

{"id":25346,"date":"2013-01-02T11:08:00","date_gmt":"2013-01-02T13:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jcb.com.br\/?p=25346"},"modified":"2013-01-01T12:49:16","modified_gmt":"2013-01-01T14:49:16","slug":"io-ao-aulo-dezembro-de-2012-por-ilton-odi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/25346\/io-ao-aulo-dezembro-de-2012-por-ilton-odi\/","title":{"rendered":"Rio &#8211; S\u00e3o Paulo, dezembro de 2012, por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p>Durante muitos anos os turfistas e os profissionais, quer dizer, os propriet\u00e1rios e os treinadores do Jockey Club Brasileiro, s\u00f3 tomavam conhecimento da \u00edntegra do calend\u00e1rio cl\u00e1ssico no in\u00edcio do ano seguinte. Com cerca de dois meses de atraso. O trabalho que, obrigatoriamente, deve vir a p\u00fablico em meados de novembro, s\u00f3 depois do meio de fevereiro \u00e9 que se tomava conhecimento, e em doses homeop\u00e1ticas eram publicados na revistinha do Jockey Club Brasileiro os p\u00e1reos de janeiro e inicio de fevereiro. Esse desservi\u00e7o era praticado por um handicapeur desmerecedor de confian\u00e7a, que preparava um calend\u00e1rio tradicional, quase obsoleto, sem inventiva e\/ou modernidades, tudo dentro de um esquema quase secreto. Os tempos custaram, mas mudaram e ap\u00f3s 1992 o calend\u00e1rio do Jockey Club Brasileiro, j\u00e1 em m\u00e3os de um expert, Marcos Ribas, passou \u00e0 modernidade, mas sem desprezar as boas tradi\u00e7\u00f5es. Desde ent\u00e3o, cada ano e dentro do prazo, os propriet\u00e1rios, os treinadores e os turfistas de um modo geral, ficam a par do que lhes \u00e9 oferecido.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, a n\u00e3o ser recentemente com a elei\u00e7\u00e3o da atual Diretoria, foi mantido um clima tradicional, mas sempre com as publica\u00e7\u00f5es nos devidos prazos, sob o comando do saudoso Thomas Teixeira de Assump\u00e7\u00e3o J\u00fanior, o \u201cSeu\u201d Thomazinho e do seu fiel disc\u00edpulo e seguidor Arthur Francisco. A essas duas importantes figuras do turfe paulista deve-se um longo e competente trabalho. Com a elei\u00e7\u00e3o da atual Diretoria do Jockey Club de S\u00e3o Paulo, influ\u00eancias de recentes novos enfoques da atividade vindo da Europa, foram cautelosamente sendo inseridos no Calend\u00e1rio Cl\u00e1ssico paulista, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Luiz Polacow, o nome adequado para a Presid\u00eancia da Comiss\u00e3o de Corridas. Modernidades foram introduzidas, al\u00e9m de serem levadas em considera\u00e7\u00e3o os calend\u00e1rios m\u00fatuos, o do Rio e o de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Como os dois Clubes s\u00e3o distintos, de culturas turf\u00edsticas diferentes, sem que fossem violentadas as individualidades, e dentro do escopo da maior harmonia poss\u00edvel dos dois calend\u00e1rios, melhoraram as chances de aproveitamento das inscri\u00e7\u00f5es dos cariocas e dos paulistas. Cada calend\u00e1rio suprindo eventuais espa\u00e7os t\u00e9cnicos um do outro.<\/p>\n<p>S\u00f3 como simples exemplos, de dois Clubes diferentes, mas que mant\u00eam as suas individualidades em clima da maior conc\u00f3rdia, pode-se citar: A) Raias de Grama \u2013 B) Agarradeiras \u2013 C) Ferrageamento \u2013 D) Descargas nos pesos das joquetas.<\/p>\n<p>No item\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\">Raias de Grama<\/span>, o Rio contratou o t\u00e9cnico Paulo Nania, que ap\u00f3s reconstruir a respectiva pista da G\u00e1vea, em trabalho que impediu a utiliza\u00e7\u00e3o por cerca de 10 meses, implantou um sistema de irriga\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas e a coloca\u00e7\u00e3o de cerca m\u00f3vel que varia a cada semana, indo de zero metro a 3, 6, 9, e 12 metros, com isso mantendo o piso em ordem, e com uma tabela de altera\u00e7\u00e3o da raia de grama para a de areia levando em considera\u00e7\u00e3o \u00e0s turmas. O \u00f3timo resultado na G\u00e1vea tamb\u00e9m agradou S\u00e3o Paulo, que tem clima diferente, muito mais chuvoso e com um piso ruim e irregular. Paulo Nania foi contratado e a raia de grama de Cidade Jardim passou de ruim a boa, seguindo instru\u00e7\u00f5es do bom t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>No tocante \u00e0s\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\">Agarradeiras<\/span>, os dois Clubes t\u00eam a mesa orienta\u00e7\u00e3o, s\u00e3o proibidas.