

{"id":26210,"date":"2013-01-16T12:04:12","date_gmt":"2013-01-16T14:04:12","guid":{"rendered":"http:\/\/jcb.com.br\/?p=26210"},"modified":"2013-01-16T00:21:28","modified_gmt":"2013-01-16T02:21:28","slug":"aneiro-de-2013-por-ilton-odi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/26210\/aneiro-de-2013-por-ilton-odi\/","title":{"rendered":"Janeiro de 2013, por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p>A import\u00e2ncia dos \u201cshuttles\u201d fica cada vez mais marcante, com a frequ\u00eancia de vit\u00f3rias no pa\u00eds e no exterior de filhos desses garanh\u00f5es de padr\u00e3o internacional que, anualmente, veem ao Brasil para injetar qualidade e padr\u00e3o. O turfe brasileiro ganha a cada ano mais prest\u00edgio internacional e, em boa parte, isso decorre das iniciativas de \u201cshuttles\u201d. Garanh\u00f5es irlandeses, ingleses e alem\u00e3es t\u00eam vindo melhorar a qualidade de nossos plant\u00e9is. H\u00e1 ainda o enfoque mais l\u00facido e moderno de trazer mais animais europeus do que norte-americanos, na procura de trazer qualidade e sanidade, fugindo de eventuais cavalos dependentes de drogas.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, na Confer\u00eancia de Paris, realizada em 2012, na Semana do Arco, ao final o Presidente daquele evento dirigiu-se diretamente ao representante do turfe nos Estados Unidos e lhe disse, de modo claro e objetivo, que o turfe mundial esperava que o turfe norte-americano se enquadrasse, at\u00e9 2015, nos par\u00e2metros que regem a atividade, isto \u00e9, respeitando as proibi\u00e7\u00f5es e os limites. Essa de declara\u00e7\u00e3o, ao final da Confer\u00eancia, deixou claro a todos os participantes que, se n\u00e3o forem tomadas medidas dr\u00e1sticas e imediatas para coibir o uso abusivo de rem\u00e9dios, o turfe norte-americano sofrer\u00e1 fortes san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas, pergunto eu: que san\u00e7\u00f5es seriam essas entendidas como puni\u00e7\u00f5es? Eu mesmo respondo: pode at\u00e9 o turfe norte-americano ser desprestigiado com a perda da validade de suas provas grupadas. Em outras palavras, poderia o turfe de l\u00e1 perder a gradua\u00e7\u00e3o de suas mais importantes provas, todos os p\u00e1reos, indistintamente, seriam considerados, pela comunidade turf\u00edstica internacional, como provas comuns. Na pr\u00e1tica, se isso vier a ocorrer, o turfe americano, mesmo assim poder\u00e1 n\u00e3o mudar, continuar com os seus desfiles de drogados e continuando a sua rica atividade como um circo. Os norte-americanos n\u00e3o conhecem o verdadeiro turfe, n\u00e3o conhecem os regulamentos e pr\u00e1ticas internacionais, os seus treinadores, em esmagadora maioria, pouco ou nada sabem a n\u00e3o ser medicar, apertar o bot\u00e3o do cron\u00f4metro quando das semanais repetidas partidas e procurar participar com os seus animais de provas ditas milion\u00e1rias.<\/p>\n<p>A fixa\u00e7\u00e3o inicial \u00e9 ganhar prova de 1.200 metros, 6 furlongs, e depois intensificar a viol\u00eancia dos trabalhos, sempre ou quase sempre em menos de 1.000 metros. \u00c9 um desconhecimento quase total. S\u00f3 para ilustrar isso, bastaria lembrar que h\u00e1 hip\u00f3dromos nos Estados Unidos onde os corredores levam ferraduras com agarradeiras at\u00e9 nos anteriores. E eles ficam surpresos quando cavalos e \u00e9guas fraturam os anteriores at\u00e9 durante as corridas, e t\u00eam que ser sacrificados. \u00c9 um absurdo o desconhecimento da pr\u00e1tica turf\u00edstica. Mas o circo n\u00e3o pode parar, o dinheiro tem que circular e cada vez em maior volume, por isso eu n\u00e3o acredito que o rico circo v\u00e1 se modificar, acredito que v\u00e3o continuar praticando o que est\u00e3o acostumados e n\u00e3o v\u00e3o, na pr\u00e1tica, dar import\u00e2ncia aos ditames que norteiam o turfe mundial. Com ou sem validade internacional, as principais provas v\u00e3o continuar a ser grupadas, mesmo que s\u00f3 valendo para eles.<\/p>\n<p>Essas conjecturas na an\u00e1lise de fatos mostram um verdadeiro abismo, entre o del\u00edrio daqueles que promovem as corridas de cavalos nos Estados Unidos e a comunidade turf\u00edstica internacional. \u00c9 uma pena, um pa\u00eds t\u00e3o rico, maravilhoso, e com um turfe t\u00e3o desastrado.