

{"id":129991,"date":"2017-10-21T22:36:39","date_gmt":"2017-10-22T00:36:39","guid":{"rendered":"\/home\/?p=129991"},"modified":"2017-10-21T23:58:04","modified_gmt":"2017-10-22T01:58:04","slug":"entrevista-lineu-de-paula-machado-parte-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/129991\/entrevista-lineu-de-paula-machado-parte-final\/","title":{"rendered":"Entrevista: Lineu de Paula Machado (parte final)"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: medium;\">Na \u00faltima semana foi ao ar a primeira parte da entrevista concedida por Lineu de Paula Machado ao\u00a0<em>website<\/em>\u00a0da ABCPCC. Neto de Linneo de Paula Machado, que por meio do Haras S\u00e3o Jos\u00e9 &amp; Expedictus ajudou a construir a hist\u00f3ria do turfe brasileiro, Lineu passeou por alguns dos mais fascinantes cap\u00edtulos do centen\u00e1rio estabelecimento e abordou outras diversas pautas relacionadas \u00e0s ind\u00fastria turf\u00edstica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Abaixo, a segunda \u2013 e \u00faltima \u2013 parte da entrevista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/Ym5gCkcqgkeB1qC.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-130002\" alt=\"Ym5gCkcqgkeB1qC\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/Ym5gCkcqgkeB1qC-300x220.jpg\" width=\"300\" height=\"220\" \/><\/a>Na d\u00e9cada de 1980, o Haras S\u00e3o Jos\u00e9 &amp; Expedictus criou aquele \u00e9 considerado, por muitos, o melhor PSI brasileiro de todos os tempos. Itajara marcou o turfe nacional de sobremaneira, sendo al\u00e7ado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de \u00eddolo. Como foi acompanhar na condi\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rio o surgimento, o estrelato e o encerramento precoce de sua campanha?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><em>R.: A meta de todo criador, imagino, seja criar um grande campe\u00e3o. Minha fam\u00edlia, em mais de um s\u00e9culo, criou grandes animais. Aprendi que o grande desafio \u00e9 desafiar aquele \u201cgrande anterior\u201d e assim por diante. Uma das formas de voc\u00ea atingir esse objetivo, penso eu, \u00e9 continuar a estudar a gen\u00e9tica e investir nela. Ouvir, aprender, visitar aqueles que fazem a diferen\u00e7a, discutir com seus profissionais os caminhos e ser humilde o bastante para saber que o melhor pode ser que ainda esteja por vir. No mundo do turfe se tem not\u00edcia de poucos que acertaram mais do que erraram \u2013 e de muitos que erraram mais que acertaram. N\u00e3o conhe\u00e7o na historia do turfe algu\u00e9m que tenha somente acertado. Os desafios no cavalo de corrida s\u00e3o enormes. Portanto, \u00e9 um grande desafio voc\u00ea criar um animal de excel\u00eancia no pedigree, na morfologia, que corra em qualquer tipo e estado de pista. Que tenha, trabalhando, batido recordes na pista da G\u00e1vea. Que tenha vencido em dist\u00e2ncias de 1.100 at\u00e9 3.000 metros. Que tenha sagrado-se tr\u00edplice coroado invicto. Meu tio era pouco cr\u00e9dulo quando diz\u00edamos que t\u00ednhamos um cavalo que, pelos trabalhos, parecia ser um fora de serie. Quando de sua estreia, me convidou pra assistir com ele, da comiss\u00e3o de corridas do Jockey Club Brasileiro, \u00e0quele que \u201cvoc\u00eas falam ser um craque\u201d. Subi na comiss\u00e3o de corridas e, sob um tempo absolutamente horr\u00edvel, chuvoso, escutava dele \u201cque ideia de voc\u00eas correrem um cavalo que voc\u00eas julgam ser t\u00e3o bom numa distancia dessas e na areia!\u201d O p\u00e1reo estava programado para a pista de grama, mas pelas chuvas passou para a areia. Aguentei razoavelmente firme aquelas provoca\u00e7\u00f5es de um tio querido. Na curva descontei. \u201cE a\u00ed tio, quer descer j\u00e1 ou quer esperar o segundo colocado cruzar o disco?