

{"id":160325,"date":"2018-09-08T12:02:18","date_gmt":"2018-09-08T15:02:18","guid":{"rendered":"\/home\/?p=160325"},"modified":"2018-09-08T19:28:00","modified_gmt":"2018-09-08T22:28:00","slug":"e-tudo-mudou-para-ser-como-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/especial\/160325\/e-tudo-mudou-para-ser-como-e\/","title":{"rendered":"E tudo mudou para ser como \u00e9&#8230;, por S\u00e9rgio Barcellos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<a href=\"\/home\/especial\/160325\/e-tudo-mudou-para-ser-como-e\/attachment\/marcel-boussac\/\" rel=\"attachment wp-att-160718\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-160718\" alt=\"Marcel Boussac\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/Marcel-Boussac.jpg\" width=\"500\" height=\"748\" srcset=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/Marcel-Boussac.jpg 500w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/Marcel-Boussac-100x150.jpg 100w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/Marcel-Boussac-201x300.jpg 201w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/Marcel-Boussac-138x206.jpg 138w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/Marcel-Boussac-250x374.jpg 250w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/b><\/span><span style=\"font-size: medium;\">\u201c<\/span><i style=\"font-size: medium;\">D\u00ea-me sangue e eu crio um craque na Place Vend\u00f4me<\/i><span style=\"font-size: medium;\">.\u201d \u00a0A frase \u00e9 atribu\u00edda pela cr\u00f4nica do turfe a Marcel Boussac (<em><strong>foto<\/strong><\/em>), o magnata da ind\u00fastria t\u00eaxtil francesa, considerado um dos cinco construtores do moderno puro sangue ingl\u00eas de corrida. Os outros quatro s\u00e3o Lord Derby, o Aga Khan, Arthur Hancock e, claro, Federico Tesio, o mago de Dormello-Olgiata. Como tamb\u00e9m cinco s\u00e3o as terras onde eles criavam, situadas na Fran\u00e7a, Inglaterra, Irlanda, EUA e It\u00e1lia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Cada um deles tinha um m\u00e9todo e uma vis\u00e3o particular do que fosse produzir bons cavalos de corrida em uma \u00e9poca em que a gen\u00e9tica ainda n\u00e3o tinha cristalizado conceitos fundamentais e chegado, como hoje, \u00e0 decodifica\u00e7\u00e3o do genoma do cavalo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Entretanto, isso n\u00e3o os impediu de ter sucesso. Embora naquele tempo criar significasse jogar xadrez com a natureza e o grande referencial sobre o que dava certo e o que n\u00e3o dava era emp\u00edrico, na base da tentativa e erro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Boussac e a frase sobre a pequena e n\u00e3o menos suntuosa pra\u00e7a de Paris, mais conhecida pela coluna central mandada erigir pelo imperador dos franceses com o bronze derretido dos canh\u00f5es russos e austr\u00edacos de Austerlitz, tem origem em sua cren\u00e7a pessoal sobre o \u201cinbreeding\u201d \u2013 a t\u00e9cnica de repetir cruzamentos sobre certos ascendentes de elite. Mesmo correndo o risco da exacerba\u00e7\u00e3o da consanguinidade que teoricamente pode dobrar os defeitos da prole, para ele, um teimoso autodidata, o importante n\u00e3o era isso: o importante era tentar dobrar as qualidades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Sua cria\u00e7\u00e3o, portanto, foi montada com a utiliza\u00e7\u00e3o, dir-se-ia exaustiva, de cruzamentos sobre seus quatro espl\u00eandidos reprodutores: Asterus, Tourbillon, Djebel e Pharis. E o resultado nas pistas revelou-se estrondoso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Os animais com o selo de Fresnay-le-Buffard levantaram 140 provas hoje consideradas de Grupo I, vencendo nada menos que 12 vezes o Derby franc\u00eas, cinco vezes o Prix de Diane, seis vezes o Prix do Arco do Triunfo e nove vezes o Grande Criterium dos dois anos de idade. Em 1950, seu ano de gl\u00f3ria, a farda laranja, bon\u00e9 cinza, liderou as estat\u00edsticas francesas e inglesas de propriet\u00e1rios, quando atravessou o Canal e ganhou o Derby de Epsom com Galcador, o Oaks ingl\u00eas com Asmena e o Oaks da Irlanda com Corejada. Um feito not\u00e1vel. Parecido com isso, s\u00f3 Tesio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Ao ponto de Boussac ter sido considerado como o inventor de \u201cuma nova ra\u00e7a dentro da ra\u00e7a.