

{"id":36945,"date":"2013-06-26T10:46:00","date_gmt":"2013-06-26T13:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jcb.com.br\/?p=36945"},"modified":"2013-06-25T17:47:37","modified_gmt":"2013-06-25T20:47:37","slug":"ecordacoes-inesqueciveis-8-por-ilton-odi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/36945\/ecordacoes-inesqueciveis-8-por-ilton-odi\/","title":{"rendered":"Recorda\u00e7\u00f5es inesquec\u00edveis (8), por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p>Entre 1955 e 1960, o industrial J\u00falio C\u00e1pua investiu bem no turfe, importando poucas, mas \u00f3timas \u00e9guas europeias. Na verdade, ele foi um desbravador da cria\u00e7\u00e3o fluminense, com seu Haras Vale da Boa Esperan\u00e7a, em Teres\u00f3polis, Estado do Rio de Janeiro, construiu uma pista da melhor qualidade. E como bom engenheiro, cuidando de detalhes importantes como escoamento t\u00e9cnico do excesso de \u00e1gua nos dias de chuva, granulometria do tipo de areia, curvas que n\u00e3o impediam o fluxo de velocidade dos animais. Enfim, com um trabalho da melhor qualidade, fez um centro modelar. Atualmente, j\u00e1 passados mais de 50 anos, a pista do hoje Centro de Treinamento Vale da Boa Esperan\u00e7a ainda deve ser considerada moderna, atual, \u00f3tima.<\/p>\n<p>J\u00falio n\u00e3o dera um expert, entrou no turfe depois de mo\u00e7o, mas ia buscar animais de \u00f3timos pedigrees na Europa, e pagava bem. Ele comprou de Marcel Boussac, um filho de Pharis em filha de Tourbillon, de nome Amphis. Era um castanho muito acima do bom. Amphis tinha um problema, o refinamento da cruza Pharis x Tourbillon algumas vezes resultava em problemas nos cascos. Eu mesmo tive uma filha desse cruzamento, importada da mesma proced\u00eancia e que tinha cascos chatos, como se faltasse material no interior dos cascos. Era uma linda alaz\u00e3 que meu pai importou em um lote do qual ela era uma das mais velhas, com mais de dez anos, e eu tive a sorte de cobrir a Canidia com o ingl\u00eas Kameran Khan, que tamb\u00e9m havia sido importado pelo meu pai. Um ingl\u00eas da cria\u00e7\u00e3o Aga Khan, e da\u00ed nasceu Elisabeth, boa ganhadora, \u00e9gua de padr\u00e3o cl\u00e1ssico, que venceu no dia 28 de maio de 1960, no Hip\u00f3dromo de Palermo, o Quilometro Internacional das \u00c9guas. Terminada a campanha nas pistas, Elisabeth foi para o Haras, e coberta pelo garanh\u00e3o alem\u00e3o Takt, um filho de Gundomar em filha de Oleander, ganhador do Derby Austr\u00edaco e que eu havia importado, deu Moustache, que entre outras vit\u00f3rias venceu um Grande Pr\u00eamio S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O problema nos cascos de Amphis era importante, talvez por isso, tenha sido vendido para o Brasil, pois qualidade e classe n\u00e3o lhe faltavam. O plantel do Haras Vale da Boa Esperan\u00e7a era muito pequeno e Amphis s\u00f3 deu uma gera\u00e7\u00e3o de quatro filhos, antes de morrer. Foi uma grande perda para a cria\u00e7\u00e3o brasileira, um garanh\u00e3o de tanto poder s\u00f3 ter podido reproduzir uma s\u00f3 gera\u00e7\u00e3o. Os quatro filhos Hyperio, Robie, Tal\u00f3n e Colomba. <strong>Hyperio<\/strong> foi o melhor de todos, possivelmente, o melhor da cria\u00e7\u00e3o que C\u00e1pua, tinha por m\u00e3e Zabaglione, por Nearco em filha do chefe da ra\u00e7a Hyperion. <strong>Robie<\/strong> foi um bom ganhador cl\u00e1ssico, <strong>Tal\u00f3n<\/strong> um especial\u00edssimo corredor de handicaps e <strong>Colomba<\/strong> n\u00e3o teve maior express\u00e3o. Hyperio, alaz\u00e3o nascido em 1956, foi um bom 3 anos, muito bom ganhador cl\u00e1ssico. Muita classe, mas com um g\u00eanio dif\u00edcil. Naquela gera\u00e7\u00e3o o l\u00edder nacional era Farwell, invicto em suas 15 corridas no Brasil, e que era o grande favorito para ganhar o Grande Pr\u00eamio Derby Sul-Americano, que era ao mesmo tempo o Grande Pr\u00eamio S\u00e3o Paulo, exclusivo para os animais de 3 anos. Farwell era um potro preto, grande, forte, filho de Burpham, que era o garanh\u00e3o chefe do Haras Jah\u00fa, um filho do chefe de ra\u00e7a Hyperion em Trouble, por Caerleon. Esse \u00e0 \u00e9poca o melhor garanh\u00e3o do National Stud, na Inglaterra. A m\u00e3e de Farwell era Maril\u00fa, que havia sido uma das l\u00edderes de sua gera\u00e7\u00e3o em Cidade Jardim, de cria\u00e7\u00e3o do especial\u00edssimo Jos\u00e9 Paulino Nogueira, em seu Haras Bela Esperan\u00e7a, filha de Wood Note em Tower Bridge, por Golden Bridge.