

{"id":275807,"date":"2020-12-31T18:15:44","date_gmt":"2020-12-31T21:15:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jcb.com.br\/home\/?p=275807"},"modified":"2021-01-01T21:37:43","modified_gmt":"2021-01-02T00:37:43","slug":"ratings-ou-de-como-se-avalia-um-cavalo-por-sergio-barcellos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/275807\/ratings-ou-de-como-se-avalia-um-cavalo-por-sergio-barcellos\/","title":{"rendered":"Ratings: ou de como se avalia um cavalo, por Sergio Barcellos"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Ratings: ou de como se avalia um cavalo<\/strong><\/span><br \/><span style=\"font-size: 14pt;\"><em>Sergio Barcellos<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Avaliar de forma correta os m\u00e9ritos de um cavalo de corrida est\u00e1 entre as coisas dif\u00edceis desse esporte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Milhares de livros foram e continuam a ser escritos sobre conforma\u00e7\u00e3o, pedigrees, linhas paternas, fam\u00edlias maternas, compatibilidades e n\u00e3o-compatibilidades entre as v\u00e1rias linhagens, treinamento, forma de conduzi-los em competi\u00e7\u00e3o, etc, etc, cobrindo praticamente todos os aspectos das qualidades, virtudes e limita\u00e7\u00f5es de um <em>thoroughbred<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">No s\u00e9culo XIX, come\u00e7aram as primeiras tentativas de padroniza\u00e7\u00e3o. Da\u00ed, evoluiu-se para o estudo da tipologia do puro sangue ingl\u00eas de corrida, at\u00e9 chegarmos \u2013 com o aux\u00edlio da moderna gen\u00e9tica \u2013 a um melhor conhecimento desse espetacular ser h\u00edbrido de mais de 350 anos de sele\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Foi o ingl\u00eas Phil Bull, professor de matem\u00e1tica da Leeds University, criador do \u201cTimeform\u201d, um dos maiores apostadores profissionais de seu tempo \u2013 estima-se que tenha ganho \u00a3 4,6 milh\u00f5es entre os anos de 1943 a 1975 \u2013 o primeiro a desenvolver um m\u00e9todo para medir a qualidade de um cavalo atribuindo um <em>rating<\/em> (\u201cavalia\u00e7\u00e3o, classifica\u00e7\u00e3o, gradua\u00e7\u00e3o\u201d) para cada um dos animais que um dia pisaram uma pista de corrida da Inglaterra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O sucesso foi de tal ordem, que sua metodologia de an\u00e1lise com base em <em>ratings<\/em> individuais \u2013 al\u00e9m de transforma-lo em um homem ainda mais rico \u2013 permeia hoje toda a ind\u00fastria internacional do puro sangue ingl\u00eas. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">As vari\u00e1veis do m\u00e9todo j\u00e1 foram mostradas em um excelente artigo chamado <em>\u201cOs N\u00fameros M\u00e1gicos do Timeform\u201d<\/em>, de Samir Abujamra, um dos mais instrumentados e experientes homens do cavalo da hist\u00f3ria do turfe brasileiro. Para o Brasil, por\u00e9m, parece razo\u00e1vel saber o que os <em>ratings<\/em> passaram a representar, em termos da inser\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no panorama do turfe mundial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Come\u00e7ando do come\u00e7o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">No continente sul-americano, tudo come\u00e7ou entre os dias 24 e 26 de mar\u00e7o de 2010 \u2013 j\u00e1 l\u00e1 se v\u00e3o 10 anos \u2013 quando a OSAF resolveu realizar o \u201cPrimeiro Encontro Sul-Americano de Handicappers\u201d, no grande sal\u00e3o do Hip\u00f3dromo de San Isidro, em Buenos Aires, onde a ABCPCC se fez presente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Nesse encontro, com a participa\u00e7\u00e3o dos Srs. Ciaran Kennely (ent\u00e3o consultor t\u00e9cnico dos hip\u00f3dromos de Hong Kong, Singapura, Irlanda e Inglaterra) e Melvin Davis (idem, do hip\u00f3dromo de Meydan, Dubai) \u2013 ambos \u201chandicappers\u201d profissionais \u2013 foram\u00a0 \u00a0realizadas cinco palestras, a saber:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>(1)<\/strong> Hist\u00f3ria, objetivos e usos pr\u00e1ticos da classifica\u00e7\u00e3o internacional do cavalo de corrida, com base no \u201cranking\u201d mundial da ra\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>(2)<\/strong> Aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas dos\u00a0<em>ratings.