Essa expressão “Esporte dos Reis” vem de longe, era uma forma de entretenimento que se emocionavam com as naturais peripécias das competições entre cavalos, montados com blusas coloridas, vistosas, dando um toque de elegância e encanto, que atraiam pobres e ricos. Essa atividade que se iniciou oficialmente na Inglaterra, foi aos poucos sendo regulamentada para efeito de um teórico equilíbrio entre os concorrentes. Grandes figuras notórias internacionalmente marcaram suas presenças no maravilhoso mundo do turfe. Um potentado indiano, Aga Khan era apaixonado pelas corridas.
O inicio da atração do Aga Khan, chefe religioso e político de seu país, deu-se quando pagava a meninos que, montados em seus cavalos, galopavam nas areias próximas ao mar. O potentado distribuía dinheiro para os ganhadores, em percursos marcados de um ponto a outro na praia. Esse amor pela competição resultou em uma fundamental criação de cavalos puro-sangue de corridas, sob a orientação dos maiores experts do mundo, à época. Vários Haras foram implantados pelo Aga Khan, que não tinha problemas financeiros pois recebia anualmente dos seus súditos o equivalente ao seu peso físico em ouro, pedras preciosas e valores equivalentes. E ainda havia o fato do Aga Khan ser um homem bem gordo, pesado, o que ainda melhorava a sua arrecadação. Era famoso em todo o mundo civilizado, com propriedades em vários lugares, e era casado com uma linda mulher, conhecida como Begum, que havia sido Miss França. Mas não foi com ela que teve um filho conhecido como Aly Khan, em principio o seu seguidor. O Aga Khan era um grão senhor, um fidalgo, mas nada disso se aplicava aquele filho, que dedicou a sua vida as mulheres, ao lado festivo da vida, sem outros compromissos que o lado prazeroso da vida.
Assim, o líder Aga Khan deu o seu titulo de líder a um neto de nome Karim, que é desde então o Aga Khan, que tem uma formidável criação e uma não menos importante coudelaria. Na Inglaterra, além da família real, nomes de prestigio marcaram o turfe mundial, como por exemplo um Lord Derby, cujo nome é usado por todo o mundo turfístico na principal prova anual para os produtos de 3 anos, em 2.400 metros. À medida que os anos se passavam, associações de bons turfistas foram se formando, e os regulamentos se aperfeiçoando. A Inglaterra, ou melhor o Reino Unido, tem um lugar muito especial no turfe mundial. Na França também o turfe desenvolveu-se de forma extraordinária, chegando a ponto de alcançar uma altíssima qualidade, sendo que, entre muitos outros turfistas importantes, brilhou a figura do industrial Marcel Boussac, que chegou ao ponto de, como criador e proprietário, ganhar mais de uma vez o Derby de Epsom. A criação francesa, como de um modo geral a europeia, sofreu rude golpe quando da segunda grande guerra mundial, de 1939 a 1945, e a invasão da França pelos alemães foi um importante detalhe negativo no turfe francês. O Brasil importou muitos animais naquela época, animais que eram vendidos por preços mais acessíveis pela fuga de uma guerra muito cruel, que chegou a pistas de corridas sendo propositadamente bombardeadas pelos aviões alemães. A criação Boussac, instalada na Normandia, em posição geográfica muito favorável, como também a Irlanda, a zona de Kentucky nos Estados Unidos e no âmbito sul-americano nos pampas gaúcho e argentino.
Para que se tenha uma pequena ideia da evolução do turfe mundial através dos tempos, surgindo, até na Argentina uma aristocracia rural. É claro que no decorrer de cerca de 100 anos de oficiais funcionamentos, muita gente saiu e muita gente entrou com importância no turfe internacional. Mulheres importantes como a Madame Condessa Bathiany e a Madame Volterra são dois entre os muitos exemplos. Mais recentemente vieram os árabes com força total, implantando poderosos haras na Inglaterra, Irlanda, Austrália e nos Estados Unidos, onde por alguns anos tomaram conta do mercado. Nomes antes desconhecidos passaram a participar das criações e das corridas, como o Príncipe Khalid Abdullah, o Sheik Muhammed com seus irmãos, que como outros vieram para o turfe movido a petrodólares, e inteligentemente mandando os seus descendentes estudar na Inglaterra. Hoje e já de algum tempo, os árabes que participam de forma importante no turfe mundial são todos formados nos melhores estabelecimentos de ensino da Inglaterra. Quanto aos Estados Unidos, na impossibilidade prática de cumprirem com principalmente a nobre filosofia do turfe, inventaram e implantaram um novo tipo de turfe, um verdadeiro turfe circense, apoiado em muito dinheiro, muita propaganda e permissibilidade excessiva da ministração de drogas.
Hoje em dia já começaram a pagar pelos absurdos, mas isso é assunto para outro artigo.
