

{"id":270744,"date":"2020-11-13T12:00:10","date_gmt":"2020-11-13T14:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jcb.com.br\/home\/?p=270744"},"modified":"2020-11-13T13:33:08","modified_gmt":"2020-11-13T15:33:08","slug":"ascencao-e-declinio-do-turfe-brasileiro-por-sergio-barcellos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/270744\/ascencao-e-declinio-do-turfe-brasileiro-por-sergio-barcellos\/","title":{"rendered":"Ascen\u00e7\u00e3o e decl\u00ednio do turfe brasileiro, por Sergio Barcellos"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Ascen\u00e7\u00e3o e decl\u00ednio do turfe brasileiro<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em><span style=\"font-size: 14pt;\">Sergio Barcellos<br \/><br \/><\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">De sa\u00edda, parece razo\u00e1vel informar que essa \u00e9 muito mais uma conversa amistosa ao p\u00e9 do fogo entre amigos com o gosto comum pelo cavalo de corrida e as corridas de cavalo, do que propriamente um artigo.<br \/><br \/><\/span><span style=\"font-size: 14pt;\">Tampouco, essa conversa pretende causar pol\u00eamica \u2013 longe disso \u2013 sobre os motivos e raz\u00f5es da progressiva perda de <em>status<\/em> e prest\u00edgio de uma atividade que, no passado, estava catalogada entre as principais formas de entretenimento da sociedade brasileira, al\u00e9m de gerar milhares de empregos na cidade e no campo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">E conversando, tentar identificar o que as sociedades desenvolvidas do hemisf\u00e9rio norte fizeram para lidar com o esp\u00edrito dos novos tempos e recuperar seu turfe \u2013 que \u00a0\u00a0\u00a0n\u00e3o \u00e9 mais turfe, \u00e9 <strong>ind\u00fastria do cavalo de corrida<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Turfe e estado<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O in\u00edcio dos melhores anos das corridas de cavalo entre n\u00f3s, data de meados da d\u00e9cada de 1920, quando a fam\u00edlia Paula Machado \u2013 seu not\u00e1vel patriarca, Dr. Linneo, \u00e0 frente \u2013 resolveu reunir os amigos e construiu o magn\u00edfico Hip\u00f3dromo Brasileiro no bairro da G\u00e1vea, Rio de Janeiro, sem contar com um centavo de participa\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos (no m\u00e1ximo, contou com sua \u201csympathia\u201d, como est\u00e1 consignado na placa de bronze do grande sal\u00e3o de apostas da tribuna social).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Na verdade, tratou-se de uma iniciativa de poucos homens movidos pelo vigor das emo\u00e7\u00f5es, a qualidade da imagina\u00e7\u00e3o, um temperamento que privilegiava a coragem por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 timidez, e \u2013 por que n\u00e3o? \u2013 o apetite pela aventura em lugar do amor pelas facilidades da vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">E eles o fizeram de forma nada menos que espetacular, a julgar pelas cinco tribunas em balan\u00e7o do hip\u00f3dromo, seus impec\u00e1veis sal\u00f5es, seus pisos, bronzes, m\u00e1rmores, arandelas, carvalhos maci\u00e7os, candelabros Baccarat do s\u00e9culo XIX, sancas pintadas \u00e0 m\u00e3o com as cores dos propriet\u00e1rios da \u00e9poca, tr\u00eas pistas, dois lagos no pi\u00e3o do prado, quase 2.000 \u00e1rvores, as cocheiras da Vila H\u00edpica copiando as inglesas de Newmarket e as francesas de Chantilly.