

{"id":24949,"date":"2012-12-26T11:18:43","date_gmt":"2012-12-26T13:18:43","guid":{"rendered":"http:\/\/jcb.com.br\/?p=24949"},"modified":"2012-12-25T20:55:32","modified_gmt":"2012-12-25T22:55:32","slug":"ellegrini-2012-por-ilton-odi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/24949\/ellegrini-2012-por-ilton-odi\/","title":{"rendered":"Pellegrini 2012, por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p>No s\u00e1bado dia 15 de dezembro de 2012, realizou-se no lindo Hip\u00f3dromo de San Isidro, em Buenos Aires, a mais prestigiada prova turf\u00edstica sul-americana, o tradicional Gran Premio Carlos Pellegrini. No dia, as tr\u00eas provas internacionais que precederam a mais importante, os tamb\u00e9m internacionais 1.000 e 1.600 metros para machos e f\u00eameas, e os 2.000 metros s\u00f3 para \u00e9guas, n\u00e3o traduziram resultados animadores para o turfe brasileiro. Especialistas em provas de velocidade, com a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o utilizando-se, em larga escala, de animais norte-americanos emprenhados pelo del\u00edrio da precocidade e rapidez inicial, com programa\u00e7\u00f5es habituais quase que s\u00f3 em provas abaixo da milha, com a fixa\u00e7\u00e3o em tempos recordes, manifestada pela coloca\u00e7\u00e3o do partidor 20 metros antes do marco zero da dist\u00e2ncia, a fim de que os corredores j\u00e1 passem em movimentos acelerados pelo verdadeiro inicio do p\u00e1reo e com isso apresentando tempos que, conforme a dist\u00e2ncia chega a mais de um segundo e, al\u00e9m de tudo, com a permissibilidade absurda na ministra\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios. A n\u00e3o ser que um competidor estrangeiro seja um verdadeiro fora de s\u00e9rie, os animais argentinos dominam.<\/p>\n<p>Assim, o dom\u00ednio da velocidade se estende at\u00e9 as boas provas at\u00e9 2.000 metros, mas da\u00ed por diante, vem \u00e0 realidade, campe\u00f5es argentinos como Atlas, Arturo A, Tatan, Yatasto e Mangang\u00e1, entre muitos que fizeram lendas e que, na reprodu\u00e7\u00e3o simplesmente sumiram, muitos se mostraram at\u00e9 inf\u00e9rteis em consequ\u00eancia do absurdo abuso de fortes medica\u00e7\u00f5es, levaram tudo isso a um presente argentino triste. Para que volte a pujan\u00e7a do turfe argentino devem se passar muitos anos, pois \u00e9 necess\u00e1ria a liberta\u00e7\u00e3o das drogas, da influ\u00eancia do rico circo turf\u00edstico norte-americano, a melhoria da cultura dos profissionais que em sua quase totalidade s\u00f3 sabem treinar dando rem\u00e9dios e obrigando seus cavalos a fazerem fortes partidas sob a vigil\u00e2ncia de cron\u00f4metros e, ainda, uma curiosidade, qual seja, os j\u00f3queis de reais alta qualidade e destaque no turfe argentino s\u00e3o estrangeiros, vide o uruguaio Irineo Leguisamo, o tamb\u00e9m uruguaio Pablo Falero e o campeon\u00edssimo brasileiro Jorge Ricardo. N\u00e3o estou dizendo que n\u00e3o haja bons j\u00f3queis argentinos, mas dentre os bons, os realmente melhores, os destaques s\u00e3o os estrangeiros.<\/p>\n<p>Mas voltando \u00e0 tarde no Pellegrini, o destaque local era um bom potro de 3 anos, que naturalmente foi o favorito. Mas mostrando na pr\u00e1tica um respeito aos cavalos brasileiros, o que era incomum h\u00e1 anos atr\u00e1s, o segundo na prefer\u00eancia das apostas foi uma parelha brasileira, formada por D\u00eddimo, com o excelente Antonio Correa da Silva (A.C. Silva) e Kar\u00e1 de Birigui, que ia com um dos melhores j\u00f3queis da nova gera\u00e7\u00e3o brasileira, Francisco Leandro (F. Leandro). Havia, ainda, outra parelha brasileira formada por Going Somewhere, com o veterano j\u00f3quei Nelito Cunha, e Gober, com Nelson Alexandre dos Santos (N.A. Santos).<\/p>\n<p>A tabela de pesos do turfe argentino \u00e9 muito antiga, em muito favorecendo os potros de 3 anos, que levam 54kg, ou de 4 anos com 6kg mais, 60 kg, e os de 5\u00a0\u00a0e mais anos com ainda mais 1kg, isto \u00e9, 61kg. A enorme e injusta vantagem a favor dos 3 anos, 6kg para os de 4 anos e 7kg para os de 5 e mais anos, tem atrav\u00e9s dos anos, em muito influenciado os resultados. No entendimento geral, mesmo dando boa vantagem de peso, D\u00eddimo era o melhor brasileiro.