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>(3)<\/strong> Demonstra\u00e7\u00f5es, em tempo real, no site da INTERNET que condensa a evolu\u00e7\u00e3o dos <em>ratings<\/em> de todos os ganhadores das provas cl\u00e1ssicas do calend\u00e1rio internacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>(4)<\/strong> Como se avalia o m\u00e9rito de um cavalo de corrida no hemisf\u00e9rio norte, e sua compara\u00e7\u00e3o com os crit\u00e9rios, at\u00e9 ent\u00e3o, adotados na Am\u00e9rica do Sul.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong><a href=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/home\/?attachment_id=275793\" rel=\"attachment wp-att-275793\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-275793\" src=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2022\/01\/larc-de-triomphe.jpg\" alt=\"\" width=\"932\" height=\"582\" srcset=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2022\/01\/larc-de-triomphe.jpg 932w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2022\/01\/larc-de-triomphe-150x94.jpg 150w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2022\/01\/larc-de-triomphe-300x187.jpg 300w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2022\/01\/larc-de-triomphe-768x480.jpg 768w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2022\/01\/larc-de-triomphe-330x206.jpg 330w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2022\/01\/larc-de-triomphe-250x156.jpg 250w\" sizes=\"(max-width: 932px) 100vw, 932px\" \/><\/a>(5)<\/strong> Exemplos pr\u00e1ticos de constru\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o dos <em>ratings<\/em> dos participantes de tr\u00eas das principais provas do turfe internacional: o Prix de l\u2019Arc du Triomphe, a Breeders\u2019 Cup Turf e a Dubai World Cup.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>A hist\u00f3ria dos <em>ratings<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A classifica\u00e7\u00e3o internacional dos cavalos de corrida atrav\u00e9s da atribui\u00e7\u00e3o de um <em>rating<\/em> para cada um deles (expresso internacionalmente em libras-peso) teve seu in\u00edcio em 1977, tendo sido imediatamente adotada pela Fran\u00e7a, Inglaterra e Irlanda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Oito anos depois, em 1985, Alemanha e It\u00e1lia aderiram ao sistema. Em 1995, foi a vez dos EUA. A partir da\u00ed, Jap\u00e3o, Uni\u00e3o dos Emirados \u00c1rabes (UEA), Hong Kong, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia se juntaram aos demais pa\u00edses e criaram a chamada \u201cClassifica\u00e7\u00e3o Internacional\u201d, rebatizada em 2004, com o nome de <strong>\u201cRankings do Cavalo de Corrida Mundial\u201d<\/strong> (<strong>WTR<\/strong>, em ingl\u00eas).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A partir desse instante, a classifica\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o passou a ter uma decisiva influ\u00eancia na organiza\u00e7\u00e3o do planeta turfe, transformando-se em uma esp\u00e9cie de \u201cQuem \u00e9 Quem\u201d nas pistas. Neste s\u00e9culo XXI, qualquer avalia\u00e7\u00e3o sobre os m\u00e9ritos de um cavalo \u2013 e em consequ\u00eancia, de qualquer prova cl\u00e1ssica, como adiante veremos \u2013 toma como ponto de partida o seu <em>rating<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Na verdade, o que ocorreu com o turfe n\u00e3o \u00e9 diferente do que aconteceu com qualquer outro empreendimento humano, todos eles hoje submetidos a ju\u00edzos de valor sobre sua qualidade \u2013 de produtos a