

{"id":29419,"date":"2013-03-06T10:29:20","date_gmt":"2013-03-06T13:29:20","guid":{"rendered":"http:\/\/jcb.com.br\/?p=29419"},"modified":"2013-03-05T23:20:48","modified_gmt":"2013-03-06T02:20:48","slug":"s-providencias-norte-americanas-por-ilton-odi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/29419\/s-providencias-norte-americanas-por-ilton-odi\/","title":{"rendered":"As provid\u00eancias norte-americanas, por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p>A publica\u00e7\u00e3o norte-americana TDN (Thoroughbred Daily News), em 29 de janeiro de 2013, disse de reuni\u00e3o a ser efetivada na Calif\u00f3rnia entre conceituados veterin\u00e1rios de l\u00e1 e de New York. O assunto seria o uso indiscriminado de Lasix e Butazolidina, um para os animais que sangram e o outro para tirar dores. Esse assunto vem de longe. Em 2012 compareceu \u00e0s corridas na G\u00e1vea um jovem veterin\u00e1rio formado em Minas Gerais, se n\u00e3o engano em faculdade em Vi\u00e7osa. Ele tinha vindo ao Brasil para rever a fam\u00edlia, e j\u00e1 ia voltar para o seu trabalho, em um pequeno hip\u00f3dromo nos Estados Unidos. Disse que ele e outros como ele atendiam diariamente cinquenta cavalos cada um, s\u00f3 e sempre para serem medicados desde o dia seguinte de uma corrida at\u00e9 o dia da seguinte. Eles seguiam uma rela\u00e7\u00e3o dos rem\u00e9dios permitidos e respeitavam os proibidos. Alguns corredores, sem a medica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, n\u00e3o conseguiram sequer andar direito. Duas das principais medica\u00e7\u00f5es permitidas s\u00e3o o anti-hemorr\u00e1gico Lasix e a Butazolidina, que mascara problemas tirando dores. A tal reuni\u00e3o iria tentar naturalmente conscientizar os veterin\u00e1rios dos exageros absurdos que eles praticam irresponsavelmente.<\/p>\n<p>O caso do Lasix \u00e9 curioso. Ele \u00e9 difundido de tal forma, que seu nome comercial j\u00e1 substitui os dos rem\u00e9dios anti-hemorr\u00e1gicos. H\u00e1 muitos rem\u00e9dios anti-hemorr\u00e1gicos, mas s\u00f3 se fala e usa Lasix. \u00c9 como o caso da l\u00e2mina de barbear, que \u00e9 mais conhecido como gillette, o nome do seu inventor. Mas no caso do Lasix, h\u00e1 um por\u00e9m, o Lasix n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um anti-hemorr\u00e1gico, ele tamb\u00e9m tem nas suas duas primeiras horas de aplica\u00e7\u00e3o, uma a\u00e7\u00e3o bronco dilatadora, que aumenta a capacidade pulmonar. Acabar com o Lasix e substitu\u00ed-lo por um apenas anti-hemorr\u00e1gico \u00e9 enfrentar um fant\u00e1stico arsenal farmac\u00eautico de lucros formid\u00e1veis e gigantescos, e mais do que briga de cachorros grandes, \u00e9 de le\u00f5es para cima, de drag\u00f5es ou dinossauros.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria do Lasix n\u00e3o aceitaria pacificamente uma dr\u00e1stica diminui\u00e7\u00e3o das vendas de Lasix, e suprimir de sua f\u00f3rmula o rem\u00e9dio bronco-dilatador iria equipar\u00e1-lo aos outros anti-hemorr\u00e1gicos. N\u00e3o sou veterin\u00e1rio, posso estar errado, mas \u00e9 por a\u00ed. Quanto ao rem\u00e9dio para tirar dores, \u00e9 muito difundido nos Estados Unidos onde o conceito n\u00e3o \u00e9 de uma competi\u00e7\u00e3o esportiva de qualidades acima de tudo, mas na verdade, uma guerra qu\u00edmica. No entender do tal veterin\u00e1rio brasileiro que l\u00e1 trabalha, muitos hip\u00f3dromos iriam se fechar por falta de cavalos.