<\/p>\n<p>No p\u00e1reo, o que se viu foi Kar\u00e1 de Birigui assumir a lideran\u00e7a e, com aparente facilidade, livrar cerca de 5 corpos na frente, onde comandou o lote em toda a maravilhosa reta oposta de cerca de 1.200 metros (com o prolongamento, foram 2.400 metros com uma s\u00f3 curva, um espet\u00e1culo). Enquanto isso, D\u00eddimo e Going Somewhere ficavam por volta do 6\u00ba e 8\u00ba lugares, muito bem posicionados. Na reta, Kar\u00e1 de Birigui, que j\u00e1 entrara na curva mostrando uma ponta de cansa\u00e7o, sumiu, e apresentaram-me muitos pretendentes \u00e0 vit\u00f3ria. O favorito argentino apresentou-se com autoridade e parecia que iria vencer, mas aproveitando-se de um caminho milagroso e providencial que apareceu perto da cerca interna, o que foi muito bem aproveitado pelo experiente Nelito Cunha, Going Somewhere emparelhou por dentro e livrou pequena vantagem. Foi quando apareceu atropelando por fora D\u00eddimo, em magistral joqueada de A.C. Silva, que fora poupado ao m\u00e1ximo poss\u00edvel no percurso, para um violento arremate. Mas D\u00eddimo n\u00e3o seguiu no seu impetuoso ritmo, descontou e encostou, mas n\u00e3o passou. O p\u00e1reo terminou com uma brilhant\u00edssima vit\u00f3ria do potro brasileiro Going Somewhere, com 56kg (N. Cunha n\u00e3o fez os 54 permitidos), com o potro argentino com 54kg a pesco\u00e7o em 2\u00ba, e D\u00eddimo com 60kg em \u00f3timo 3\u00ba distante um corpo ou um corpo e meio.<\/p>\n<p>Corridas s\u00e3o corridas, e o resultado \u00e9 a ordem em que os competidores passam pelo disco. Honra ao m\u00e9rito de Going Somewhere. Mas a injusta tabela de pesos, antiga e j\u00e1 de em muitas oportunidades favorecendo muito os mais novos, j\u00e1 est\u00e1 sendo alterada no mundo do turfe civilizado. Entre outros, o Jap\u00e3o, a Irlanda e a Fran\u00e7a j\u00e1 encurtaram bastante a diferen\u00e7a de pesos entres os 3 anos e os de 4 e mais, n\u00e3o havendo diferen\u00e7a entre os de 4 anos e mais idades. \u00c9 o reconhecimento mundial de que os potros de 3 anos de hoje s\u00e3o muito mais precoces e maduros do que antigamente, e que n\u00e3o h\u00e1 mais sentido os de 4 anos levarem vantagem dos de 5 e mais anos. Essa modernidade j\u00e1 est\u00e1 em pr\u00e1tica nos turfes mais civilizados, e o Jockey Club Brasileiro j\u00e1 tomou provid\u00eancias nesse sentido a partir de janeiro de 2013. Ao que se saiba, o Jockey Club de S\u00e3o Paulo entendeu de n\u00e3o mudar, pelo menos por enquanto. E, quanto aos outros pa\u00edses sul-americanos, certamente v\u00e3o como de praxe aguardar a palavra do turfe argentino, que nesse tipo de detalhes, \u00e9 ainda mais devagar.<\/p>\n<p>O que importa para n\u00f3s \u00e9 mais uma vit\u00f3ria (a sexta da Cria\u00e7\u00e3o Brasileira) no Pellegrini, com tamb\u00e9m um \u00f3timo 3\u00ba. O ganhador Going Somewhere \u00e9 um potro paulista de 3 anos, de cria\u00e7\u00e3o e propriedade do Haras Phillipson, em Americana. Perdeu em 4 apresenta\u00e7\u00f5es antes de alcan\u00e7ar a sua primeira vit\u00f3ria, o que se explica pelo seu pedigree, um filho de Sulamani em filha de Special Nash. Sulamani foi um fundista com importantes vit\u00f3rias, em tr\u00eas pa\u00edses diferentes, e costuma imprimir a sua qualidade de apreciador das dist\u00e2ncias maiores. Going Somewhere ganhou duas corridas, uma em 2.400 e outra em 3.000 metros. A sua segunda vit\u00f3ria n\u00e3o lhe deu melhores cr\u00e9ditos, pois a turma n\u00e3o era forte e o tempo da prova apenas razo\u00e1vel. Mas no Pellegrini mostrou-se bom, valente e lutador.<\/p>\n<p>Mais uma vez, confirma-se a melhor diretriz do turfe brasileiro, ante aos demais pa\u00edses sul-americanos. Enquanto os nossos vizinhos n\u00e3o se adequarem \u00e0 realidade mundial, isto \u00e9, dizerem N\u00c3O \u00e0s drogas e melhorarem a mal\u00e9fica cultura dos 6 furlongs, isto \u00e9, pautarem suas pr\u00e1ticas pela cultura europeia em lugar das influ\u00eancias do rico circo turf\u00edstico norte-americano. Enquanto isso permanecer, o turfe brasileiro vai continuar a encontrar facilidades.<\/p>\n<p>S\u00f3 para finalizar no tocante \u00e0s tabelas atuais de pesos, no mesmo dia do Pellegrini, foi corrido em Cidade Jardim o Grande Pr\u00eamio Consola\u00e7\u00e3o, em 3.000 metros, para produtos de 3 e mais anos. Os tr\u00eas primeiros foram potros de 3 anos, os tr\u00eas com 51kg.\u00a0\u00a0Ser\u00e3o necess\u00e1rios ainda, mais exemplos e explica\u00e7\u00f5es?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No s\u00e1bado dia 15 de dezembro de 2012, realizou-se no lindo Hip\u00f3dromo de San Isidro, em Buenos Aires, a mais prestigiada prova turf\u00edstica sul-americana, o tradicional Gran Premio Carlos Pellegrini. 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