empresas, passando por organiza\u00e7\u00f5es internacionais, e chegando mesmo \u00e0 \u201cnota\u201d para a economia de pa\u00edses. No mundo moderno, nada escapa aos <em>ratings<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Embora possa parecer algo herm\u00e9tico \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 \u2013 conhecer\u00a0 quais s\u00e3o os crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o de um cavalo de corrida, bem assim, das centenas de provas do calend\u00e1rio internacional, parece interessante. Pelo menos, ajuda a entender melhor o esporte, e explica as consequ\u00eancias econ\u00f4micas que da\u00ed decorrem. \u00c9 o que se prop\u00f5e nessa conversa \u2013 porque isso n\u00e3o \u00e9 um artigo, \u00e9 uma conversa. A seguir. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Os conceitos b\u00e1sicos \u00a0\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">S\u00e3o quatro os conceitos que orientam a constru\u00e7\u00e3o do <em>rating<\/em> de um cavalo, ou de qualquer prova da programa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de um pa\u00eds onde exista um turfe organizado:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>(i) As diferen\u00e7as em corpos no disco de chegada<\/strong> \u2013 Este \u00e9 o primeiro deles, a indicar a forma como cada animal se comportou em uma determinada corrida. Por outras palavras, tais diferen\u00e7as exibem, ou pelo menos sugerem, o quanto de \u201creservas\u201d cada competidor ainda dispunha \u2013 se \u00e9 que dispunha \u2013 ao terminar a prova. Tais diferen\u00e7as s\u00e3o correlacionadas a margens te\u00f3ricas de peso para melhor avaliar a performance de cada indiv\u00edduo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Um exemplo: na escala internacional de peso (leia-se, o <strong>\u201cInternational Handicapping Scale\u201d<\/strong>), 1 corpo de diferen\u00e7a no disco equivale a: <strong>1,5 quilo<\/strong> dos 1.000 aos 1.450 m; a <strong>1 quilo<\/strong> dos 1.450 m aos 1.800 m; <strong>de 0,5 quilo<\/strong> a <strong>1 quilo<\/strong> entre 1.850 m e 2.150 m; o mesmo entre 2.200 m a 2.750 m; e de <strong>0,5 quilo<\/strong>, dos 2.800 m em diante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Isso tem a ver com a velocidade m\u00e9dia de 18 metros\/ segundo atingida pelos bons cavalos de corrida. \u00a0Dessa forma, as diferen\u00e7as em corpos no disco s\u00e3o traduzidas em quilos (ou libras-peso a eles referidos).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Caso haja alguma curiosidade em conhecer a evolu\u00e7\u00e3o do \u201cInternational Handiccaping Scale\u201d, de 0,2 a 6 corpos no disco e seus correspondentes pesos e dist\u00e2ncias, a tabela a respeito consta da INTERNET.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">E como, no turfe, o peso carregado por qualquer animal tem influ\u00eancia sobre sua performance, n\u00e3o custa lembrar a li\u00e7\u00e3o de Tesio:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong><em>\u201cSi calcola pure che un chilo di piu sulla schienna fa perdere ad um cavalo 3 metri sopra una distanza de 2.000 metri a grande andadura.\u201d<\/em><\/strong> Traduzindo: \u201cCalcula-se, todavia, que um quilo sobre o dorso de um cavalo o faz perder 3 metros sobre uma dist\u00e2ncia de 2.000 metros a pleno galope.\u201d (vide <em>\u201cTocchi in Penna al Galoppo\u201d,<\/em> Federico Tesio, Editora Hoepli, Mil\u00e3o, p\u00e1g.166).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00c9 em torno desse conceito que s\u00e3o constru\u00eddas as tabelas de peso das corridas do universo do turfe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>(ii)\u00a0Performance vs idade h\u00edpica <\/strong>\u2013 O segundo conceito parte do pressuposto de que a avalia\u00e7\u00e3o da classe de um animal \u00e9 tanto mais verdadeira quanto mais intensamente ele se mediu nas pistas contra seus advers\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Da\u00ed, a dificuldade de se estabelecer um <em>rating<\/em> justo para os juvenis (assim entendidos como os produtos de 2 anos de idade), eis que eles s\u00f3 correm normalmente entre si.