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">N\u00e3o satisfeitos, como arremate desse presente \u00e0 cidade \u2013 hoje um de seus maiores patrim\u00f4nios arquitet\u00f4nicos \u2013 Dr. Linneo e seus amigos compraram, mandaram embarcar e fizeram colocar na entrada da tribuna social do hip\u00f3dromo a bel\u00edssima est\u00e1tua equestre do \u201cDollar\u201d, um dos grandes chefes-de-ra\u00e7a europeus de seu tempo, que hoje est\u00e1 no paddock do campo de corridas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Realmente, outra civiliza\u00e7\u00e3o&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Mas como o destino vem em socorro de certas iniciativas, poucos anos depois os revolucion\u00e1rios de 1930, novos donos do pa\u00eds, amarraram seus cavalos crioulos no obelisco da Av. Rio Branco, e se mudaram \u2013 praticamente todos \u2013 para as tardes felizes dos fins de semana das corridas no Jockey Club Brasileiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Pronto, estava consagrado o casamento perfeito entre turfe e estado, algo fundamental na tricenten\u00e1ria hist\u00f3ria desse esporte, seja aqui, seja alhures.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Aqui, quem tiver d\u00favida, deveria ler o di\u00e1rio de Dr. Get\u00falio Vargas entre 1930 e 1942. S\u00e3o 1.257 folhas, edi\u00e7\u00e3o do CPDOC da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas &#8211; FGV, Editora Siciliano, 1995. E lendo, dia a dia, iria encontrar, n\u00e3o uma, mas dezenas de refer\u00eancias ao Jockey Club e ao turfe brasileiro, algumas delas, como: <em>\u201cHoje, domingo, uma tarde agrad\u00e1vel nas corridas do Jockey.\u201d<\/em><em>\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">E no dia dos grandes eventos do turfe do Rio, ele, o presidente da Rep\u00fablica, entrava pelo port\u00e3o do Jardim Bot\u00e2nico em seu Rolls-Royce convers\u00edvel, acenava para a multid\u00e3o, mandava abrir a cerca de ferro da tribuna social, subia a chamada \u201cescada monumental\u201d que d\u00e1 acesso \u00e0 tribuna de honra, vizinha ao espl\u00eandido \u201cSal\u00e3o das Rosas\u201d, e ia ver o GP Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Algu\u00e9m imagina um casamento mais feliz entre poder pol\u00edtico e turfe? Pois isso n\u00e3o \u00e9 diferente no hemisf\u00e9rio norte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Se algu\u00e9m pensa o contr\u00e1rio, ainda n\u00e3o viu a Rainha entrando de carruagem pela pista, em companhia dos pares do Reino, e descendo da tribuna do Royal Enclosure \u2013 onde s\u00f3 se entra, de casaca, e se o nome do convidado tiver sido previamente aprovado por Buckingham \u2013 para entregar, pessoalmente, o pr\u00eamio ao propriet\u00e1rio do vencedor da Ascot Gold Cup, na gloriosa semana do Ascot Meeting. Coisa de ingl\u00eas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Mas na Fran\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 diferente. L\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 reis e rainhas desde 1789, mas o turfe local \u00e9 respons\u00e1vel por 77.000 empregos diretos, o volume de apostas gira em torno de E$ 9,7 bilh\u00f5es\/ano, tr\u00eas ministros de estado se sentam no Conselho do PMU (Planejamento, Fazenda e Agricultura) e os presidentes da France-Galop t\u00eam acesso direto \u00e0 estrutura local de poder. Em qualquer n\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O mesmo para o Jap\u00e3o, com suas cifras bilion\u00e1rias de apostas e onde a Japan Racing Association \u00e9 parceira e fiel comensal do governo do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O mesmo para os EUA, onde, embora o turfe seja regulado pelos 50 estados que comp\u00f5em a Uni\u00e3o, quem os representa junto aos Comit\u00eas do Senado americano \u00e9 o presidente do The Jockey Club, geralmente um criador em\u00e9rito, tamb\u00e9m com irrestrito acesso e di\u00e1logo junto ao <em>establishment<\/em> da na\u00e7\u00e3o. O mesmo se repete na Alemanha, na Irlanda, nos turfes do sudeste asi\u00e1tico e da Oceania (Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O que isso quer dizer? Simples, que sem um di\u00e1logo permanente com o poder p\u00fablico; sem