

{"id":45068,"date":"2013-11-10T21:32:25","date_gmt":"2013-11-10T23:32:25","guid":{"rendered":"\/?p=45068"},"modified":"2013-11-12T15:26:52","modified_gmt":"2013-11-12T17:26:52","slug":"entrevista-ricardo-ravagnani","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/especial\/45068\/entrevista-ricardo-ravagnani\/","title":{"rendered":"Entrevista exclusiva: Ricardo Ravagnani"},"content":{"rendered":"<p><b><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2013\/11\/ravagnani-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-45078\" alt=\"ravagnani 2\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2013\/11\/ravagnani-2.jpg\" width=\"352\" height=\"270\" \/><\/a>Qual \u00e9 a sua fun\u00e7\u00e3o junto ao Comit\u00ea de Ratings?<\/b><\/p>\n<p><b>RR:<\/b> Sou o Handicapper brasileiro que representa nosso pa\u00eds nos Congressos realizados no exterior. Como estive presente desde o I Encontro de Handicappers da OSAF, aprendendo com o consultor da Federa\u00e7\u00e3o Internacional, Ciaran Kennelly, toda a metodologia, acabei sendo indicado como handicapper titular. Eu proponho os ratings brasileiros ao grupo, hoje formado pelo Samir Abujamra e pelo Vicente Britto e, ap\u00f3s discutirmos, coloco-os no sistema internacional (um website a que todos os handicappers do mundo t\u00eam acesso). Ap\u00f3s isso, defendo esses ratings nos congressos regionais (OSAF) e agora nos mundiais (Paris e Hong Kong, os principais).<\/p>\n<p><b>Porque o rating \u00e9 importante para os criadores, propriet\u00e1rios e para o turfe em geral?<\/b><\/p>\n<p><b>RR:<\/b> Os ratings s\u00e3o utilizados desde h\u00e1 muito tempo como forma de comparar cavalos de diferentes idades, enturma\u00e7\u00f5es e dist\u00e2ncias. Passou a ser, com o correr do tempo, n\u00e3o apenas uma ferramenta para estudar os ganhadores dos p\u00e1reos, mas principalmente um instrumento para medir a qualidade das provas. Para o criador pode ser importante saber que rating uma determinada \u00e9gua ou garanh\u00e3o alcan\u00e7ou na campanha. H\u00e1 cavalos que ganharam G1 mas que t\u00eam rating inferior a um cavalo que, por exemplo, nem tenha vit\u00f3ria em prova de grupo. Os ratings d\u00e3o uma ideia de qualidade, que \u00e9 medida n\u00e3o pura e simplesmente pelo &#8220;nome&#8221; das provas vencidas, mas sim pela turma enfrentada. Nos pa\u00edses principais os turfistas em geral t\u00eam acesso aos ratings dos animais que v\u00e3o correr uma prova cl\u00e1ssica, por exemplo. Aqui no Brasil nem os hip\u00f3dromos, tampouco a Revista Turf Brasil t\u00eam o h\u00e1bito de public\u00e1-los. Na Argentina e no Uruguai desde 2011 os ratings nos cl\u00e1ssicos s\u00e3o informados no Programa Oficial.<\/p>\n<p><b> Como funcionam os ratings e para que eles servem?<\/b><\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2013\/08\/Aerosol-Chegadapost1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-39995\" alt=\"Aerosol Chegadapost\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2013\/08\/Aerosol-Chegadapost1.jpg\" width=\"450\" height=\"312\" \/><\/a><\/b><\/p>\n<p><b>RR:<\/b> Na esteira da resposta\u00a0acima, eles funcionam como um elemento de padroniza\u00e7\u00e3o, de refer\u00eancia. Por outro lado, s\u00e3o tamb\u00e9m o instrumento do handicapper para, em sendo o caso, equilibrar uma carreira. O n\u00famero em si est\u00e1 em libras e representa o peso que um j\u00f3quei