O presidente da Organização Sulamericana de Fomento ao Puro Sangue de Corrida (OSAF), Carlo Rossi, foi entrevistado na última semana pelo tablóide uruguaio El País, em seu caderno esportivo (Ovación). No bate papo com o jornalista Héctor García, em meio às reuniões da entidade, de seus conselhos e da Conferência Internacional de Químicos e Veterinários de Corridas (ICRAV), em Montevidéu, no Uruguai, o dirigente falou sobre o que espera do futuro do turfe no continente.
Confira abaixo a tradução da entrevista (cujo conteúdo original pode ser acessado aqui).
EP: Como você viu Conferência Internacional de Químicos e Veterinários de Corridas?
CR: Eu o vi muito bem, é um evento de grande magnitude que o Uruguai conseguiu organizar de forma exitosa. É difícil montar eventos dessa natureza, como fizeram aqui. Colocaram a região numa posição de boas perspectivas e em minha opinião, tudo foi exitoso.
EP: Durante o congresso se falou de tolerância zero para medicações nas corridas. Poderemos chegar a esse ponto na América do Sul?
CR: Eu expliquei no painel: isso consiste num processo. Creio que na América do Sul o processo já se iniciou, na última reunião da Diretoria da OSAF fizemos a recomendação (para as entidades membro) e debatemos o tema. O Uruguai acatou a recomendação e irá lhe implementar em 2017. Entendo que o resto dos hipódromos tomarão decisões (sobre o tema) durante o próximo ano. No Sporting (Club de Valparaíso, no Chile, que é representado por Rossi na OSAF) faremos um programa gradual iniciando o processo com os clássicos de G1 e logo extendendo aos demais G2, G3 e listed races. Esse processo tende a ser irreversível, tudo precisa de um fundamento. Aqui, quando se realiza a venda de um cavalo de corrida e alguém paga muito dinheiro por ele, (esse alguém) precisa da certeza de que tudo o que esse cavalo demonstrou em pista é real, não fictício, e que não foi conseguido por meio de medicação, dando provas de honestidade e transparência. O comprador não pode adquirir algo que não é realmente aquilo que está comprando. O tema, nesse ponto, é indiscutível. Desde o ponto de vista ético e moral, da transparência, devemos demonstrar que nossos cavalos competem de igual para igual com os cavalos na Europa ou Ásia. Isso é parte da obrigação que cabe à OSAF.
EP: Mais um GP Longines Latinoamericano se aproxima. Como está a organização em Valparaíso?
CR: Vamos realizá-lo na grama e em 2.400 metros. Estamos trabalhando faz vários meses em todas as pautas relativas ao Latino, temos avançado e temos parte da tarefa realizada. Não se deve esquecer que nós temos o Derby um mês antes. Os dois eventos são autônomos entre si, mas muito do que se faz para um se aproveita para o outro. Esperamos no próximo dia 5 de março atingir todas as expectativas que as pessoas possuem a cada novo Latino que é disputado. Devemos pensar que (quem já foi alguma vez ao Derby sabe disso) organizar o Latino um mês depois (do Derby) é um desafio enorme. É algo difícil de se superar. Quanto ao público e outra série de aspectos também não será fácil. Vamos empregar nossos esforços para que o Latino seja uma jornada memorável e acreditamos que assim será. Viña Del Mar é uma cidade muito identificada com o hipódromo. Em Vinã e em Valparaíso temos mais de um milhão de pessoas nos arredores do hipódromo. Portanto, através de uma boa campanha e de uma promoção efetiva, realizaremos um Latino com o brilho que um clássico dessa natureza merece.
EP: Se os países da região buscam prosperar, seria importante possuir um laboratório certificado pela IFHA (Federação Internacional de Autoridades Hípicas) aqui na América do Sul?
CR: É o ideal, é algo pelo qual se tem que trabalhar. Quanto ao tema há fatores que fogem da alçada da OSAF, como por exemplo a disponibilidade de investimentos daqueles (laboratórios) que podem ingressar no processo de certificação. Não é um processo fácil, tampouco rápido, mas o nosso objetivo é que haja um, ou mais, laboratórios (certificados pela IFHA) na América do Sul. Quantos mais laboratórios houver, melhor para nós. Esperamos que aqueles que solicitaram informações possam iniciar o processo de certificação e concluí-lo, definitivamente. É uma vantagem possuir um laboratório próximo dada a rapidez dos resultados. Oxalá algum país da região consiga isso.