\u201d Formada, segundo Ren\u00e9 Romanet (pai de Louis Romanet), \u201cpor animais com uma apar\u00eancia singular de grande harmonia, dotados de um maravilhoso esp\u00edrito.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Quando faleceu, o estoque gen\u00e9tico assim acumulado foi comprado \u2013 em sua totalidade \u2013 pelo atual Aga Khan. Que, ali\u00e1s, fez o mesmo com o plantel de Madame Dupr\u00e9 e, mais recentemente, com aquele formado a partir das linhas maternas norte-americanas introduzidas na cria\u00e7\u00e3o francesa por Jean-Luc Lagard\u00e8re.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Ent\u00e3o, diante das novas descobertas da biologia molecular, do papel do DNA mitocondrial na forma\u00e7\u00e3o dos seres vivos, do melhor conhecimento do funcionamento dos genes, da descoberta do genoma do cavalo, e de tudo que hoje se sabe sobre a moderna gen\u00e9tica, fica a pergunta: o que mudou de l\u00e1 para c\u00e1 na cria\u00e7\u00e3o \u2013 e no treinamento \u2013 dessa coisa fascinante chamada cavalo de corrida? A seguir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><b>O que hoje se sabe<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Em uma tentativa corajosa de simplifica\u00e7\u00e3o, sabe-se hoje, pela ordem:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>(i)<span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Que em termos da ind\u00fastria internacional do puro sangue, a consanguinidade em torno de certas linhagens paternas \u00e9 uma realidade. Por outras palavras, fora delas e de um determinado n\u00famero de chefes de ra\u00e7a, a perspectiva de sucesso em alto n\u00edvel passa a ser duvidosa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>(ii)<span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Que o conhecimento das fam\u00edlias maternas, cuja cataloga\u00e7\u00e3o remonta aos prim\u00f3rdios da ra\u00e7a, \u00e9 fundamental. O que come\u00e7ou como um mero exerc\u00edcio estat\u00edstico em torno do percentual de ganhadores cl\u00e1ssicos de cada uma delas, ganhou consist\u00eancia com a descoberta do DNA mitocondrial pela gen\u00e9tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>(iii)<span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Que de 1\/3 \u00e0 metade da habilidade atl\u00e9tica de um cavalo de corridas \u00e9 gen\u00e9tica (leia-se, suas origens). O resto \u00e9 cria\u00e7\u00e3o e, quem diria, treinamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><b>Consanguinidade<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>N\u00e3o h\u00e1 nada de novo aqui. Ao contr\u00e1rio, a \u201cnovidade\u201d est\u00e1 na constata\u00e7\u00e3o de que, ao longo de quase tr\u00eas s\u00e9culos, certos sementais s\u00e3o dotados de prepot\u00eancia gen\u00e9tica e imp\u00f5em sua marca \u00e0s gera\u00e7\u00f5es subsequentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>No come\u00e7o, foi Eclipse (1764), fam\u00edlia materna 12, respons\u00e1vel pelo absurdo percentual de 85% dos grandes ganhadores de seu tempo. At\u00e9 mesmo o cavalo montado por Lord Wellington em Waterloo, escolhido a dedo por ele na batalha que mudou o destino da Europa, era descendente direto de Eclipse (neto).