deslocaria sobre o cavalo examinado. Teoricamente, utilizando-se os ratings como peso dos j\u00f3queis num determinado campo de prova, voc\u00ea teria um Handicap, ou seja, um p\u00e1reo em que o equil\u00edbrio seria a t\u00f4nica, todos com chances equivalentes. Uma libra \u00e9 equivalente a 0,453Kg. Significa dizer que se v\u00e1rios cavalos fossem correr uma prova de handicap cada piloto montaria com o peso equivalente ao rating do respectivo cavalo. Por exemplo: Se fossem correr num handicap o Aerosol (115lb \u00e9 seu rating); o Baccelo (110lb); o Holding Glory (113lb); o Jiraya (108lb); o uruguaio Imperrito (113lb), o argentino Calidosc\u00f3pio (114lb), o americano Game on Dude (124lb) e o alem\u00e3o ganhador do derby franc\u00eas Intello (120lb), ter\u00edamos os pesos assim: Aerosol (52kg); Baccelo (49,5kg); Holding Glory (51kg); Jiraya (48,5kg); Imperrito (51kg); Calidosc\u00f3pio (51,5Kg), Game on Dude (56kg) e Intello (54kg). Se inclu\u00edssemos, por exemplo, o Frankel nesse p\u00e1reo, seu j\u00f3quei iria com 63,5Kg.<\/p>\n<p><b>Quantos pa\u00edses s\u00e3o signat\u00e1rios do acordo internacional que estabeleceu o sistema de ratings e quais os mais importantes?<\/b><\/p>\n<p><b>RR:<\/b> Hoje s\u00e3o 32 pa\u00edses que adotam o sistema, praticamente todos os principais do planeta. Para citar: Inglaterra, Fran\u00e7a, Irlanda, Estados Unidos, Austr\u00e1lia, Alemanha, It\u00e1lia, Jap\u00e3o, Nova Zel\u00e2ndia, Mal\u00e1sia, Emirados \u00c1rabes Unidos, Cingapura, Hong Kong, o bloco da Escandin\u00e1via, todos os pa\u00edses da OSAF, \u00c1frica do Sul, Canad\u00e1 e Turquia.<\/p>\n<p><b>O Brasil aderiu e vem participando das reuni\u00f5es que determinam os ratings dos animais?<\/b><\/p>\n<p><b>RR:<\/b> Toda a OSAF aderiu em 2010, quando foi realizado o I Encontro de Handicappers, em Buenos Aires. A partir da\u00ed foram realizados 10 encontros nos quais o Brasil participou de todos e inclusive sediou um deles, no Rio de Janeiro. Um representante da OSAF vinha participando das reuni\u00f5es anuais em Hong Kong, em 2010 e 2011 como ouvinte e a partir de 2012 como votante. Em 2013 todos os pa\u00edses da OSAF, do Livro I, ou seja, sem o Uruguai, j\u00e1 ter\u00e3o seus handicappers na reuni\u00e3o de Hong Kong com direito de voto.<\/p>\n<p><b>O que esse sistema pode alterar na &#8220;grupagem&#8221; das provas brasileiras?<\/b><\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2013\/11\/LM-70.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-45083\" alt=\"LM-70\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2013\/11\/LM-70.jpg\" width=\"333\" height=\"500\" \/><\/a>RR:<\/b> Na verdade o que a Federa\u00e7\u00e3o Internacional sempre diz \u00e9 que \u00e9 ela a titular das provas de grupo mundo afora. Ou seja, os Jockeys Clubes det\u00e9m os &#8220;nomes&#8221; das provas, mas n\u00e3o a valora\u00e7\u00e3o delas. Existe dentro da Federa\u00e7\u00e3o Internacional um comit\u00ea chamado IRPAC que justamente analisa a qualidade das provas de grupo. Se um pa\u00eds deseja promover uma prova de grupo 2 para grupo 1, quem d\u00e1 essa autoriza\u00e7\u00e3o final \u00e9 o IRPAC, ap\u00f3s analisar e votar o pleito. O que acontece \u00e9 que o que justifica ou n\u00e3o um upgrade \u00e9 a qualidade t\u00e9cnica da prova, ou seja, a m\u00e9dia dos ratings dos 4 primeiros colocados nos \u00faltimos 3 anos. N\u00e3o se esquecendo