\u201d Sua resposta foi \u201cvamos esperar a segunda corrida na grama\u201d. Itajara foi, tenho certeza, um dos grandes momentos de alegria e orgulho de meu tio, como criador. Nunca me disse uma palavra nesse sentido. Mas tenho certeza disso. Seus olhos n\u00e3o mentiam. Quando Itajara morreu, na Argentina, minha m\u00e3e estava se tratando nos Estados Unidos. Meu pai estava com ela. Minha esposa Emilia e eu seguramos, com enorme sofrimento, essa noticia. Comuniquei ao meu pai e tio somente tr\u00eas meses depois de sua morte. A vida tinha que seguir. O desafio tamb\u00e9m.<\/em>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/y3RTG8WZe0a72jh.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-130001\" alt=\"y3RTG8WZe0a72jh\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/y3RTG8WZe0a72jh.jpg\" width=\"480\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/y3RTG8WZe0a72jh.jpg 480w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/y3RTG8WZe0a72jh-150x115.jpg 150w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/y3RTG8WZe0a72jh-300x229.jpg 300w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/y3RTG8WZe0a72jh-269x206.jpg 269w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/y3RTG8WZe0a72jh-250x191.jpg 250w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/a>Falando em campanha precocemente encerrada, anos mais tarde a derby winner Coray tamb\u00e9m se despediu das pistas com 8 corridas apenas (uma a mais do que Itajara). Poder\u00edamos consider\u00e1-la, dadas as peculiaridades comuns aos dois animais, a vers\u00e3o \u201cf\u00eamea\u201d do Itajara na hist\u00f3ria do haras?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><em>R.: Olha, sem querer ser repetitivo, mas levando eM conta uma cria\u00e7\u00e3o com mais de um s\u00e9culo eleg\u00ea-la em definitivo, como a melhor, acho dif\u00edcil. Pessoalmente, considero que uma compara\u00e7\u00e3o, para ser justa, ocorre quando os animais em quest\u00e3o se enfrentam. O resto \u00e9 opini\u00e3o, torcida, gosto etc. Das \u00e9guas criadas por minha fam\u00edlia as melhores que vi foram Liberte, Fantasie, Plus Vite, Sea Girl, Virginie, Verinha, Be Fair, Canzone e Coray. A Hel\u00edaco \u201cde saia\u201d seria a Fontaine. A Itajara \u201cde saia\u201d, a Coray. Minha impress\u00e3o era que para derrot\u00e1-la talvez um tiro bem dado de canh\u00e3o&#8230; N\u00e3o escolhia pista nem dist\u00e2ncia. Tinha um \u00f3timo temperamento, trabalhava bem, era mansa para correr e podia acelerar em qualquer parte do percurso.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Al\u00e9m de toda a representatividade em termos de Brasil, o Haras S\u00e3o Jos\u00e9 &amp; Expedictus tamb\u00e9m conquistou feitos expressivos, principalmente nos anos 90, em outros pa\u00edses. Siphon, Romarin e Virginie nos Estados Unidos. Seaborg, Sea Girl e Riton na Argentina. O qu\u00e3o marcantes foram essas experi\u00eancias internacionais para voc\u00ea?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><em><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/XR8lQgX3ROueKN8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-130000\" alt=\"XR8lQgX3ROueKN8\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/XR8lQgX3ROueKN8.jpg\" width=\"439\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/XR8lQgX3ROueKN8.jpg 439w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/XR8lQgX3ROueKN8-150x122.jpg 150w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/XR8lQgX3ROueKN8-300x245.jpg 300w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/XR8lQgX3ROueKN8-253x206.jpg 253w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/XR8lQgX3ROueKN8-250x204.jpg 250w\" sizes=\"(max-width: 439px) 100vw, 439px\" \/><\/a>R.: Meu av\u00f4 criou na Fran\u00e7a e na Argentina. Seguimos essa tradi\u00e7\u00e3o, chegando a criar nos Estados Unidos. A busca da gen\u00e9tica, dos diferentes meios ambientes e de profissionais com novos aprendizados sempre nos levou a novos desafios que muitas vezes encontramos no exterior. O nosso melhor resultado foi na Argentina, num turfe mais competitivo que o nosso. Criamos animais como Riton (recordista at\u00e9 hoje dos 