

{"id":27492,"date":"2013-02-06T12:47:05","date_gmt":"2013-02-06T14:47:05","guid":{"rendered":"http:\/\/jcb.com.br\/?p=27492"},"modified":"2013-02-05T23:48:26","modified_gmt":"2013-02-06T01:48:26","slug":"acionais-e-internacionais-por-ilton-odi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/27492\/acionais-e-internacionais-por-ilton-odi\/","title":{"rendered":"Nacionais e internacionais, por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p>Os panoramas das cria\u00e7\u00f5es e das corridas no eixo Brasil-Uruguai \u2013 Argentina s\u00e3o os mesmos j\u00e1 de algum tempo. S\u00e3o turfes distintos e diferentes.<\/p>\n<p>O Brasil segue em uma lideran\u00e7a tranquila, em fun\u00e7\u00e3o de normas internacionais, digam-se europeias, abastecendo os seus haras com sangues da maior import\u00e2ncia mundial. O sistema de \u201cshuttle\u201d, isto \u00e9, o aluguel ou arrendamento de um garanh\u00e3o de ponta, tem permitido o enriquecimento t\u00e9cnico dos plant\u00e9is. Corredores campe\u00f5es nas pistas europeias como os alem\u00e3es Shirocco e Manduro, irlandeses como Sulamani, cl\u00e1ssicos nas pistas como Roderic O\u2019Connor, um irland\u00eas filho do atualmente, e j\u00e1 de algum tempo, melhor garanh\u00e3o do mundo o irland\u00eas Galileo, o norte-americano Roy, garanh\u00f5es de real valor como Elusive Quality, o pretensioso Drosselmeyer, Linngari da cria\u00e7\u00e3o Aga Khan de v\u00e1rias vit\u00f3rias importantes em hip\u00f3dromos europeus; o norte-americano Put-it-Back, o irland\u00eas Holy Roman Emperor, o norte-americano Point Given, o futuroso importado em definitivo Adriano, o j\u00e1 vitorioso japon\u00eas Agnes Gold, entre muitos exemplos, que foram lembrados entre outros merecedores de destaque e que, pretendem fazer parte do seleto grupo de Wild Event, de Crimson Tide, de Public Purse, de Signal Tap e de outros bons.<\/p>\n<p>Nunca \u00e9 demais lembrar que o \u201cshuttle\u201d se iniciou no Brasil h\u00e1 mais de 60 anos, quando Roberto e Nelson Grimaldi Seabra, do Haras Guanabara (SP), trouxeram pioneiramente para ao Brasil o italiano Orsenigo, Derby Winner em seu pa\u00eds e filhos do extraordin\u00e1rio garanh\u00e3o alem\u00e3o Oleander, e que em dois anos no Brasil deixou Escorial, Lohengrin, Emoci\u00f3n e muitos outros de extraordin\u00e1rio valor. Essa entrada anual de garanh\u00f5es de alto valor internacional representava n\u00e3o s\u00f3 um \u201crefresco\u201d nos sangues dos plant\u00e9is brasileiros como em muito colabora para a atual incontest\u00e1vel lideran\u00e7a sul-americana da cria\u00e7\u00e3o brasileira. Nos quatro primeiros meses de cada ano, os criadores brasileiros mais l\u00facidos estudam pedigrees e campanhas, principalmente, de cavalos europeus para, contratar atrav\u00e9s do brasileiro, melhor agente internacional, o paulista Samir Abujamra. Com confi\u00e1veis contatos com os melhores centros turf\u00edsticos europeus, s\u00f3 como exemplo, com a Coolmore e a Darley, e contratam \u201cshuttles\u201d. \u00c9 um caminho f\u00e1cil e inteligente.<\/p>\n<p>O Uruguai n\u00e3o atravessa um bom momento em sua cria\u00e7\u00e3o. S\u00f3 para se ter uma ideia do potencial, enquanto o Brasil, com os seus imensos territ\u00f3rios e popula\u00e7\u00e3o, produz menos de 3.000 potros por ano, cerca de 2.900, o Uruguai, com um territ\u00f3rio pequeno e uma popula\u00e7\u00e3o da ordem de 3 milh\u00f5es de habitantes, cria 2.000 potros\/ano. Embora a terra seja boa e haja muitos turfistas, a qualidade do plantel deixa muito a desejar. E isso porque h\u00e1 uma evidente m\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o. Com exce\u00e7\u00e3o do Brasil, que segue ou procura seguir as linhas europeias, e n\u00e3o desprezando os eventuais bons cavalos norte-americanos, todas as Am\u00e9ricas, do Norte, Central e do Sul, refletem em suas corridas e em suas cria\u00e7\u00f5es, o desastrado turfe norte-americano. Por isso, assim com o turfe norte-americano, o argentino e o uruguaio est\u00e3o mal, em evidente decad\u00eancia. Cavalos e \u00e9guas supermedicados para correr transformam uma pretensa saud\u00e1vel competi\u00e7\u00e3o de qualidades em guerra qu\u00edmica, com animais dependentes de drogas, que na cria\u00e7\u00e3o v\u00e3o transmitindo as suas debilidades.