que essa m\u00e9dia \u00e9 feita considerando o melhor rating dos 4 primeiros na temporada correspondente. O IRPAC pretende que cada Comit\u00ea Nacional de Provas de Grupo fa\u00e7a esse acompanhamento,\u00a0 avaliando suas pr\u00f3pria provas e assim, a cada ano, comunicando na reuni\u00e3o do IRPAC os ajustes t\u00e9cnicos necess\u00e1rios, propondo rebaixamentos e upgrades. Isso j\u00e1 acontece h\u00e1 anos nos pa\u00edses europeus e no bloco chamado asi\u00e1tico, com Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia e \u00c1frica do Sul. Os pa\u00edses da OSAF nunca fizeram isso, sequer ratings faziam de maneira apropriada, de acordo com a metodologia mundial. Ent\u00e3o corr\u00edamos o risco de termos nossas provas rebaixadas sem crit\u00e9rio algum, numa &#8220;canetada&#8221; do IRPAC, considerando a quantidade de provas de grupo que temos proporcionalmente a outros pa\u00edses que fazem avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, v\u00e3o aos congressos e etc. Hoje n\u00f3s aqui no Brasil temos um Comit\u00ea de Provas de Grupo que se reuniu duas vezes em agosto e setembro e a OSAF ter\u00e1 sua primeira reuni\u00e3o do Comit\u00ea Regional de Provas de Grupo agora em novembro. Tendo ratings feitos com regularidade desde 2010, \u00e9 poss\u00edvel que haja uma an\u00e1lise t\u00e9cnica por parte desses comit\u00eas para avaliar a qualidade das nossas provas. Tecnicamente, ent\u00e3o, pode haver mudan\u00e7as nas provas de grupo brasileiras sim, mas se fizermos tudo da forma correta, seremos n\u00f3s mesmos que apresentaremos as mudan\u00e7as pertinentes.<\/p>\n<p><b>Em outros pa\u00edses a gradua\u00e7\u00e3o das provas vem sofrendo altera\u00e7\u00f5es?<\/b><\/p>\n<p><b>RR:<\/b> Sim, essa metodologia explicada acima j\u00e1 acontece h\u00e1 anos. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a It\u00e1lia, por exemplo, tem apenas uma prova de G1 para os 2 anos. O tradicional Poule d&#8217;Essai des Poulains franc\u00eas estava correndo risco ano passado, entrando na zona de toler\u00e2ncia para ser rebaixado a G2.<\/p>\n<p><b>Como voc\u00ea v\u00ea a altera\u00e7\u00e3o da data do GP Brasil a partir de 2014?<\/b><\/p>\n<p><b>RR:<\/b> Olha j\u00e1 me manifestei nesse sentido. Tecnicamente, a m\u00e9dia de ratings do GP Brasil \u00e9 boa e n\u00e3o precisaria haver altera\u00e7\u00e3o. Mas sempre foi estranho iniciar a temporada h\u00edpica com o GP Brasil, logo em agosto, comparando gera\u00e7\u00f5es de 4 e 5 anos, algo que no mundo todo n\u00e3o existe. Como j\u00e1 falei, o GP Brasil em agosto equivaleria a Breeders Cup ser corrida em fevereiro, ou o Arco do Triunfo ser corrido em mar\u00e7o, por exemplo, algo inconceb\u00edvel, por se tratar do gran finale da temporada. Nossa temporada h\u00edpica inicia-se em julho, ent\u00e3o agosto seria equivalente a fevereiro no hemisf\u00e9rio norte, quando nem sequer as provas de tr\u00edplice coroa come\u00e7am.<\/p>\n<p><b>Algum pa\u00eds do mundo tem duas tr\u00edplices coroas reconhecidas internacionalmente?<\/b><\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2013\/11\/Going_Somewhere.