1600 metros em San Isidro), Seaborg, Sea Girl etc. A experi\u00eancia internacional serve para testar sua cria\u00e7\u00e3o, aprender novas t\u00e9cnicas, trocar experi\u00eancias e ter desafios novos. Minha fam\u00edlia sempre encarou a cria\u00e7\u00e3o como um desafio. Por isso levamos alguns animais para competir no exterior. A adapta\u00e7\u00e3o ao novo clima, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, ao treinamento, ao novo ritmo de corrida, \u00e0s novas pistas, faz com que esse desafio torne-se mais complicado ainda. Conhecemos os dois lados da moeda. Siphon, vencedor das duas provas mais importantes Calif\u00f3rnia, que talvez seja o mais competitivo do turfe norte-americano, e que durante 8 meses figurou como o handicap horse melhor pontuado dos Estados Unidos, representou o lado bom da moeda. Tamb\u00e9m o foi a Virginie, a primeira \u00e9gua brasileira vencedora de grupo I na grama nos Estados Unidos. Isso sem esquecer, \u00e9 claro, do Romarin. Aquele momento do nosso turfe, no qual o cavalo brasileiro provou ser competitivo em qualquer parte do mundo est\u00e1, infelizmente, muito longe da atual realidade. N\u00e3o existe a coragem e o sentido de urg\u00eancia necess\u00e1rio para mudan\u00e7as fundamentais. Bal a Bali \u00e9 um gr\u00e3o de areia na praia de Ipanema. Infelizmente.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/VenciE2DB33oinS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-129999\" alt=\"VenciE2DB33oinS\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/VenciE2DB33oinS-300x248.jpg\" width=\"300\" height=\"248\" \/><\/a>Irm\u00e3s maternas, Virginie e Be Fair conquistaram, em apenas 3 anos, duas tr\u00edplices coroas para o Haras S\u00e3o Jos\u00e9 &amp; Expedictus. O que isso representou para voc\u00ea?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><em>R.: O John Aiscan vinha sempre ao Brasil, em agosto, quando da realiza\u00e7\u00e3o do Grande Pr\u00eamio Brasil. Meu tio o convidava para nos ajudar nas coberturas de nossas \u00e9guas. Aiscan possu\u00eda uma mem\u00f3ria invej\u00e1vel e conceitos do cavalo de corrida e de trotadores espetaculares. Aprendi muito com ele e segui sempre seus conceitos na forma\u00e7\u00e3o de um cruzamento. Esses encontros, para ele, representavam \u201ca m\u00fasica que gostava de ouvir\u201d, porque n\u00f3s traz\u00edamos todas as informa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, muitas vezes at\u00e9 a quarta gera\u00e7\u00e3o. Para quem gosta e entende de gen\u00e9tica saber a produ\u00e7\u00e3o, as qualidades do animal, as taras que transmitia etc. era como \u201cchutar no gol sem goleiro\u201d. Ele nos indicou a Fashion Dancer, filha de um reprodutor que foi desclassificado por doping ap\u00f3s vencer o Kentucky Derby de 1968 (Dancer\u2019s Image). Aquilo para mim era uma heresia. A Fashion Dancer era uma \u00e9gua correta, mas absolutamente comum, da linha do craque Sir Ivor. Sua filha com Baronius, Misty Moon, era uma linda \u00e9gua e muito boa corredora. Sua n\u00e3o continuidade nas pistas deveu-se, infelizmente, a um assunto \u201cextra campo\u201d. Ela \u00e9 a \u00fanica \u00e9gua no mundo produtora de dois animais tr\u00edplices coroados: Virginie e Be Fair. A Virginie venceu dos 1.000 aos 2.400 metros e, como o Itajara, venceu a tr\u00edplice coroa invicta. Por um problema no casco que, ali\u00e1s, foi tamb\u00e9m a raz\u00e3o do fim de sua carreira no Estados Unidos, a Virginie n\u00e3o correu o Derby, que foi vencido pelo Vernier. A Be Fair venceu a tr\u00edplice coroa e perdeu um Derby chorado, por cabe\u00e7a. E o desafio continuava presente.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Como surgiu o Vale do Itajara?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><em><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/NoXAB18D5F31suZ.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-129997\" alt=\"NoXAB18D5F31suZ\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/NoXAB18D5F31suZ-300x200.