uma Federa\u00e7\u00e3o Nacional que re\u00fana todos os Jockey Clubs, criadores e propriet\u00e1rios e represente seus interesses junto a todas as esferas do estamento pol\u00edtico; considerado como rival, quando n\u00e3o inimigo, das loterias estatais; sem representatividade junto aos demais poderes da Rep\u00fablica; carente dos representantes e instrumentos que permitem a constru\u00e7\u00e3o dessas pontes, n\u00e3o causa a menor surpresa que a atividade tenha sido entregue \u00e0 sua \u00a0pr\u00f3pria sorte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Se h\u00e1 uma data para explicar o come\u00e7o do decl\u00ednio do turfe do Rio de Janeiro, e em grande medida o do pa\u00eds, ela se refere \u00e0 mudan\u00e7a da capital para Bras\u00edlia, nos idos de 1960.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Ao ponto de um novo presidente da Rep\u00fablica nos primeiros meses de seu curto mandato, ter escrito um singelo bilhete para o chefe de sua Casa Civil proibindo as corridas de cavalo no Brasil. E junto com o bilhete, destruiu de um s\u00f3 golpe, milhares de empregos. O turfe nacional bateu na trave, ou j\u00e1 teria acabado h\u00e1 muito tempo&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Sem a capital e seu poder pol\u00edtico frequentando o hip\u00f3dromo, o bast\u00e3o da lideran\u00e7a da atividade mudou-se para S\u00e3o Paulo, que, do alto de seu um ter\u00e7o do PIB nacional, constru\u00eddo pela inequ\u00edvoca capacidade de sua gente, passou a escrever as senten\u00e7as de seu destino.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">E de forma t\u00e3o brilhante, que v\u00e3o longe os tempos em que sua esta\u00e7\u00e3o de monta alojava e oferecia aos criadores nacionais, entre v\u00e1rios outros, o sangue real de um ganhador de Grupo I na Fran\u00e7a, filho de um dos maiores chefes-de-ra\u00e7a da Europa, em m\u00e3e de lenda, bicampe\u00e3 do Prix de l\u2019Arc du Triomphe. Bons tempos. Grandes tempos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Onde toda essa breve cronologia nos leva? Nos leva a uma atividade impotente diante da eterna press\u00e3o fiscal dos poderes estaduais e municipais, tendo que enfrentar, sozinha, a concorr\u00eancia desleal de outros jogos n\u00e3o regulamentados. Ademais de dirigida sob a forma de clubes em cujos estatutos se l\u00ea a frase de que tudo se trata de \u201centidades sem fins lucrativos.\u201d Ent\u00e3o, falta pouco para a atividade virar cr\u00f4nica de uma morte anunciada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">E ela, infelizmente, est\u00e1 chegando. Na d\u00e9cada de 1960 havia cerca de 60 clubes de corrida no Brasil. Hoje h\u00e1 cerca de 10, e em futuro pr\u00f3ximo, a julgar pelos n\u00fameros cadentes da cria\u00e7\u00e3o, sobrar\u00e3o tr\u00eas ou quatro por escassez de mat\u00e9ria-prima \u2013 leia-se, cavalos \u2013 para faz\u00ea-los funcionar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Isso significa que o turfe vai desaparecer nos pr\u00f3ximos anos? N\u00e3o. Mas significa que se ele n\u00e3o for encarado como <strong>ind\u00fastria do turfe<\/strong>, a rota de colis\u00e3o est\u00e1 tra\u00e7ada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Turfe como ind\u00fastria<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Corridas de cavalo nos s\u00e9culos XVIII e XIX eram sin\u00f4nimo de lazer diletante. Hoje \u2013 onde elas d\u00e3o certo \u2013 \u00e9 ind\u00fastria do lazer, como tantas outras. Sem nenhuma diferen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">H\u00e1 v\u00e1rias formas de se adaptar a essa mudan\u00e7a. Uma das mais conhecidas \u00e9 a francesa, quando Jean-Luc Lagard\u00e8re, um dos maiores empres\u00e1rios do hex\u00e1gono (Airbus, A\u00e9rospatiale, Matra, Canal 5 da TV local, Livraria Hachette, etc, etc), criador e propriet\u00e1rio de cavalos de corrida, assumiu a dire\u00e7\u00e3o da atividade e declarou na primeira frase de seu discurso de posse: <em>\u201cN\u00e3o vim para presidir um fracasso.