Não é novidade para ninguém que a Escola de Profissionais do Turfe sempre revela novos e talentosos pilotos. A cada período nasce uma estrela dentro dos muros da EPT. Foi assim com vários jóqueis que estão brilhando por aí, o mais recente deles, é V. Mota, a menina que está encantando o Jockey Club Brasileiro com suas vitórias e conduções de gente grande. E na próxima semana, a instituição coloca em cena mais uma de suas joias: Antônio Francisco Rodrigues, 18 anos, natural do Piauí. Garoto simples que tem uma história que se parece muito com algumas que são contadas por aí, em diversas áreas, principalmente no Rio e em São Paulo. Aquela do menino nordestino pobre que sai de casa muito cedo para ajudar a mãe e os irmãos e vai em busca de um lugar ao sol no Sudeste. Para A. Rodrigues, a história está quase 100% certa, a não ser por um detalhe: o sonho de se tornar um jóquei!
– Desde pequeno eu sempre montei cavalos, nunca tive medo. Todos sempre me incentivaram a buscar esse sonho, mesmo com todas as dificuldades. Agradeço muito ao Tatinho (amigo) e ao J. F. Reis (Reisinho), que me ajudaram muito em todos os sentidos. Não é fácil chegar aqui e vencer. Eu já cheguei, agora chegou a hora de vencer – afirmou.
A. Rodrigues, mais conhecido no prado como Pirulito, entrou na escolinha no último mês de fevereiro (foto). Com a experiência e o talento revelados acima, não demorou muito para o garoto entrar no caminho da evolução física, técnica e mental imposta pela exigente coordenação da EPT, para que pudesse entrar na raia para competir. Chegada a hora da estreia, (Antônio assinará as montarias para o conjunto de programas dos dias 04, 05, 06 e 07 de novembro) o aprendiz de 4º categoria revela que a ansiedade toma conta, mas nada que atrapalhe a vontade de alcançar os seus objetivos na profissão.
– Vim pra cá para realizar meu sonho de ser jóquei profissional e para ajudar a minha mãe. Quero muito ajeitar a casa dela, pois ainda é feita de barro e madeira. Vou ganhar dinheiro, pois assim posso dar condições melhores para ela e meu pai, que toma remédios. Quero dar uma vida melhor para eles – revelou.
Confira a entrevista completa com A. Rodrigues:
INÍCIO NO TURFE
Eu larguei a escola para montar cavalos. Ganhava dinheiro para ajudar lá em casa, pois somos em 12
irmãos. Como eu comecei a me destacar, um amigo que morava próximo de mim, me levou para o Ceará. Passei 15 meses lá montando. Me destaquei e fui para Pernambuco. Como lá já tinha aprendiz, eu não consegui ficar. Ligamos para São Paulo, mas não me aceitaram por causa da idade. Foi aí que o Leandro Henrique, que estava de férias em Pernambuco, ligou para o Marcello Cardoso (coordenador da EPT), que disse que eu poderia vir fazer a seleção. Cheguei aqui e graças a Deus consegui entrar na escolinha.
MOMENTOS DIFÍCEIS NO NORDESTE
Passei fome somente no Ceará, eu iria trabalhar para o presidente do jockey de lá, mas quando eu cheguei, ele estava fora. Demorou 15 dias para retornar. Nesse período, eu passei fome, mas foram só esses 15 dias. Na minha infância pode ter faltado tudo, menos comida. Não teve isso (fome), minha mãe nunca deixou faltar comida em casa.
Isso mudou a minha vida totalmente. Cheguei aqui sem ter nada, só com o sonho e a vontade de vencer. Hoje tenho aulas, uma alimentação regrada, tem academia e pessoas para nos orientar. Mudei muito a minha cabeça, pois a oportunidade que tenho aqui não teria em nenhum outro lugar. Lá (Piauí) eu poderia ir para o caminho do crime, mas tive essa chance e não vou desperdiçá-la.
MARCELLO CARDOSO
Sem o Marcello eu não iria conseguir. Ele foi um grande jóquei, mas não é só isso. A qualidade dele na hora de ensinar é o que faz a diferença. Isso é como se fosse um dom que ele tem. Tenho que agradecê-lo, pois melhorei 1 km do que eu era em cima de um cavalo.
ANSIEDADE PARA A ESTREIA
É uma emoção muito grande, aqui estou no principal hipódromo do Brasil, dá um frio na barriga. Mas vim para vencer e a minha oportunidade chegou para isso. Vou dar o meu melhor para retribuir tudo que todas as pessoas que me ajudaram fizeram por mim.
Tudo vai depender do treinador, vou fazer o que ele quer, para na volta ter a montaria de novo. Vai depender do cavalo também, né? (risos).
O QUE ESPERAR DE A. RODRIGUES
Muito empenho, muita dedicação e muita força de vontade. A chance que tive aqui eu tenho que honrá-la. Vou fazer de tudo para vencer e não quero decepcionar. Tudo que estiver ao meu alcance eu vou fazer.
Por Emerson Silva e Sylvio Rondinelli Fotos: Sylvio Rondinelli


