

{"id":109074,"date":"2017-03-29T11:47:10","date_gmt":"2017-03-29T14:47:10","guid":{"rendered":"\/home\/?p=109074"},"modified":"2017-03-29T11:54:41","modified_gmt":"2017-03-29T14:54:41","slug":"turfe-brasil-da-epoca-de-1930-a-1960-milton-lodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jcb.com.br\/home\/noticias\/109074\/turfe-brasil-da-epoca-de-1930-a-1960-milton-lodi\/","title":{"rendered":"Turfe Brasil, da \u00e9poca de 1930 a 1960 (Milton Lodi)"},"content":{"rendered":"<h2><span style=\"font-size: medium;\"><strong>Turfe Brasil, da \u00e9poca de 1930 a 1960\u00a0<\/strong><\/span><span style=\"font-size: medium;\"><strong>(Milton Lodi)<\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Os textos referentes ao turfe brasileiro, refer\u00eancias desde cerca do ano de 1900, n\u00e3o s\u00e3o precisos, exatos. A falta de informa\u00e7\u00f5es fidedignas e de material de pesquisa obriga a uma an\u00e1lise sup\u00e9rflua, mas naturalmente dentro das verdades do conhecimento geral. Assim, as datas n\u00e3o s\u00e3o exatas, mas indicam as \u00e9pocas em que os fatos ocorreram. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">No final da d\u00e9cada de 20, a inaugura\u00e7\u00e3o do Hip\u00f3dromo de Cidade Jardim e da G\u00e1vea deu in\u00edcio a um novo comportamento. O dinheiro dos paulistas e dos cariocas come\u00e7aram a ser dirigidos para uma atividade seminova no Brasil, que passou a amparar-se nos grandes hip\u00f3dromos europeus, principalmente da Inglaterra e da Fran\u00e7a, e embora no princ\u00edpio de forma p\u00e1lida, dava in\u00edcio a uma nova fase. O Rio Grande do Sul continuava como o maior produtor de cavalos de corrida, enquanto que, no Paran\u00e1, houve um detalhe da maior import\u00e2ncia.<a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/01\/DERBY-MOSSORO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-102653\" alt=\"DERBY-MOSSORO\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2017\/01\/DERBY-MOSSORO.jpg\" width=\"238\" height=\"212\" \/><\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Com a ascens\u00e3o do poder da Rep\u00fablica do estadista Get\u00falio Vargas, um inteligente plano de administra\u00e7\u00e3o geral ocorreu no Brasil. Foi nomeado para Interventor no Estado do Paran\u00e1 um homem de larga vis\u00e3o de nome Manoel Ribas. Amante dos cavalos e de corridas, e ante a precariedade da cria\u00e7\u00e3o paranaense de ent\u00e3o, determinou que, nas propriedades, rurais ou n\u00e3o, onde houvesse \u00e9guas de cria da ra\u00e7a puro sangue ingl\u00eas de corridas, os impostos teriam benef\u00edcios com um bom desconto. Isso teve um efeito enorme, a procura por \u00e9guas de cria foi muito grande, e com isso a produ\u00e7\u00e3o de potros cresceu muito, naturalmente com reflexo nas ent\u00e3o incipientes corridas. Como incremento, instalou em Curitiba um posto de excel\u00eancia, isto \u00e9, com o que havia de melhor a \u00e9poca para que os criadores aprendessem o que havia ent\u00e3o de moderno. O chefe naquele n\u00facleo de melhorias chamava-se Heitor Berleze, e que, quando do posterior encerramento das atividades do n\u00facleo instrutor, foi contratado pelo Haras Paran\u00e1, agregando-se a excel\u00eancia das terras do Haras, como um dos maiores respons\u00e1veis pelos bons resultados. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Enquanto isso, em S\u00e3o Paulo, a \u00e9poca o grupo que mais ganhava dinheiro no Brasil, os chamados &#8220;Bar\u00f5es do Caf\u00e9&#8221;, que eram chamados de &#8220;guru&#8221; do Brasil, abriram espa\u00e7o em suas grandes \u00e1reas produtoras de caf\u00e9 para a implanta\u00e7\u00e3o de haras pretensiosos, que dessem condi\u00e7\u00e3o de vit\u00f3rias importantes. Vaidade e amor transformaram a cria\u00e7\u00e3o paulista, onde j\u00e1 havia alguns fazendeiros rica\u00e7os que dominavam o setor, alguns deles das tradicionais fam\u00edlias paulistas Lara e Assump\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><a href=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2012\/11\/mossoroCavalo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-21503\" alt=\"mossoroCavalo\" src=\"http:\/\/www.jcb.com.br\/imagens\/2012\/11\/mossoroCavalo-300x230.jpg\" width=\"300\" height=\"230\" \/><\/a>Com a inaugura\u00e7\u00e3o dos dois grandes Jockeys Clubs, o interesse foi t\u00e3o grande que o empres\u00e1rio Ant\u00f4nio Joaquim Peixoto de Castro J\u00fanior, ent\u00e3o detentor por concess\u00e3o do Governo Federal, da Loteria Federal, lan\u00e7ou o famoso Sweepstake, uma rica premia\u00e7\u00e3o associando as corridas de cavalo com o sorteio da Loteria Federal. O pr\u00eamio maior era descomunal para a \u00e9poca, 300 contos de r\u00e9is, e vieram para o Grande