Clássico ou Duelo de Titãs. Ou mesmo como dizem por aí, “O Duelo das Velhas Raposas”. São muitos os adjetivos que podemos imputar a Dulcino Guignoni e Jairo Borges, esses dois consagrados e competentes profissionais na arte de treinar um PSI, que disputarão a liderança e o consequente título da estatística carioca neste final de semana, o último da temporada hípica. Apenas três vitórias separam o líder Guignoni (131) de J. Borges (128), o segundo colocado, o que aumenta as chances de grandes emoções para estas quatro derradeiras reuniões da temporada.
Mas além do profissionalismo, os muitos títulos e a competência, esses dois treinadores têm mais coisas em comum do que se imagina. Os dois foram jóqueis. Até aí tudo bem! Entretanto, eles reconhecem as suas limitações na época em que eram pilotos. Além disso, a aposentadoria se deu muito por conta de um problema que atinge 8 em cada 10 jóqueis: o peso.
– Comecei no turfe com 11 anos de idade, ninguém da minha família era do turfe. Fui jóquei, mas nunca tive ninguém para me orientar e dizer como era dura esta vida. Eu tinha muito problema de peso e me machuquei quando eu ainda era aprendiz. Isso dificultou muito a minha carreira. Foram muitos problemas, como este de peso. Acabei me aposentando – disse, Guignoni.
– Meu início foi montando na reta com 12 anos, em Guaporé (RS). Passei ainda por algumas cidades do Sul e com 18 anos eu virei aprendiz em Curitiba, em 1968. Parei de montar em 1976, achei que eu estava muito pesado. Ao mesmo tempo via Gabriel Menezes e Antonio Ricardo montando, para mim, já estava na hora de parar – revelou, Jairo Borges.
Sobre o duelo deste final de semana, uma divergência. Enquanto D. Guignoni esbanja a confiança que o faz disputar o seu terceiro título seguido e o oitavo da carreira, J Borges é mais comedido e conta com a sorte e pede ajuda para os céus.
– Acredito muito na minha vitória. O Jairo Borges precisa vencer quatro e ainda torcer para eu não ganhar nenhuma. Tenho 28 inscrições, todas muito boas e com chances. Será muito difícil de ele me ganhar – disse, Guignoni.
– Estou muito bem preparado, mas corrida de cavalo é sorte. Não tem aquela de eu tenho duas ou três barbadas, o negócio é no dia. Tenho 33 inscrições e todas muito boas, as de páreo de grama são muito bons. Mas precisamos de sorte. Esperamos que o patrão lá de cima nos ajude – afirmou, Seu Jairo.
Confira a entrevista completa com os dois treinadores:
INÍCIO DA CARREIRA DE TREINADOR
D. GUIGNONI: Comecei no turfe com 11 anos de idade, tive dificuldades, pois não tinha ninguém da minha família no meio. Fui jóquei e também nunca tive ninguém para me orientar e dizer como era dura esta vida. Eu tinha muito problema de peso e me machuquei quando eu ainda era aprendiz. Quebrei o fêmur e fiquei internado durante 30 dias. Foi então que um belo dia um proprietário me ajudou a me tornar treinador. Desde que eu comecei, sempre estive entre os 10 da estatística, o que me deixa muito orgulhoso, pois sempre disputei para ganhar.
J. BORGES: Parei de montar em 1976, achei que eu estava muito pesado. Ao mesmo tempo via Gabriel Menezes e Antonio Ricardo montando e vi que estava na hora de parar. Eu não fui um grande jóquei, mas me achava um cara inteligente, sempre soube conduzir o cavalo, se eles estava bem, se estava certo. Quando parei, fiquei como segundo gerente do Silva Batista durante um ano e ai recebi uma proposta do J. B. Barros. Trabalhei 13 anos com ele. Ganhei muitas carreiras de Grupo 1, 2 e 3 por lá. Eu também fui o primeiro treinador do Brasil a trabalhar no Haras Estrela Energia, tive muita alegria lá também. É uma história que me deixa muito orgulhoso.
DUELO DO FINAL DE SEMANA
D.GUIGNONI: Acredito muito na minha vitória. O Jairo Borges precisa vencer quatro e ainda torcer para eu não ganhar nenhuma. Tenho 28 inscrições, todas muito boas e com chances. Será muito difícil de ele me ganhar. Disputei as estatísticas com o Luiz Maciel, que era fantástico. Já disputei este páreo com o Venâncio Nahid, que é outro adversário muito duro e sempre me saí bem. Espero que dê tudo certo para esta disputa com o Jairo Borges também.
J. BORGES: Estou muito bem preparado, mas corrida de cavalo é sorte. Não tem aquela de eu tenho duas ou três barbadas, o negócio é no dia. Tenho 33 inscrições e todas muito boas, as de páreo de grama são muito bons. Mas precisamos de sorte. Esperamos o patrão lá de cima ajude. Temos muita torcida de amigos. O que me deixa muito feliz também é que tenho muitos amigos aqui, tem muita gente torcendo por mim. E isso me dá muita força para conquistar esta estatística. As cartas estão na mesa, vamos lá fazer o nosso trabalho.
DDULCINO GUIGNONI E JAIRO BORGES
D. GUIGNONI: O Jairo Borges é um cara que tem um rodízio de cavalos muito grande. Durante a temporada, eu colocava seis vitórias de vantagem e logo ele me alcançava, mostrando a sua qualidade. Tem muita competência e foi um grande adversário nesta disputa. Mas, acredito que a vitória deve ficar comigo, está muito difícil para ele. Se correr tudo normal, devo ganhar umas três ou quatro. Isso é certo. Por conta disso, estou muito confiante nas minhas inscrições.
J. BORGES: É um fenômeno, tenho o maior respeito pelo profissional que ele é. Vencedor e de muita qualidade em tudo que faz. Se a gente começar a citar os profissionais que temos no Rio, ficaremos o dia todo falando deles. E o Guignoni é um cara fantástico que está sempre entre os melhores.
TEMPORADA E TÍTULO DA ESTATÍSTICA
D.GUIGNONI: Esta temporada não foi boa para mim em relação aos grandes prêmios. Eu sempre fico na frente nas estatísticas dos GPs, mas este ano não fui bem. Se há algo a se lamentar, este algo é a parte dos GPs. Mas ganhar mais uma vez as estatísticas não é para qualquer um, principalmente para manter aquela vaguinha no estacionamento, que é muito importante (risos). Luto pelo título e pela vaga no estacionamento (risos).
J. BORGES: É uma coisa extraordinária disputar este título, não existe hoje coisa mais gratificante treinar aqui na Gávea e ganhar a estatística. Temos grandes profissionais na disputa durante o ano todo. Alguns nos CTs e outros aqui. Agora temos a disputa de dois representantes diferentes. Da Gávea e do CT. Se eu disser que não quero ganhar a estatística, estarei mentindo. Seria a maior alegria do mundo. Meu sonho. Se eu não ganhar este ano, será porque eu levei aquela suspensão de dois meses por causa de peso. Eu estaria com as 28 vitórias do Coelho. Mas não lamento, vamos buscar este título.
Por Emerson Silva e Sylvio Rondinelli Arte: Gabriela Schlomer