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O mesmo acontece com os produtos de 3 anos \u2013 que s\u00f3 s\u00e3o efetivamente testados a partir do confronto com os 4 anos e mais idade nas grandes provas de \u201cpeso por idade\u201d do calend\u00e1rio cl\u00e1ssico. Isso significa dizer que os produtos de 3 anos s\u00f3 obt\u00eam um <em>rating<\/em> mais alto quando confrontados com os melhores das gera\u00e7\u00f5es precedentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Quando isso acontece e eles batem os mais velhos, seu <em>rating<\/em> tende a melhorar \u2013 e com ele, seu valor para o mercado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">[Par\u00eantese: neste momento, entre as 15 maiores provas de Grupo I do turfe do mundo, a maioria se refere a confrontos de \u201cpeso por idade\u201d. \u00c9 essa mistura de animais jovens com seus advers\u00e1rios adultos que contribui para elevar os ratings desses Grupos I (situados hoje entre <strong>121.42 <\/strong>e <strong>126.42 libras-peso<\/strong> para os principais deles. Fechado o par\u00eantese.]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>(iii) <em>Ratings<\/em><\/strong><strong> e a programa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica <\/strong>\u2013 O que identifica neste s\u00e9culo XXI se uma prova \u00e9 de Grupo, n\u00e3o \u00e9 o valor de sua premia\u00e7\u00e3o. Tampouco, \u00e9 a dist\u00e2ncia a ser percorrida, ou a qualidade t\u00e9cnica dos j\u00f3queis que dela participam. Menos ainda, \u00e9 o estado da pista no momento de sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O fator que consagra, eleva, ou rebaixa, a classifica\u00e7\u00e3o de uma prova de Grupo nos nossos dias \u00e9 a <strong>qualidade dos cavalos<\/strong> que a disputam durante <strong>3 (tr\u00eas) anos seguidos<\/strong> \u2013 qualidade essa medida pela m\u00e9dia dos <em>ratings<\/em> dos <strong>quatro primeiros<\/strong> <strong>colocados<\/strong> no disco de chegada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Desta forma, uma prova \u00e9 considerada de Grupo I, II ou III, quando ela mant\u00e9m a m\u00e9dia-padr\u00e3o de seu <em>rating<\/em> em um per\u00edodo de 3 (tr\u00eas) anos seguidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">E qual \u00e9 a m\u00e9dia-padr\u00e3o (ou \u201cbenchmark\u201d, se quiserem) de uma prova de Grupo do calend\u00e1rio cl\u00e1ssico internacional, em libras-peso? Resposta a seguir:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Grupos I na Europa, EUA e \u00c1sia<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">3 anos e mais idade: 115 libras-peso (110 para as f\u00eameas)<\/span><br \/><span style=\"font-size: 14pt;\">2 anos: 110 libras-peso (105 para as f\u00eameas)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Grupos II<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">3 anos e mais idade: 110 libras-peso (105 para as f\u00eameas)<\/span><br \/><span style=\"font-size: 14pt;\">2 anos: 105 libras-peso (100 para as f\u00eameas)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Grupo III<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">3 anos e mais idade: 105 libras-peso (100 para as f\u00eameas)<\/span><br \/><span style=\"font-size: 14pt;\">2 anos: 100 libras-peso (95 para as f\u00eameas)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00c9 a partir desses \u201cbenchmarks\u201d que acontece a manuten\u00e7\u00e3o, ou a mudan\u00e7a (no caso, promo\u00e7\u00e3o ou rebaixamento), das provas do calend\u00e1rio cl\u00e1ssico. E tais mudan\u00e7as ocorrem periodicamente, seja na Am\u00e9rica do Sul, seja em outros turfes e regi\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">[Segundo par\u00eantese: em 2010, os turfes da Am\u00e9rica do Sul e da Austr\u00e1lia receberam um <strong>desconto de 5 libras-peso na ado\u00e7\u00e3o da tabela acima<\/strong>, desconto esse que, em princ\u00edpio, valeria para os pr\u00f3ximos 4 anos, ou seja, at\u00e9 2014. A Austr\u00e1lia j\u00e1 n\u00e3o precisa mais desse desconto. Mas os turfes da Am\u00e9rica do Sul foram autorizados a mant\u00ea-lo (ou o continente perderia a maior parte de seus Grupos I. Na verdade, restariam uns quatro ou cinco deles, se tanto. Fechado o par\u00eantese.]