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Homem do mundo, com tr\u00e2nsito livre em todas as esferas do poder nacional franc\u00eas, reuniu as duas grandes sociedades locais (do trote e do galope) em uma s\u00f3, e criou a France-Galop, cem por cento profissional, hoje habitando o moderno edif\u00edcio da Place Abel Gance, em Boulogne-Billancourt, Paris. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m nesse edif\u00edcio que n\u00e3o seja profissional do seu of\u00edcio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Em seguida, separou corridas de apostas. Claro, corridas \u00e9 uma coisa, apostas outra totalmente diferente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Depois, olhou para o bel\u00edssimo \u2013 e por isso mesmo, car\u00edssimo \u2013 centro de treinamento de Chantilly e come\u00e7ou o processo de descentraliza\u00e7\u00e3o do preparo dos animais, distribuindo-o por v\u00e1rios locais do interior ao alcance da renda dos m\u00e9dios e pequenos propriet\u00e1rios. Sindicalizou a propriedade dos cavalos de corrida, reduzindo seu custo de manuten\u00e7\u00e3o. Fez do pequeno e m\u00e9dio propriet\u00e1rio a espinha dorsal das corridas na Fran\u00e7a, ampliando seu n\u00famero. Subordinou \u00e0 France-Galop todos os aspectos t\u00e9cnicos dos hip\u00f3dromos do interior. E nesse processo fez brotar mais de 70 mil empregos diretos ligados \u00e0 atividade. Uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Mas seu grande legado foi ter transformado o Pari Mutuel Urbain (PMU) na segunda maior empresa do mundo em mat\u00e9ria de volume de apostas, s\u00f3 perdendo para os n\u00fameros estratosf\u00e9ricos do Jap\u00e3o (hoje o PMU foi ultrapassado por Hong-Kong, mas ainda vende mais jogo em corridas de cavalo que os EUA). Como? Profissionalizando toda a estrutura da empresa, respons\u00e1vel pela ger\u00eancia de mais de 12.000 pontos de venda de apostas na Fran\u00e7a e propriet\u00e1ria de tr\u00eas canais de TV em HD de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>O conceito<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O conceito que preside todo esse imp\u00e9rio \u2013 e todos os outros imp\u00e9rios turf\u00edsticos do mundo desenvolvido \u2013 \u00e9 um s\u00f3: <strong>apostas em corridas de cavalo \u00e9 um neg\u00f3cio que tem de gerar renda 24 horas por dia, todos os dias<\/strong>. E se n\u00e3o h\u00e1 corridas na Fran\u00e7a, e se os principais hip\u00f3dromos est\u00e3o fechados no inverno, as imagens delas t\u00eam que vir de todos os pa\u00edses onde exista um turfe organizado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O \u201cpool\u201d do PMU hoje re\u00fane 16 pa\u00edses, girando em todos os fusos hor\u00e1rios do planeta, inclusive recebendo \u2013 por um breve e brilhante momento \u2013 imagens das corridas do Jockey Club Brasileiro. Como processo civilizat\u00f3rio e alavanca de marketing dos turfes locais, n\u00e3o h\u00e1 nada mais eficiente que estar num \u201cpool\u201d desses.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">N\u00e3o \u00e9 outra, sen\u00e3o essa, a \u201cm\u00e1gica\u201d do turfe do hemisf\u00e9rio norte, onde todos os turfes, de todos os pa\u00edses, trocam imagens e apostas todo o tempo. Seja em pedra separada, seja no \u201cmilagre\u201d da pedra comum internacional (regime de <em>commingle<\/em>), onde o que \u00e9 jogado no exterior se incorpora \u00e0 pedra local criando escala \u2013 e com isso, trazendo de volta o jogador profissional de todos os jogos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Que eles continuam por a\u00ed, desde que o