

{"id":40165,"date":"2013-08-07T10:05:30","date_gmt":"2013-08-07T13:05:30","guid":{"rendered":"http:\/\/jcb.com.br\/?p=40165"},"modified":"2013-08-07T00:13:52","modified_gmt":"2013-08-07T03:13:52","slug":"ecordacoes-inesqueciveis-12-por-ilton-odi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/40165\/ecordacoes-inesqueciveis-12-por-ilton-odi\/","title":{"rendered":"Recorda\u00e7\u00f5es inesquec\u00edveis (12), por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: .0001pt; line-height: normal;\">\u00a0Fato impressionante ocorreu comigo, quando da \u00e9poca em que eu mantinha o meu Stud em Cidade Jardim. S\u00f3 eu n\u00e3o sabia do conceito de um pobre homem que vendia bilhetes de loteria.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"mso-margin-top-alt: auto; margin-bottom: .0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-family: 'Verdana','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;\">Havia em Cidade Jardim, nos dias de corridas, um vendedor de bilhetes de loteria. Ele era visivelmente prejudicado, f\u00edsica e mentalmente. N\u00e3o era m\u00e1 pessoa, mas n\u00e3o tinha a medida das coisas, ele queria vender os bilhetes para ter dinheiro para jogar e beber, pela ordem. Era na verdade, um miser\u00e1vel, um coitado, mesmo nos dias de muito calor, ele estava com um colete de l\u00e3 e um palet\u00f3 ambos surrados e sentindo muito frio. Era eu chegar ao prado e ele se acercar. Eu n\u00e3o comprava bilhetes dele, pois se algum dia desse de ganhar algum pr\u00eamio, ai mesmo \u00e9 que ele n\u00e3o iria me largar mais. Mas algum ele sempre levava.<br style=\"mso-special-character: line-break;\" \/> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"mso-margin-top-alt: auto; margin-bottom: .0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-family: 'Verdana','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;\">Eu estava em fase sem vit\u00f3rias, os cavalos bem trabalhados e bem apresentados, bem inscritos e bem montados, mas n\u00e3o ganhavam. As semanas se sucediam, mas os resultados esperados n\u00e3o aconteciam. Conversando ocasionalmente com o treinador Enir Feij\u00f3, o \u201cMarocas\u201d, comentei com ele os insucessos e, ele, prontamente me perguntou se eu ainda n\u00e3o havia percebido que quando o corcundinha ia se aproximando, todo mundo rapidamente se afastava, eu era dos poucos que conversava com o infeliz. O \u201cMarocas\u201d me disse que era imposs\u00edvel ganhar corridas quando se conversava antes com o corcundinha, e que eu tinha que acreditar, isso j\u00e1 acontecera com muitos.<br style=\"mso-special-character: line-break;\" \/> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"mso-margin-top-alt: auto; margin-bottom: .0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-family: 'Verdana','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;\">Eu n\u00e3o queria fazer uma grosseria com o coitado. Fui a ele e disse que ia dar a ele um dinheiro bom, um montante que valeria por muitos meses de pequenas gorjetas, tudo naquele momento, mas com uma condi\u00e7\u00e3o, dele n\u00e3o mais me procurar para falar comigo nos dias de corridas. Ele ficou alegre, disse que prometia n\u00e3o me procurar mais, e saiu satisfeito com o dinheiro. No programa seguinte em que eu tinha cavalo inscrito, eu estacionei o carro, e ao atravessar a tribuna dos profissionais, logo o corcundinha me abordou, e alegre me disse que ele n\u00e3o ia me procurar para falar comigo. N\u00e3o seria necess\u00e1rio dizer que o meu cavalo perdeu.<br style=\"mso-special-character: line-break;\" \/> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"mso-margin-top-alt: auto; margin-bottom: .0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-family: 'Verdana','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;\">O jeito foi fugir, isto \u00e9, entrar no clube por outra entrada e ficar na arquibancada, que para o tal sujeito, era inacess\u00edvel. As vit\u00f3rias atrasadas e outras inesperadas chegaram naturalmente, com rapidez e bom n\u00famero.<br style=\"mso-special-character: line-break;\" \/> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"mso-margin-top-alt: auto; margin-bottom: .0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-family: 'Verdana','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;\">Um dia me disseram que o corcundinha havia vendido uns tantos bilhetes, mas bebera demais e fora embora a p\u00e9, j\u00e1 sem nenhum dinheiro. De noite, perdera o equil\u00edbrio e batera com a cabe\u00e7a no meio-fio, na guia, e ficara em lugar ermo desacordado. Ao acordar, muitas e muitas horas depois, j\u00e1 consciente, fora para a lot\u00e9rica onde pegava os bilhetes, para devolver os que n\u00e3o havia vendido. Surpreendido ao saber que os bilhetes j\u00e1 haviam corrido e, surpresa maior ainda, era que ganhara um bom pr\u00eamio. Casado com uma dom\u00e9stica com a qual tinha sete filhas, resolveu o seu problema de moradia, parou de pagar aluguel, comprou um \u2018cantinho\u2019 e voltara para sua vida habitual de vendedor de bilhetes.<br style=\"mso-special-character: line-break;\" \/> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"mso-margin-top-alt: auto; margin-bottom: .0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-family: 'Verdana','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;\">A \u00faltima vez que eu vi o corcundinha, foi em uma segunda-feira \u00e0 noite, quando eu tirava meu carro do estacionamento para ir para casa. Fazia frio, j\u00e1 era tarde, e perto do port\u00e3o o homem estava l\u00e1 aguardando uma ajuda para ir embora. Mandei que ele entrasse no carro. Ele me disse que ia para uma \u201cboite\u201d, que ficava em bairro pr\u00f3ximo ao meu. Fiquei curioso, o que aquele sujeito mal vestido, de apar\u00eancia muito ruim, iria fazer \u00e0 noite na tal \u201cboite\u201d, ele me disse que ele sempre ia l\u00e1 de madrugada para ajudar a lavar pratos, a troco de um prato de comida.<br style=\"mso-special-character: line-break;\" \/> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"mso-margin-top-alt: auto; margin-bottom: .0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-family: 'Verdana','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;\">Ele pediu para parar, abriu a porta e me convidou a entrar com ele. Eu agradeci, disse que n\u00e3o entraria e ele, ent\u00e3o me disse que eu podia entrar, eu iria gostar, aquela era a \u201cboite das pretas onde os brancos se adevertem\u201d.<br style=\"mso-special-character: line-break;\" \/> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-family: 'Verdana','sans-serif';\">Nunca mais o vi.<br \/>\n<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Fato impressionante ocorreu comigo, quando da \u00e9poca em que eu mantinha o meu Stud em Cidade Jardim. S\u00f3 eu n\u00e3o sabia do conceito de um pobre homem que vendia bilhetes de loteria. Havia em Cidade Jardim, nos dias de corridas, um vendedor de bilhetes de loteria. Ele era visivelmente prejudicado, f\u00edsica e mentalmente. 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