Ela é bonita, carismática, inteligente, esforçada e grande apreciadora de turfe. Assiste páreos antigos, do Rio, de São Paulo, além dos internacionais. Tudo porque gosta mesmo do Esporte dos Reis. É uma verdadeira turfista. São tantos adjetivos para esta menina que poderíamos gastar um parágrafo só com eles. No entanto, o elogio que ainda lhe falta deverá começar a se desenhar a partir da próxima semana: a qualidade na condução de um puro sangue. E este, inclusive, é o grande sonho de Victoria Mota, 17 anos, joia das mais preciosas que a consagrada Escola de Profissionais do Turfe já produziu. Por mais elogios referentes ao seu talento já comecem a fazer parte do seu dia a dia, a menina sabe que para fazer qualquer tipo de avaliação, é preciso trabalhar e trabalhar muito. Além de estrear, é claro. O primeiro dos passos já foi dado, com a matrícula de aprendiz de 4ª categoria que já saiu na resolução da Comissão de Corridas do JCB.
Mesmo sendo uma jovem muito madura para a sua idade, a responsabilidade de finalmente poder entrar na raia para disputar um páreo ainda a assusta. Também, não é todo o dia que uma garotinha de 48 kg sobe em cima de uma animal de cerca de 500 kg para conduzi-lo. Mas, por incrível que pareça, o que a assusta não é em relação à parte técnica, ou o que aprendeu em todo esse tempo na escolinha, algo em torno de um ano. Para Victoria, a V. Mota dos programas a partir de agora, ser uma joqueta nascida e criada no Jockey Club Brasileiro é algo que transcende a condução de um cavalo ao disco.
– Não tenho noção disso tudo. As pessoas me falam, me param aonde eu vou aqui dentro e eu fico dizendo para ir com calma, fico um pouco nervosa com isso tudo. Depositam muita confiança em mim, mas também uma responsabilidade muito grande. A Mayra (gerente de turfe) veio me falar outro dia que o meu nome no programa deveria ser Vic para que o público soubesse que eu sou uma joqueta. Fico um pouco assustada com essa responsabilidade toda. Eu sabia que iria ser badalada a minha estreia, mas não dessa forma. 
Confira aqui a entrevista completa de V. Mota para o site do JCB:
JCB: Como está o seu coração para a estreia?
V. Mota: Eu pensei que seria mais tranquilo, que não ficaria nervosa. Mas estou muito nervosa. Ontem (segunda-feira) eu fui bater o peso. Eu estava superbem, mas quando eu entrei na fila para subir na balança, eu estava atrás do V. Gil e do Leandro Henrique. Olhei para o alto e disse: “Meu Deus, estou aqui e agora não dá para fugir”. Comecei a tremer e minha perna quase não conseguiu subir na balança. Acho que o frio na barriga só vai acabar quando eu subir no cavalo na próxima semana.
JCB: Você filha do Alex Mota, craque na arte de conduzir um cavalo. Está preparada para as comparações?
V. Mota: Minha responsabilidade é grande, nasci escutando muitas coisas sobre ele e isso é muito importante pra mim. Ele como piloto é de outro planeta! Em cima do cavalo, é um fenômeno, sabe fazer como ninguém a condução do cavalo. A comparação vai existir tanto para o bem, quanto para o mal. Todo mundo sabe que ele fez coisas maravilhosas na carreira, mas fez coisas ruins. E sei que se eu fizer as coisas direito, vão falar bem, mas se eu vacilar, vão dizer: “Olha lá, puxou o pai”
JCB: O seu avô (O.J.M.Dias) é outro que vive e respira turfe. Grande treinador e proprietário…
V. Mota: Deixa eu falar uma coisa: sou apaixonada por esse velho! É um cara maravilhoso, antigo, cascudo, ranzinza, ele é incrível, conta sempre as mesmas histórias, briga e grita, na raia ele grita muito comigo. Ele é avô de verdade, só tenho que agradecer por ter um avô. Não mudaria nada.
JCB: E a sua mãe? Ex treinadora, coordenadora da EPT e apresentadora da TV Turfe. O que isso representa para a sua vida?
V. Mota: Não é só isso. Ela ainda é mãe e uma mãezona, muito batalhadora. É impressionante como ela sabe das coisas. Minha mãe sabe de todos os assuntos, tudo que eu preciso eu pergunto primeiro para ela. Conhece turfe como ninguém, é uma pessoa maravilhosa, todos gostam dela aqui. Aliás, não conheço ninguém que não goste dela. Ela é tudo pra mim, está sempre querendo me ajudar. Tenho a melhor mãe do mundo. Posso dizer com todas as letras: ela é a minha musa inspiradora. Quero muito vê-la feliz porque ela merece demais.
JCB: Faltando poucos dias de sua estreia, fale sobre as pessoas que fizeram parte dessa trajetória.
V. Mota: Primeiro de todos, o Marcello Cardoso. Nunca vi uma pessoa insistir tanto em outra como ele. Mesmo nos piores momentos ele acreditou demais em mim, não posso me esquecer disso. Minha mãe que sempre gritou comigo (risos), mas sempre para o meu bem. Sabe tudo de cavalos e isso me ajudou bastante. O J. F. Reis (Reisinho) me grita muito também e foi outra pessoa que me passou muitas coisas. O Léo (Reis) não posso deixar de falar, assim como o meu avô. Meu pai que esteve na raia me passando muitas coisas nos últimos meses, preciso agradecê-lo. Vitor Paim e Z. Barbosa são outros dois treinadores que tenho que agradecer, pois fizeram parte disso e estão sempre me ajudando.
JCB: Para terminar, como você gosta de fazer o cavalo correr?
V. Mota: Do jeito que ele mais gosta (risos). 
Por Emerson Silva e Sylvio Rondinelli Fotos: Sylvio Rondinelli, Arquivo pessoal e João Cotta