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/NoXAB18D5F31suZ-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/NoXAB18D5F31suZ-150x100.jpg 150w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/NoXAB18D5F31suZ-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/NoXAB18D5F31suZ-309x206.jpg 309w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/NoXAB18D5F31suZ-250x167.jpg 250w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/NoXAB18D5F31suZ.jpg 850w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>R.: Quando eu tinha 17 anos, meus pais compraram uma casa em Itaipava. Ficava cerca de 8 km distante do Centro de Treinamento Vale da Boa Esperan\u00e7a, da fam\u00edlia C\u00e1pua, precursora dos centros de treinamentos de cavalo de corrida, no Brasil. Aquele CT foi constru\u00eddo por um homem de vis\u00e3o e coragem, o engenheiro Julio C\u00e1pua. Aquele meio ambiente logo me acendeu as luzes de um lugar e clima diferenciados para treinar cavalos. Depois de 23 anos, convenci meu pai e meu tio a constru\u00edrem um centro de treinamentos. Eu tinha v\u00e1rios argumentos a favor, mas o fator \u201cpoder ver os animais no quintal deles\u201d sempre foi mais importante. Meu tio n\u00e3o me lembro de ter ido ao CT. J\u00e1 meu pai foi uma ou duas vezes, no m\u00e1ximo. Certas coisas na vida s\u00e3o dif\u00edceis de mudar. Vivi isso. Eu queria competir com igualdade junto aos grandes criadores nacionais. Queria chances iguais e que no final ganhasse o melhor. Constru\u00edmos o Centro de Treinamentos Vale do Itajara, inaugurado em agosto de 1996. O \u201cmodelo quintal\u201d come\u00e7ou pela mudan\u00e7a de dist\u00e2ncia, ou seja, o \u201cquintal\u201d foi para longe deles. Mas, com o tempo, evoluiu para uma atividade profissional com din\u00e2mica de uma empresa. S\u00e3o 300 boxes, duas pistas de areia, uma de grama, quatro caminhadores, doze piquetes e uma piscina. Desde ent\u00e3o, 330 animais treinados no CT\u00a0tornaram-se ganhadores graduados sendo\u00a0116 deles, ou seja, 35%, ganhadores\u00a0de grupo I. Atualmente, a ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 de 66%. Essa \u00e9 a mentalidade atual do turfe brasileiro. A mesma de minha fam\u00edlia, na \u00e9poca, raz\u00e3o pela qual lutam alguns propriet\u00e1rios e profissionais, de todas as maneiras, para continuarem com seus animais \u201cno quintal de suas casas\u201d. Nos \u00faltimos 3 anos, 93% das provas de grupo no Jockey Club Brasileiro foram ganhos por animais provenientes dos centros de treinamento. Atualmente existe o mesmo n\u00famero de animais alojados nos centros de treinamentos e na G\u00e1vea.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/7FrAFeVKJQOMiDe.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-129992\" alt=\"7FrAFeVKJQOMiDe\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/7FrAFeVKJQOMiDe-300x172.jpg\" width=\"300\" height=\"172\" \/><\/a>Al\u00e9m de grandes animais, grandes profissionais tamb\u00e9m marcaram a hist\u00f3ria do Haras S\u00e3o Jos\u00e9 &amp; Expedictus. Quais nomes voc\u00ea destacaria, nesse rol?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><em>R.: Falar de grandes profissionais que, certamente, ajudaram com seu conhecimento e dedica\u00e7\u00e3o, ao longo de mais de um s\u00e9culo, \u00e9 algo dif\u00edcil. Entretanto, a cria\u00e7\u00e3o brasileira e o haras devem muito ao veterin\u00e1rio belga, Dr. Otavio Dupont. Em mar\u00e7o de 1912 meu bisav\u00f4 faleceu. No mesmo dia, meu av\u00f4 teve a triste noticia que Flaneur, um cavalo muito querido dele, tinha morrido de em decorr\u00eancia de uma osteopatia qu\u00edmio distr\u00f3fica (osteodistrofia), mais conhecida como \u201ccara inchada\u201d. Essa doen\u00e7a era totalmente desconhecida na Am\u00e9rica do Sul. O problema estava na rela\u00e7\u00e3o entre c\u00e1lcio e f\u00f3sforo. A segunda gera\u00e7\u00e3o do haras foi dizimada pelo desequil\u00edbrio mineral, sobrando Bien Aim\u00e8e. Da