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos s\u00e3o um pa\u00eds riqu\u00edssimo, e tem dinheiro para manter um com\u00e9rcio turf\u00edstico interno, se n\u00e3o \u00f3timo, pelo menos razo\u00e1vel. Mas esse n\u00e3o \u00e9 o caso da Argentina e do Uruguai, que entendem de importar preferencialmente sangues dos quase sempre doentes. A cria\u00e7\u00e3o uruguaia se alimenta basicamente de animais argentinos, que refletem a m\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o do turfe norte-americano. Felizmente, no Brasil, s\u00f3 muito poucos desavisados se utilizam de reprodutores baratos norte-americanos, da verdadeira sucata, do baga\u00e7o que vem de l\u00e1. Houve um bom momento de reflex\u00e3o das autoridades h\u00edpicas uruguaias, isso em meados de 2012, quando promoveram uma reuni\u00e3o em Montevid\u00e9u com a c\u00fapula da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira, no intuito de melhor direcionar a cria\u00e7\u00e3o uruguaia. Ficou acertada a exporta\u00e7\u00e3o de trinta \u00e9guas brasileiras, cheias, com o aval e o financiamento pelo Minist\u00e9rio da Agricultura do Uruguai, em uma nova linha de in\u00edcio de uma caminhada para a recupera\u00e7\u00e3o do turfe uruguaio.<\/p>\n<p>No primeiro trimestre de 2013, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira, naturalmente apoiada por l\u00facidos uruguaios, escolheria as \u00e9guas em uma programa\u00e7\u00e3o que, certamente, seria o princ\u00edpio da reden\u00e7\u00e3o do turfe uruguaio, um in\u00edcio promissor para a recupera\u00e7\u00e3o. Mas as autoridades uruguaias solicitaram que a ideia permane\u00e7a, mas a pr\u00e1tica fique para 2014, j\u00e1 que um ou mais importantes haras uruguaios pretendiam leiloar boa quantidade de reprodutoras na mesma \u00e9poca prevista para o leil\u00e3o das trinta \u00e9guas. A desculpa ou explica\u00e7\u00e3o, na verdade, n\u00e3o chegou a justificar, pois o interesse maior, a melhoria do padr\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o uruguaia n\u00e3o prejudicaria os pre\u00e7os das uruguaias, seriam apenas trinta.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois aspectos a se considerar nessa mudan\u00e7a de atitude. Um seria de ordem veterin\u00e1ria, o que na pr\u00e1tica seria absurdo, pois veterin\u00e1rios brasileiros e\/ou da confian\u00e7a do Minist\u00e9rio da Agricultura do Uruguai, e da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira naturalmente submeteriam as trinta \u00e9guas a todos os exames necess\u00e1rios, normalizando por completo esse aspecto veterin\u00e1rio. A outra hip\u00f3tese seria um rid\u00edculo interesse da n\u00e3o entrada de \u00e9guas brasileiras, que naturalmente abririam caminho para a substitui\u00e7\u00e3o pelo menos em parte da eguada menos interessante da Argentina e do pr\u00f3prio Uruguai. Nesse caso seria at\u00e9 um crime contra a necessidade de melhoria do turfe uruguaio. O que importa \u00e9 que, com essa porta fechada, pelas altas autoridades uruguaias, s\u00f3 resta aos interessados irem aos leil\u00f5es dos dias 20, 21, e 22 de mar\u00e7o de 2013 em Bag\u00e9 (RS), quando ser\u00e3o ofertadas cerca de 250 \u00e9guas dos principais haras brasileiros, dentre eles Anderson, Mondesir, Santa Maria de Araras, Santa Ana do Rio Grande, e muitos outros haras de boa qualidade. Como \u00e9 grande a falta que faz Don Aureliano Rodrigues ao turfe uruguaio.