

{"id":33092,"date":"2013-04-24T10:01:29","date_gmt":"2013-04-24T13:01:29","guid":{"rendered":"http:\/\/jcb.com.br\/?p=33092"},"modified":"2013-04-24T11:56:21","modified_gmt":"2013-04-24T14:56:21","slug":"ecordacoes-inesqueciveis-3-por-ilton-odi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/33092\/ecordacoes-inesqueciveis-3-por-ilton-odi\/","title":{"rendered":"Recorda\u00e7\u00f5es inesquec\u00edveis (3), por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Houve \u00e9poca em que as coisas do turfe estavam dependentes de uma entidade, ligada ao Minist\u00e9rio da Agricultura, que se chamava Comiss\u00e3o Coordenadora da Cria\u00e7\u00e3o do Cavalo Nacional (C.C.C.C.N.). Essa C.C.C.C.N. seria a respons\u00e1vel por toda a equideocultura brasileira, isto \u00e9, cavalos, jumentos e tudo aquilo que dizia respeito a equ\u00eddeos, naturalmente inclu\u00eddos os equinos e, especificamente, os cavalos de corrida. Assim, a C.C.C.C.N. ditava e fiscalizava os regulamentos e normas em nome do Minist\u00e9rio da Agricultura. Os pr\u00f3prios registros no Stud Book Brasileiro estavam sob o controle da entidade, e por ela passava toda a documenta\u00e7\u00e3o referente \u00e0s transa\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><a name=\"yui_3_7_2_1_1366754685405_10994\"><\/a><a name=\"yui_3_7_2_1_1366754685405_10995\"><\/a> <span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: small;\">A C.C.C.N. prestou bons servi\u00e7os, era uma entidade s\u00e9ria, correta, que teve Presidentes civis e, tamb\u00e9m, militares. No caso dos civis, o entendimento quanto ao turfe era mais f\u00e1cil, pois de um modo geral era gente com pelo menos um pouco de familiaridade com o setor do puro-sangue de corridas. Houve at\u00e9 um ilustre criador e propriet\u00e1rio turfista que foi Manoel (Nelito) Justino de Almeida Neto, que foi um \u00f3timo Presidente. Os militares eram sempre generais, aparentemente escolhidos a dedo, pois eram de relacionamento af\u00e1vel, amig\u00e1vel, educado, compreensivo, mas na verdade n\u00e3o tinham intimidade com os meandros do turfe. Eram mais ligados ao esporte h\u00edpico no setor dos animais de salto e de adestramento. Compareciam aos grandes eventos turf\u00edsticos em um clima amistoso e agrad\u00e1vel.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><a name=\"yui_3_7_2_1_1366754685405_10999\"><\/a><a name=\"yui_3_7_2_1_1366754685405_11000\"><\/a> <span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: small;\">De vez em quando nas reuni\u00f5es do Conselho da C.C.C.C.N., que eram frequentes, surgiam casos que fugiam ao conhecimento de todos, e mesmo tendo um funcion\u00e1rio habilitado que cuidava, especificamente, do setor do turfe, o Presidente apresentava os assuntos nas reuni\u00f5es, e l\u00e1 sempre os representantes da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira e do Jockey Club de S\u00e3o Paulo esclareciam e opinavam. No geral funcionava bem, havia boa vontade e compreens\u00e3o de todos. Mas a falta de intimidade com as coisas do turfe, e sempre no interesse e desejo de preservar e incentivar a cria\u00e7\u00e3o nacional, surgiu um problema.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><a name=\"yui_3_7_2_1_1366754685405_11001\"><\/a><a name=\"yui_3_7_2_1_1366754685405_11002\"><\/a> <span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: small;\">O grande criador Roberto Grimaldi Seabra, que com o seu irm\u00e3o Nelson criava em estilo internacional o famoso Haras Guanabara (SP), em suas andan\u00e7as pelo mundo, entendeu de negociar um cavalo para correr provas de \u201csteeplechase\u201d, se n\u00e3o me engano na Alemanha (ou Fran\u00e7a, n\u00e3o me lembro bem). Tratava-se do cavalo <\/span><span style=\"font-size: small;\"><strong>Scherzo<\/strong><\/span><span style=\"font-size: small;\">, um filho de Royal Forest e Scotch Kilt. Esse cavalo havia se iniciado em Cidade Jardim, mostrara-se muito bom, mas teve um contratempo e teve que parar. Levado \u00e0 G\u00e1vea, ap\u00f3s alguns meses de recupera\u00e7\u00e3o, apresentou-se muito baldoso e negava-se a seguir correndo ap\u00f3s passar pelo disco de chegada. Apesar de todos os esfor\u00e7os, Scherzo parava ap\u00f3s a linha de chegadas, o que o limitaria a p\u00e1reos de at\u00e9 2.000 metros, e as grandes e mais significativas provas eram de 2.400 e 3.000 metros, com duas passagens pelo disco.