terceira gera\u00e7\u00e3o, a letra \u201cC\u201d todos morreram. Na letra \u201cD\u201d salvou-se Domination e finalmente na letra \u201cE\u201d se salvou Expedictus. Foram muitos profissionais que nos ajudaram ao longo dessa caminhada. Me lembro dos, ainda na ativa, Doutores Celso Bertolini, Fernando Garcia, Fl\u00e1vio Geo, Carlos Eduardo Veiga, Cristina Vieira, Paulo Borges; dos treinadores Jos\u00e9 Severino da Silva, Dulcino Guignoni, Alfredo Gaitan, Richard Mandela; dos agr\u00f4nomos Francisco Spatti e Paulo Nania; do\u00a0 Phillipe Jousset, de Renato Gameiro, Alfredo Camogli e \u00c2ngelo Cristiano. O maior desafio da competi\u00e7\u00e3o em alto n\u00edvel do haras \u201cantigo\u201d, na minha opini\u00e3o, aconteceu sob o gerenciamento do Beto Figueiredo, ajudado que foi por \u00c2ngelo Spatti, Paulo Nania, Paulo \u201cPico\u201d Borges e Fernando Garcia. Tenho absoluta certeza que sem o profissionalismo e dedica\u00e7\u00e3o deles n\u00f3s n\u00e3o criar\u00edamos a melhor gera\u00e7\u00e3o de animais nascidos no Haras S\u00e3o Jos\u00e9 &amp; Expedictus, a gera\u00e7\u00e3o de 1997 \u2013 a letra \u201cC\u201d<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/EWDObARhVxkyDW1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-129994\" alt=\"EWDObARhVxkyDW1\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/EWDObARhVxkyDW1-221x300.jpg\" width=\"221\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/EWDObARhVxkyDW1-221x300.jpg 221w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/EWDObARhVxkyDW1-111x150.jpg 111w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/EWDObARhVxkyDW1-768x1041.jpg 768w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/EWDObARhVxkyDW1-756x1024.jpg 756w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/EWDObARhVxkyDW1-152x206.jpg 152w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/EWDObARhVxkyDW1-250x339.jpg 250w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/EWDObARhVxkyDW1.jpg 850w\" sizes=\"(max-width: 221px) 100vw, 221px\" \/><\/a>Quem sabe a mais ingrata de todas as perguntas: qual foi o melhor animal criado pelo Haras S\u00e3o Jos\u00e9 &amp; Expedictus? E qual animal voc\u00ea gostaria de ter criado?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><em>R.: O melhor animal de nossa cria\u00e7\u00e3o que vi correr foi o Itajara. Comparar animais que n\u00e3o correram juntos considero algo muito complicado. Minha fam\u00edlia, nesses mais de 100 anos, criou animais realmente que marcaram \u00e9poca. Existe, no meu julgamento, uma grande diferen\u00e7a entre o craque e o muito bom cavalo, para ficarmos somente nessa compara\u00e7\u00e3o. A cria\u00e7\u00e3o exige do criador muita cr\u00edtica, muita frieza para opinar. Tenho minha opini\u00e3o sobre alguns cavalos criados por minha fam\u00edlia: Albatroz e Quati eram craques. Fontaine era uma craque. Hel\u00edaco era um craque. African Boy, muito bom cavalo, apesar de tr\u00edplice coroado. Baronius era um craque. Heron, muito bom cavalo. Grison e Orpheus eram craques. Heracleon, muito bom cavalo. Itajara era um craque. Apor\u00e9, muito bom cavalo, apesar de ganhador do GP Brasil. Virginie, Be Fair e Coray eram craques. Queen Desejada (originalmente batizada Carfou) era muito boa \u00e9gua. Sea Girl, uma craque. Canzone e Verinha, muito boas \u00e9guas. Derek era um craque. Cheikh, muito bom cavalo. Fantasie era uma craque. Apple Honey era boa \u00e9gua. Siphon era um craque. Romarin, muito bom cavalo. Riton era um craque. Seaborg, vencedor do GP Carlos Pellegrini (gr.I), em recorde, era muito bom cavalo. E por a\u00ed segue a lista&#8230; \u00c9 muito bom sonhar com um Nearco, um Ribot, um Mill Reef e, mais recentemente, com Zarkava, Galileo, Urban Sea, Sea the Stars \u2013 o melhor animal que vi correr no exterior. Por fim, sonhos recent\u00edssimos, como Black Caviar, Treve e Enable. Sonhos brasileiros recentes: No Regrets e Bal a Bali.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/IzNEYHNBrbfZDq0.