

{"id":134583,"date":"2017-12-08T11:54:28","date_gmt":"2017-12-08T13:54:28","guid":{"rendered":"\/home\/?p=134583"},"modified":"2017-12-08T12:12:54","modified_gmt":"2017-12-08T14:12:54","slug":"meditacoes-sobre-evolucao-pedigristicamilton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/134583\/meditacoes-sobre-evolucao-pedigristicamilton-lodi\/","title":{"rendered":"Medita\u00e7\u00f5es sobre evolu\u00e7\u00e3o pedigr\u00edstica(Milton Lodi)"},"content":{"rendered":"<h2><span style=\"font-size: medium;\"><strong>Medita\u00e7\u00f5es sobre evolu\u00e7\u00e3o pedigr\u00edstica\u00a0<\/strong><strong>(Milton Lodi)<\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">O h\u00e1bito de ir aos s\u00e1bados de manh\u00e3 ver os animais nas cocheiras, com tempo suficiente para uma boa conversa sobre os \u00faltimos acontecimentos, e a ida semanal as corridas da G\u00e1vea, com um grupo maior, permite que uns instruam os outros com os seus estudos e considera\u00e7\u00f5es sobre o turfe de um modo geral. Com as corridas alimentando as conversas, frequentar o Hip\u00f3dromo da G\u00e1vea \u00e9 mais do que um prazer, \u00e9 uma fonte de novos conhecimentos. De um modo geral, a ideia predominante era no sentido de que o turfe internacional tinha como base a pioneira cria\u00e7\u00e3o inglesa de cavalos de corrida, seguida pelos franceses, e em padr\u00e3o bem menor pelos italianos e pelos alem\u00e3es. Quanto aos Estados Unidos, que praticam um turfe circense, n\u00e3o eram consideradas de boa ou mesmo de regular qualidade, e que vieram a crescer com maci\u00e7as importa\u00e7\u00f5es de animais ingleses, principalmente da cria\u00e7\u00e3o Aga Khan, e em menor quantidade de animais franceses de proced\u00eancia Boussac. De quando em quando surgiam corredores norte-americanos de grande destaque, mas eram considerados pelos europeus e pelo resto do mundo como simples acidentes naturais. Essa cren\u00e7a baseava-se, e ainda se baseia, no trip\u00e9 que sustenta o turfe norte-americano, constitu\u00eddo por muito dinheiro + drogas + publicidade. Isso n\u00e3o deixa de ser verdade, mas aqueles que estudam os pedigrees dos bons ganhadores de provas nobres pelo mundo surpreenderam-se, ao se depararem com animais norte-americanos fazendo parte dos pedigrees de muitos not\u00e1veis nomes de expoentes mundiais, isso antes do s\u00e9culo XX.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">A seguir, considera\u00e7\u00f5es do criador e propriet\u00e1rio do Stud Correas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Eu sempre tive para mim que o sucesso dos cavalos norte-americanos (Estados Unidos e Canad\u00e1 que fazem um turfe conjunto) era decorr\u00eancia direta do poderio econ\u00f4mico deles a partir da segunda guerra mundial em cujo encerramento a Europa estava em situa\u00e7\u00e3o financeira deplor\u00e1vel e os americanos eram os \u201creis do mundo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Imaginava que, nestas circunstancias, os americanos teriam, ent\u00e3o, comprado o que de melhor a Europa produzira e que, a partir desse fato, eles teriam come\u00e7ado o seu dom\u00ednio quase absoluto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Olhando, por\u00e9m, com mais cuidado \u00e9 f\u00e1cil perceber que a cria\u00e7\u00e3o norte-americana j\u00e1 era muito importante bastante antes da segunda guerra mundial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Viv\u00edamos \u00e0 \u00e9poca no turfe brasileiro admirando a qualidade espetacular dos cavalos argentinos \u2013 na verdade dos melhores do mundo de ent\u00e3o \u2013 e reverenciando \u2013 com toda justi\u00e7a, ali\u00e1s, as cria\u00e7\u00f5es Tesio, Boussac e Aga Kahn.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Eram os \u00edcones do turfe brasileiro. Pouco olh\u00e1vamos para o tufe americano a n\u00e3o ser quando se noticiava a compra milion\u00e1ria de algum corredor de escol, como por exemplo, a compra de Ribot pelos irm\u00e3os do norte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">N\u00e3o d\u00e1vamos valor (eu, pelo menos, n\u00e3o dava) \u00e0s conquistas dos craques americanos que corriam nos Estados Unidos e que os jornais do cinema, que sempre antecediam os filmes, nos mostravam Whirlaway, War Admiral ou, o mais brilhante de todos, o monstro Citation.