historiador e fil\u00f3sofo Johan Huizinga explicou em seu <em>Homo Ludens \u2013 Uma Hist\u00f3ria Social do Jogo, <\/em>que, no fundo, todos n\u00f3s somos isso: jogadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00c9 exatamente este o conceito que est\u00e1 na base do cheque de mais de E$ 1 bilh\u00e3o que o PMU entrega \u00e0 France-Galop todo final de ano para que ela organize e premie as corridas na Fran\u00e7a, fazendo girar a roda dessa ind\u00fastria, das maiores da hist\u00f3ria do mundo, por sinal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>[<\/strong>Apenas como exemplo, o valor total girado pela ind\u00fastria do jogo \u00e9 da ordem de E$ 520 bilh\u00f5es\/ano. Huizinga tinha raz\u00e3o.<strong>]<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Turfe e o JCB<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">No z\u00eanite de seu esplendor econ\u00f4mico-financeiro, o Jockey Club Brasileiro resolveu aplicar o superavit das rendas geradas pelo turfe em uma nova sede social, erguida em um amplo quarteir\u00e3o do centro da cidade do Rio de Janeiro, projeto do arquiteto Lucio Costa, e constitu\u00edda por tr\u00eas pr\u00e9dios: o menor, de frente para a Av. Pres. Antonio Carlos (a sede social); o do meio, destinado a gerar renda de \u00a0alugueis; e o dos fundos, virado para a Rua Debret, com 750 vagas de garagem para os s\u00f3cios. O resto, s\u00e3o v\u00e1rias lojas para alugar em torno do grande per\u00edmetro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Em meados de 1980, iniciou uma modesta sede esportiva \u2013 na\u00a0 \u00a0verdade, modest\u00edssima \u2013 nos terrenos adjacentes \u00e0 lagoa Rodrigo de Freitas, sede essa completada em toda sua beleza e funcionalidade entre os anos de 2.000 e 2.004. E o quadro social do Jockey Club Brasileiro aumentou significativamente para mais de 5.000 integrantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Essas duas iniciativas, que a princ\u00edpio pareceram um desvio de conduta em rela\u00e7\u00e3o ao turfe \u2013 e, em princ\u00edpio, eram \u2013 com o progressivo decl\u00ednio deste \u00faltimo, transformou-se em renda, e hoje \u00e9 o maior ativo com que conta a institui\u00e7\u00e3o para garantir sua sanidade econ\u00f4mica. Qualquer d\u00favida a respeito pode ser esclarecida bastando ler as rubricas de seus relat\u00f3rios financeiros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Hoje, s\u00e3o essas rubricas, conhecidas como \u201dReceitas Patrimoniais\u201d, mais aquelas resultantes das taxas de manuten\u00e7\u00e3o e de transfer\u00eancia de t\u00edtulos; mais as que veem do aluguel de espa\u00e7o nos 640.000 m\u00b2 do hip\u00f3dromo (onde h\u00e1 oito restaurantes e v\u00e1rias outras formas de lazer), que, em seu conjunto, garantem o equil\u00edbrio das contas da entidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">E permitem ao JCB, inclusive, continuar mantendo \u2013 desde a d\u00e9cada de 1950 \u2013 uma das melhores escolas da rede p\u00fablica da Prefeitura do Rio de Janeiro, que abriga mais de 400 alunos, entre os filhos de seus profissionais e aqueles vindos do entorno mais pobre do hip\u00f3dromo. Mais a escola de profissionais do turfe, em tempo integral.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Como forma de colaborar com a inser\u00e7\u00e3o social no pa\u00eds, n\u00e3o h\u00e1 nada sequer parecido em nenhum dos clubes brasileiros \u2013 de qualquer tipo.