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-45088\" alt=\"Going_Somewhere\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2013\/11\/Going_Somewhere.jpg\" width=\"497\" height=\"371\" \/><\/a>RR:<\/b> Vamos l\u00e1, consultando o Livro azul 2013: A Argentina agora tem uma tr\u00edplice coroa de potros e potrancas e a chamada Tr\u00edplice Coroa de San Isidro, machos e f\u00eameas (1000 Guineus e 2000 Guineus, Jockey Club e Pellegrini); o Brasil tem 6 tr\u00edplices coroas e os demais pa\u00edses todos t\u00eam, no m\u00e1ximo, uma de machos e outra de f\u00eameas.<\/p>\n<p><b>E sua opini\u00e3o a tr\u00edplice coroa deve ser corrida no primeiro ou no segundo semestre h\u00edpico?<\/b><\/p>\n<p><b>RR:<\/b> Acho que uma tr\u00edplice coroa tem que ser feita no decorrer da evolu\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de 3 anos. Esse \u00e9 o desafio. A tr\u00edplice coroa do Rio de Janeiro possibilita que um potro tenha corrido um Derby em 2400m, um Pellegrini contra os mais velhos e depois, dois meses depois, inicie a disputa partindo da milha at\u00e9 outro Derby, com quase 4 anos. A bem da verdade, n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. O Hip\u00f3dromo de Greyville, na \u00c1frica do Sul, embora sem o nome de Tr\u00edplice Coroa, tem a sua milha em maio (\u00e9 Gr.2), os 2000m em junho e seu Derby (Durban Derby) em 2200m em julho. A troca de idade ocorre em agosto. A Tr\u00edplice Coroa oficial, entretanto, tem Gauteng Guineas, SA Classic, SA Derby correndo em fevereiro, mar\u00e7o e abril. Em todos os outros pa\u00edses ao menos o in\u00edcio se d\u00e1 no primeiro semestre da idade h\u00edpica.<\/p>\n<p>No hemisf\u00e9rio sul: Argentina: Polla, Jockey Club e Nacional &#8211; setembro, outubro e novembro; Uruguai: Polla, Jockey Club e Nacional &#8211; setembro, outubro e novembro; Chile: El Ensayo, St Leger, El Derby &#8211; novembro, dezembro e fevereiro (2400m, 2200m e 2400m, por\u00e9m); Peru: Polla, Ricardo Ortiz de Zevallos; Derby Nacional e Gran Premio Nacional (setembro, outubro, novembro, janeiro).<\/p>\n<p>Os pa\u00edses do hemisf\u00e9rio norte correm equivalente a: EUA: Kentucky Derby, Preakness e Belmont (novembro, novembro e dezembro); Inglaterra: Guineus, Epsom Derby, St. Leger (novembro, dezembro, mar\u00e7o); Alemanha: Mehl Mulhens-Rennen, Deutsches Derby, Deutsches St. Leger (novembro, dezembro, mar\u00e7o); Jap\u00e3o: Guineus, Japanese Derby, Japanese St. Leger (outubro, novembro e abril) e etc.<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea acha que os Jockeys Clubes dever\u00e3o adequar as chamadas cl\u00e1ssicas visando garantir os ratings de suas provas?<\/b><\/p>\n<p><b>RR: <\/b>Sim, isso \u00e9 de suma import\u00e2ncia. As provas principais devem proporcionar interc\u00e2mbio, os melhores sempre correndo juntos. Basta ver o caso do ultimo Salgado Filho. Os melhores aren\u00e1ticos milheiros, mais velhos e mais novos, puderam se enfrentar num valioso embate, embora numa noturna. N\u00e3o tem cabimento S\u00e3o Paulo ter um G3 para potros de 3 anos uma semana antes do GP Paran\u00e1, praticamente na mesma dist\u00e2ncia e pista. O que est\u00e1 acontecendo? O n\u00edvel tanto do G3 de S\u00e3o Paulo quanto o do GP Paran\u00e1 est\u00e3o caindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Da Reda\u00e7\u00e3o &#8211; Fotos: Arquivo JCB, Luiz Mel\u00e3o e Internet<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual \u00e9 a sua fun\u00e7\u00e3o junto ao Comit\u00ea de Ratings? RR: Sou o Handicapper brasileiro que representa nosso pa\u00eds nos Congressos realizados no exterior. 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