

{"id":36501,"date":"2013-06-19T10:35:27","date_gmt":"2013-06-19T13:35:27","guid":{"rendered":"http:\/\/jcb.com.br\/?p=36501"},"modified":"2013-06-18T21:38:59","modified_gmt":"2013-06-19T00:38:59","slug":"omentos-inesqueciveis-7-por-ilton-odi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/36501\/omentos-inesqueciveis-7-por-ilton-odi\/","title":{"rendered":"Momentos inesquec\u00edveis (7), por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: small; line-height: 115%; font-family: 'Verdana','sans-serif';\">Em 1959, a potranca Emoci\u00f3n havia vencido o Grande Premio Diana em Cidade Jardim, e ia tentar o Diana da G\u00e1vea. Emoci\u00f3n era s\u00f3 qualidade. Pequena e com peso em torno de 380kg, era valente, uma t\u00edpica Grupo I. O seu pedigree era r\u00e9gio. O pai Orsenigo, ganhador da Derby Italiano, filho do melhor garanh\u00e3o alem\u00e3o da \u00e9poca, Oleander, foi o primeiro ganhador que veio em <em>shuttle<\/em> para o Brasil e a sua produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ter sido melhor, basta lembrar de Escorial, Lohengrin, C\u00e1ucaso, al\u00e9m dentre outros \u00f3timos, a pr\u00f3pria Emoci\u00f3n. Foi o resultado de uma internacionaliza\u00e7\u00e3o promovida pelos criadores Roberto e Nelson Grimaldi Seabra misturando sangue das melhores e mais variadas origens, mas s\u00f3 com material de primeira. A m\u00e3e de Emoci\u00f3n era a argentina Empe\u00f1osa, uma filha de Full Sail em filha de Congreve, o chefe da ra\u00e7a argentino. Empe\u00f1osa foi a leil\u00e3o quando potranca, era o maior destaque, na opini\u00e3o de muitos, dentre todos os muitos milhares de potros e potrancas argentinas daquele ano, cobi\u00e7ada pelos melhores criadores e propriet\u00e1rios. O seu pre\u00e7o foi muito alto, talvez o maior do ano e foi comprada pelos irm\u00e3os Seabra. Desde a estreia foi um sucesso na Argentina, e uma de suas vitorias foi no importante Seleci\u00f3n, o que lhe deu o titulo de melhor potranca da gera\u00e7\u00e3o. Vindo para o Brasil, Empe\u00f1osa continuou com seu sucesso, vencendo provas do maior gabarito, at\u00e9 que um dia, nos trabalhos matinais, fraturou um p\u00e9 quando galopava em m\u00e3os de seu redeador chileno, o ex-j\u00f3quei Manoel Chirino. Empe\u00f1osa foi para reprodu\u00e7\u00e3o, e dentre os seus \u00f3timos filhos devem ser citados Emoci\u00f3n e o invicto Emerson, nascido do seu cruzamento com Coaraze, por muitos considerado o melhor corredor brasileiro de todos os tempos, e que ap\u00f3s as suas retumbantes vit\u00f3rias foi ser garanh\u00e3o na Fran\u00e7a, e apesar da defesa de mercado dos franceses, assim como faziam e ainda fazem os ingleses, foi \u00f3timo pai. Para vencer o Diana na G\u00e1vea, Emoci\u00f3n tinha que ganhar de Derah, uma fort\u00edssima corredora, grande ganhadora cl\u00e1ssica. Para que se tenha uma ideia do poderio locomotor da Derah, basta lembrar a sua vit\u00f3ria na milha internacional de \u00e9guas, em Palermo, no dia 28 de maio de 1960, uma vit\u00f3ria espetacular, esmagadora, por larga margem, na semana do Gran Premio 25 de Mayo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small; line-height: 115%; font-family: 'Verdana','sans-serif';\"> Al\u00e9m da diferen\u00e7a f\u00edsica entre Emoci\u00f3n e Derah, havia aquela dos j\u00f3queis. Emoci\u00f3n ia com o mestre Francisco Irigoyen e Derah com seu j\u00f3quei habitual, o paranaense Om\u00e1rio Reichel, que era acima da m\u00e9dia, corria bem, mas n\u00e3o tinha o toque art\u00edstico, aquele algo mais que diferencia os \u00f3timos dos bons. O que se viu na corrida foi um dom\u00ednio incontest\u00e1vel de Derah, que j\u00e1 no meio da reta final anunciava-se como f\u00e1cil ganhadora. Mas no previsto n\u00e3o aconteceu. Irigoyen percebendo que pelo menos daquela vez Emoci\u00f3n n\u00e3o ia ganhar da Derah, colocou Emoci\u00f3n rigorosamente atr\u00e1s e na mesma linha que Derah. Reichel olhou mais de uma vez para tr\u00e1s, mas n\u00e3o via Emoci\u00f3n, fora de sua \u00e1rea de vis\u00e3o. Essa t\u00e9cnica de Irigoyen era utilizada pelos grandes azes chilenos, e Juan Marchant era um dos adeptos desse artif\u00edcio, que s\u00f3 a alta categoria permitia. Derah entrou absoluta nos \u00faltimos 200 metros, e a\u00ed aconteceu o que Irigoyen aguardava. Com a vit\u00f3ria praticamente em suas m\u00e3os, Reichel relaxou o ritmo de Derah, n\u00e3o mais a exigiu, deixou-a a vontade. Derah, sentindo-se mais livre, afastou-se da cerca interna, foi uma ou duas linhas para fora, o suficiente para Irigoyen meter Emoci\u00f3n por dentro e surpreender Derah. O p\u00fablico dividia-se entre aplausos para o mestre chileno, e as vaias para o j\u00f3quei perdedor. Foi a marcante diferen\u00e7a entre o \u00f3timo e o bom. A vit\u00f3ria de Emoci\u00f3n daquela forma em nada desmereceu a excelente ganhadora cl\u00e1ssica, a derrota de Derah tamb\u00e9m em nada a desmereceu, como v\u00edtima de um ato falho do seu apenas bom j\u00f3quei. Irigoyen, depois do p\u00e1reo e em clima de euforia, disse que pelo menos naquele dia Emoci\u00f3n n\u00e3o ganharia da Derah, mas que a t\u00e1tica usada foi um \u00faltimo recurso para n\u00e3o desistir da desejada vit\u00f3ria, al\u00e9m do que, pelo h\u00e1bito de correrem entre si, os j\u00f3queis conheciam bem as caracter\u00edsticas uns dos outros. Aquele Diana proporcionou um momento inesquec\u00edvel e mostrou que, em princ\u00edpio, os grandes pr\u00eamios foram feitos para os melhores cavalos, apresentados pelos melhores treinadores e montados pelos melhores j\u00f3queis.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1959, a potranca Emoci\u00f3n havia vencido o Grande Premio Diana em Cidade Jardim, e ia tentar o Diana da G\u00e1vea. Emoci\u00f3n era s\u00f3 qualidade. Pequena e com peso em torno de 380kg, era valente, uma t\u00edpica Grupo I. O seu pedigree era r\u00e9gio. 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