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os cavalos brasileiros seguem se firmando nas provas sul-americanas. Na verdade, al\u00e9m da inconteste melhoria conseguida pelos cavalos brasileiros, h\u00e1 o decl\u00ednio dos turfes uruguaio, argentino, chileno e peruano, que seguem as normas de permissibilidade de drogas para correr, seguindo a linha equivocada e, na contram\u00e3o, praticada pelos Estados Unidos. De um lado a qualidade e a sanidade, do outro o enfraquecimento que \u00e9 consequente do uso de drogas. Assim, fica ainda mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>S\u00f3 como um mero e despretensioso exemplo, decorrente do respeito \u00e0 qualidade e \u00e0 sanidade dos conceitos europeus, nos \u00faltimos anos garanh\u00f5es europeus vieram trabalhar em \u201cshuttle\u201d no Brasil. S\u00f3 para citar quatro, o irland\u00eas Sulamani, os alem\u00e3es Shirocco e Manduro e o irland\u00eas Roderic O\u2019Connor. Sulamani ficou no Brasil por duas temporadas e, al\u00e9m de ganhadores de importantes provas grupadas brasileiras, deu um ganhador do important\u00edssimo Pellegrini. Shirocco e Manduro, alem\u00e3es, ambos filhos de Monsun, eleito Chefe de Ra\u00e7a, t\u00eam caracter\u00edsticas diferentes, mas ambos no mais alto n\u00edvel internacional. Shirocco era especialista em 2.400 metros, e o eventual aumento da dist\u00e2ncia ainda mais o favorecia. Foi considerado o melhor cavalo do mundo em um ano. O irm\u00e3o Manduro tinha ainda mais qualidades, era mais vers\u00e1til, melhor, \u00f3timo na milha para cima at\u00e9 2.400 e, tamb\u00e9m, foi eleito o melhor do mundo em outro ano. Tinham temperamentos diferentes, Shirocco era muito manso e de uma beleza fora do comum; Manduro era genioso, menos tranquilo, mas de um poderio locomotor impressionante.<\/p>\n<p>Em 2012 veio tamb\u00e9m em \u201cshuttle\u201d, o irland\u00eas Roderic O\u2019Connor, o primeiro macho filho daquele que \u00e9 considerado o melhor garanh\u00e3o do mundo nos tempos moderno, o irland\u00eas Galileo. Por falar em Roderic O\u2019Connor, que poder\u00e1 voltar em \u201cshuttle\u201d para o Brasil em 2013, apresento como resultado de sua atividade em 2012 n\u00fameros compat\u00edveis com a sua qualidade e sanidade. Recebeu mais de 100 \u00e9guas, com um \u00edndice de prenhes de 87,2%. Muitas \u00e9guas, alto \u00edndice de aproveitamento. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m, s\u00f3 para se falar de garanh\u00f5es importados mais recentemente, dois sediados definitivamente no Estado do Paran\u00e1. Um deles \u00e9 o japon\u00eas Agnes Gold, que logo em seu inicio no haras produziu animais de especial qualidade, e de um modo geral todos os filhos bons corredores. O outro \u00e9 o irland\u00eas Silent Times, importado atrav\u00e9s do expert Samir Abujamra. A primeira gera\u00e7\u00e3o desse irland\u00eas est\u00e1 por estrear, muitos puxam pelo tipo pujante de pai.<\/p>\n<p>Os criadores brasileiros, naturalmente, os mais sabidos e inteligentes, entendem que \u00e9 mais seguro e normal abastecerem-se de sangues nobres veiculados por corredores europeus que mostraram pelo menos uma ponta de classe, do que comprar baga\u00e7o, sucata norte-americana s\u00f3 porque \u00e9 barato. Isso \u00e9 claro, na impossibilidade de trazer cavalos de real qualidade e n\u00e3o dependentes de drogas.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, os fatos t\u00eam mostrado que o caminho para o sucesso no Brasil passa pela Irlanda, pela Alemanha e mais recentemente, pelo Jap\u00e3o. O bom neg\u00f3cio \u00e9 procurar o bom, o sadio e saud\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A import\u00e2ncia dos \u201cshuttles\u201d fica cada vez mais marcante, com a frequ\u00eancia de vit\u00f3rias no pa\u00eds e no exterior de filhos desses garanh\u00f5es de padr\u00e3o internacional que, anualmente, veem ao Brasil para injetar qualidade e padr\u00e3o. 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