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O Calendário Clássico para 2017 (Milton Lodi)

         Os meses de agosto e setembro são os últimos de que dispõe as comissões de corridas dos clubes promotores de corridas para preparar e finalizar seus calendários clássicos para o próximo ano. Outubro é o mês para revisões e eventuais acertos, mandar os textos para as gráficas e ainda para as revisões finais, já que em novembro há de serem feitas as necessárias publicações, já que os proprietários e os treinadores possam, com pelo menos um mês e meio de antecedência, estudar e planejar as campanhas dos corredores supostamente melhores. O calendário clássico do Jockey Club Brasileiro, já de alguns anos, foi armado pela competência do saudoso Marcos Araujo Ribas de Faria, o expert Marcos Ribas, conhecedor do que ocorre no turfe civilizado, o europeu, e assim desde alguns anos o calendário clássico do JCB segue conceitos do que há de melhor. O assunto é fascinante, e em decorrência do entra e sai de diretores com as periódicas eleições determinadas pelos Estatutos Sociais do Clube, a bem da verdade, a espinha dorsal do calendário e os tecnicamente pontos mais importantes daquela programação clássica permanecem respeitados, e dentro de uma linha internacional.

Eu pessoalmente tenho pequenas discordâncias, algumas poucas opiniões divergentes, mas nunca procurei o Marcos Ribas para fazer sugestões de alterações, pois entendo que o saber das coisas turfísticas de Marcos Ribas estava muito acima do entendimento geral. Mas há detalhes interessantes. Tradicionalmente, cerca de quatro semanas antes da semana do GP Brasil, era disputado o GP 11 de Julho, para éguas, em 2.000 metros, como páreo preparatório do chamado “Brasil das Éguas”, que posteriormente foi chamado de GP OSAF e desde algum tempo é o GP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra. Com a morte do Dr. Adayr, aquele Grande Premio recebeu o seu nome, e a data comemorativa da inauguração do Hipódromo da Gávea, 11 de julho de 1926, passou a ser a Taça. Assim, o referido páreo chama-se GP Adayr Eiras de Araujo (Taça 11 de Julho). O Dr. Adayr merecia figurar como um grande premio importante, mas parece-me que a solução encontrada não é boa. Dê-se o nome do ótimo turfista a outra prova de Grupo I ou II, mas respeite-se a data da fundação do hipódromo. Essa é a opinião de quem tinha um bom relacionamento com o importante médico oncologista, homem de fino trato e amigo de todos, e que no meu entender recebeu uma honraria justa mas inadequada. Outro detalhe que na minha opinião deveria ser corrigido é o nome do benemérito Antonio Joaquim Peixoto de Castro Junior figurar como Grupo II. Não me parece justo caber ao Dr. Peixoto um Grupo II, teria que ser Grupo I e sem discussões. Não há dúvidas quanto ao fato de que a influencia de quem mandou no JCB por cerca de 40 anos ainda está presente. Há uma importante prova de Grupo com o nome de Francisco Vilela de Paula Machado, figura desconhecida da maior parte dos turfistas. Certa vez, perguntaram a Linneo de Paula Machado, o Lineozinho, quem teria sido o homenageado, e a resposta foi simples, o benemérito Linneo de Paula Machado, figura maior do turfe brasileiro, fizera aquela homenagem ao pai dele havia mais de 80 anos, um fazendeiro que nada tinha a ver com o JCB, e na opinião do próprio Lineozinho, era uma homenagem hoje sem maiores justificativas. Essa importante prova clássica, por exemplo, poderia passar a se chamar Adayr Eiras de Araujo, voltando o GP 11 de Julho como preparativo do chamado “Brasil das Éguas”. Quanto ao páreo do Dr. Peixoto, com um pouco de boa vontade seria encontrado um Grupo I para ele. Esses pequenos ajustes seriam a normalização das nomenclaturas, que durante muitos anos sofreram a intervenção direta de quem mandou no JCB por cerca de 40 anos. Não é mudar em termos de confrontos menores, mas acertar o que foi feito praticamente de forma injusta e incorreta. Certa vez eu falei com o Marcos Ribas sobre o assunto, mas ele desconversou, não quis dizer de influencias recebidas. Por isso, sem outro escopo senão o de um ou outro acerto necessário, penso que a comissão de corridas do JCB deveria manter o calendário clássico para 2017 como ele foi deixado por Marcos Ribas, sem mexer nele, e durante mais um ano, para 2018, sem pressa e de modo imparcial, ouvir opiniões e sugestões que eventualmente se apresentem como boas idéias e sem qualquer influencia de cunho político partidário. Vamos manter o que Marcos Ribas nos deixou, e assim teríamos pelo menos um ano a mais para analisar.

                 Apenas, como pequeno exemplo, do que se pode acontecer em decorrência de novos diretores com idéias novas e próprias, no Jockey Club de São Paulo, há uns poucos anos, foi instituído um Grande Premio de Grupo I para potrancas de 2 anos, em abril. A grita geral foi grande quanto ao absurdo, e na programação clássica do ano seguinte a aberração foi suprimida.

                 Vamos aguardar com calma pelo menos durante um ano, dessa forma homenageando o saudoso expert Marcos Ribas, e dar tempo para se pensar em eventuais boas alterações.

 

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