1 – O Jockey Club de Hong Kong, um dos melhores e mais ricos do mundo, também é um dos mais tecnicamente adiantados. Vem de assumir contrato com o turfe chinês para um apoio mais positivo no setor de desenvolvimento visando dar o possível maior incremento dos novos 10 hipódromos, todos de grande porte, que estão sendo construídos na China. O citado contrato de assistência tem três pontos principais. O primeiro diz respeito ao aprimoramento de um novo banco de dados e pesquisa. Outro é uma severa regulamentação para o controle antidoping. E o terceiro a construção de um moderno hospital veterinário não só para a proteção da saúde dos animais como para outras atividades de melhorias.
2 – As autoridades hípicas norte-americanas, The Jockey Club, divulgaram no presente mês de outubro, detalhes da criação no primeiro semestre desse ano. Como sempre há retardatários que podem representar um eventual acréscimo de 5 a 10% nos números informados, mas dentro do prazo oficial a seguir vão as informações. Foram cobertas 34.627 éguas, por 1449 garanhões. O número de garanhões caiu 6,3% em relação ao ano anterior, e o número de éguas cresceu 0,03%. Quatro garanhões receberam mais de 200 éguas cada, pela ordem 221,217,210 e 202. Esse quarto garanhão com 202 éguas é Shanghai Bobby, que esteve no Brasil no ano passado por conta do grupo gaúcho habitualmente liderado pelo Stud Capitão e que veio em substituição a Authorized, anteriormente em negociações. Esse Shanghai Bobby é basicamente um milheiro e foi agenciado de Kentucky para o Brasil pela agente Priscila Beloch. Há a se considerar que o prazo médio de gestação é de 11 meses, normalmente aceitos como normais nascimentos até 15 dias antes e 15 dias depois do prazo médio. Como há um severo controle, no Brasil a fiscalização se encerra cerca de uma semana antes de 1 de julho, e nos Estados Unidos desde a véspera do Natal até o dia 1 de janeiro, isto porque um adiantamento anormal de poucos dias após o limite admitido de 15 dias fica por conta da Natureza. Assim, as coberturas devem ou deveriam se iniciar nos Estados Unidos, Hemisfério Norte, no dia 15 de fevereiro, com a gestação média promovendo nascimentos em cima de 15 de janeiro e contando com os eventuais até 15 dias de adiantamento. Se considerarmos que a estação de monta normalmente só é aproveitada até aproximadamente as últimas 2 semanas, teremos de 15 de fevereiro até 15 de junho um total de 121 dias. Como a média de coberturas por égua, com a alta sofisticação moderna resultando em cerca de 1,2 saltos por égua, cavalos recebendo mais de 200 éguas tem que trabalhar duas vezes por dia durante os tais 121 dias, é claro que só garanhões com altas perspectivas e em ótimo estado de saúde podem enfrentar o natural desgaste. Para o Brasil, Shanghai Bobby, como o quarto garanhão entre mais de mil reprodutores em atividade, recebendo mais de 200 éguas representa pelo menos um entendimento de muita qualidade. O Estado de Kentucky representa 50,4%, com seus 17.448 nascimentos, metade da produção norte americana, praticamente o mesmo percentual que o Rio Grande do Sul. O número de éguas no Estado de Kentucky cresceu de 2014 a 2015 em 3,7%. Nos Estados Unidos, os 10 Estados maiores produtores de cavalos de corrida são em ordem decrescente, Kentucky, Florida, Califórnia, New York, Louisiana, Ontario, New Mexico, Maryland, Oklahoma e Pensilvânia, que de 2014 para 2015 tiveram uma variação respectivamente de mais 3,70% – menos 0,69% – mais 3,8% – menos 3,72% – menos 7,15% – mais 26.51% – menos 9,41% – mais 4,93% – menos 7,01% – menos 22,50%.
Os 12 reprodutores que mais cobriram em 2015 são citados a seguir pela ordem decrescente, de éguas e seus criadores. Uncle Mo (221) – Coolmore, Scat Daddy (217) – Coolmore, Into Mischief (210) – Spendthrift, Shanghai Bobby (202) – Coolmore, Temple City (199) – Spendthrift, Munnings (196) – Coolmore, Declaration of War (192) – Coolmore, Kitten´s Joy (187) – Ramsey, Verrazano (183) – Coolmore, Flat Out (183) – Spendthrift, Goldencents (179) – Spendthrift, Tizway (178) – Spendthrift.
A descomunal diferença entre os números da criação Norte Americana para a Brasileira não diferem no que diz respeito a percentuais de aproveitamento. Com a alta tecnologia moderna de muitos dos nossos bons haras, há um aproveitamento percentualmente ótimo resultando em nascimentos da ordem aproximada de 80 ou 85%, ficando os 15% faltantes por conta de eventuais absorções, abortos ou infertilidade mesmo. Em termos de aproveitamento tem-se que admitir natimortos, mortes por acidente etc. devendo ser considerado 75% de real aproveitamento como bom e normal. Mesmo com os graves equívocos do circense turfe norte americano, inclusive e principalmente com a absurda permissibilidade do uso de drogas, o que já movimenta uma legislação governamental através do Congresso com severas restrições e instruções, com os aproximadamente 27.000 produtos/ano, mesmo que sejam destruídos, massacrados ou prejudicados de alguma forma digamos 25.000 por ano, ainda sobram 2.000 de alta qualidade. Esses números e essas divagações servem para que se tenha uma idéia geral do que acontece na criação do cavalo de corrida nos Estados Unidos.