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Depois de Eclipse, foi a vez de St. Simon (1881), o grande chefe de ra\u00e7a do s\u00e9culo XIX, pai de not\u00e1veis potrancas como Memoir, Signorina, La Fl\u00e8che, Florizel, Amiable, La Roche, e de campe\u00f5es como Persimmon (Derby), St. Frusquin, Desmond, Diamond Jubilee (tr\u00edplice coroado ingl\u00eas, vendido para a Argentina), Rabelais (que est\u00e1 na origem de Ribot), Chaucer (av\u00f4-materno de Hyperion, Pharos e Fairway), entre outros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>No final do s\u00e9culo XIX, princ\u00edpio do s\u00e9culo XX, na Europa, St. Simon era tudo. E as famosas \u201ct\u00e1buas\u201d de cruzamentos de Vuilliers, assessor da cria\u00e7\u00e3o Aga Khan, se limitavam a identificar e mensurar quanto de sangue St. Simon havia em cada uma das possibilidades. Quanto mais, melhor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;..<a href=\"\/home\/especial\/160325\/e-tudo-mudou-para-ser-como-e\/attachment\/nearcopost04\/\" rel=\"attachment wp-att-160710\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-160710\" alt=\"nEARCOPOST04\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/nEARCOPOST04.jpg\" width=\"500\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/nEARCOPOST04.jpg 500w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/nEARCOPOST04-150x110.jpg 150w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/nEARCOPOST04-300x220.jpg 300w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/nEARCOPOST04-281x206.jpg 281w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/nEARCOPOST04-250x183.jpg 250w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>.<\/b><\/span>Ali\u00e1s, foi pensando nesse reprodutor de sonho que Federico Tesio resolveu, ele pr\u00f3prio, tentar criar um \u201cnovo St. Simon.\u201d E conseguiu, ao produzir o invicto e efervescente Nearco (1935) (<em><strong>foto<\/strong><\/em>), de conforma\u00e7\u00e3o considerada mais que perfeita, com um pedigree onde havia 16 cruzamentos sobre St. Simon. Nearco, a maravilha de Tesio, \u00e9 respons\u00e1vel por nada menos que 55% dos ganhadores cl\u00e1ssicos do s\u00e9culo XX em todo o mundo, \u00c1sia e Oceania inclusive.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Seus tr\u00eas grandes filhos na reprodu\u00e7\u00e3o, o irasc\u00edvel Nasrullah (vendido pelo Aga Khan aos americanos na alvorada da II Guerra Mundial) e os dois sprinters puros Royal Charger e Nearctic \u2013 cavalos de 1.200 metros \u2013 praticamente monopolizaram o turfe de seu tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>De Nasrullah veem: Grey Sovereign (donde Caro); Red God (donde Blushing Groom); Bold Ruler (donde Secretariat e Seattle Slew); e Never Bend (donde Mill Reef). De Royal Charger vem Turn To (donde Roberto, Hail To Reason e Halo). De Nearctic vem um certo Northern Dancer (1961), o pequeno gigante canadense que iria repetir a prepot\u00eancia gen\u00e9tica de seu av\u00f4 no turfe do s\u00e9culo XXI.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<a href=\"\/home\/especial\/160325\/e-tudo-mudou-para-ser-como-e\/attachment\/img_25944_07\/\" rel=\"attachment wp-att-160712\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-160712\" alt=\"img_25944_07\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/img_25944_07.jpg\" width=\"393\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/img_25944_07.jpg 393w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/img_25944_07-150x115.jpg 150w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/img_25944_07-300x229.jpg 300w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/img_25944_07-270x206.jpg 270w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/img_25944_07-250x191.jpg 250w\" sizes=\"(max-width: 393px) 100vw, 393px\" \/><\/a><\/b><\/span>Ent\u00e3o, sobra o que para o resto dos reprodutores puro sangue do turfe de nossos dias? Sobra uma parte para o tordilho Native Dancer (1950).