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se esse princ\u00edpio de preocupa\u00e7\u00e3o com a permissibilidade excessiva de rem\u00e9dios para correr tem alguma coisa a ver com o que aconteceu na reuni\u00e3o em 2012, em Paris, por ocasi\u00e3o do Arco do Triunfo. Anualmente l\u00e1 se concentram autoridades h\u00edpicas das mais importantes do mundo inteiro, s\u00e3o sempre entre cinquenta e cem nomes importantes do turfe mundial, e s\u00e3o apresentados e discutidos o que h\u00e1 de mais importante, moderno e recente no mundo do turfe. No final da mais importante reuni\u00e3o mundial do g\u00eanero, em 2012, o Presidente do evento dirigiu-se em plen\u00e1rio, diretamente para o representante dos Estados Unidos e disse em alto e bom som que a comunidade turf\u00edstica mundial aguardava com interesse as altera\u00e7\u00f5es que o turfe civilizado mundial para o necess\u00e1rio enquadramento daquele pa\u00eds nas normas internacionais. Em outras palavras, quis dizer que j\u00e1 passou da hora de promover corridas como se fosse um rico circo, e n\u00e3o corridas de cavalos regidas por filosofia e normas internacionais.<\/p>\n<p>Eu acho dif\u00edcil que em curto prazo, eu diria mesmo que a m\u00e9dio ou mesmo longo prazo, seria muito dif\u00edcil uma adequa\u00e7\u00e3o norte-americana ao resto do mundo turf\u00edstico civilizado, pois acho que seria al\u00e9m do poss\u00edvel acabar com a absurda permissibilidade de rem\u00e9dios para correr, ante a enorme quantidade de animais dependentes de drogas, muitos filhos de pais tamb\u00e9m dependentes, substituindo sanidade por debilidade. Parece-me mais prov\u00e1vel que o turfe norte-americano se desligue, ou seja desligado do resto do mundo, e fique, alicer\u00e7ado por seu enorme investimento financeiro na \u00e1rea, com um turfe particular, dentro de suas pr\u00f3prias fronteiras mantido por muito dinheiro e facilidades.<\/p>\n<p>Eu fa\u00e7o sinceros votos para que eu esteja redondamente enganado, mas n\u00e3o consigo acreditar no turfe norte-americano sem Lasix, sem Butazolidina, sem medica\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, com treinadores treinando os seus animais convenientemente de forma adequada a cada um e n\u00e3o generalizada \u00e0 base de curtas, violentas e repetidas partidas, com j\u00f3queis que em sua maioria entendam que ganha quem passa em 1\u00ba no disco e n\u00e3o aqueles que desde a largada querem correr na frente. N\u00e3o acredito que as agarradeiras nas ferraduras dos anteriores sejam proibidas, tamb\u00e9m n\u00e3o acredito que os discos de chegadas nas pistas norte-americanas sejam removidos do meio da reta de chegadas para o final da reta. Enfim, seria quase imposs\u00edvel transformar o circo em verdadeiro evento turf\u00edstico. Talvez em provas de Grupo I nos principais hip\u00f3dromos possa haver certo controle, mas at\u00e9 os melhores centros promotores de corridas n\u00e3o fazem convenientemente exames anti-dopagem, isso dito pelos pr\u00f3prios treinadores de l\u00e1. As necess\u00e1rias mudan\u00e7as mexeriam em muito nos bolsos de muitos, h\u00e1 grandes interesses em jogo.<\/p>\n<p>Um dos motivos da tal reuni\u00e3o foi o resultado de uma pesquisa feita junto ao p\u00fablico jovem, que demonstrou um desagrado quanto ao uso abusivo de medica\u00e7\u00f5es, e com isso diminuindo a frequ\u00eancia nos hip\u00f3dromos.<\/p>\n<p>Acredito que o problema possa at\u00e9 sair pela tangente, isto \u00e9, postergar datas de compromissos, fiscaliza\u00e7\u00e3o apenas quando de eventos importantes, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Tomara, sinceramente, que eu esteja errado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A publica\u00e7\u00e3o norte-americana TDN (Thoroughbred Daily News), em 29 de janeiro de 2013, disse de reuni\u00e3o a ser efetivada na Calif\u00f3rnia entre conceituados veterin\u00e1rios de l\u00e1 e de New York. O assunto seria o uso indiscriminado de Lasix e Butazolidina, um para os animais que sangram e o outro para tirar dores. 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