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-129995\" alt=\"IzNEYHNBrbfZDq0\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/IzNEYHNBrbfZDq0-300x214.jpg\" width=\"300\" height=\"214\" \/><\/a>Qual foi o p\u00e1reo que marcou a sua vida?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><em>R.:\u00a0A primeira corrida a que assisti na minha vida foi o Grande Pr\u00eamio Brasil de 1964. Assisti com minha av\u00f3 Celina na seta dos 400 metros, pois eu \u201cde menor\u201d, tinha 8 anos e n\u00e3o podia assistir das tribunas. Tive muitas emo\u00e7\u00f5es que marcaram minha vida com os cavalos&#8230; Mas acho que a maior de todas foi a vit\u00f3ria do Derek no Latino Americano de 1983. O Eduardo Guimar\u00e3es estava comigo no haras quando meu pai me telefonou dizendo que o Derek tinha se acidentado no trabalho final para o Latino. Quando chegamos na cocheira, a cena era de horror: Derek parado no centro da cocheira, com a cabe\u00e7a baixa, pingando sangue de sua narina. Seu olho esquerdo praticamente fechado. O Z\u00e9 Severino (treinador J. S. Silva), o Z\u00e9 Martins e o Joaquim, seu cavalari\u00e7o, todos cabisbaixos. O clima de tristeza era total. Demos um dia mais pro cavalo reagir. Fizemos gelo no boleto esquerdo e mais nada. No dia seguinte, al\u00e9m de um enorme hematoma na anca esquerda, o olho estava ainda mais fechado e o boleto tinha inchado um pouco. Por outro lado, n\u00e3o sangrava mais e havia comido tudo. O Derek era um cavalo de uma estrutura espetacular. O John Aiscan dizia que se tratava de um dos tr\u00eas indiv\u00edduos de melhor f\u00edsico e constitui\u00e7\u00e3o que ele tinha visto em vida. Drenou-se o boleto e a anca. Ele continuava comendo normalmente. Na ter\u00e7a-feira, o Z\u00e9 Severino disse que, para correr, ele tinha que trabalhar. Como o Alb\u00eanzio Barroso tinha se lesionado no acidente, foi escolhido o L. C. Silva para mont\u00e1-lo. Na quarta o Z\u00e9 deu-lhe um \u201ccarreir\u00e3o\u201d de 1600 metros. A cada minuto que passava, o Derek nos dizia \u201ceu quero correr\u201d. Tudo nele melhorava. N\u00e3o dava para acreditar! No dia da corrida, ao chegar no hip\u00f3dromo, com os rep\u00f3rteres em cima dele o tempo todo, Derek revelou-seu febril. O Z\u00e9 Severino, junto com o Z\u00e9 Martins, o pegaram e foram banh\u00e1-lo. Eu fui ao Tio Francisco comunicar-lhe de que o cavalo estava com febre. Quando cheguei de volta a febre tinha baixado. O cavalo correria. Derek era um cavalo com um mental, com uma atitude que s\u00f3 os campe\u00f5es t\u00eam. O resto voc\u00eas sabem. N\u00e3o conhe\u00e7o uma historia como essa no turfe. Minha emo\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o grande que no meio da reta apaguei. Ele era o forte e eu o fraco. Derek era fora de serie.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/BCirNfRMH4Xrov6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-129993\" alt=\"BCirNfRMH4Xrov6\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/BCirNfRMH4Xrov6-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/BCirNfRMH4Xrov6-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/BCirNfRMH4Xrov6-150x113.jpg 150w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/BCirNfRMH4Xrov6-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/BCirNfRMH4Xrov6-274x206.jpg 274w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/BCirNfRMH4Xrov6-250x188.jpg 250w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/BCirNfRMH4Xrov6.jpg 850w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>E a derrota mais sentida? O GP Brasil perdido por Baronius para Big Lark?