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>De Native Dancer veem: Raise A Native (pai de Mr Prospector, Alydar e Majestic Prince) e Exclusive Native (pai de Affirmed e Genuine Risk). Mas quando se mistura Northern Dancer com Northern Dancer, ou Northern Dancer com Mr Prospector, sobra pouco para o resto. E os grandes criadores do mundo, \u00e9 sabido, copiam o que d\u00e1 certo. Os ratings do Timeform confirmam, o mercado aplaude e a consanguinidade se imp\u00f5e como regra geral.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>A tal ponto e com tal intensidade, que dos 24 reprodutores estacionados na Coolmore Irlanda \u2013 considerado hoje o maior empreendimento criat\u00f3rio do planeta \u2013 nada menos que 23 deles proveem da linhagem Northern Dancer, principalmente via Danzig e seu filho Danehill. Apenas um, Pride of Dubai, descende de Native Dancer, via Mr Prospector.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Ao contr\u00e1rio do que se imagina e sem nenhum ju\u00edzo de valor, a consanguinidade em linha paterna \u00e9 hoje a t\u00f4nica do turfe de nossos dias. Principalmente agora, que as dist\u00e2ncias da programa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica internacional diminu\u00edram.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>De Eclipse a Northern Dancer, passando por St. Simon, Nearco e Native Dancer, tudo aconteceu como se a natureza tivesse transformado o processo de sele\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a puro sangue numa tricenten\u00e1ria corrida de bast\u00e3o.<\/span><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><b>Fam\u00edlias maternas<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>O que come\u00e7ou com a cataloga\u00e7\u00e3o das 43 fam\u00edlias maternas por Bruce Lowe, numerando e identificando aquelas capazes de produzir cavalos cl\u00e1ssicos \u2013 \u00e0 \u00e9poca, um simples exerc\u00edcio estat\u00edstico sem respaldo na ci\u00eancia da gen\u00e9tica \u2013, ganhou import\u00e2ncia com a descoberta, em 1980, do DNA mitocondrial respons\u00e1vel pela energia e respira\u00e7\u00e3o celulares \u2013 uma esp\u00e9cie de \u201ccasa de for\u00e7a\u201d dos seres vivos \u00a0\u2013 que s\u00f3 \u00e9 herdada e transmiss\u00edvel por via materna.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Isto significa que, embora ambos os sexos carreguem seu DNA mitocondrial, os machos n\u00e3o conseguem transmiti-lo \u00e0s gera\u00e7\u00f5es subsequentes. A mitoc\u00f4ndria atua como uma esp\u00e9cie de \u201csobrenome\u201d feminino de cada um de n\u00f3s e \u00e9 o \u00fanico material gen\u00e9tico que segue o mesmo padr\u00e3o para cada grupo de indiv\u00edduos. Em linguagem coloquial, em mat\u00e9ria de energia e respira\u00e7\u00e3o de nossas c\u00e9lulas somos o que nossas m\u00e3es foram, ou s\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium; color: #ffffff;\">\u00a0<\/span><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;..<\/b><\/span>Um par\u00eantese: a descoberta do DNA mitocondrial \u00e9 t\u00e3o importante que est\u00e1 servindo para indicar grupos humanos com a mesma ancestral origem, irrelevante de onde eles vieram e hoje est\u00e3o, ap\u00f3s cerca de 200 mil anos de migra\u00e7\u00f5es. Em suma, todos n\u00f3s temos nossa <i>Eva mitocondrial<\/i>, aparentemente \u2013 esta \u00e9 a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel \u2013 origin\u00e1ria do planalto central do sul da \u00c1frica. E sempre atrav\u00e9s de suas filhas. Fechado o par\u00eantese. Voltemos ao nosso tema.