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Atualidades (Milton Lodi)

                 Uma das melhores coisas que o Jockey Club Brasileiro adotou no tocante ao aspecto técnico foi a aquisição do expert Marcos Ribas (Marcos Araújo Ribas de Faria) para trabalhar no setor das corridas. Além de, durante bom tempo, ter, como Handicapeur pelas tabelas de distancias e as programações dos páreos semanais, com isso imprimindo até um estilo de ofertas de distâncias compatível com os interesses dos proprietários e treinadores. Nem sempre era assim antes de Marcos Ribas, durante muitos anos anteriores as tabelas de distâncias não procuravam atender os interesses gerais, mas muitas vezes obedeciam a interesses outros. Marcos Ribas procurava oferecer, para cada turma, oportunidades que repetiam em uma seqüência inteligente, todas as raias e distâncias em função do interesse geral. Criou, pelo menos na Gávea, um estilo a ser seguido. Mas tudo isso não aconteceu, um novo encarregado do setor que se seguiu inventou outra orientação, piorando a que estava muito boa. Mas boa técnica de chamada voltou com o atual Handicapeur, Vicente Britto. No JCB a disponibilidade de corredores defende naturalmente do número de animais alojados na Gávea e nos vários Centros de Treinamentos. No momento são cerca de 850 animais na Gávea e 1.250 nos Centros de Treinamentos, um total aproximado de 2.100. Com isso normalmente são programados quatro programas semanais, com 10 páreos cada dia. De vez em quando as inscrições só permitem três programas na semana, mas em compensação há semanas em que são tantas as inscrições que forçam a programação de cinco programas. O Jockey Club de São Paulo, para se ter uma idéia do drama paulista, tem um total de aproximadamente 820 animais alojados em Cidade Jardim e no seu Centro de Treinamento de Campinas, e mais 60 alojados em São Vicente, Porto Feliz e Sorocaba, totalizando aproximadamente 880 animais. O Jockey Club do Rio Grande do Sul tem sua vila hípica lotada, para receber mais corredores tem que construir mais boxes, o que certamente será providenciado. O Jockey Club do Paraná, que voltou a ter corridas em 2016 após um período negro em todos os sentidos, agora com gente honesta e competente, entrou no presente ano com 300 animais em sua vila hípica, e no mês de março o número já havia passado para 340. É um princípio de uma natural reabilitação.

                 O turfe no Rio de Janeiro vai bem, e o expert Marcos Ribas, que se inspirava no que ocorre nos melhores eventos turfísticos do turfe civilizado, o turfe europeu, já de algum tempo foi o responsável pelo preparo da programação nobre do Jockey Club Brasileiro. A cada ano o calendário clássico sofre as naturais correções impostas pelas evoluções, pela modernidade, por atualizações em função das ocorrências e tendências.

                 No ano de 2015, foram levadas idéias de eventual aproveitamento de um sistema de chamadas realizado normalmente no Chile, fugindo das chamadas tradicionais inclusive no que diz respeito ao sistema de handicaps, base de muitos turfes pelo mundo. Pelo JCB, foi mandado para o Chile o Handicapeur Vicente acompanhado pelo Presidente da Associação dos Profissionais Jayme Aragão, de ótimo padrão intelectual e merecedor por todos os títulos da presidência que exerce. Um encontro muito proveitoso, com todos os detalhes analisados, deu ao Jockey Club Brasileiro um caminho novo em termos de facilidades, de mais oportunidades para os inscritores e para o clube no tocante ao volume semanal de inscrições. A denominação do caso chileno é “Handicap Automático”. Na verdade, isso não existe, handicap quer dizer uma distribuição de pesos a cada corrida, distribuição desigual para animais de possibilidades desiguais, acordando com essa distribuição de pesos individuais na teórica procura de um empate final, na linha de chegadas, de todos os concorrentes. Isso na prática é impossível, mas o sentido prático é esse, igualar as forças com distribuição desigual de pesos. Como tem que ser levada em conta a distância do páreo, a raia prevista, e todos os possíveis detalhes das últimas performances de cada competidor, há de haver a participação humana. No chamado Handicap Automático, cabe ao vencedor mais tantos pontos (equivalente a kg, e no caso geral dos derrotados uma uniforme diminuição geral de pontos). Assim, por exemplo, quem chega em 4º lugar é beneficiado com a mesma diminuição de pontos (ou kg) que aquele que chegou em 14º, vários corpos depois. Na prática chilena, é um sobe e desce semanal, mas não em caráter de uma natural desigualdade individual mas de ordem igual para todos. Na verdade, não é um handicap, pois fere fundamentalmente os conceitos do internacional handicap. Além disso, as regras brasileiras já a muito consolidadas, não permitem o acesso de aprendizes a páreos de handicap, exceção para os de 1ª categoria e assim mesmo sem direito a descarga.