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Em uma tentativa corajosa de simplifica\u00e7\u00e3o, o Jockey Club Brasileiro ainda \u00e9 dos poucos clubes de corrida que conseguiu sobreviver ao decl\u00ednio da atividade entre n\u00f3s. Irrelevante o que se pense a respeito das duas iniciativas acima mencionadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Ent\u00e3o, mais uma raz\u00e3o para tentar encontrar uma sa\u00edda que devolva ao seu turfe o mesmo vigor de outrora. E isso vir\u00e1, se houver engenho, arte \u2013 e sobretudo ju\u00edzo \u2013 para perseguir os conceitos e par\u00e2metros que fizeram do turfe do hemisf\u00e9rio norte um modelo a ser seguido \u2013 como o \u00e9 pelo resto do mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Onde est\u00e3o as apostas?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Neste primeiro quarto do s\u00e9culo XXI, elas est\u00e3o, pela ordem: cerca de 50% nos pontos de venda (\u201cag\u00eancias credenciadas\u201d, na linguagem do turfe brasileiro); 40% nos sites de apostas e telefonia m\u00f3vel; 10% nos hip\u00f3dromos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O que isso quer dizer? V\u00e1rias coisas:<br \/><br \/><\/span><span style=\"font-size: 14pt;\">&#8211; A primeira, \u00e9 que da qualidade do site de apostas e de sua perfeita manuten\u00e7\u00e3o depende metade do \u00eaxito de sua capta\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/><\/span><span style=\"font-size: 14pt;\">&#8211; A segunda, \u00e9 que n\u00e3o mais existem \u201cag\u00eancias credenciadas\u201d na acep\u00e7\u00e3o desse termo, ou seja, elas s\u00e3o pontos de venda segmentados. Podem estar em bares, restaurantes, lojas de conveni\u00eancia de postos de combust\u00edveis, bancas de jornal, etc. E alguns pontos funcionam da mesma forma que os caixas autom\u00e1ticos de banco.<br \/><br \/><\/span><span style=\"font-size: 14pt;\">&#8211; A terceira, \u00e9 que a tend\u00eancia de se apostar no hip\u00f3dromo tende a diminuir em termos mundiais (no JCB, por exemplo, o percentual j\u00e1 caiu para 8,6%).<br \/><br \/><\/span><span style=\"font-size: 14pt;\">&#8211; Claro, n\u00e3o \u00e9 mais preciso ir ao hip\u00f3dromo para ver e apostar em corridas de cavalo. E a frequ\u00eancia ao local s\u00f3 cresce nos dias de grandes eventos do turfe \u2013 mas por outros motivos como veremos a seguir.<br \/><br \/><\/span><span style=\"font-size: 14pt;\">&#8211; O exemplo mais recente e acachapante desse fato \u00e9 que nos dois dias de realiza\u00e7\u00e3o das provas da Breeders\u2019 Cup, em Keeneland, foram jogados US$ 160 milh\u00f5es com o hip\u00f3dromo praticamente fechado pela pandemia do Covid-19.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Ent\u00e3o, a primeira conclus\u00e3o: esque\u00e7amos de grande p\u00fablico nos hip\u00f3dromos em dias de programa\u00e7\u00e3o comum. Ele n\u00e3o estar\u00e1 l\u00e1. N\u00e3o \u00e9 mais preciso. E isso nada tem a ver com o volume do MGA das reuni\u00f5es, que ser\u00e1 maior ou menor, dependendo, apenas e t\u00e3o somente, da efici\u00eancia da capta\u00e7\u00e3o <em>off-track<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Mas o p\u00fablico vir\u00e1 no dia dos grandes eventos, dependendo de duas vari\u00e1veis: a qualidade da programa\u00e7\u00e3o \u2013 para os aficionados do esporte \u2013 e do \u201cambiente\u201d \u2013 para o p\u00fablico em geral.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Quanto mais elegante, mais correto e mais organizado seja o ambiente, maior a presen\u00e7a do p\u00fablico. Esta \u00e9 a t\u00f4nica do turfe do hemisf\u00e9rio norte, onde todo o marketing dos grandes eventos \u00e9 orientado nesse sentido. Inclusive, no que respeita \u00e0 ades\u00e3o do p\u00fablico feminino, que cavalo de corrida e presen\u00e7a feminina sempre formaram uma dupla imbat\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Ent\u00e3o, parece ter chegado a hora de voltar ao tema. A seguir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Turfe e sua liturgia<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Para a natureza humana, o real, o simb\u00f3lico e o imagin\u00e1rio t\u00eam literalmente a mesma import\u00e2ncia. Na d\u00favida, pergunte-se a Jacques Lacan porque \u00e9 assim.