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium; color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span><span style=\"font-size: medium;\">Na Irlanda, pesquisadores ligados ao turfe usaram este padr\u00e3o para examinar a sequ\u00eancia mitocondrial de 100 cavalos de corrida que remontam a 19 m\u00e3es-fundadoras, ou matriarcas, da tabula\u00e7\u00e3o de Bruce Lowe, j\u00e1 sendo poss\u00edvel confirmar que as fam\u00edlias 2, 7, 8, 16, 17 e 22 t\u00eam efetivamente uma <i>Eva Mitocondrial<\/i> comum. De igual forma, isso \u00e9 v\u00e1lido para as fam\u00edlias 4, 11 e 13.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Para efeitos pr\u00e1ticos, por\u00e9m, interessa saber que a fam\u00edlia 1 de Bruce Lowe \u00e9 a que tem produzido, at\u00e9 agora, o maior n\u00famero de ganhadores cl\u00e1ssicos. Embora isso n\u00e3o signifique nenhuma garantia de sucesso nas pistas, \u00e9 razo\u00e1vel supor que qualquer criador estar\u00e1 sempre melhor servido se optar pelos n\u00fameros mais baixos da sequ\u00eancia. No caso, trata-se, apenas e t\u00e3o somente, de se colocar no lado mais favor\u00e1vel de uma estat\u00edstica que j\u00e1 data de mais de 100 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Criadores importantes n\u00e3o abandonam suas matriarcas, mesmo quando a linhagem de uma delas interrompe a produ\u00e7\u00e3o de bons cavalos, como se estivesse momentaneamente adormecido ao longo dos corredores do tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Um dos exemplos cl\u00e1ssicos \u00e9 o de Mumtaz Mahal (1921), fam\u00edlia 9c, adquirida em leil\u00e3o pelo Aga Khan, que pagou por ela o pre\u00e7o recorde de 9,200 guin\u00e9us (trazidos a valor presente, algo como \u00a3$ 470,000). Tordilha, considerada um modelo de perfei\u00e7\u00e3o f\u00edsica, conhecida como a \u201cpotranca voadora\u201d do turfe ingl\u00eas de seu tempo, filha do igualmente tordilho The Tetrarch, para muitos o \u201cmelhor animal de dois anos de todos os tempos\u201d, Mumtaz Mahal venceu sete vezes entre os 1.000 e 1.200 metros. Quando foi inscrita acima disso, como na milha dos 1000 Guin\u00e9us, perdeu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Dela, em linha direta at\u00e9 a excelente Petite Etoile (1956), tamb\u00e9m tordilha, ganhadora dos dois aos cinco anos entre 1.600 e 2.450 m (1000 Guin\u00e9us, Oaks, Sussex Stakes, Champion Stakes, Coronation Cup), propriedade do Pr\u00edncipe Ali Khan, passaram-se 35 anos. E de Petite Etoile at\u00e9 a invicta e hoje j\u00e1 lend\u00e1ria Zarkava (2005), sete corridas, sete vit\u00f3rias, entre as quais o Prix de Diane e o GP do Arco do Triunfo, foram mais 49 anos, no total de 84 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium; color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<a href=\"\/home\/especial\/22441\/e-que-materia-e-feita-a-criacao-ga-han-por-ergio-arcellos\/attachment\/arkavapost\/\" rel=\"attachment wp-att-22444\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-22444\" alt=\"Zarkavapost\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2012\/11\/Zarkavapost.jpg\" width=\"300\" height=\"201\" \/><\/a><\/b><\/span><span style=\"font-size: medium;\">De Mumtaz Mahal a Zarkava, s\u00e3o oito gera\u00e7\u00f5es em sequ\u00eancia feminina: Mumtaz Mahal &#8211; Mah Mahal &#8211; Mah Iran &#8211; Star of Iran &#8211; Petite Etoile &#8211; Zhara &#8211; Zarna &#8211; Zarkasha &#8211; Zarkava (<em><strong>foto<\/strong><\/em>). O sangue (leia-se, o DNA mitocondrial) estava l\u00e1 e valeu a pena insistir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Na ind\u00fastria internacional do cavalo de corrida neste primeiro quarto do s\u00e9culo XXI, a refer\u00eancia que acompanha o pedigree de um reprodutor ou ganhador cl\u00e1ssico (al\u00e9m de seu \u201cturf record\u201d, claro) \u00e9 o n\u00famero da sua fam\u00edlia materna. Isso tem uma explica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Muito antes do aparecimento do <i>thoroughbred<\/i> na Inglaterra, a m\u00e1quina de