Já há alguns anos, não poucos, que as mulheres estão assumindo posições importantes no turfe mundial. Em muitos países, é grande o número de mulheres que trabalham como cavalariças, especialmente nos Estados Unidos. Há mulheres treinadoras e também joquetas. No Jockey Club Brasileiro, de 1950, Inah de Moraes foi talvez a primeira treinadora. Casada com um intelectual das letras e da política, cuidava de uns tantos animais. Ela era também jornalista, escrevia em jornais sempre sobre turfe, e com estilo agressivo e contundente, criticava violentamente o então Presidente do JCB, que durante cerca de 40 anos dominou o cenário turfístico carioca, quase sempre na Presidência e ocasionalmente através de homens de bem mais que na verdade funcionavam como simples marionetes, enquanto o verdadeiro comandante figurava como vice-presidente. Era uma forma equivocada de não mostrar que ele era na verdade o dono da festa. Muitos dos Diretores eram homens de bem, respeitáveis e respeitados, mas que sabiam que lá estavam para seguir as instruções de quem na realidade mandava. Nem sempre mandava bem, mas mesmo sem contar com o apoio dos verdadeiros interessados, os proprietários de cavalos e os treinadores, contava com a maioria do quadro social. Como menos de 10% dos sócios do JCB tem interesse pelo turfe, a esmagadora maioria apoiava inconscientemente da então realidade, o representante da tradição turfística. E assim a Diretoria do JCB era um alvo fácil para a treinadora e jornalista Inah de Moraes, que com a sua pena ferina discordava, quase sempre com razão, e apelidos jocosos procurava ridicularizar Diretores do Clube. Muitas vezes sofreu punições, foi até mesmo proibida temporariamente de entrar nas dependências do JCB, o que fazia enfurecê-la ainda mais. Era uma mulher que havia freqüentado bons colégios, mas a sua paixão por um bom turfe a tirava do sério, e ela expressava as suas opiniões desassombradamente. D. Inah de Moraes marcou a sua passagem pelo turfe carioca.
Com o passar dos tempos, uma ou outra mulher eventualmente surgia como treinadora. Claudia Cury, casada com o treinador Leopoldo José Cury, por sinal dos melhores, antes de abandonar a profissão, teve muitos bons momentos, teve o seu brilho próprio. Simultaneamente com o seu abandono da profissão, surgiu uma irmã dela, Cristina Rezende, que é hoje sem favor um dos principais nomes de sua profissão na Gávea. Merece a confiança de proprietários que lhe entregam aos seus cuidados cerca de 50 animais, é freqüente ganhadora.
No que diz respeito à joquetas, a primeira a despontar com boa qualidade foi a gaúcha Suzana Davis, que após marcar a sua presença com muita qualidade, e isso por um bom tempo, terminou se aposentando da profissão e, já há muitos anos, é a competente juíza de partidas do Jockey Club do Rio Grande do Sul. Entre as que mais se sobressaíram nos quatros principais Hipódromos Brasileiros, até 2015, dois destaques, Josiane Gulart e Jeane Alves, a primeira em todos os hipódromos que passou, inclusive defendendo o Brasil em promoções internacionais com expressivas vitórias, e a segunda tendo se firmado como uma ótima opção, mesmo ante dos melhores jóqueis de Cidade Jardim terem migrado para Buenos Aires e para a Gávea. No último trimestre de 2015, a extraordinária Josiane Gulart parou por quase um ano, pois entendeu de ter um filho. Nasceu em junho de 2016 a menina Heloísa, que tem como pai o competente jóquei Vagner Leal, marido de Josiane. Quando Josiane Gulart voltou a montar, e na Gávea, para onde ela e o marido haviam se transferido de Cidade Jardim, isso no mês de setembro de 2016, ela encontrou uma joqueta novata, uma verdadeira estrela, que com 17 anos de idade, filha do mais do que bom Alex Mota, que nas duas primeiras semanas como joqueta venceu 10 páreos.
Um feito na verdade extraordinário. Enquanto Josiane Gulart foi recuperando a sua forma física e técnica, Vitória Mota seguiu ganhando muito, e antes do fim de outubro já estava com mais de 40 vitórias. Mas Josiane já voltou à antiga forma, montando até com 52 kg, encontrando a menina Vitória, bem pequena e com 1 metro e 51 de altura, fazendo folgados 50 kg. As joquetas Josiane Gulart e Vitória Mota, já estão marcando com louvor as suas presenças no turfe carioca. Josiane Gulart, com sua alta classe e experiência, e Vitória Mota, com suas qualidades e ainda tendo como professores na Escola de Jóqueis do JCB os ótimos Marcelo Cardoso e José Machado Filho, e ainda em casa com o pai, Alex Mota, sem favor um dos melhores jóqueis que já passaram pelas pistas brasileiras, as duas estão acima do padrão técnico médio do seleto grupo de jóqueis que atuam no Hipódromo da Gávea. No que diz respeito às veterinárias, cerca de meia dúzia atendem não só os animais alojados no Hipódromo como também os dos Centros de Treinamento. Apenas para citar, Carolina Regis e Cristina Vieira são as mais atuantes, mas Márcia Ramos e Adriana Lioli também figuram com destaque.
De um modo geral, admitindo por simples lapso de memória, ter omitido involuntariamente um ou outro nome, esse é, no meu entender, o panorama feminino no JCB. As mulheres estão aos poucos ingressando no universo do turfe, e de um modo geral com qualidades.
