente passou por dentro dos tr\u00eas advers\u00e1rios que lhe vinham \u00e0 frente, e Hendrix j\u00e1 encontrou na reta final na ponta e junto \u00e0 cerca interna.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Se Bal a Bali estivesse sendo montado por um apenas bom j\u00f3quei, normalmente esperaria a reta para come\u00e7ar a atropelar. E ia aguardar. Acontece que V. Borges \u00e9 muito bom, desde aprendiz foi l\u00edder de estat\u00edstica, e entendeu que tinha que ir em busca de Hendrix o mais cedo poss\u00edvel, mesmo arriscando-se a uma derrota, pois esperar a reta era dar a vit\u00f3ria ao conduzido de Jorge Ricardo. Assim, ainda na curva Bal a Bali foi acionado por V. Borges ultrapassando mesmo por fora os advers\u00e1rios e entrando na reta final, pelo meio da pista. Hendrix na ponta, com boa vantagem tocado pelo campe\u00e3o Jorge Ricardo, Bal a Bali tentando descontar a diferen\u00e7a exigido a fundo pelo \u00f3timo V. Borges, o p\u00fablico de p\u00e9 em del\u00edrio torcendo por um novo tr\u00edplice-coroado, a linha de chegadas cada vez mais perto, e embora aos poucos perdendo terreno Hendrix n\u00e3o se entregava. Eles emparelharam nos \u00faltimos 200 metros, e sempre em luta Bal a Bali assumiu a lideran\u00e7a faltando 100 metros, vencendo por um corpo escasso e no novo record, 2.23,25. A emo\u00e7\u00e3o tomou conta das arquibancadas, Bal a Bali e Hendrix foram muito aplaudidos, e assim Bal a Bali, de cria\u00e7\u00e3o do campe\u00e3o Haras Santa Maria de Araras e propriedade do l\u00edder dos propriet\u00e1rios Stud Alvarenga, treinado por D. Guignoni e montado por V. Borges, \u00e9 o novo tr\u00edplice-coroado do turfe brasileiro. Al\u00e9m dos normais detalhes proporcionados por um p\u00e1reo desse gabarito, h\u00e1 alguns especiais que devem ser destacados. Um deles foi \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o de alta qualidade e compet\u00eancia de Jorge Ricardo, com uma excepcional joqueada de um experiente campe\u00e3o. Outro foi \u00e0 aud\u00e1cia de V. Borges, j\u00f3quei novo de idade e j\u00e1 com experi\u00eancia de um veterano.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Detalhe curioso \u00e9 que tanto Bottega, nos 1.000 metros, como Bal a Bali, nos 2.400 metros, bateram os records, e s\u00e3o ambos filhos do garanh\u00e3o norte-americano Put-it-Back, duas espetaculares vit\u00f3rias, na mesma tarde, em duas dist\u00e2ncias bem diferentes. H\u00e1 ainda a ressaltar que Hendrix \u00e9 filho do garanh\u00e3o norte-americano Honor and Glory, que fez temporada de monta na Argentina e l\u00e1 deixou \u00e9guas cheias, antes de voltar para os Estados Unidos, onde j\u00e1 est\u00e1 velho, no Estado da Pensylv\u00e2nia. Pois Honor and Glory \u00e9 pai tanto de Put-it-Back quanto de Hendrix, do Haras Nacional.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A quarta prova nobre da tarde era o Cl\u00e1ssico Bar\u00e3o e Baronesa Von Leithner, em 1.600 metros para produtos de 3 e mais anos. Esse cl\u00e1ssico homenageia basicamente o Haras S\u00e3o Bernardo, que tomava grande parte do tempo e do carinho da saudosa Baronesa Marie Blanche. Era um centro modelar de cria\u00e7\u00e3o, que produziu muitos ganhadores cl\u00e1ssicos de alt\u00edssimo n\u00edvel, como Gaudeamus, Courageuse, Quartier Latin, entre dezenas de \u00f3timos corredores. O vencedor foi Martim Ca\u00e7ador, um Northern Afleet em filha de Roi Normand, de cria\u00e7\u00e3o do Haras Fronteira, de propriedade do Haras Regina, treinado por Roberto Solan\u00e9s e montado por D. Duarte. Martim Ca\u00e7ador est\u00e1 visando a milha internacional do G.P. S\u00e3o Paulo, na \u00faltima semana de abril.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00faltima das provas nobres era o Cl\u00e1ssico Escorial em 2.400 metros, grama, para produtos de 3 e mais anos. Venceu Estrela Monarchos, uma importada dos Estados Unidos, treinada por D. Guignoni e montada por V. Gil, de propriedade do Stud H &amp; R. Essa \u00e9gua \u00e9 muito corredora.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para terminar, mais duas not\u00edcias sobre Put-it-Back, o garanh\u00e3o do momento. A primeira \u00e9 que a sua importa\u00e7\u00e3o para 2014 \u00e9 em termos definitivos, isto \u00e9, n\u00e3o sair\u00e1 mais do Brasil, permanecendo no Haras Santa Maria de Araras, em Bag\u00e9. A segunda not\u00edcia \u00e9 pelo menos curiosa. Em princ\u00edpios de 2011, nos Estados Unidos, Put-it-Back teve que ser operado, por problemas intestinais. Quando ficou em condi\u00e7\u00f5es de voltar a cobrir, a temporadas de cobertura do 1\u00ba trimestre j\u00e1 estava no fim, e ele s\u00f3 teria coberto 3 ou 4 \u00e9guas. Pouco depois, um criador brasileiro que havia comprado duas \u00e9guas cheias nos Estados Unidos, entendeu de deix\u00e1-las darem cria nos Estados Unidos e de l\u00e1 virem com os produtos ao p\u00e9, mas tamb\u00e9m cheias, e em \u00e9poca do 2\u00ba semestre. Assim, uma daquelas duas \u00e9guas veio cheia de Put-it-Back, que permaneceu em 2011 nos Estados Unidos. Assim, no 2\u00ba semestre de 2012, Put-it-Back s\u00f3 tem um filho na temporada do 2\u00ba semestre de 2012. O potro que nasceu, e que est\u00e1 sendo criado no Haras Santa Rita da Serra, no Paran\u00e1, por conta de seu propriet\u00e1rio, ir\u00e1 a leil\u00e3o junto com os potros do Santa Rita da Serra, na semana do G.P. Brasil, que este ano ser\u00e1 corrido em 08 de junho. A prop\u00f3sito, o potro chama-se Leguisamo Solo.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como diria o saudoso locutor oficial do Jockey Club Brasileiro, o \u00edcone dos jornalistas que irradiam corridas de cavalos, The\u00f3philo de Vasconcelos, \u201ctempo bom, claro e firme, temperatura agrad\u00e1vel para uma tarde de fim de ver\u00e3o\u201d. 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