guerra do imp\u00e9rio \u00e1rabe, cuja extens\u00e3o territorial em seu auge chegou a igualar a do imp\u00e9rio romano, tinha na cavalaria seu ponto forte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Formada por animais mais r\u00e1pidos, resistentes, a maioria de cabe\u00e7a c\u00f4ncava, testa larga e pele com maior n\u00famero de poros para dissipar calor, este tipo de equino \u2013 o mais belo da esp\u00e9cie \u2013 foi desenvolvido durante s\u00e9culos de conflitos no deserto. Em seus pedigrees, cuidadosamente preservados pelos califas e sheiks de Damasco, S\u00edria, e C\u00f3rdoba, Espanha, s\u00f3 aparecia a linhagem materna dos produtos. Para as duas dinastias \u00e1rabes que dominaram uma por\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel do mundo entre os anos de 570 a 1215, a import\u00e2ncia dos reprodutores era relativa. O importante eram as m\u00e3es \u2013 e s\u00f3 elas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Desde a antiguidade, isso \u00e9 verdadeiro para todas as culturas orientadas para as corridas de cavalos. At\u00e9 o s\u00e9culo XVI, era das linhagens maternas que vinham os tr\u00eas tipos de velocidade: a de fundo, a intermedi\u00e1ria e a do sprint. Da\u00ed para a frente, os criadores do Ocidente resolveram dar \u00eanfase \u00e0s linhagens paternas. Das linhas assim constru\u00eddas, a \u00fanica que sobreviveu at\u00e9 os nossos dias foi a de Darley Arabian (1704). Aproximadamente 90% de todos os cavalos de corrida do s\u00e9culo XXI descendem dele.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Entretanto, ap\u00f3s mais de 300 anos de sele\u00e7\u00e3o, continua sendo de 15 das 43 fam\u00edlias maternas de Bruce Lowe a maior parte das linhas de velocidade dos eminentes ganhadores cl\u00e1ssicos do turfe de nosso tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><b>Origens e treinamento<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><i><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>\u201cTendo em mente que entre um ter\u00e7o e metade da habilidade atl\u00e9tica de um cavalo de corrida \u00e9 gen\u00e9tica, esta larga percentagem de potencial gen\u00e9tico \u00e9 diretamente influenciada por um mundo que est\u00e1 longe de ser uniforme. Portanto, a complexa e permanente intera\u00e7\u00e3o entre o ambiente e a composi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do animal existe. De tal forma, que produtos com potencial gen\u00e9tico para se transformar em atletas de alta performance muito provavelmente ir\u00e3o fracassar se treinados e dirigidos de forma equivocada.\u201d<\/i> (vide \u201cHereditariedade e Performance Atl\u00e9tica\u201d, p\u00e1g. 152, Dr. Matthew Binns, J.A. Allen, Londres, 2010).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Prossegue o geneticista (professor de gen\u00e9tica do Royal Veterinary College, Londres):<\/span><\/p>\n<p><i style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>\u201cAo contr\u00e1rio, sabemos que um indiv\u00edduo, mesmo com uma combina\u00e7\u00e3o pobre de genes \u201cbons\u201d, consegue produzir performances de alto n\u00edvel em raz\u00e3o da excel\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es em que \u00e9 criado, iniciado, treinado e inscrito para correr<\/i><span style=\"font-size: medium;\"> (referido \u00e0 sua campanha nas pistas). <\/span><i style=\"font-size: medium;\">Por exemplo, alguns treinadores s\u00e3o particularmente aptos em lidar com sprinters, enquanto outros s\u00e3o mais eficientes no treinamento de animais de dist\u00e2ncia, que exigem uma longa matura\u00e7\u00e3o antes de desabrochar. <span style=\"text-decoration: underline;\">Nas m\u00e3os erradas, \u00e9 muito prov\u00e1vel que um cavalo jamais atinja todo seu potencial gen\u00e9tico<\/span>.