

{"id":184209,"date":"2019-04-17T16:01:51","date_gmt":"2019-04-17T19:01:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jcb.com.br\/home\/?p=184209"},"modified":"2019-04-17T16:01:54","modified_gmt":"2019-04-17T19:01:54","slug":"curiosidades-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/184209\/curiosidades-milton-lodi\/","title":{"rendered":"CURIOSIDADES\u00a0(Milton Lodi)"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"font-size: 14pt;\">CURIOSIDADES\u00a0<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 14pt;\">(Milton Lodi)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Muita coisa curiosa acontece no dia a dia do turfe, na cria\u00e7\u00e3o e nas corridas. Os cavalos s\u00e3o seres vivos, n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1quinas, e h\u00e1 momentos melhores e piores, e como os cavalos n\u00e3o falam, compete aos homens tentar interpret\u00e1-los. E, \u00e9 ai que vem o problema, pois a natural vaidade dos criadores e dos propriet\u00e1rios e as interpreta\u00e7\u00f5es nem sempre corretas dos profissionais resultam em um aproveitamento n\u00e3o \u00f3timo. Mas isso n\u00e3o impede casos interessantes e curiosos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2019\/04\/Mani.png\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"240\" \/><\/span><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Uma tarde, nas corridas de Cidade Jardim, eu conversava com o excelente j\u00f3quei Eduardo Le Mener Filho, que \u00e0 \u00e9poca trabalhava e montava os animais treinados por M\u00e1rio de Almeida, do Mondesir, de propriedade do Dr. Peixoto. \u00c0 \u00e9poca, o melhor produto da nova gera\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo era <strong>Mani-foto<\/strong>, um castanho forte e bonito filho de Waldmeister e Urg\u00eancia. Foi quando o Le Mener me contou que na primeira fase de galopes ele estava terminando de dar uma volta devagar com um castanho moleir\u00e3o, manso, que se mexia como um candidato \u00e0 matunguise, quando quase parando o moleir\u00e3o caiu com ele. Nada havia acontecido que justificasse a queda, que n\u00e3o teve conseq\u00fc\u00eancias, o cavalo havia ca\u00eddo de bobo, de manso. Na volta ao padoque, o j\u00f3quei disse ao treinador que aquele potro n\u00e3o tinha futuro, era ruim, moleir\u00e3o, n\u00e3o tinha vontade. Foi quando o experiente M\u00e1rio de Almeida lhe disse que aquele seria o melhor potro da gera\u00e7\u00e3o, certamente um bom ganhador cl\u00e1ssico. E os fatos, posteriormente, confirmaram a opini\u00e3o do treinador.<\/span><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0 \u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/sqsmogq-ZKo\" width=\"560\" height=\"314\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe>Na semana seguinte, nas corridas na G\u00e1vea, disse ao Dr. Peixoto o que o Le Mener me contara, com satisfa\u00e7\u00e3o confessando que estivera errado e que <strong>Mani<\/strong> era um verdadeiro campe\u00e3o. O Dr. Peixoto me disse ent\u00e3o que ele n\u00e3o soubera desse detalhe, mas tinha certeza que o M\u00e1rio de Almeida n\u00e3o ia errar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Por volta de 1950, o meu pai foi ao Haras Bela Esperan\u00e7a, do genial Jos\u00e9 Paulino Nogueira, para comprar potros. Naquela \u00e9poca, o transporte era feito em trens, j\u00e1 que as estradas eram ruins e n\u00e3o apresentavam seguran\u00e7a. Ap\u00f3s escolher cinco potros, o Dr. Paulino observou que no vag\u00e3o do trem havia acomoda\u00e7\u00e3o para seis, seria o caso do meu pai levar mais um. O meu pai concordou, mas insistiu para que o grande criador, que nunca indicava aos compradores o que eles deviam levar, as opini\u00f5es deveriam ser pessoais, ent\u00e3o houve a sugest\u00e3o para que fosse levado tamb\u00e9m o potro preto, franzino e o menos exuberante, um filho de Eboo e Etincelante, por British Empire. Eboo era um ingl\u00eas ou irland\u00eas de formid\u00e1vel pedigree internacional, s\u00f3 havia sido exportado porque tinha p\u00e9ssimo g\u00eanio. O pretinho logo se adiantou quando do in\u00edcio dos trabalhos, mostrou-se muito bom e foi o l\u00edder ou um deles de sua gera\u00e7\u00e3o na G\u00e1vea. Foi inscrito como prov\u00e1vel vencedor da primeira prova da tr\u00edplice-coroa carioca. E, foi justamente quando o mau g\u00eanio de Eboo se manifestou, por mais que o Rigoni insistisse, <strong>Morumbi<\/strong> se negava a entrar no partidor e teve que ser retirado. O p\u00e1reo foi vencido pelo \u00f3timo Quiproqu\u00f3, que veio a ser tr\u00edplice-coroado.