A Breeders’ Cup de 2015, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

A Breeders’ Cup de 2015, por Milton Lodi

Anualmente, umas das mais importantes realizações do turfe norte-americano, é a Breeders’ Cup, a Copa dos Criadores. É um conjunto de provas em distancias variadas, na areia preferencialmente mas também na grama, para machos e fêmeas de todas as idades. Oferecendo bolsas milionárias, atrai corredores até da Europa. Nesse 2015, a Breeders’ Cup foi disputada na 6 feira dia 30 e no sábado dia 31 de outubro no Hipódromo de Keeneland. Para as 13 provas, foram recebidas 200 inscrições, das quais 24 em dois páreos. Assim, 176 corredores habilitaram-se. Entre os muitos páreos mais significativos, o para potros de 2 anos em 1700 metros na grama, a vitoria coube a um potro inglês. Em se considerando que em 30 ou 31 de outubro os produtos com 2 anos de idade hípica tem em média 2 anos e 8 meses, na prática isso representa muito. As duas provas mais bem dotadas eram naturalmente a Classic, em 2000 metros na areia, quando o tríplice coroado American Pharoah iria, como grande favorito, tentar não só contar com a sua bolsa de 5 milhões de dólares mas também com isso conseguir o honroso título de Horse of the Year, isto é, o Cavalo do Ano de 2015. Após vencer a Tríplice Coroa, American Pharoah correu em um Grupo I como preparatório para a Breeders’, mas foi muito guerreado desde a largada, tendo lutado muito para manter a liderança do páreo, mas no último galão foi suplantado por pequena diferença por outro bom potro, que foi guardado para um sprint final. A maior parte dos turfistas imaginava então que na Breeders’, o grande líder de sua geração, já adquirido para a reprodução muitos meses antes pela Coolmore, iria fazer a última corrida nas pistas sem lutar na frente, quem sabe até não correr na liderança. Nos últimos dois trabalhos, American Pharoah mostrou-se em ótimas condições, com um trabalho de 800 metros em 46’60 e outro em 1.000 metros em 59’40. Mas na corrida, quando o campeão tomou a ponta logo após a largada, ninguém se atreveu a guerreá-lo, e sem ser incomodado, em ritmo moderado, o campeão entrou na reta final sem maiores desgastes, quando instigado pelo seu jóquei mexicano, disparou para a linha de chegadas com exuberante demonstração de suas altas qualidades. O páreo foi no Estado de Kentucky, e lá já ficou American Pharoah já em mãos de seu novo proprietário, a irlandesa Coolmore, com haras espalhados pelos Estados Unidos e Irlanda, além de outros até na Austrália. O preço das coberturas de American Pharoah, em sua primeira estação de monta, está alvitrado em 200 mil dólares, e se a ele forem destinadas as cerca de 200 éguas que os garanhões mais procurados costumam receber, ele começará a sua nova vida produzindo merecidos muitos milhões.

A segunda prova em importância na Breeders’ é a Turf, em 2400 metros na grama, com bolsa de 3 milhões de dólares. Um seletíssimo lote de animais europeus foi inscrito, destacando-se o nome de Golden Horn, um 3 anos ganhador em 2015 do Derby de Epsom, e na França do Prix de L´Arc de Triomphe. A favor dele, além de sua alta qualidade, estava o fato de poder contar novamente com um dos melhores jóqueis do mundo, o italiano Lanfranco Dettori, mais conhecido como Frank Dettori, e os seus obstáculos, além naturalmente da longa viagem para um ambiente desconhecido, havia a substituição das amplas curvas e longas retas contra para uma raia de 1600 metros de volta fechada, resultando em 2 curvas e 2 retas de aproximadamente 400 metros cada. A única forma de ganhar seria correr perto, pois uma distância maior a ser descontada, em trechos curtos aos quais os europeus não estão acostumados, eventualmente impediria a desejada vitória. Os melhores corredores norte-americanos não estão afeitos a corridas em mais de 1800 metros e na grama, ficando assim a excelente potranca irlandesa Found, como em tese uma viável competidora, mesmo tendo ela enfrentado Golden Horn mais de uma vez, inclusive no Derby de Epsom, nas duas vezes ficando de Golden Horn distanciada mais de 5 corpos. Golden Horn, grande favorito correu entre o segundo e o terceiro lugares, e na curta reta assumiu logo a liderança. Mas a irlandesa Found, montada pelo bom jóquei inglês Moore, que correu sempre atrás dele, atropelou forte e conseguiu a vitória por paleta de diferença. Do páreo também participou o argentino Ordak Dan que não tinha chances, e que foi pilotado por Jorge Ricardo. A grande festividade turfística teve para os brasileiros como um dos pontos altos a participação o jornalista Ricardo Ravagnani, que apresentou um trabalho muito bom, esclarecido e com detalhes técnicos.

A seguir, um pequeno resumo técnico das citadas duas provas.

Classic – Vencedor : American Pharoah, um castanho nascido em 02/02/2012. Correu 11 vezes e teve 9 vitórias + 1 place. É treinado por Baffert e dirigido por Espinoza. Zayat é criador e proprietário. Effinex ficou com o segundo lugar e em terceiro, Honor Code.

Turf – Vencedora : Found, uma castanha nascida em 13/10/2012. Correu 11 vezes e teve 4 vitórias + 5 places + 1 show. É treinada por O´Brien e dirigida pelo jóquei Moore. Michael Tabor, Mrs John Magnier & Derrick Smith são os proprietários e a criação é de Roncon, Wynatt & Chelston.  Golden Horn ficou com o segundo lugar, e em terceiro Big Blue Kitten.

Gostou da notícia? Compartilhe!

Pular para o conteúdo