\u201d<\/i><span style=\"font-size: medium;\"> (grifos nossos)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium; color: #ffffff;\"><i><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/i><\/span><span style=\"font-size: medium;\">Mais claro, imposs\u00edvel. E isso se d\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o direta que existe entre \u201cambiente\u201d e potencial gen\u00e9tico. Isso vale para qualquer cavalo de corrida e ajuda a explicar porque alguns treinadores t\u00eam \u00eaxito, e outros nem tanto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Nos turfes desenvolvidos, nenhum profissional consciente deixa de examinar a natureza das origens do cavalo que recebe e, principalmente, qual o perfil funcional de sua estirpe. Este \u00faltimo, entendido como as principais caracter\u00edsticas de seus ascendentes em mat\u00e9ria de prefer\u00eancias por dist\u00e2ncias, pistas e, inclusive, forma de atuar. Esta n\u00e3o \u00e9 outra, sen\u00e3o a vantagem comparativa das grandes coudelarias do hemisf\u00e9rio norte quando mant\u00eam o mesmo treinador ao longo de gera\u00e7\u00f5es e gera\u00e7\u00f5es de produtos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Saber o que os ascendentes do animal \u2013 pelo menos at\u00e9 a segunda gera\u00e7\u00e3o \u2013 fizeram nas pistas, o que correram e o que ganharam, em que idade e dist\u00e2ncia isso aconteceu, constituem uma informa\u00e7\u00e3o importante, ademais de encurtar as etapas de \u201cler\u201d mais rapidamente o indiv\u00edduo aos seus cuidados. Principalmente, quando se trata de potros in\u00e9ditos. Treinar hoje em dia, \u00e9 em grande parte ser capaz de respeitar as origens do animal e perceber os m\u00ednimos detalhes de seu comportamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium; color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span><span style=\"font-size: medium;\">\u201cQuando n\u00e3o aprendo alguma coisa com as corridas dos meus cavalos, a culpa \u00e9 minha, n\u00e3o deles\u201d, ou \u201cSuar em profus\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica dos bons juvenis Northern Dancer.\u201d As duas frases s\u00e3o de Vincent O\u2019Brien, o mestre irland\u00eas do treinamento, considerado em sua \u00e9poca o melhor do planeta turfe, respons\u00e1vel em grande parte pela fama e o sucesso da linhagem Northern Dancer na Europa. (vide \u201c<\/span><i style=\"font-size: medium;\">Vincent O\u2019Brien Great Horses<\/i><span style=\"font-size: medium;\">\u201d- Ivor Herbert e Jacqueline O\u00b4Brien, 1984, Pelham Books Ltd, Londres).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<a href=\"\/home\/especial\/160325\/e-tudo-mudou-para-ser-como-e\/attachment\/nijinskypost04\/\" rel=\"attachment wp-att-160713\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-160713\" alt=\"nijinskypost04\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/nijinskypost04.jpg\" width=\"500\" height=\"386\" srcset=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/nijinskypost04.jpg 500w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/nijinskypost04-150x116.jpg 150w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/nijinskypost04-300x232.jpg 300w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/nijinskypost04-267x206.jpg 267w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2018\/09\/nijinskypost04-250x193.jpg 250w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/b><\/span>Entre os anos de \u2018\u201960 e \u201980, O\u2019Brien treinou 38 ganhadores de Grupo I (entre os quais, Ballymoss, Gladness, Sir Ivor, Nijinsky (<em><strong>foto<\/strong><\/em>), El Gran Senor, The Minstrel, Alleged, Golden Fleece, etc) para levantar tr\u00eas vezes o GP do Arco do Triunfo, tr\u00eas King George &amp; Queen Elizabeth Stakes e v\u00e1rios Derbys de Epsom. Antes disso, j\u00e1 havia vencido os maiores pr\u00eamios em corridas sobre obst\u00e1culos da Europa, tendo quatro Gold Cups, tr\u00eas Grand Nationals e tr\u00eas Champion Hurdles em seu cartel. Nas duas modalidades de corridas, ningu\u00e9m conseguiu nada parecido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Muito se tem comentado para onde est\u00e1 indo o cavalo de corrida do s\u00e9culo XXI e, junto com ele, a ind\u00fastria internacional do turfe. Al\u00e9m disso, sabemos que a ci\u00eancia da gen\u00e9tica tem dado saltos \u2013 ali\u00e1s, como tudo em nossa \u00e9poca.