Pr\u00eamio Brasil de 1933 cavalos de quase todos os cantos do mundo, e a vit\u00f3ria de <strong>Mossor\u00f3-foto<\/strong>, um cavalo pernambucano, deflagrou uma grande onda de evolu\u00e7\u00e3o no setor. At\u00e9 por volta de 1940, foram surgindo haras movidos pelo entusiasmo. Mas foi entre 1940 e 1950 que os paulistas, \u00e0 custa de muito entusiasmado e dinheiro, constru\u00edram um n\u00facleo de alt\u00edssimo padr\u00e3o. <em>Aos Haras S\u00e3o Jos\u00e9 e Expedictus, Mondesir e mais uns poucos, vieram a se juntar os Haras S\u00e3o Quirino, Bela Esperan\u00e7a, Patente, Faxina, Terra Branca, Bela Vista, Ipiranga, Guanabara, Santa Anitta, Calunga, Castelo, Eduardo Guilherme, Jah\u00fa e Rio das Pedras<\/em>, e muitos outros, que deram a S\u00e3o Paulo a lideran\u00e7a nacional tanto no setor cria\u00e7\u00e3o como no das corridas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Naquela fase, o mais destacado haras ga\u00facho era o<em> Haras do Arado<\/em>, do empres\u00e1rio Breno Caldas, que em lugar de ficar atrelado \u00e0s sobras argentinas, o que era at\u00e9 natural porque a Argentina era a l\u00edder destacada na Am\u00e9rica do Sul, pela quantidade de sua produ\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m pela supremacia quase absoluta nas pistas do continente, consequ\u00eancia de sistem\u00e1ticas boas importa\u00e7\u00f5es, chegando ao ponto de levar para a cria\u00e7\u00e3o Argentina, se n\u00e3o me falhe a mem\u00f3ria, quatro ganhadores do Derby de Epsom. Mas o haras de Breno Caldas, que contava com o apoio t\u00e9cnico de Luiz Fernando Cirne Lima e de Nestor Magalh\u00e3es, trouxe Dark Warrior (Derby da Irlanda), Estoc e outros tamb\u00e9m de pontos altos da cria\u00e7\u00e3o europeia. O Paran\u00e1 criava bem mas com maior mod\u00e9stia, e S\u00e3o Paulo disparando \u00e0 frente, com os melhores animais, as melhores t\u00e9cnicas internacionais de cria\u00e7\u00e3o, os melhores pedigrees j\u00e1 de padr\u00e3o internacional, e com isso passando a representar, no Brasil, o que havia de melhor internacionalmente. Naturalmente, esse enorme sucesso refletia em boa parte a vis\u00e3o dos seus l\u00edderes, que comandavam o JCSP. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">O ano de 1960 marcou \u00e9poca internacional quando, sob os ausp\u00edcios de Luiz de Oliveira Barros, ent\u00e3o Presidente do JCSP, bancou a ida de 8 animais paulistas para participar da semana do Grande Pr\u00eamio 25 de Mayo, na Argentina, para participarem das 4 principais provas da semana. O absoluto sucesso, com 4 vit\u00f3rias nos 4 p\u00e1reos, evidenciou a enorme evolu\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o nacional. Os oito animais eram todos paulistas, de nascimento e cria\u00e7\u00e3o, evidenciando uma qualidade indiscut\u00edvel. No primeiro dos 4 p\u00e1reos, em 1\u00ba <strong>Elizabeth<\/strong> (Hs. Ipiranga), com Excentria (Hs. Guanabara) em 4\u00ba. No 2\u00ba dos 4 p\u00e1reos, em 1\u00ba <strong>Major&#8217;s Dilemma<\/strong> (Hs. Terra Branca), em 6\u00ba Lohengrin (Hs. Guanabara). No 3\u00ba dos 4, em 1\u00ba <strong>Derah<\/strong> (Hs. Ipiranga). No 4\u00ba dos 4, em 1\u00ba <strong>Escorial<\/strong> (Hs. Guanabara), em 2\u00ba Farwell (Hs. Jah\u00fa e Rio das Pedras) em 5\u00ba Marvin (Hs. Faxina). Foi na verdade um arraso, e provocou uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o turfistica na Argentina. O Presidente Luiz de Oliveira Barros foi substitu\u00eddo pelo criador e banqueiro Jo\u00e3o Adhemar de Almeida Prado, que colocou em ordem o entusiasmo anterior, e que foi substitu\u00eddo pelo empres\u00e1rio Hernani de Azevedo Silva, que com maestria empresarial fez investimentos e preparou o clube, para um futuro ainda melhor. \u00c9poca de ouro do turfe paulista. Um detalhe que n\u00e3o parece importante, mas que na verdade foi muito especial, foi a ida do ent\u00e3o Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, que em atitude de larga sabedoria, foi de Bras\u00edlia para S\u00e3o Paulo homenagear, na semana seguinte \u00e0quele feito extraordin\u00e1rio, a Diretoria do JCSP e os participantes do grande sucesso, criadores e propriet\u00e1rios, assistindo a um galope triunfal dos oito corredores paulistas. O ano de 1960 encerrou o per\u00edodo 1930\/1960.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Turfe Brasil, da \u00e9poca de 1930 a 1960\u00a0(Milton Lodi) Os textos referentes ao turfe brasileiro, refer\u00eancias desde cerca do ano de 1900, n\u00e3o s\u00e3o precisos, exatos. A falta de informa\u00e7\u00f5es fidedignas e de material de pesquisa obriga a uma an\u00e1lise sup\u00e9rflua, mas naturalmente dentro das verdades do conhecimento geral. 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