Leandro Mancuso, 41 anos, Gaúcho, natural de Porto Alegre, assistente de treinador, agente de montarias, cronista de turfe, além de marcador das corridas do Hipódromo do Cristal no site Raia Leve. Entre muitas outras aptidões, é ainda um turfista de primeira qualidade. O site do JCB passou mais de uma hora com esta grande figura, conhecido e respeitado dentro e fora das dependências do Jockey Club Brasileiro. Com seu jeito espontâneo e muitas das vezes polêmico, adorado por uns e mal interpretado por outros, Leandro tem uma característica de querer tudo para ontem, ansioso de berço, agitado por natureza, não mede esforços, nem cria limites para correr atrás de uma notícia ou até mesmo por uma montaria para seus agenciados. A verdade é uma só: é um apaixonado pelos cavalos de corrida!
Leandro Mancuso falou um pouco sobre a sua história, sua vinda para o Rio de Janeiro e deu ideias para que o turfe volte a ter o destaque que merece. Ele, como muitos outros, tem plena confiança de que a atual gestão está no caminho certo. Manc, para os íntimos, deixou claro que o mais importante neste momento é a união de todos em busca de um só objetivo: o turfe no lugar que ele realmente merece.
INICIO NO TURFE
Eu frequentava o Hipódromo do Cristal, ainda muito garoto. Meu saudoso pai me levava direto para ver as corridas na época. Isso lá pela década de 80, existia um parque ao redor do prado no qual eu brincava e me divertia muito, com a garotada de minha idade, eu devia ter uns 5 ou 6 anos de idade. Um certo dia choveu muito, mas muito mesmo, que não tinha como brincar, então fiquei olhando para raia, e percebi um cavalo castanho escuro parado em minha frente, praticamente piscou os olhos para mim. Logo sai correndo baratinado ao encontro do meu pai e disse: “Pai, o cavalo olhou para mim e piscou”.
O nome do cavalo era Aquele (Free Hand x Quele ) treinado pelo Girceu Lopes ( Patriarca da família Lopes). Resumindo, ele largou e acabou! Lembro que o seu rateio foi exorbitante, 42 por um, meu pai era só alegria, me abraçava e me jogava para o alto e dizia: “Que tacada”! Meu querido pai faleceu nos inicio dos anos 90 e me deixou essa herança maravilhosa, o turfe. Aí passei a frequentar o Hipódromo, conhecendo as pessoas, indo nos matinais , passei a conhecer os treinadores e a viver o turfe intensamente.
CHEGADA AO RIO DE JANEIRO
Por incrível que pareça, vim com a cara e a coragem. Minha mãe não sabia de nada, fui patrocinado com as passagens pelo Haras Maluga (Edmilson Souza), entrei no avião com vinte reais, e encontrei outro turfista dentro do avião ( meu amigo Serginho), que me deu mais 50 reais (risos). Na sequência, cheguei no Rio de Janeiro, chovia muito, sem quase dinheiro para o táxi, liguei para o meu amigo, ainda jóquei na época, Renan Marques, que foi me buscar no aeroporto do Galeão. Renan foi o meu primeiro jóquei a ser agenciado.
GRANDE AMIGO NO TURFE
Thiago Josué Pereira foi a pessoa que mais me ajudou, além de ser muito meu amigo, me deu a oportunidade de agenciá-lo, dando um passo grande na minha profissão.
PESSOAS QUE TE AJUDARAM NA PROFISSÃO
Poxa, são muitas pessoas que eu gostaria de agradecer, Darci Minetto, M. Ferreira, Léo Cury, Claudia Cury, C. Resende, C. Oliveira, D Guignoni, Renan Marques, Juliana Dias, C. G. Netto, M. Almeida, M. Cardoso, entre muitos outros.
QUAL A SUA EXPECTATIVA COM O FUTURO DO TURFE
Bom, eu vim para o Rio de Janeiro com a imagem de turfe espetacular, a propaganda é a alma do negocio, ou seja, temos que valorizar a imagem do turfe em um plano geral. A emoção na hora da largada, da chegada, na hora que vem dois animais disputando a vitória, isso não tem preço. Perder ou ganhar faz parte do turfe, mas o valor de assistir um páreo ao vivo e se emocionar, com certeza isso não tem dinheiro que compre. O amor aos cavalos de corridas sem sombra de dúvidas é o que move nós turfistas. Vejo neste momento, com a nova diretoria e a nova comissão de corridas, o turfe em uma ascendente, pessoas jovens e de atitudes. Tenho esperanças de um turfe melhor sim, tudo tem seu tempo e sua hora para despertar, na vida e no turfe não é diferente, ou seja o alerta vermelho já foi acionado e agora é a hora de arregaçar as mangas e trabalhar muito. Temos que vivenciar e fazer com que o turfe encontre seu caminho e seu espaço, tenho certeza que chegou a hora da vaidade ser trocada pela necessidade de um turfe melhor sem medo de arriscar e errar.
MAIOR CONQUISTA COMO AGENTE DE MONTARIAS
Poxa, foi com Stockholder , treinado por D Guignoni, que correu 15 dias antes aqui no Rio de Janeiro e depois iria para o Cristal. O cavalo foi montado por I. Correia e pedi a montaria para M Mazini. Ele foi lá e venceu com uma direção principesca, daquelas que só Mazini sabia dar. O titular da Coudelaria Barcelona era só alegrias, foi sem dúvidas a conquista mais especial. Vencer o GP Bento Gonçalves agenciando um dos melhores jóqueis no ano de 2011.
COMO FOI AGENCIAR UMA JOQUETA
Com a Marcelle Martins foi muito gratificante, um desafio muito importante, pois ninguém queria agenciar ela, hoje, por exemplo, tem briga para ver quem será o agente da Victoria Dias.
Marcelle venceu e ganhou muitos páreos, tinha o fator peso, e a sua boa largada que ajudavam bastante. Eu, como agente de montarias, só tinha que escolher os animais mais ligeiros. Ganhamos muitos páreos e entramos em 4º lugar na estatística de jóqueis, onde tinha na época, o I. Correia , M. Cardoso, M. Mazini, T.J.Pereira, H. Fernandes, D. Duarte, M. Almeida, J. Leme, entre muitos outros…
QUAL A MENSAGEM QUE VOCÊ DEIXA PARA TODOS OS TURFISTAS
Turfe é amor, paixão, muita união e emoção!!
Por Emerson Silva e Sylvio Rondinelli Fotos: Sylvio Rondinelli