<\/p>\n<p>Quanto ao\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\">Ferrageamento<\/span>, no Rio h\u00e1 duas op\u00e7\u00f5es, ferraduras de alumino nas 4 ou desferrados. Como a raia de grama \u00e9 bem cuidada, de um modo geral o seu estado \u00e9 macio, n\u00e3o maltratando os cascos dos animais. Em S\u00e3o Paulo s\u00e3o usadas ferraduras de alum\u00ednio nas 4 e ferraduras de alum\u00ednio nos anteriores e filetes de ferro nos posteriores, sendo proibido correr desferrado. H\u00e1 muitos anos, o filete de ferro foi introduzido em S\u00e3o Paulo, porque, \u00e0 \u00e9poca, e segundo os profissionais, o material do alum\u00ednio usado na confec\u00e7\u00e3o das ferraduras era fraco, pouco consistente, ficava deformada ou mesmo quebrava. Da\u00ed o filete de ferro nos posteriores foi introduzido.<\/p>\n<p>No Rio, as ferraduras de alum\u00ednio e tamb\u00e9m as de ferro, eram fabricadas por Luiz Quintanilha, o \u201cSeu\u201d Lul\u00fa, e eram \u00f3timas. Quanto \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de correrem animais desferrados, em S\u00e3o Paulo, ela \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 palavra dos veterin\u00e1rios, que dizem, de consequentes dores e les\u00f5es provocadas pela falta de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto aos\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\">Pesos de Descargas<\/span>\u00a0nos animais montados pelas joquetas a t\u00edtulo meramente promocional e nada t\u00e9cnico, ficaram institu\u00eddos 2kg desde a 4\u00aa categoria de aprendiz at\u00e9 inclusive, a matr\u00edcula de joqueta. Rio e S\u00e3o Paulo acordaram essa pr\u00e1tica. No Rio, com o correr do tempo essa promo\u00e7\u00e3o mostrou-se ruim, pois, como mero exemplo, uma joqueta de 4\u00aa categoria levava 6kg de vantagem, quando dentro de cada turma entende-se, fundamentalmente um pelo menos, aparente equil\u00edbrio de for\u00e7as e na pr\u00e1tica chegou-se ao absurdo da joqueta, com a enorme e injusta vantagem, atingir ainda como aprendiz a liderar a estat\u00edstica, refletindo o desequil\u00edbrio da enorme vantagem. O Rio resolveu minimizar o problema. Poderia at\u00e9 ter mantido 1kg e s\u00f3 j\u00e1 como joquetas, mas acabou estendendo o 1kg desde as aprendizes de 4\u00aa categoria, aceitando no caso uma vantagem de 5kg. Mas foi o que ficou decidido, no Rio, independentemente do seu momento profissional, as mulheres levam 1kg como aprendizes, de acordo com as suas categorias, e tamb\u00e9m como joquetas. S\u00e3o Paulo n\u00e3o concordou, e manteve indiscriminadamente os 2kg. S\u00e3o Paulo tem hoje a metade das joquetas do Brasil, cerca de 5 em 10. Essa maior atra\u00e7\u00e3o para as mulheres-joqu\u00e9is pode at\u00e9 carrear maior interesse para as meninas que desejem ingressar na Escola e seguir a profiss\u00e3o, \u00e9 uma promo\u00e7\u00e3o de certo vulto, mas tecnicamente \u00e9 um exagero.<\/p>\n<p>Esses quatro exemplos mostram que o Jockey Club Brasileiro e o Jockey Club de S\u00e3o Paulo s\u00e3o irm\u00e3os, t\u00eam os mesmos objetivos, amigavelmente procuram se entrosar, mas s\u00e3o independentes, s\u00e3o diferentes, t\u00eam ideias e pr\u00e1ticas pr\u00f3prias. S\u00e3o culturas turf\u00edsticas diferentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante muitos anos os turfistas e os profissionais, quer dizer, os propriet\u00e1rios e os treinadores do Jockey Club Brasileiro, s\u00f3 tomavam conhecimento da \u00edntegra do calend\u00e1rio cl\u00e1ssico no in\u00edcio do ano seguinte. Com cerca de dois meses de atraso. 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