Dia do Veterinário: referência para os mais jovens, Dr. Flávio Carneiro conta a sua história de vida dentro do JCB » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Dia do Veterinário: referência para os mais jovens, Dr. Flávio Carneiro conta a sua história de vida dentro do JCB

flaviocarneiroEm qualquer área profissional, seja ela qual for, a formação de ídolos é mais do que normal. Por diversos motivos, esses ídolos se transformam em exemplos para os mais novos que almejam chegar perto ou, até mesmo, igualar o feito, o trabalho ou os títulos conquistados. E em um esporte como o turfe, vemos estes tipos por todos os lados, começando pelas estrelas da companhia, os animais. Um dos setores que podemos citar uma pessoa incluída neste status, referência de 8 entre 10 profissionais da área, é o médico veterinário Dr. Flávio Carneiro. Com 32 anos de profissão, Dr. Flávio é um mago do tratamento de PSIs e tem entre as estrelas que passaram em suas mãos os incríveis Sandpit, Redattore, Glória de Campeão, Hot Six, Universal Law, entre outros. O site do JCB conversou com este craque da medicina veterinária que contou um pouco de sua história dentro do turfe.

Confira a entrevista completa:

Qual sua idade e quando se formou em veterinária?

Formei-me em 1984, na Universidade Federal Fluminense e estou com 54 anos.

Dr. Flávio, conte um pouco sobre a sua história até chegar onde o senhor chegou.

Sou frequentador do Jockey desde 1970, quando fui levado pelo meu pai, fã das corridas. Nunca pensei em fazer uma carreira acadêmica, sempre priorizei a clínica e a cirurgia. Após minha graduação, já fazendo estágio no JCB e SHB, fui para a Universidade da Flórida, em Gainesville, onde fiquei por um ano. Frequento cursos e estágios regulares, especialmente nos EUA, onde fiz grandes amigos na Rood and Riddle Equine Hospital, em Lexington. Tive oportunidade de trabalhar regularmente na França, Inglaterra, Dubai e Suécia, onde pude conviver com excelentes profissionais, cada um com sua técnica e estilo.

Você teve influência de alguém para trabalhar com cavalos?

Sempre fui um apaixonado pelos cavalos e, através do meu pai, iniciei-me nas corridas. Daí para fazer veterinária e trabalhar com eles foi um passo.

E quando foi exatamente que o senhor começou a trabalhar com cavalos de corrida?

Comecei meu estágio em 1981, no 2º ano da universidade.

Qual a sua maior alegria no turfe?

Prefiro reservar as alegrias para o aspecto técnico e profissional. Uma cirurgia bem realizada, uma recuperação eficaz, um procedimento bem sucedido, são exemplos do que me proporciona imensa satisfação.

Qual foi o melhor cavalo que esteve aos seus cuidados?

Tive o privilégio de cuidar de grandes animais. Posso citar, tentando não ser injusto com nenhum, e, até mesmo, em agradecimento a eles, Sandpit, Redattore, Sweet Eternity, Straight Flush, Fleur Jet, Fluke, Glória de Campeão, Hot Six, Universal Law, como alguns dentre os ídolos que o turfe tanto precisa. Craques com C maiúsculo. Além de um vasto número de ótimos e grandes cavalos que o espaço não permitiria incluir.

O senhor já teve vários cavalos bons aos seus cuidados ,teve alguma derrota marcante em alguma prova importante?

As vitórias e derrotas fazem parte do contexto turfístico.  Serem absorvidas com serenidade e maturidade é uma grande sabedoria.

Qual o melhor jóquei que você considera como o melhor de todos?

Não me cabe citar um em específico, temendo ser injusto com outros. Para um veterinário, as vezes um jóquei sem grandes títulos ou vitórias, que consegue ajudar na interpretação de uma avaliação física, tem um valor inquestionável, tanto quanto os grandes vencedores.

O senhor já trabalhou com inúmeros treinadores, me diga um em especial que teve algo marcante?

Todos os que convivi e convivo tem seu lado especial. Com alguns acontece uma identificação maior. Mas sou fiel admirador dos treinadores que conseguem “interpretar” as necessidades atléticas dos seus animais.

Como o senhor vê o turfe atualmente? 

Estamos realmente passando por um momento muito difícil, inédito para muitos, mas torço para que isto seja revertido para o bem de uma atividade tão bonita e que gera um número imenso de empregos.

E qual sua ideia para um futuro melhor para o turfe brasileiro? 

Os gestores dos diversos segmentos do turfe são pessoas mais abalizadas e preparadas para tentar reverter o quadro delicado em que nos encontramos.

O senhor gostaria de agradecer a alguém em especial, ou deixar uma mensagem ao publico turfista? 

Não poderia deixar de agradecer a paciência da minha mulher e filhas, em uma profissão que tanto demanda do nosso tempo. Agradeço, ainda, aos profissionais e colegas que participaram e participam da minha jornada, aos clientes que me apoiaram e apoiam até hoje e, finalmente, aos cavalos que nos proporcionam um espetáculo tão atraente. 

Por Leandro Mancuso, Emerson Silva e Sylvio Rondinelli. Foto: Sylvio Rondinelli

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