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>(iv) Mudan\u00e7as na programa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica<\/strong> &#8211; O quarto conceito se aplica \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o das provas da programa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de cada pa\u00eds signat\u00e1rio do sistema de <em>ratings<\/em> \u2013 e o Brasil \u00e9 um deles.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O exemplo cl\u00e1ssico vem das provas de Grupo I do turfe franc\u00eas, onde existem, hoje, 22 delas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Dessas, 16 s\u00e3o destinadas aos 3 anos e\/ou 3 anos e mais idade, ou seja <strong>72,73%<\/strong> do total. O restante \u00e9 dividido da seguinte forma: 5 provas de Grupo I para os 4 anos e mais idade, ou <strong>22,73%<\/strong> (Prix Ganay, Longchamp, 2.100 m; Grand Prix de Saint-Cloud, Saint-Cloud, 2.400 m (cerca pela esquerda, como n\u00f3s); Prix de Ispahan, Longchamp, 1.850 m; Prix Jean Romanet, Deauville, 2.000 m; e Prix de Cadran, Longchamp, 4.000 m.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Mais 1 (uma) prova de Grupo I destinada aos 2 anos e mais idade, o Prix de L\u2019Abbaye de Longchamp, em 1.000 m, linha reta, feita sob medida para os especialistas da velocidade pura no continente (e vencida, geralmente, por animais egressos do turfe ingl\u00eas&#8230;).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O calend\u00e1rio cl\u00e1ssico franc\u00eas adota os \u201cbenchmarks\u201d acima mencionados e segue a tend\u00eancia universal de\u00a0 \u00a0privilegiar os 3 anos de idade. Nada de novo. \u00c9 deles que o turfe se nutre para conseguir se renovar e continuar evoluindo. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Os handicappers profissionais<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Seja para montar um \u201cHandicap Especial\u201d de peso por idade, equilibrando teoricamente as chances de cada um dos concorrentes do p\u00e1reo \u2013 no hemisf\u00e9rio norte h\u00e1 v\u00e1rios desses Handicaps, cuja \u201cchamada\u201d, totalmente aberta, admite pesos que podem variar de 49,5 quilos a 62,5 quilos \u2013 seja para organizar uma programa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica coerente, a presen\u00e7a de handicappers profissionais \u00e9 fundamental no mundo do turfe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Parece interessante examinar que figura \u00e9 esta, porque s\u00e3o eles, em \u00faltima an\u00e1lise, que constroem os <em>ratings<\/em> que hoje comandam o panorama da atividade. De sa\u00edda, todos s\u00e3o unidos, desde cedo, pela paix\u00e3o comum ao cavalo de corrida e \u00e0s corridas de cavalo. Mas isso n\u00e3o basta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Ao longo do processo de sua forma\u00e7\u00e3o \u2013 e ele pode levar anos \u2013 os melhores desenvolvem outras habilidades, entre elas, as de conhecer o perfil funcional das v\u00e1rias linhagens do puro sangue e, sobretudo, aprendem a \u201cler\u201d uma corrida com a frieza e o distanciamento dos grandes jogadores profissionais. Para eles, o importante n\u00e3o \u00e9 exatamente descobrir porque um cavalo ganhou; o importante \u00e9 saber porque perdeu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">N\u00e3o por outra raz\u00e3o, h\u00e1 