<\/p>\n<p>A tarefa de Hyperio seria quase imposs\u00edvel, Farwell era e ainda \u00e9 por muitos o melhor corredor nascido no Brasil em todos os tempos, e os seus dois segundos lugares obtidos em San Isidro, um para Escorial no Gran Premio 25 de Mayo e outro para Atlas no Pellegrini, foram decorrentes de fortes diarreias nas duas viagens, e nas duas oportunidades s\u00f3 havia corrido, contra a opini\u00e3o do veterin\u00e1rio e do treinador, por ordem do propriet\u00e1rio Nelson de Almeida Prado.<\/p>\n<p>Preparando-se para o Derby Sul-Americano, Hyperio fez um trabalho excepcional no Vale da Boa Esperan\u00e7a. E o seu j\u00f3quei, o estrategista chileno Luiz Diaz, entendeu que Hyperio poderia ganhar de Farwell. Como profundo conhecedor da velocidade, do ritmo das corridas, entendeu que haveria chance, se n\u00e3o fosse dado ao Farwell correr como de costume, tomando a ponta desde a largada, imprimir o ritmo que lhe fosse entendido como conveniente, e o resto ficava sempre por conta da superioridade, da classe do campe\u00e3o. Diaz estudou a situa\u00e7\u00e3o, e chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que, se Farwell n\u00e3o pudesse ditar o ritmo, se ele fosse obrigado a fazer a primeira parte do percurso, provavelmente, teria que diminuir na parte final. Ele manteria Hyperio em segundo, assistindo o ritmo inadequado de Farwell na dianteira, e na reta as \u00f3timas condi\u00e7\u00f5es e a qualidade de Hyperio poderiam e, quem sabe, deveriam resultar na vit\u00f3ria de Hyperio sobre Farwell. Teoricamente, o plano parecia bom, mas como acelerar demais Farwell logo ap\u00f3s a largada?<\/p>\n<p>O que o grande p\u00fablico assistiu foi inusitado. Dada \u00e0 largada, de imediato Diaz levou Hyperio para perto de Farwell, e desferiu-lhe fortes chicotadas. Farwell nunca havia sido alvo de chicotes, arrancou violentamente e disparou na ponta. Dos 2.400 at\u00e9 os 1.600 metros finais, isto \u00e9, ap\u00f3s os primeiros 800 metros, Farwell seguia forte, muito forte e Luiz Diaz, que vinha em segundo percebeu que o seu Hyperio n\u00e3o ia aguentar a excessiva intensidade do ritmo e come\u00e7ou a recolher Hyperio, e na altura dos \u00faltimos 1.200 metros, Farwell seguia na ponta como uma locomotiva em disparada e Hyperio estava em \u00faltimo, aguardando o melhor momento na reta final. O que aconteceu no final foi o que todos esperavam, Farwell na ponta aumentando cada vez mais a diferen\u00e7a e Hyperio, com a categoria de Luiz Diaz, atropelando por fora e chegando em segundo. Daquela vez, toda a estrat\u00e9gia e o g\u00eanio de Luiz Diaz deram um brilho especial ao p\u00e1reo, tudo deu certo, menos conseguir o que se mostrou imposs\u00edvel, vencer o campe\u00e3o dos campe\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa espetacular corrida foi no primeiro domingo de maio de 1960.<\/p>\n<p>Hyperio, apesar de receber muito poucas \u00e9guas, foi dentre outros bons, o pai de Sabinus, um dos melhores de sua gera\u00e7\u00e3o e ganhador do Derby Carioca, e que por sua vez, pai de Dai\u00e3o, vencedor do Grande Pr\u00eamio Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 1955 e 1960, o industrial J\u00falio C\u00e1pua investiu bem no turfe, importando poucas, mas \u00f3timas \u00e9guas europeias. Na verdade, ele foi um desbravador da cria\u00e7\u00e3o fluminense, com seu Haras Vale da Boa Esperan\u00e7a, em Teres\u00f3polis, Estado do Rio de Janeiro, construiu uma pista da melhor qualidade. 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