<\/p>\n<p>Na Argentina o problema \u00e9 bem maior, pois tem propor\u00e7\u00f5es muito maiores. Produzindo quase o triplo de potros que o Brasil, a Argentina claramente perdeu a lideran\u00e7a sul-americana, em fun\u00e7\u00e3o da excessiva permissibilidade de medica\u00e7\u00f5es em animais para correr, de uma programa\u00e7\u00e3o de corridas com uma dist\u00e2ncia m\u00e9dia da ordem de 1.200 metros, e uma programa\u00e7\u00e3o voltada para uma pretendida exporta\u00e7\u00e3o. O plantel argentino est\u00e1 infestado de sangues norte-americanos de velocidade e descendentes de animais dependentes de drogas. O pr\u00f3prio governo argentino ainda piora a situa\u00e7\u00e3o, criando impostos que prejudicam o necess\u00e1rio entra e sai de cavalos e \u00e9guas. Assim fica o turfe argentino atolado em indesejada situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos foi institu\u00eddo um forte grupo de criadores argentinos que formou um lote de reprodutores altamente pretensiosos para venda de coberturas. Alguns haras brasileiros chegaram a mandar numerosos lotes de \u00e9guas para usufruir da grande perspectiva. Mas tudo se desvaneceu, as \u00e9guas brasileiras voltaram, o sonho acabou, ante o fracasso dos tais garanh\u00f5es norte-americanos importados, quando foi verificado que pelo menos parte daqueles garanh\u00f5es s\u00f3 tinha ido para a Argentina ap\u00f3s haverem fracassado em \u201cshuttle\u201d anterior para a Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do Uruguai \u00e9 melhor que a da Argentina, basta n\u00e3o importar mais da Argentina e dos Estados Unidos, voltando-se para o Brasil e a Europa. Na Argentina o problema \u00e9 muito mais complicado, mais grave, maior, pior. Haveria de ser mudada uma filosofia, deixar as medica\u00e7\u00f5es de lado, orientar as suas cria\u00e7\u00f5es e corridas para as dist\u00e2ncias cl\u00e1ssicas e n\u00e3o s\u00f3 de velocidade. Hoje o turfe argentino n\u00e3o tem competidor em provas de at\u00e9 1.600 metros, mas na \u00e1rea cl\u00e1ssica, mais importante, de 2.000 metros ou mais, quando s\u00e3o disputados os derbies e as principais provas dos calend\u00e1rios cl\u00e1ssicos, o Brasil reina. O que tem acontecido nos \u00faltimos tempos, com as sistem\u00e1ticas derrotas para os cavalos brasileiros, \u00e9 apenas o princ\u00edpio. Essa situa\u00e7\u00e3o tende ainda a se manter por muito tempo.<\/p>\n<p>Para o turfe brasileiro, \u00e9 muito bom que as coisas continuem como est\u00e3o. O Uruguai se furtando \u00e0 necessidade de melhorar, a Argentina com dist\u00e2ncia m\u00e9dia de 1.200 metros. A t\u00edtulo de curiosidade, vou citar dois casos ocorridos recentemente, em 2012 e em 2013. O j\u00f3quei brasileiro Altair Domingos, que est\u00e1 radicado em Buenos Aires com grande sucesso, e que \u00e9 considerado o leg\u00edtimo sucessor de Jorge Ricardo e de Pablo Falero, concedeu entrevista televisionada quando de uma de suas vindas ao Brasil para montar em grande premio. Contou que, perguntado por um treinador argentino se era verdade que no Brasil havia uma programa\u00e7\u00e3o comum do Rio e de S\u00e3o Paulo, p\u00e1reos at\u00e9 para perdedores de 3 e de 4 anos em 2.000 e 2.400 metros, o argentino surpreendeu-se com a afirmativa do j\u00f3quei brasileiro, pois isso \u00e9 na pr\u00e1tica absurdo, imposs\u00edvel na Argentina. Para dist\u00e2ncia m\u00e9dia de 1.200 metros as distancias da grande maioria dos p\u00e1reos tem que girar de 1.000 a 1.400 metros. Os argentinos est\u00e3o fora da realidade. O outro caso a ser citado foi quando do Ramirez, em 6 de janeiro de 2013. Um criador e propriet\u00e1rio brasileiro, com animais tamb\u00e9m na Argentina, inscreveu uns corredores para participarem da jornada do Ramirez, em Montevid\u00e9u. N\u00e3o sei se por culpa da alf\u00e2ndega argentina ou uruguaia, os cavalos ficaram retidos na fronteira Argentina-Uruguai por 18 horas. Naturalmente os corredores fracassaram, e o propriet\u00e1rio declarou que nunca mais vai mandar animais dele correr no Uruguai.<\/p>\n<p>Chega, ou querem mais?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os panoramas das cria\u00e7\u00f5es e das corridas no eixo Brasil-Uruguai \u2013 Argentina s\u00e3o os mesmos j\u00e1 de algum tempo. S\u00e3o turfes distintos e diferentes. O Brasil segue em uma lideran\u00e7a tranquila, em fun\u00e7\u00e3o de normas internacionais, digam-se europeias, abastecendo os seus haras com sangues da maior import\u00e2ncia mundial. 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