<\/span><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0 \u00a0 Na semana seguinte, <strong>Morumbi<\/strong> vinha galopando em trabalho devagar quando, de repente, cravou e derrubou o galopador, pulou a cerca interna da raia pequena, seguiu correndo e se atirou no laginho do pe\u00e3o do prado. Foi muito dif\u00edcil tir\u00e1-lo de l\u00e1, teve que ser improvisada uma rampa com sacos de serragem. Cada vez mais irasc\u00edvel <strong>Morumbi<\/strong> teve que ser levado para ser re-domado e adestrado em um Clube H\u00edpico, ap\u00f3s quase um ano voltou \u00e0 G\u00e1vea, tendo at\u00e9 vencido um Grande Pr\u00eamio. Vendido para reprodu\u00e7\u00e3o, ele foi para o Haras S\u00e3o Bento, em Valinhos, perto de Campinas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um dia passei por l\u00e1 e resolvi entrar no Haras. O propriet\u00e1rio Antonio Luiz Ferraz n\u00e3o estava. Ent\u00e3o, pedi ao administrador que me mostrasse os filhos do <strong>Morumbi<\/strong>, que tinham por volta de 1 ano e meio. Ele me disse que era f\u00e1cil identific\u00e1-los, eram aqueles que ficavam dando peitadas nas portas. Um outro filho do Eboo tamb\u00e9m tinha g\u00eanio ruim. O \u00f3timo ganhador cl\u00e1ssico <strong>Zaluar<\/strong> s\u00f3 podia correr p\u00e1reos de menos de 2.000 metros, pois ao cruzar o disco de chegada ele parava, nada o demovia para continuar. <strong>Zaluar<\/strong> mostrou-se um \u00f3timo milheiro cl\u00e1ssico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2019\/04\/Oleander.jpg\" alt=\"\" width=\"365\" height=\"280\" \/>\u00a0 \u00a0 Uma das mais fant\u00e1sticas hist\u00f3rias que conhe\u00e7o no mundo do turfe ocorreu na Alemanha e na It\u00e1lia. Logo no in\u00edcio da segunda Grande Guerra, em 1939, o melhor garanh\u00e3o alem\u00e3o era <strong>Oleander<\/strong>, um filho de Prunus, que n\u00e3o podia cobrir a melhor \u00e9gua do seu haras pela consag\u00fcinidade. Ao mesmo tempo, ocorria o mesmo na It\u00e1lia o melhor garanh\u00e3o do pa\u00eds, <strong>Ortello<\/strong>, um filho de Teddy, n\u00e3o podia receber a melhor \u00e9gua do haras pelo mesmo motivo, consang\u00fcinidade. Entenderam, ent\u00e3o, os criadores de mandar a boa italiana para o alem\u00e3o <strong>Oleander<\/strong>, e a boa alem\u00e3 para o italiano <strong>Ortello<\/strong>. As duas \u00e9guas ficaram cheias e voltaram para os seus pa\u00edses. Em 1940 nasceram dois machos. Em 1943, o Derby Alem\u00e3o foi vencido pelo filho do Italiano <strong>Ortello<\/strong>, de nome <strong>Algull<\/strong>, e o Derby Italiano pelo filho do alem\u00e3o <strong>Oleander<\/strong>, chamado <strong>Orsenigo<\/strong>. Esse fato extraordin\u00e1rio teve \u00f3timo reflexo no Brasil, pois o Haras Guanabara trouxe em arrendamento, por dois anos, o campe\u00e3o <strong>Orsenigo<\/strong>, que deu dentre muitos outros bons, os especiais <strong>Escorial, Lohengrin e Emoci\u00f3n<\/strong>. Essa hist\u00f3ria eu considero fant\u00e1stica.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CURIOSIDADES\u00a0(Milton Lodi) Muita coisa curiosa acontece no dia a dia do turfe, na cria\u00e7\u00e3o e nas corridas. Os cavalos s\u00e3o seres vivos, n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1quinas, e h\u00e1 momentos melhores e piores, e como os cavalos n\u00e3o falam, compete aos homens tentar interpret\u00e1-los. 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