Na prática brasileira, os nosso aprendizes, que são um dos pontos fortes de nossas corridas pela excelência de suas qualidades sempre aprimoradas por uma Escola mais do que competente, não poderiam montar na grande maioria de nossos páreos. Além disso, outros detalhes chilenos estão em confronto direto com à filosofia tradicional brasileira, pois as chamadas são sempre para produtos, não há chance para as éguas em separado, nem mesmo quando as inscrições recebidas permitem esse expediente. Esses entre outros detalhes inviabilizam a adoção do regulamento chileno. Assim mesmo, com um ótimo trabalho técnico da nossa Comissão de Corridas, com inúmeras modificações, abriu espaço para um paralelo tipo de chamadas usuais e abrindo possibilidades para maior número de vitórias para todos. O sobe e desce, denominado páreos por Índice Técnico, é um sucesso evidente. Só para ilustrar, ao vencedor cabem mais 4 pontos, e aos perdedores de 4º lugar em diante menos 1 ponto, isto é, diferença de 5kg e não dos 4kg habituais. Outra diferença é quando as fêmeas, que correndo só entre elas ou contra os machos, tem embutida uma descarga de 3kg, e não 2kg como de hábito. Não há, não páreos de PIT (Páreos por Índice Técnico), as habituais menos 2kg para as éguas, só entre elas ou contra os machos, elas já levam 3kg a menos. Há proprietários e treinadores que relutam em admitir o PIT como bom, certamente por não conhecerem melhor o funcionamento da novidade, mas com o tempo aceitarão as vantagens dessa novidade. Há turfistas que realmente não gostam do PIT. Um deles, de opinião importante, era o expert Marcos Ribas, pois a sua formação turfística era sofisticada, acadêmica e européia. Os treinadores mais antigos, e até alguns mais modernos, também não gostam do PIT, mas o tempo vai convencê-los do contrário. O uso do PIT está ainda em fase experimental e agora, já passados cerca de 6 meses, é justa uma revisão nos detalhes do PIT, agora é o primeiro momento para o recebimento de sugestões daqueles que há melhoramentos que poderiam ser introduzidos. Tenho certeza que a Comissão de Corridas do JCB receberia eventuais críticas por escrito, para análise da Comissão de Corridas e do competente Handicapeur. Na verdade e na prática, com os cerca de 99,5% de aproveitamento nos páreos de PIT, os cerca de 83% que eram habituais nas apurações das inscrições subiram, na média para 93%. Não há mais inscrições perdidas por não programadas. Era comum proprietários ficarem com os seus animais nas cocheiras por alguns meses aguardando que as respectivas inscrições fossem programadas. É claro que isso se refletia nos profissionais, que deixam eventualmente durante um tempo sem poder receber os frutos de seus trabalhos, mas eles não perdiam, pois o trato é sagrado. Não era o caso dos proprietários, pois se considerarmos um trato mensal médio da ordem de 1.600 reais por mês, média do da Gávea e dos Centros de Treinamentos, os proprietários não só não tinham chances de receber e tendo de pagar aproximadamente 55 reais por dia de trato. Uns só não ganhavam, outros perdiam na certa. Os páreos de PIT salvaram essa situação.

 

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