

{"id":24620,"date":"2012-12-19T14:24:52","date_gmt":"2012-12-19T16:24:52","guid":{"rendered":"http:\/\/jcb.com.br\/?p=24620"},"modified":"2012-12-19T11:53:32","modified_gmt":"2012-12-19T13:53:32","slug":"etalhes-e-recordacoes-por-ilton-odi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/24620\/etalhes-e-recordacoes-por-ilton-odi\/","title":{"rendered":"Detalhes e recorda\u00e7\u00f5es, por Milton Lodi"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"text-decoration: underline;\">DETALHES E RECORDA\u00c7\u00d5ES<\/span><\/p>\n<p align=\"right\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em>Milton Lodi<\/em><\/span><\/p>\n<p>Como em tudo nessa vida, o sucesso tamb\u00e9m tem que ter uma dose de sorte. Na verdade, sorte parece procurar os vencedores, aqueles que n\u00e3o fazem somente por fazer, mas que procuram com intelig\u00eancia, esfor\u00e7o e trabalho qualificado o melhor poss\u00edvel resultado. A corrida de cavalos \u00e9 uma competi\u00e7\u00e3o muito complexa e qualificada, depende de m\u00faltiplos fatores, e para o melhor vencer ele tem que exibir a sua superioridade. Isso pode ser exemplificado de modo simples. Um cavalo melhor, digamos como exemplo, um segundo melhor que a turma que vai enfrentar n\u00e3o pode correr menos do seu habitual, tem que estar preparado para correr do que pode e marcar um tempo melhor que os dos advers\u00e1rios. Se correr apenas acompanhando o ritmo da turma, \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o v\u00e1 conseguir marcar o seu tempo melhor, e sujeitar-se a uma derrota para animais que lhe s\u00e3o inferiores. O melhor tem que mandar, tem que obrigar um ritmo de corrida compat\u00edvel com o seu potencial. Se vai s\u00f3 acompanhar o ritmo dos outros, arrisca-se a perder. N\u00e3o \u00e9 correr na frente de qualquer maneira, \u00e9 obrigar aos seus competidores a participar de um desgaste ao qual o melhor resiste e os outros percam as energias.<\/p>\n<p>Esse exemplo me faz lembrar o caso de um potro meu, tido como um corredor de alta categoria, que ia estrear em Cidade Jardim. Na v\u00e9spera, fui jantar no Haras Bela Esperan\u00e7a com o meu amigo e criador em\u00e9rito Jos\u00e9 Paulino Nogueira. Eu disse a ele que o meu potro era muito bom, que logo em sua corrida de estreia ia ter que enfrentar um potro que havia batido o recorde dos 1.300 no \u00faltimo trabalho preparat\u00f3rio. O Dr. Paulino me perguntou como eu ia instruir o j\u00f3quei, e eu respondi que a ideia era de mandar acompanhar o ponteiro, que certamente seria o recordista que iria tentar imprimir um ritmo forte demais para os competidores, e na reta acelerar ao m\u00e1ximo. A observa\u00e7\u00e3o do Mestre veio em seguida, se eu achava que o meu cavalo era de alt\u00edssimo padr\u00e3o, era ele que tinha que impor o ritmo, o tal recordista e os outros que procurassem ganhar do meu e, se ele perdesse, eu desde logo saberia que ele n\u00e3o era t\u00e3o bom como eu imaginava. E, arrematou, dizendo que n\u00e3o era correr em 1\u00ba, em 5\u00ba ou em \u00faltimo, o melhor tinha que ditar um ritmo que lhe fosse conveniente e inconveniente para os outros. No dia seguinte, conversei com o j\u00f3quei internacional Antonio Bolino, que preferencialmente montou meus cavalos por 35 anos, e pedi que ele n\u00e3o permitisse que outro potro ditasse a corrida, que ele mandasse na corrida e sempre cuidando do recordista. A corrida foi maravilhosa, o recordista favorito tentou tomar a ponta para imprimir um ritmo que lhe seria conveniente, mas j\u00e1 encontrou o meu cavalo na lideran\u00e7a. O favorito insistiu, mas o Bolino manteve sempre, sob controle, uma vantagem menor que um pesco\u00e7o. Assim, destacados dos outros, eles foram at\u00e9 o meio da reta, e ao mesmo em tempo que o recordista retrocedia, o meu potro recebeu convite para aumentar a velocidade, e apenas na qualidade, sem o uso de chicote ou quaisquer outros incentivos, disparou para o disco de forma acachapante, espetacular. \u00c0 noite, voltei ao Haras Bela Esperan\u00e7a, onde fui recebido pelo Mestre Paulino Nogueira com uma ta\u00e7a de champagne. Aprendi essa li\u00e7\u00e3o, o melhor tem que ditar as regras, tem que mandar na corrida, os outros t\u00eam que se sujeitar ao melhor.