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O turfe sempre foi parte dos dois \u00faltimos. Quando se lhe retira qualquer um desses atributos, ele passa a ser qualquer outra coisa, menos turfe. N\u00e3o entender isso, \u00e9 n\u00e3o entender sua natureza.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A alma do turfe, aqui ou em qualquer outro lugar onde ele exista de forma organizada, implica algo que Shakespeare \u2013 um dos maiores leitores dos sentimentos humanos \u2013 definiu no famoso solil\u00f3quio de Henrique V, na madrugada de Agincourt (quase t\u00e3o famoso como o \u201cSer ou n\u00e3o ser\u201d, do Hamlet), como sendo \u201c<em>ceremony&#8230; general ceremony\u201d <\/em>(aqui entendido como liturgia, pr\u00e1xis, cerimonial, protocolo).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O turfe nasceu, cresceu e se tornou universal, alimentando-se de <em>ceremony<\/em> em todos os seus detalhes \u2013 dentro e fora das pistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Existe um cerimonial, uma pr\u00e1xis, um protocolo em torno dele, que quando n\u00e3o respeitados vulnera sua pr\u00f3pria alma, o faz vulgar \u2013 afastando, ao inv\u00e9s de atrair. Dentro da pista, h\u00e1 uma s\u00e9rie de protocolos que devem ser seguidos, e eles est\u00e3o fartamente descritos no C\u00f3digos de Corridas de qualquer turfe que se preze. Basta cumpri-los. Todos eles, sem exce\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Mas \u00e9 fora delas que o desprezo ao simb\u00f3lico e ao imagin\u00e1rio tem atuado de modo implac\u00e1vel no turfe brasileiro para desgasta-lo ainda mais. Na verdade, essa confus\u00e3o de conceitos faz parte de seu decl\u00ednio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Um exemplo cl\u00e1ssico \u00e9 proclamar aos quatro ventos que a entrada nos hip\u00f3dromos \u00e9 \u201cFranca.\u201d Inclusive, nos grandes eventos do esporte. Nada pode ser mais delet\u00e9rio em termos de corros\u00e3o da imagem da atividade, posto que revelador do desespero que se abateu sobre seus respons\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, a confus\u00e3o chegou a tal ponto, que hoje uma das figuras mais de acordo com a majestade do lugar \u00e9 o porteiro da social do JCB, sempre impecavelmente trajado, educado, solicito, respirando protocolo. Para o resto do p\u00fablico frequentador, por\u00e9m, nada se exige, nem mesmo identifica\u00e7\u00e3o, ou um c\u00f3digo m\u00ednimo no trajar-se, pois a entrada \u00e9 proclamada \u2013 pelo pr\u00f3prio clube \u2013 como literalmente \u201cFranca.\u201d Ou seja, algu\u00e9m vai passando na rua, decide entrar, e entra. Sem dizer que no resto das tribunas, n\u00e3o h\u00e1 sequer porteiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A falta de um m\u00ednimo dos m\u00ednimos de <em>ceremony<\/em> pode derrubar reis \u2013 ali\u00e1s, eles s\u00f3 se distinguem em fun\u00e7\u00e3o disso, como Shakespeare fez Henrique V proclamar na pe\u00e7a do mesmo nome. Porque afasta, ao inv\u00e9s de atrair. Porque diminui, ao inv\u00e9s de elevar. Porque deixa de ser turfe e passa a ser qualquer outra coisa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Ainda bem que isso n\u00e3o ocorre do outro lado, na excelente sede esportiva do JCB&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Travessia do deserto<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O deserto do Nefud, no Oriente M\u00e9dio, \u00e9 considerado dos piores lugares da terra, formado, n\u00e3o por areia, mas por lava vulc\u00e2nica solidificada. Do momento em que o sol nasce, e at\u00e9 que ele se ponha, sua lenta curva extingue qualquer possibilidade de vida na superf\u00edcie. O turfe brasileiro est\u00e1 prestes a iniciar a travessia do Nefud \u2013 e a p\u00e9, o que \u00e9 pior.