exemplos de bons handicappers que come\u00e7aram jogando corridas e aprendendo \u201cna carne\u201d \u2013 no caso, no bolso \u2013 a errar menos em suas avalia\u00e7\u00f5es. O exemplo mais t\u00edpico desse processo darwiniano de evolu\u00e7\u00e3o pela sele\u00e7\u00e3o dos mais aptos, \u00e9 o daqueles que passaram a trabalhar como consultores t\u00e9cnicos das sociedades promotoras de corridas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Mas o \u00e1pice da profiss\u00e3o, no hemisf\u00e9rio norte, est\u00e1 em ser chamado para colaborar com as casas de apostas \u2013 onde isso \u00e9 permitido \u2013 no instante em que elas t\u00eam que \u201ccotar\u201d, e geralmente com grande anteced\u00eancia, os rateios eventuais dos competidores dos principais eventos do turfe. E a\u00ed, n\u00e3o se trata mais de simplesmente \u201cpalpitar\u201d, e sim de lidar com o mais perigoso dos riscos para qualquer banca de apostas: o de oferecer aos jogadores do mundo um rateio maior do que ele deveria ser.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">De qualquer forma, seja na Am\u00e9rica do Sul (depois de 2010), seja nos demais continentes, s\u00e3o eles que se re\u00fanem periodicamente para estabelecer os <em>ratings<\/em> dos principais cavalos de cada regi\u00e3o. E ao final do ano, todos se encontram em Hong Kong para discutir eventuais discrep\u00e2ncias e bater o martelo sobre \u201cquem \u00e9 quem\u201d no panorama cl\u00e1ssico da temporada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>O Brasil e os<\/strong> <strong><em>ratings<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Todas as provas cl\u00e1ssicas brasileiras est\u00e3o hoje sob o crivo da avalia\u00e7\u00e3o dos animais que delas participam. E todas est\u00e3o sujeitas a promo\u00e7\u00f5es e rebaixamentos de graus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Nada de especial. \u00c9 assim que funciona nos turfes que pretendem estar inseridos no panorama internacional da ind\u00fastria do puro sangue \u2013 caso do Brasil, membro, h\u00e1 d\u00e9cadas, do primeiro e restrito grupo de na\u00e7\u00f5es participantes da Federa\u00e7\u00e3o Internacional das Autoridades H\u00edpicas (FIAH).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Neste sentido, o GP Brasil e todos os outros Grupos I, II e III, das v\u00e1rias programa\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas existentes no pa\u00eds, s\u00e3o avaliados periodicamente nos encontros dos handicappers do continente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Apenas como exemplo, comparado com o GP Carlos Pellegrini, disputado no hip\u00f3dromo de San Isidro, Jockey Club Argentino, Buenos Aires, os <em>ratings<\/em> do GP Brasil foram os seguintes nas quatro \u00faltimas temporadas h\u00edpicas:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">. <strong>Ratings do GP Carlos Pellegrini (em libras-peso):<\/strong> 116,5 em 2016\/2017; 115,5 em 2017\/2018; 114,25 em 2018\/2019; e 115,75 em 2019\/2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">. <strong>Ratings do GP Brasil (idem):<\/strong> 114,25 em 2016\/2017; 113,5 em 2017\/2018; 113,75 em 2018\/2019. Detalhe: em virtude da pandemia do Covid-19, e da transfer\u00eancia do GP Brasil, este ano, de junho para outubro, ainda n\u00e3o h\u00e1 <em>rating <\/em>para a prova em 2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Ambas as provas, por\u00e9m, est\u00e3o acima do \u201cbenchmark\u201d sul-americano de 110 libras-peso para os Grupos I do continente em rela\u00e7\u00e3o aos 3 anos e mais idade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">As diferen\u00e7as de avalia\u00e7\u00e3o entre os dois testes \u2013 Pellegrini e \u201cBrasil\u201d \u2013 tem muito a ver com os n\u00fameros da cria\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Embora quantidade n\u00e3o seja sin\u00f4nimo de qualidade \u2013 ou a Alemanha, que cria apenas cerca de 800 produtos por ano, n\u00e3o teria levantado tr\u00eas vezes o Prix de l\u2019Arc du Triomphe, uma esp\u00e9cie de campeonato da milha e meia cl\u00e1ssica na grama \u2013 o fato \u00e9 que a Argentina teve 7.586 nascimentos em 2018, contra os 1.663 do Brasil (450% a mais). E l\u00e1, existiam 774 reprodutores (158 no Brasil) e 12.950 matrizes (2.226 no Brasil). Isso, por \u00f3bvio, aumenta suas chances de produzir bons animais de corrida. (vide Statistical Information Booklet 2018 \u2013 International Stud Book Commitee \u2013 Weatherbys Ltd, London).