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">O tempo correu, o Plano Marshall salvou a Europa, Mac Arthur reergueu o Jap\u00e3o e o mundo retomou o seu caminho, com novos conceitos e inacredit\u00e1vel evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, que a todo instante cria e destr\u00f3i as novas inven\u00e7\u00f5es e maravilhas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">No turfe os cavalos cresceram e se fortaleceram, os reprodutores passaram a valer fortunas anteriormente impens\u00e1veis e as novas t\u00e9cnicas permitiram que cavalos que cobriam cerca de 40 \u00e9guas por ano pudessem passar a ter mais de 300 crias por ano!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00c9 um novo mundo onde, entretanto, os pedigrees pedem an\u00e1lises cuidadosas, as coberturas devem seguir conceitos j\u00e1 estratificados na busca do cavalo mais corredor, de melhor condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica e, por consequ\u00eancia, de maior valor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">E assim viemos de Nearco, Native Dancer, Ribot, Secretariat, Northern Dancer, Sadler\u2019s Wells, Mr Prospertor, Danehill e Galileo, para citar os que mais se destacaram nas pistas ou na parte produtiva (muitos deles em ambas).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">E o mais interessante \u00e9 observar como esses craques, sem d\u00favida dos mais destacados dos \u00faltimos 70 anos e que certamente fariam parte de qualquer lista que destacasse os de maior representatividade turf\u00edstica, foram influenciados, na sua quase totalidade, de forma maior ou menor, pela cria\u00e7\u00e3o norte americana.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Entendo que a melhor forma de fazer essa an\u00e1lise \u00e9 pelas linhas baixas deles, suas linhas ventrais, tradicionalmente as que fazem a grande diferen\u00e7a, na significativa maioria das vezes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/12\/nearco.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-134584\" alt=\"nearco\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/12\/nearco-300x219.jpg\" width=\"300\" height=\"219\" \/><\/a>NEARCO<\/strong>(foto ao lado), sem d\u00favida o mais influente ro\u00e7ador por linha alta, tinha m\u00e3e italiana, filha de \u00e9gua irlandesa que, por sua vez era antecedida sempre por \u00e9guas norte americanas at\u00e9 o ano de 1769.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong>NATIVE DANCER <\/strong>(foto abaixo), excepcional corredor norte americano e fant\u00e1stico reprodutor, pai de pais e pai de \u00e9guas m\u00e3es da maior qualidade, tem seu sangue reproduzido, na maioria das vezes, atrav\u00e9s do seu neto paterno Mr Prospector ou atrav\u00e9s da descend\u00eancia de sua filha Natalma (que cruzada com um filho de Nearco deu o \u201crei do peda\u00e7o\u201d que \u00e9 o Northen Dancer). A linha baixa de Native Dancer \u00e9 essencialmente norte-americana at\u00e9 1926, como continua\u00e7\u00e3o de linha inglesa que \u00e9 a base de todas as linhas.<a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/12\/native-dancer.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-134587\" alt=\"native dancer\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/12\/native-dancer-300x240.jpg\" width=\"300\" height=\"240\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong>MR PROSPECTOR<\/strong>, neto paterno de Native Dancer (via Raise a Native), tem as suas 4 primeiras m\u00e3es de nacionalidade norte americana, sendo que sua 5\u00aa m\u00e3e, francesa, foi importada para os EEUU em 1921. \u00c9 tamb\u00e9m o resultado do cruzamento de Native Dancer, na linha 2 com Nearco, na linha 4.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong>NORTHERN DANCER<\/strong>\u00a0(foto abaixo), o fant\u00e1stico ra\u00e7ador do ter\u00e7o final do s\u00e9culo 20, neto de Nearco e Native Dancer, como dito acima e base de quase toda a cria\u00e7\u00e3o moderna, tem toda sua linha baixa norte americana at\u00e9 1894, quando sucedeu a uma linha inglesa.<a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/12\/Northern-Dancer-1983.