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><a name=\"yui_3_7_2_1_1366754685405_11003\"><\/a><a name=\"yui_3_7_2_1_1366754685405_11004\"><\/a> <span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Por isso, Roberto resolveu vend\u00ea-lo, e com as normais castra\u00e7\u00f5es em cavalos de \u201csteeplechase\u201d e em ambiente completamente diverso e com pistas com percursos longos e trajetos diferentes, tudo deveria dar certo. As alturas dos obst\u00e1culos nas corridas de \u201csteeplechase\u201d s\u00e3o normalmente bem menores que os das competi\u00e7\u00f5es de saltos e grande n\u00famero de corredores saem das pistas europeias de corridas rasas para as de \u201csteeplechase\u201d.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: small;\">O Roberto chegou da Europa, e foi ao Stud Book Brasileiro, ent\u00e3o nas m\u00e3os da C.C.C.C.N., para providenciar a papelada para a devida exporta\u00e7\u00e3o. E foi informado que\u00a0<strong>Scherzo<\/strong>\u00a0n\u00e3o podia deixar o pa\u00eds, tinha um pedigree especial, sendo assim considerado um ra\u00e7ador, e como tal, tinha que permanecer no Brasil para colaborar na melhoria da ra\u00e7a. O Roberto objetou, al\u00e9m do cavalo ser dele, ele tinha o direito de ser levado para fora do Brasil. Scherzo tinha um bom tipo f\u00edsico e um \u00f3timo pedigree, al\u00e9m de ter mostrado muito boas qualidades no in\u00edcio da campanha em S\u00e3o Paulo, mas tinha um g\u00eanio complicado, tinha manias, tinha baldas, e na reprodu\u00e7\u00e3o teria muitas possibilidades de transmitir suas m\u00e1s qualidades ou defeitos. A C.C.C.C.N. n\u00e3o concordou, Scherzo era um ra\u00e7ador e n\u00e3o poderia sair do Brasil. E, quando o Roberto disse que se era assim, nenhum produto criado nos Haras Guanabara, Mondesir e S\u00e3o Jos\u00e9 e Expedictus, entre outros, tamb\u00e9m n\u00e3o poderiam sair e a resposta foi afirmativa, n\u00e3o poderiam sair mesmo, pois aqueles Haras citados e mais alguns outros, tinham obrigatoriedade de participar da melhoria do padr\u00e3o do cavalo brasileiro.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><a name=\"yui_3_7_2_1_1366754685405_11008\"><\/a><a name=\"yui_3_7_2_1_1366754685405_11009\"><\/a> <span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: small;\">O Roberto ficou muito zangado com aquela determina\u00e7\u00e3o, pois o <strong>Scherzo <\/strong>j\u00e1 estava negociado e uma eventual explica\u00e7\u00e3o ou justificativa do motivo da n\u00e3o confirma\u00e7\u00e3o da l\u00edcita transa\u00e7\u00e3o seria expor o Brasil ao rid\u00edculo no mundo turf\u00edstico. Mas o Roberto teve uma ideia. Comunicou-se com o comprador europeu e perguntou se haveria algum inconveniente do cavalo j\u00e1 chegar l\u00e1 castrado. O comprador achou bom, era menos um trabalho e risco. E o Roberto mandou castrar o Scherzo, e com os atestados veterin\u00e1rios da castra\u00e7\u00e3o voltou \u00e0 C.C.C.C.N. Como o Scherzo j\u00e1 era castrado, n\u00e3o podia ser um ra\u00e7ador, e assim, nada poderia haver contra a exporta\u00e7\u00e3o. E foi assim que a viagem do Scherzo foi liberada, e teve como consequ\u00eancia a revis\u00e3o do tal conceito de ra\u00e7adores. Caiu por terra a tal delibera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Esse caso foi eventual e espor\u00e1dico, pois a C.C.C.C.N. trabalhava a contento, mesmo sem ter intimidade com as coisas do turfe, e eram assuntos para as reuni\u00f5es do Conselho. \u00c0s vezes surgia uma ideia ou proposta surpreendente como, por exemplo, a institui\u00e7\u00e3o de um Stud Book do cavalo pantaneiro, que \u00e9 um cavalo de qualquer ra\u00e7a, registrado ou n\u00e3o, quase sempre \u201cpeludo\u201d, que \u00e9 levado para a zona do Pantanal. E que s\u00f3 sobrevivem aqueles que resistem \u00e0 anemia infecciosa e os que conseguem comer o capim que fica abaixo do len\u00e7ol de \u00e1gua quando da \u00e9poca das grandes chuvas. Cavalos completamente d\u00edspares, sem quaisquer controles de cria\u00e7\u00e3o e de sanidade, na verdade, sobreviventes sem quaisquer qualidades a n\u00e3o ser de se manterem vivos. Mas a ideia foi sepultada. Pelo menos era assim o panorama do cavalo pantaneiro \u00e0 \u00e9poca.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Houve \u00e9poca em que as coisas do turfe estavam dependentes de uma entidade, ligada ao Minist\u00e9rio da Agricultura, que se chamava Comiss\u00e3o Coordenadora da Cria\u00e7\u00e3o do Cavalo Nacional (C.C.C.C.N.). 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