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><em>R.: Em qualquer esporte voc\u00ea tem vencedor e vencidos. O que aconteceu no Brasil de 1980 foi um desrespeito aos tr\u00eas primeiros colocados, ao p\u00fablico turfista, aos criadores e propriet\u00e1rios dos animais. Aos treinadores e cavalari\u00e7os. O que os j\u00f3queis fizeram naquele dia representou uma mancha que nunca se apagar\u00e1 na historia da maior prova do turfe brasileiro. Quando desci, ainda no corredor onde os cavalos passavam, vi o Gabriel muito nervoso, entrando na pesagem. O Waldomiro, cavalari\u00e7o do Baronius, me disse \u201cLineu, olha o que esses bandidos fizeram com meu cavalo! Bateram na cara dele e o Gabriel disse que ele ainda foi segurado na manta\u201d! Eu, pasmo, n\u00e3o acreditava naquilo. Ao olhar a cabe\u00e7a do cavalo tinha duas marcas de chicote e ele estava com o olho direito fechado. Fiquei aguardando junto com o cavalo, dando como certa a desclassifica\u00e7\u00e3o. Na raia havia uma confus\u00e3o danada. A comiss\u00e3o de corridas n\u00e3o mandou nenhum veterin\u00e1rio examinar o cavalo. P\u00e1reo confirmado e a vergonha estampada nos jornais no dia seguinte. Um momento muito triste e vergonhoso do turfe carioca e brasileiro. Meu tio, presidente do Jockey Club Brasileiro \u00e0 \u00e9poca, aceitou aquilo com a classe que seus pais e a vida o ensinaram. Tudo muito triste.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Dentre as in\u00fameras hist\u00f3rias vividas por voc\u00ea no turfe, haveria algum causo que, seja pelo humor, drama ou quaisquer outras peculiaridades, voc\u00ea considere interessante compartilhar com o p\u00fablico leitor?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><em><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/nFFZkVdHvdfKfhY.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-129996\" alt=\"nFFZkVdHvdfKfhY\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/nFFZkVdHvdfKfhY-300x236.jpg\" width=\"300\" height=\"236\" \/><\/a>R.: Acho que os relatos sobre Baronius e Derek respondem essa pergunta&#8230; Mas contarei a hist\u00f3ria de meu av\u00f4 nunca ter visto um cavalo seu vencer o Grande Pr\u00eamio Brasil. Preparando\u2013se pra correr o GP Brasil de 1942, Albatroz, ent\u00e3o favorito da prova, teve um problema no casco. Ernani de Freitas, treinador do cavalo, relatou o ocorrido a meu av\u00f4, mas disse que aquilo n\u00e3o o impediria de ganhar. Meu av\u00f4 respondeu que n\u00e3o correria o cavalo com problema. A prova era em 3.000 metros e ele corria desferrado. Ernani ainda insistiu e recebeu outro \u201cn\u00e3o\u201d. \u201cCavalo meu n\u00e3o corre se n\u00e3o estiver s\u00e3o&#8221;! Ainda disse meu av\u00f4 \u201cesperemos ano que vem que a\u00ed, quem sabe, ele poder\u00e1 ganhar estando s\u00e3o\u201d. Albatroz, no final, das contas n\u00e3o correu. Meu av\u00f4 morreria naquele ano e Albatroz venceria os Grandes Pr\u00eamios Brasil de 1943, 1944 e ainda o Grande Pr\u00eamio S\u00e3o Paulo de 1944.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Qual \u00e9 o futuro do Haras S\u00e3o Jos\u00e9 &amp; Expedictus e sua opini\u00e3o sobre o atual momento do turfe brasileiro?<\/span><\/p>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><em><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/uM0je6EIVyt4Rq2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-129998\" alt=\"uM0je6EIVyt4Rq2\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/uM0je6EIVyt4Rq2.jpg\" width=\"451\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/uM0je6EIVyt4Rq2.jpg 451w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/uM0je6EIVyt4Rq2-106x150.jpg 106w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/uM0je6EIVyt4Rq2-211x300.jpg 211w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/uM0je6EIVyt4Rq2-145x206.jpg 145w, https:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/10\/uM0je6EIVyt4Rq2-250x355.jpg 250w\" sizes=\"(max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><\/a>R.: Atualmente o haras possui duas \u00e9guas. A ganhadora do GP OSAF (gr.I) e segunda colocada no GP Diana (gr.I), Helis\u00e2ngela, que est\u00e1 na Argentina. Ela tem, ao p\u00e9, uma potranca filha do Ec\u00f3logo, a quem dei o nome de Corbeille. No Brasil comprei a Flute, de cria\u00e7\u00e3o do Haras S\u00e3o Jose da Serra, filha do Refuse