<\/p>\n<p>Cerca de um m\u00eas depois, o potro foi correr pela segunda vez. \u00c0 \u00e9poca n\u00e3o havia partidor, os cavalos se alinhavam junto a uma fita, a um conjunto de tiras el\u00e1sticas, que eram al\u00e7adas pelo starter ao grito da largada. Eram muitos potros, talvez uns 15, e o meu estava no meio do pelot\u00e3o, enquanto que por fora um filho de Coaraze, conhecido pelo seu mau g\u00eanio, fazia estripulias e n\u00e3o dava chance ao starter. A partida demorou, os potros estavam irrequietos, menos o meu, que calmamente aguardava o sinal de partida. Para que ele n\u00e3o ficasse parado, estaqueado, o j\u00f3quei que substitu\u00eda o Bolino, que por um motivo que n\u00e3o me lembro n\u00e3o podia montar, o ent\u00e3o j\u00f3quei Selmar Lobo, puxou o potro para tr\u00e1s e deu uma volta completa para novamente ficar na sua posi\u00e7\u00e3o de largada. O Lobo fez muito bem, era o que tinha que ser feito. Mas o starter Joacyr Porto, s\u00f3cio do Jockey Club de S\u00e3o Paulo, e o melhor starter brasileiro da \u00e9poca, estava de olho no tal potro bravo que era, o \u00faltimo por fora, e quando ele deu um momento de chance, foi dada a partida e o meu potro estava de costas para a fita. Eu estava assistindo o p\u00e1reo da Tribuna dos Profissionais ao lado do Bolino, e disse a ele que hav\u00edamos perdido. O Bolino de pronto me disse que o nosso potro podia dar aquela vantagem e at\u00e9 mais, o potro ia ganhar, ele era muito melhor que os outros. Na entrada da curva, a diferen\u00e7a para o pen\u00faltimo de cerca de 6 corpos n\u00e3o mais existia, e o potro meteu-se no bolo. Na entrada da reta ele j\u00e1 apareceu entre os da frente, no meio da reta tomou a ponta pelo meio da pista, e no disco tinha uns 4 corpos de vantagem. Aquele potro certamente iria me dar a tr\u00edplice-coroa. Mas n\u00e3o foi esse o entendimento dos deuses do turfe. Trabalhando em preparativos, ele inexplicavelmente rodou, virou de ponta cabe\u00e7a, fraturou um sezam\u00f3ideo, e foi para a reprodu\u00e7\u00e3o. Perdi um excepcional corredor, ganhei um garanh\u00e3o que chegou a ganhar uma estat\u00edstica.<\/p>\n<p>Um dia eu perguntei ao Bolino quem ele montaria em um p\u00e1reo em 2.400 metros em que corressem Gourmet (G.P.Brasil), Moustache (G.P.S\u00e3o Paulo), Negroni (G.P. Paran\u00e1 e G.P. Bento Gon\u00e7alves) e o tal cavalo, todos com o mesmo peso. A resposta veio de imediato, ele montaria aquele ganhador de dois p\u00e1reos comuns. Perguntei, ainda, se os outros levassem 4kg de vantagem, e ele respondeu que continuaria com o tal cavalo. Perguntei ent\u00e3o se a diferen\u00e7a dele para aos outros tr\u00eas fosse n\u00e3o de 4 mas de 8kg. A resposta veio serena, nesse caso ele iria pensar, mas achava que, talvez, continuaria com a mesma montaria.<\/p>\n<p>O Haras Ipiranga criou mais de 1.300 potros e potrancas nos seus cerca de 65 anos de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Kurrupako foi o melhor de todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DETALHES E RECORDA\u00c7\u00d5ES Milton Lodi Como em tudo nessa vida, o sucesso tamb\u00e9m tem que ter uma dose de sorte. Na verdade, sorte parece procurar os vencedores, aqueles que n\u00e3o fazem somente por fazer, mas que procuram com intelig\u00eancia, esfor\u00e7o e trabalho qualificado o melhor poss\u00edvel resultado. A corrida de cavalos \u00e9 uma competi\u00e7\u00e3o muito [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":21369,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-24620","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24620"}],"collection":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24620"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24620\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21369"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24620"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24620"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24620"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}