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium; color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span><span style=\"font-size: medium;\">A cada nova descoberta das leis que regem a heran\u00e7a dos genes e t\u00eam influ\u00eancia sobre velocidade, estamina, fertilidade, matura\u00e7\u00e3o f\u00edsica, temperamento, conforma\u00e7\u00e3o, mais a quest\u00e3o do tamanho do cora\u00e7\u00e3o, natureza das fibras musculares, densidade dos ossos, etc, a cortina do conhecimento vai sendo inexoravelmente aberta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium; color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span><span style=\"font-size: medium;\">A ind\u00fastria do cavalo de corridas n\u00e3o \u00e9 infensa a este processo de \u201cdestrui\u00e7\u00e3o criativa\u201d \u2013 t\u00edpico de nosso tempo \u2013 em que velhas cren\u00e7as e alguns mitos s\u00e3o substitu\u00eddos pela ci\u00eancia. Ao ponto de hoje j\u00e1 se clonar cavalos de polo naqueles pa\u00edses onde esse esporte \u00e9 intensa e profissionalmente praticado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>Ao fim e ao cabo, por\u00e9m, ainda que tudo esteja mudando com espantosa velocidade, parece razo\u00e1vel admitir que criar, comprar e treinar indiv\u00edduos com capacidade de ganhar as corridas que importam tem muito a ver, primeiro, com uma longa experi\u00eancia na atividade e, segundo, com <\/span><i style=\"font-size: medium;\">intui\u00e7\u00e3o<\/i><span style=\"font-size: medium;\"> \u2013 essa forma de conhecimento superior e privilegiado que aproxima o homem da divindade, chamada pelo vulgo de \u201cdom\u201d, porque independe da raz\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><b>&#8230;&#8230;<\/b><\/span>E isso, s\u00f3 os grandes \u201chomens do cavalo\u201d t\u00eam. Ainda que nem mesmo eles consigam explicar o porqu\u00ea de suas escolhas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0por<\/span><em><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0<b>Sergio Barcellos<\/b><\/span><\/em><\/p>\n<p>(publicado originalmente no site do JCB, 03\/09\/2018)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230;&#8230;\u201cD\u00ea-me sangue e eu crio um craque na Place Vend\u00f4me.\u201d \u00a0A frase \u00e9 atribu\u00edda pela cr\u00f4nica do turfe a Marcel Boussac (foto), o magnata da ind\u00fastria t\u00eaxtil francesa, considerado um dos cinco construtores do moderno puro sangue ingl\u00eas de corrida. Os outros quatro s\u00e3o Lord Derby, o Aga Khan, Arthur Hancock e, claro, Federico Tesio, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":160605,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,4],"tags":[],"class_list":["post-160325","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especial","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160325"}],"collection":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=160325"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160325\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/160605"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=160325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=160325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=160325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}