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Apreciações por alto (Milton Lodi)

     Mais um páreo para jóqueis amadores foi programado e efetivamente disputado no meeting Marcos Ribas, que de um modo geral serve de trampolim de páreos para aqueles que pretendem participar das provas nobres da semana principal da programação maior do JCB na semana do dia 12 de junho de 2016, a do Grande Premio Brasil, possam aferir as suas condições de preparo, para maiores eventuais ajustes nos treinamentos, para intensificá-los ou aliviá-los, em função das máximas condições possíveis. Esses páreos de amadores não são fáceis de serem corridos, já de algum tempo no Rio de Janeiro, por dois motivos principais. Um deles é o esvaziamento dos clubes hípicos, como o da Sociedade Hípica Brasileira, que está minguando de uns anos pra cá, com cada vez menos animais em função dos altos custos de manutenção dos animais e de afluência de cavaleiros nas provas amadorísticas. O outro detalhe é que, com cada vez menos gente habilitada e, com a não habitual participação dos cavaleiros amadores montando os corredores alojados no JCB nas manhãs dos trabalhos, fica cada vez mais difícil reunir número razoável de cavalos de padrão técnico semelhante para a formação de um páreo de caráter homogênio. Acima de tudo isso, há o aspecto econômico-financeiro. A sociedade Hípica Brasileira é um ótimo clube social, com dependências adequadas, boas áreas para trabalhos dos animais, três bons picadeiros para as provas, restaurante simples mas muito bom, piscinas, vila hípica adequada. O que falta é dinheiro para que os amantes dessa linda modalidade e esporte hípico possam melhorar. Hoje em dia e já de algum tempo o número de alunos que querem aprender a montar bem e/ou aprimorarem os seus conhecimentos encontram no Clube um grande número de professores de equitação, muitos ex-jóqueis amadores ou interessados em aprender mas que, em função dos pesados custos, passaram de alunos para professores em função de não poderem manter cavalos para a disputa das provas, cujos prêmios são amadorísticos, são taças, flâmulas, escarapelas, vários tipos de presentes como bandejas, por exemplo, mas com isso não paga as despesas, que são altas. Assim, sem um devido suporte, fica cada vez mais difícil ao JCB promover os páreos para jóqueis amadores, que tanto agradam ao público.

                 Na época de ouro do turfe paulista, em Cidade Jardim chegou a haver páreo de “charretes”, um espetáculo diferente, pois os animais não podem galopar, só trotar, e a falta da velocidade tão a gosto dos aficionados do turfe, não existe. Uma outra tentativa já foi tentada, principalmente em Cidade Jardim com páreos de animais da raça quarto-de-milha. Mas o nome mesmo já diz, são corredores para provas de 400 metros. Como o percurso é muito pequeno, as diferenças no final são muito pequenas, a gritaria do público é efêmera, dura pouco, só encanta mesmo aqueles que gostam dos animais daquela raça. Em Cidade Jardim com o número reduzido de corredores disponíveis para a formação dos programas, há a participação nas programações de páreos da raça árabe, raça essa que já foi a mais importante do mundo, e que formou a base da raça PSI (Puro-Sangue Inglês). Mas aqueles ótimos cavalos de outrora perdem muito em tamanho, peso e qualidade para correr quando eventualmente confrontados com os cavalos de corrida atuais. Em São Paulo, é grande o esforço dos criadores de cavalos da raça árabe em promover os seus animais, mas na verdade a aceitação é bem pequena. Outra tentativa de atração diferente é a matrícula para correr com os jóqueis de moças amazonas profissionais. Esse esporte é basicamente para homens pequenos, leves, e de boa complexão física, e em função de seus pesos físicos, normalmente entre 50 e 58Kg, dão oportunidade às mulheres de um confronto simpático, atraente para o grande público. Mas não é tarefa fácil para as mulheres. A melhor joqueta brasileira, que é sem dúvidas uma das melhores em quaisquer comunidades de joquetas, é a gaúcha Josiane Gulart, mas ela deu uma parada em sua profissão para que nascesse uma filha de nome Heloísa. Outra boa joqueta brasileira é Jeane Alves, que está parada por ter se acidentado e fraturado a clavícula. Uma outra joqueta montava habitualmente na Gávea, Lu Andrade, e uma queda com fraturas de vértebras tirou-a por vários meses dos programas de corridas. É esse de um modo geral, e como dizia o saudoso criador Hernani Azevedo Silva, visto a “vôo de pássaro”, que se pode entender o momento. Parece-me que a única solução aparentemente é um substancial aumento de prêmios, um teórico dobrar das dotações, que naturalmente enriqueceria o setor atraindo novos participantes, mas isso, pelo menos por mais algum tempo, parece impossível. Além dos naturais problemas das competições, o Governo Brasileiro age de um modo geral como inimigo da atividade, taxando fortemente eventuais ganhos com um imposto de renda na fonte de 15% sobre essa atividade deficitária, e cobrando 30% de multa ou semelhante em relação ao preço de aquisição de cavalos e éguas importadas para a tentativa da melhoria do padrão de cavalo de corridas brasileiro. Pobre Brasil.

 

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