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong><em>Ratings<\/em><\/strong><strong> e os n\u00fameros estonteantes da \u00c1sia<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Entre todos os turfes do mundo neste primeiro quarto do s\u00e9culo XXI, o turfe da \u00c1sia \u00e9 o que anda mais r\u00e1pido. E os n\u00fameros de sua performance \u2013 principalmente em rela\u00e7\u00e3o aos volumes de apostas \u2013 s\u00e3o nada menos que estonteantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Um breve resumo do que significa a contribui\u00e7\u00e3o das corridas para essa parte do mundo, indica que os 21 pa\u00edses que participam da Federa\u00e7\u00e3o Asi\u00e1tica, mais os 6 membros a ela filiados, e 1 associado, contribuem anualmente com US$ 26.9 bilh\u00f5es para a economia da regi\u00e3o, geram 570 mil empregos diretos, e recolhem US$ 6.9 bilh\u00f5es em taxas e impostos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Em mat\u00e9ria de volume de apostas, por\u00e9m, nada se compara \u00e0 \u00c1sia. E \u00e0 medida em que a internacionaliza\u00e7\u00e3o do turfe evolui, s\u00e3o eles que d\u00e3o o exemplo do que isso significa em ess\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">No \u201cmeeting\u201d de Ascot de junho de 2019, antes da pandemia do Covid-19, portanto, o Jockey Club de Hong Kong \u2013 em parceria com os ingleses e o Totepool \u2013 criou o <strong>primeiro \u201cpool\u201d mundial da hist\u00f3ria da capta\u00e7\u00e3o de apostas<\/strong> vindas da Austr\u00e1lia, Canad\u00e1, Nova Zel\u00e2ndia, Europa, Reino Unido e EUA em <strong>pedra \u00fanica e regime de\u00a0 <em>commingling<\/em><\/strong>, aumentando em <strong>60%<\/strong> o volume de apostas feitas no citado \u201cmeeting\u201d, em rela\u00e7\u00e3o a 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O que isso significa? Significa a aurora de novos tempos em mat\u00e9ria de apostas em corridas de cavalo. E ela mostra que n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o fora de uma pedra \u00fanica internacional, funcionando em <em>commingling<\/em> e proporcionando plena liquidez a todos os apostadores do planeta. Irrelevante de onde esteja situado o hip\u00f3dromo. Sem d\u00favida, outra civiliza\u00e7\u00e3o&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">E assim, n\u00e3o por outro qualquer motivo, a reuni\u00e3o final de todos os comit\u00eas regionais de <em>ratings<\/em> \u00e9 hoje realizada em Hong Kong. \u00c9 l\u00e1 que os handicappers do mundo se re\u00fanem para discutir e, afinal, decidir sobre quem vale o qu\u00ea em mat\u00e9ria de qualidade nas pistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong><u>Refer\u00eancia:<\/u><\/strong> uma libra-peso \u00e9 igual a 0,45359237 do quilo. Igual a 453, 59237 gramas em nosso sistema m\u00e9trico decimal. Portanto, 110 libras-peso \u00e9 igual a 49,895 quilos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong><br \/><\/strong><\/span><strong><span style=\"font-size: 14pt;\">Dezembro de 2020\u00a0\u00a0<\/span> <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ratings: ou de como se avalia um cavaloSergio Barcellos \u00a0 Avaliar de forma correta os m\u00e9ritos de um cavalo de corrida est\u00e1 entre as coisas dif\u00edceis desse esporte. 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