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Para conseguir chegar vivo ao outro lado, parece razo\u00e1vel aderir a certas pr\u00e1ticas e conceitos dos turfes que deram \u2013 e d\u00e3o certo. E como isso \u00e9 apenas uma conversa ao p\u00e9 do fogo com amigos em torno de um gosto comum, n\u00e3o custa resumi-los. A seguir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 1 \u2013 O movimento geral de apostas (MGA) de qualquer turfe organizado e pr\u00f3spero \u2013 e ele \u00e9 quem garante a sobreviv\u00eancia da atividade \u2013 implica temor reverencial a qualquer tipo de improvisa\u00e7\u00e3o. O que significa acreditar que, de sa\u00edda, a ger\u00eancia das apostas \u00e9 diferente da ger\u00eancia das corridas, ademais de exigir que sua chefia seja conduzida por uma equipe dedicada a elas em tempo integral.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 2 \u2013 Que no mundo do s\u00e9culo XXI, a ind\u00fastria do turfe tem que vender seu produto 24 horas do dia, todos os dias. E se n\u00e3o h\u00e1 corridas locais, tem que haver apostas nas imagens de corridas, venham elas de onde vierem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 3 \u2013 Que, em termos nacionais, os hip\u00f3dromos est\u00e3o conectados em regime de pedra \u00fanica, seja nas corridas nacionais, seja oferecendo imagens das corridas internacionais em um \u201cpool\u201d uno e indivis\u00edvel \u2013 e sempre no ar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 4 \u2013 Que os pontos de venda, ligados em rede nacional via Internet, tenham sempre em mente que seus clientes potenciais n\u00e3o est\u00e3o mais apenas nas grandes cidades, e sim no interior do pa\u00eds, cujo \u00a0agroneg\u00f3cio, no caso do Brasil, est\u00e1 hoje distribu\u00eddo por 5 milh\u00f5es de propriet\u00e1rios rurais, cujo PIB bruto alcan\u00e7ou R$ 1,55 trilh\u00e3o, ou seja, 21,4% do PIB brasileiro. E a proje\u00e7\u00e3o para este ano, mesmo com pandemia, \u00e9 chegar a 23,6%. Traduzindo: o campo brasileiro, neste instante, \u00e9 t\u00e3o ou mais afluente que a cidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 5 \u2013 Que sem imagem em HD; sem tecnologia da informa\u00e7\u00e3o (TI); sem an\u00e9is de fibra \u00f3tica em todos os hip\u00f3dromos; sem uma totaliza\u00e7\u00e3o de apostas moderna e que funcione em tempo real; sem um controle r\u00edgido da rede de pontos de venda; sem uma equipe treinada aqui e no exterior (para ver de perto e aprender como eles fazem), o MGA n\u00e3o vai a lugar algum.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 6 \u2013 Mas, sobretudo, sem representatividade externa que defenda os interesses da atividade junto a todas as esferas do poder p\u00fablico, vivendo da m\u00e3o para a boca, cada um por si \u2013 quando n\u00e3o separados pelo narcisismo das pequenas diferen\u00e7as \u2013 o Nefud \u00e9 ali&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Talvez tenha chegado a hora do turfe brasileiro repetir a frase do presidente americano, dez anos antes deles colocarem um homem na lua: <strong>\u201cN\u00e3o devemos fazer isso porque \u00e9 f\u00e1cil, mas exatamente porque \u00e9 dif\u00edcil.\u201d<br \/><br \/><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong><em>Transcrito do site da ABCPCC\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0<\/em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ascen\u00e7\u00e3o e decl\u00ednio do turfe brasileiro Sergio Barcellos De sa\u00edda, parece razo\u00e1vel informar que essa \u00e9 muito mais uma conversa amistosa ao p\u00e9 do fogo entre amigos com o gosto comum pelo cavalo de corrida e as corridas de cavalo, do que propriamente um artigo. 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