to Bend na Tale e Quale, por Jaraar. Ela tem 8 vitorias, \u00e9 filha de uma vencedora de G1 que j\u00e1 produziu ganhadora de G1 \u2013 That Sunday. Recebi, carinhosamente, uma cobertura do First American, do casal \u00c1lvaro e B\u00e1rbara Magalh\u00e3es, do Haras Figueira do Lago. Apesar de t\u00ea-la coberto, ficou vazia. Com a morte do First American, est\u00e1 sendo coberta por um cavalo que gosto muito: o Jeune-Turc. Ele tem performance, f\u00edsico, um \u00f3timo e moderno pedigree e em corrida sempre mostrou coragem \u2013 algo fundamental, n\u00e3o s\u00f3 no ser humano, mas nos atletas tamb\u00e9m. Espero, na sequ\u00eancia, mand\u00e1-la para o Agnes Gold, raz\u00e3o primeira de minha aquisi\u00e7\u00e3o. Minha vis\u00e3o do turfe brasileiro hoje \u00e9 de um turfe velho de ideias, de desafios, de vis\u00e3o e de coragem. De bom nos \u00faltimos anos, a excelente pista nova de grama do Jockey Club Brasileiro, seus acess\u00f3rios e tamb\u00e9m o aumento de pr\u00eamios, em valores reais, realizados pelo Presidente Luis Eduardo da Costa Carvalho; a pista de areia e seus implementos possibilitados pelo Presidente Carlos Palermo e a mudan\u00e7a \u2013 e moderniza\u00e7\u00e3o \u2013 do estatuto do Jockey Club de S\u00e3o Paulo pelo Presidente Eduardo da Rocha Azevedo. N\u00e3o acredito em sucesso de empresa nenhuma se n\u00e3o tiver S\u00e3o Paulo junto&#8230; O n\u00famero de animais nascidos no Brasil s\u00f3 cai. O \u00f3bvio vai acontecer, iremos ter dificuldades na forma\u00e7\u00e3o de p\u00e1reos. Estamos no photochart, na quarta coloca\u00e7\u00e3o, com o Uruguai. N\u00e3o utilizar nobres espa\u00e7os para aumentar os pr\u00eamios \u00e9, a meu ver, um grande e antigo erro de administra\u00e7\u00f5es passadas. N\u00e3o utilizar o pe\u00e3o do prado para trazer renda para as corridas de cavalo, fazer um \u201cBaixo Jockey\u201d muito melhor e mais bonito que o \u201cBaixo Leblon\u201d, que o \u201cBaixo G\u00e1vea\u201d n\u00e3o est\u00e1 na vis\u00e3o dos dirigentes. A falta de conhecimento, entendimento e coragem para um turfe decente no Brasil nos levou e ainda leva para uma situa\u00e7\u00e3o quase irrevers\u00edvel. Na melhor das hip\u00f3teses, sendo revers\u00edvel, levar\u00e1 no m\u00ednimo 5 anos para termos o devido retorno. As desculpas e as justificativas vir\u00e3o como sempre. \u00c9 uma das caracter\u00edsticas da incompet\u00eancia. Quem sobrar\u00e1? N\u00e3o existe turfe sem pr\u00eamios, assim como n\u00e3o existe atividade deficit\u00e1ria que se sustente. Simples assim.<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div><span style=\"font-size: large;\"><em>Entrevista concedida ao site da ABCPCC \/Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.abcpcc.com.br\/\" target=\"_blank\">Site da\u00a0A.B.C.P.C.C.<\/a>\/Imagens:\u00a0HSJ&amp;E<\/em><\/span><\/div>\n<div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><a>\u00a0<\/a><\/span><\/p>\n<div><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima semana foi ao ar a primeira parte da entrevista concedida por Lineu de Paula Machado ao\u00a0website\u00a0da ABCPCC. Neto de Linneo de Paula Machado, que por meio do Haras S\u00e3o Jos\u00e9 &amp; Expedictus ajudou a construir a hist\u00f3ria do turfe brasileiro, Lineu passeou por alguns dos mais fascinantes cap\u00edtulos do centen\u00e1rio estabelecimento e abordou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":130003,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-129991","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129991"}],"collection":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=129991"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129991\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/130003"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=129991"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=129991"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=129991"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}