Ele chegou ao Rio há pouco mais de dois meses, depois de brilhar nas estatísticas do Hipódromo de Cidade Jardim, em São Paulo. Nesta temporada, ele ainda segue como líder por lá com 34 vitórias de vantagem sobre A. L. Silva. E, ao contrário do que acontece com a maioria dos profissionais em qualquer área, Vagner Leal não precisou de tempo para se adaptar ao novo local de trabalho. Mostrando talento e conhecimento, V. Leal vem conquistando cada vez mais fãs no prado carioca por suas boas atuações e vitórias em carreiras importantes da Gávea. Entre elas, estão o Grande Prêmio Mário de Azevedo Ribeiro (GIII), com El Shaklan, o Clássico Jockey Club de São Paulo (L.), montando Consul American, e a Prova Especial Felicio. Esta última com o animal Qua Qua Qua. Modesto e em busca de novos desafios na carreira, o jóquei vem atribuindo o bom desempenho neste reinício de carreira aqui na Cidade Maravilhosa (já são 12 vitórias) à sorte.
– Vim para o Rio em busca de um desafio novo na minha carreira. Sabemos a situação de São Paulo, mas eu estava indo bem lá. E aqui eu fui muito bem recebido, tive muita sorte de receber boas montarias para ganhar clássico e Grande Prêmio. As oportunidades estão surgindo até mais rápido do que eu imaginava. Estou vivendo um bom momento – disse o piloto ao site do JCB.
Como destacado acima, V. Leal ainda é o líder nas estatísticas de Cidade Jardim com sobras. Mesmo assim, ele acredita que o desempenho quase que devastador em São Paulo ainda não é determinante para que ele consiga destaque com os profissionais do Rio de Janeiro.
– Sem dúvidas isso (liderança) ajuda, mas eles acabaram me conhecendo só pela TV, de longe. Conhece de ouvir dizer apenas. O que conta são os trabalhos no dia a dia. Assim como no meu início lá, estou tentando buscar o meu espaço por aqui. Venho conseguindo atrair a confiança dos profissionais aos poucos para fazer uma boa carreira aqui no Rio – revelou.
Confira o bate papo entre V. Leal e o site do JCB:
JCB: Como foi o seu início de carreira?
V. Leal: Sou de Pelotas (RS), fui criado em uma fazenda. Comecei na reta, como a maioria (risos). Me perguntaram certa vez se eu gostaria de aprender a montar cavalos de corrida eu aceitei. Competi bastante na cancha reta até que chegou a minha idade limite para entrar na escolinha de jóquei. Tive essa oportunidade em São Paulo. Tive de parar para me tornar um jóquei de verdade. Depois da escolinha, comecei minha carreira em São Paulo, passei sete meses em Cingapura e seis meses no Rio de Janeiro. Essas duas experiências foram como se fossem um estágio para me tornar o que sou hoje.
JCB: Como está a sua adaptação no Rio de Janeiro?
V. Leal: Não estou tendo dificuldade. Tive uma passagem pelo Rio, fiquei seis meses, conheço bem a cidade. Em relação a pista não tem muito o que falar, pois já estou acostumado. Aos profissionais também não tem, pois me dou bem com todos eles. Estou completamente adaptado.
JCB: Você acredita que os profissionais cariocas ainda te veem como um “jóquei de fora”?
V. Leal: Lógico que tem uma parte que ainda me veem diferente, mas não por nada. É mais por que eles já têm os jóqueis de confiança, que montam para eles há algum tempo. Então essa é uma questão que temos de resolver aos poucos. Não adianta eu chegar querendo montar para todos os melhores treinadores,pois não vai ser assim. O começo é sempre um pouco difícil mesmo, mas vou conquistando meu espaço aos poucos espero que meu trabalho seja reconhecido.
JCB: Depois que veio para o Rio você já assinou algum contrato?
V. Leal: Aqui ainda não. Tenho um contrato que veio de São Paulo comigo, continuou, mas temos poucos cavalos aqui no Rio. Tem uma outra farda, que a do (Haras) Anderson. Estamos trabalhando também. Daí para frente temos de colher bons frutos e ver o que acontece.
JCB: O que você pode destacar da principal diferença das carreiras de Rio e São Paulo?
V. Leal: A principal diferença, sem dúvidas, é que em São Paulo sai todo mundo controlado e deixa para resolver na reta. Todos ficam se guardando, isso é uma característica de lá. Enquanto aqui, a carreira já sai bastante forte, você não pode se controlar senão ficará para trás.
JCB: Você é casado com a joqueta Josiane Goulart. Ela te dá muitas dicas ou é algo separado?
V. Leal: As vezes ela fala bastante. Como ela está fora (Josiane está grávida do primeiro filho do casal, a menina Heloisa), fica falando. Mas isso nos faz aprender e não cometer alguns erros que só quem está de fora consegue ver. Nós sempre estamos nos ajudando nesta parte e é por isso que estamos evoluindo juntos. Isso é muito importante para o casal e para o lado profissional também.
Por Emerson Silva e Sylvio Rondinelli Fotos: internet e Gerson Martins