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-134586\" alt=\"Northern Dancer 1983\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/12\/Northern-Dancer-1983-300x169.jpg\" width=\"300\" height=\"169\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong>SADLER\u2019S WELLS<\/strong>, filho de Northern Dancer e o grande reprodutor de fundo dessa linha paterna, tem uma linha baixa norte americana at\u00e9 1951, linha essa que sucedeu a uma linha inglesa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong>DANEHILL<\/strong>, o neto de Northern Dancer (via Danzig) e que representa a mesma linha paterna com mais velocidade, embora produza corredores de qualquer distancia, \u00e9 de linha baixa norte americana desde 1894 e, como sempre, sucessora de uma linha inglesa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong>GALILEO<\/strong>, o fen\u00f4meno dos nossos tempos, \u00e9 um filho de Sadler\u2019s Wells em \u00e9gua americana (Urban Sea) filha de \u00e9gua inglesa que sucede uma linha baixa alem\u00e3 desde 1896.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Independente desses cavalos, base da cria\u00e7\u00e3o mundial de elite, acho que merecem ser examinadas as linhas baixas de Secretariat e Ribot, dois \u00edcones maiores da capacidade de correr dos cavalos de ra\u00e7a inglesa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong>SECRETARIAT<\/strong>, norte americano, descente de linha baixa americana desde 1930, sucedendo uma linha inglesa anterior.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong>RIBOT<\/strong>(foto abaixo), por sua vez, era filho de \u00e9gua italiana que descendia de linha inglesa desde 1710.<a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/12\/ribot11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-134588\" alt=\"ribot1\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/12\/ribot11-300x207.jpg\" width=\"300\" height=\"207\" srcset=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/12\/ribot11-300x207.jpg 300w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/12\/ribot11-150x104.jpg 150w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/12\/ribot11-298x206.jpg 298w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/12\/ribot11-250x173.jpg 250w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/12\/ribot11.jpg 736w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Esses dados a meu ver imp\u00f5e que se olhe a cria\u00e7\u00e3o norte americana com o respeito que ela merece desde o come\u00e7o do s\u00e9culo 20.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00c9 claro que h\u00e1 outras origens a pesquisar como, por exemplo, quem fez a grandeza da cria\u00e7\u00e3o argentina na 1\u00aa metade do s\u00e9culo 20; em que momento se d\u00e1 o crescimento da cria\u00e7\u00e3o japonesa e quais as suas bases; qual a import\u00e2ncia da cria\u00e7\u00e3o neozelandesa no desenvolvimento da cria\u00e7\u00e3o australiana, de t\u00e3o grande sucesso mundial; etc. E para quem se surpreender com a refer\u00eancia \u00e0 Nova Zel\u00e2ndia nesse campo n\u00e3o se esque\u00e7a que o grande, sen\u00e3o o maior, reprodutor da Austr\u00e1lia e na Nova Zel\u00e2ndia no fim do s\u00e9culo passado foi o neozeland\u00eas Zabeel, um filho do irland\u00eas Sir Tristam (por sua vez filho de Sir Ivor) em \u00e9gua francesa cuja segunda m\u00e3e era Derna, a m\u00e3e de Detroit (ganhadora do GP Arco do Triunfo e, por sua vez m\u00e3e de Carnegie, tamb\u00e9m ganhador do mesmo Arco do Triunfo). Linhas femininas da Nova Zel\u00e2ndia s\u00e3o constantes nos pedigrees cl\u00e1ssicos australianos, independente de Zabeel, grande corredor e longevo e espetacular ro\u00e7ador tamb\u00e9m muito presente nesses pedigrees.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Mas isto \u00e9 coisa a pesquisar.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Medita\u00e7\u00f5es sobre evolu\u00e7\u00e3o pedigr\u00edstica\u00a0(Milton Lodi) O h\u00e1bito de ir aos s\u00e1bados de manh\u00e3 ver os animais nas cocheiras, com tempo suficiente para uma boa conversa sobre os \u00faltimos acontecimentos, e a ida semanal as corridas da G\u00e1vea, com um grupo maior, permite que uns instruam os outros com os seus estudos e considera\u00e7\u00f5es sobre o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":134588,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-134583","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134583"}],"collection":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134583"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134583\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134588"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134583"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134583"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134583"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}