Venâncio Nahid: ‘Foi uma semana maravilhosa, mas dava para ser bem melhor’ » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Venâncio Nahid: ‘Foi uma semana maravilhosa, mas dava para ser bem melhor’

BRASIL (11)São quase 3 mil vitórias na carreira. Só de Grande Prêmio Brasil, são cinco. O último deles conquistado no domingo (12), com o seu pensionista My Cherie Amour e o jóquei W. S. Cardoso. Conquista é o que não falta na carreira do treinador Venâncio Nahid, um dos profissionais mais vitoriosos do turfe brasileiro. Depois de um final de semana inesquecível, no qual venceu cinco clássicos – Lady Charlotte levou a Prova Especial Tirolesa, no sábado. Domingo ele venceu o GP Brasil com My Cherie Amour, além da Prova Especial Quick Chance, com Capitólio. A segunda-feira fechou com chave de ouro o Festival do Grande Prêmio Brasil 2016 vencendo os dois clássicos. Ixquenta e Lush Life venceram o Clássico Imprensa e o Delegações Turfísticas, respectivamente –  V. Nahid concedeu uma entrevista ao site do JCB para falar sobre a conquista do páreo ápice do Festival do Grande Prêmio Brasil 2016.

BRASIL (9)Esses resultados deixariam qualquer profissional satisfeito, mas ele, trabalhador e apaixonado pelo que faz, é diferente. Para o treinador, dava para ser ainda melhor. 

– Foi uma semana maravilhosa, mas poderíamos dizer que dava para ser bem melhor. Perdemos o GRANDE PRÊMIO ROBERTO E NELSON GRIMALDI SEABRA em cima do disco e perdemos uma prova de Grupo 3 com o nosso cavalo sem passagem durante toda reta. Mesmo assim, acho que foi tudo bem, mas sempre pode e deve melhorar. Acreditar que o “hoje” acabou, amanhã pode sempre ser melhor. Não podemos achar que está bom, temos sempre que evoluir e conquistar cada vez mais os objetivos – afirmou.

Mas nem só de trabalho se faz um vencedor. O treinador confessou ao site do JCB que, além de católico praticante e devoto de São Judas Tadeu, é bastante supersticioso. Ele revelou algumas dessas superstições, como o uso do mesmo terno e o local escolhido para assistir a carreira, coisas vem dando certo desde 1990, ano em que conquistou o seu primeiro Grande Prêmio Brasil.

– Todos as conquistas de Grande Prêmio Brasil eu ganhei sentado no banco ao lado da sala de imprensa. Sei que aquele lugarzinho é destinado aos alunos da escola. Fui pra lá sentar na hora do páreo. Coincidência ou não ganhei todos ali. Ninguém pode sentar lá, pois se eu tiver cavalo neste páreo, vou brigar com o cara (risos). Já o terno é filho único, rapaz, não troco (risos). Pediram para eu colocar um terno escuro nesta semana, mas não quis, pois esse aqui já está acostumado com essas coisas (risos) – revelou. 

CONFIRA A ENTREVISTA COM VENÂNCIO NAHID 

FESTIVAL DO GRANDE PRÊMIO BRASIL

Foi uma semana maravilhosa, mas poderíamos dizer que dava para ser bem melhor. Perdemos o GRANDE PRÊMIO ROBERTO E NELSON GRIMALDI SEABRA em cima do disco, perdemos uma prova de Grupo 3 com o nosso cavalo sem passagem durante toda reta também. Mesmo assim, acho que foi tudo bem, mas sempre pode e deve melhorar. Acreditar que o “hoje” acabou, amanhã pode sempre ser melhor. Não podemos achar que está bom, temos sempre que evoluir e conquistar cada vez mais os objetivos. Todos os nossos cavalos correram bem, foram páreos duros e eu só posso agradecer a todos que ajudaram, a minha equipe, aos proprietários também. 

EQUIPE DE TRABALHO

Temos uma equipe diferenciada. Eu costumo dizer o seguinte: se cada um tiver fazendo bem a sua parte, tudo sai direito. Eu sou um cara que faz a minha parte e eles fazem a parte deles. Não sou de ficar tomando conta do trabalho deles. Temos um grupo muito unido e muito seleto, grupo antigo. É uma equipe mesmo. Dedico a vitória aos membros dela, primeiramente a eles, pois eu acho que é um agradecimento de tudo que eles fizeram por mim neste período e por tudo que vem se realizando ao longo do tempo.

LARGADA (4)MY CHERIE AMOUR 

Eu tinha um cavalo que nós esperávamos muito dele e ele fracassou (Cabecinho). Este cavalo teve um contra-tempo e acabou não indo bem. O cavalo que ganhou, o My Cherie Amour, não ia correr o Grande Prêmio Brasil, pois ele havia sido retirado no alinhamento. Nesta retirada, tiraram toda a base que teríamos da distância, ele só havia corrido 1.500 metros. Mas ele evoluiu nos trabalhos, no comportamento de box e fizemos dois trabalhos nele que me impressionaram de uma tal forma ao ponto de chegar para o gerente do Haras Doce Vale, Pedro Artman, a pessoa com quem trato diretamente, e dizer que seria um crime tirar a chance desse cavalo participar do Grande Prêmio Brasil. Sempre achamos este animal bom. Os proprietários conversaram e decidiram colocá-lo para correr, pagando a multa no segundo pagamento do ADDED. Isso tudo é muito importante para mostrar o quanto o proprietário acredita no seu trabalho, no que você fala. Poderíamos correr o Grande Prêmio Brasil e dar tudo errado, mas acreditamos no animal. No dia da preparatória, eu torci para ele ser retirado, pois era certo correr e fracassar. Depois disso ele não correria o Brasil. Mas, como eu sempre digo, Deus escreve certo por linhas tortas.

W. S. CARDOSO

W.S. Cardoso foi perfeito. O cavalo largou bem, ia muito bem na primeira parte, mas na reta oposta ele ameaçou nãoBRASIL (4) querer seguir, talvez pela raia meio pesada. Quando a reta chegou e o cavalo engrenou, ele ficou sem passagem, não tinha pra onde sair. Mas ele veio tirando para fora e foi muito esperto naquela hora. Quando o cavalo viu o clarão, foi lindo. O arremate dele nos últimos 100 metros foi algo impressionante, saiu voando e passou de viagem. Descontou muito rápido. O menino teve uma grande participação nessa conquista, tranquilo, mostrou uma tranquilidade de grande jóquei, pois tem que ser assim. Tem que ter paciência e acreditar sempre. É um grande profissional e mereceu muito a vitória.

PESSOAS QUE FIZERAM PARTE DA CONQUISTA

Tem muita gente. Carlos André Magalhães, Carlos Silva, Manoel de Jesus, Jaci Bastos, Marcelão que conseguiu ajeitar o My Cherie Amour no box. Heraldo, redeador que galopa ele todos os dias, João Roberto que trabalha ele também. A Juliana, que é a minha secretária. O Lineuzinho (Lineu de Paula Machado), dono do CT Vale do Itajara. O CT é diferenciado por conta dele, saímos sempre na frente por isso. São muitas pessoas, ninguém imagina a quantidade de pessoas que ficam envolvidas para que o cavalo chegue ao ponto de ganhar um páreo.  

Por Emerson Silva e Sylvio Rondinelli Fotos Sylvio Rondinelli

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